Archive for domingo, janeiro 15
Os Cachorros - Os Chefes
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Os Cachorros - Os Chefes
Mario Vargas Llosa
Vários
Contos
Mais um Vargalhosa, desta vez menos denso. Esta é uma colectânea com alguns dos seus contos, escritos em diversas eras da sua vida.
Todos eles são muito interessantes, com personagens vívidas e situações carregadas de significado. Por vezes um significado pequeno, mas ainda assim muito importante para essa gente que está no livro.
Mas o melhor é sempre a escrita. Neste livro encontramos contos diferentes escritos de maneira diferente e aí se vê como Vargalhosa é um mestre da narrativa. Consegue agarrar-nos pela alma até quase nos sufocar com as suas palavras. E quando de repente a história acaba é um misto de alívio, porque acabou a corrida na montanha russa, com tristeza, porque a história bem que podia continuar, com felicidade, porque efectivamente acabou e acabou de uma maneira que nos afecta de alguma forma.
De facto, estas histórias parecem afectar as outras histórias de Vargalhosa. Nomeadamente "Os Cachorros" poderá ter inspirado uma das secções d'"Os Cadernos de Don Rigoberto".
É muito interessante ler estes contos, sobretudo quando já se conhece um pouco (no meu caso muito pouco) do autor. É maneira de o compreender um pouco melhor e de estabelecer uma relação mais próxima com ele. Eu acho que quando lemos um livro é como se passássemos a conhecer o autor. Pelo menos se passar por um autor que conheça na rua cumprimento-o.
By : ladyxzeus
Marie Antoinette
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Marie Antoinette
Sofia Copolla
Filme
2006
7 em 10
Uma produção gigante. Roupas que eu não me importava de usar todos os dias. Detalhes engraçadíssimos. Um filme saboroso.
Esta é a história da glória e queda de Maria Antonieta, rainha de França. História essa que eu conheço detalhadamente porque já vi Rose of Versailles 6 vezes. Mas nunca me cansa, apesar de não ter Oscar de Jarjayes e André. Sniff. O filme concentra bem a história, sem ocultar os detalhes mais interessantes e caracterizando cada fase da vida da Antonieta com exactidão e clareza. Os seus problemas, as suas dúvidas, os seus desejos, todos estão caracterizados.
Kristen Dunst faz o papel da rainha e mostra-nos uma Antonieta inocente e divertida, ausente do mundo que está fora de Versailles e impossibilitada de o ver. A personagem cresce com o tempo e passa por várias fases depois de enfrentar os seus pequenos-grandes problemas do dia a dia de uma rainha.
Música fabulosa. Adorei ver o pessoal todo maluco a bailar ao som de Siouxsie. A música dá ao filme a impressão de que é tudo uma brincadeira, e era assim a vida de Maria Antonieta. Por isso, funciona muito bem.
As cores são fantásticas e existem imagens muito bonitas, especialmente as do campo no Trianon. A produção é capaz de ter custado mais do que a própria corte francesa, mas ainda bem, porque está muito exacta em termos históricos e dá vontade de lá viver.
Juntamente com a vida da Rainha, este filme mostra-nos a vida na corte Francesa, o que o torna quase num documento de relato histórico.
Não gostei muito do tom do envolvimento de Antonieta com Fersen, que foi uma coisa muito mais apaixonada (acho eu, também não estava lá) e o fim caiu um bocado mal porque dava a sensação de que o filme ainda ia continuar. Se calhar foi o canal de televisão que o cortou.
Filme muito divertido, cheio de detalhes deliciosos.
By : ladyxzeus
1Q84
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1Q84
Haruki Murakami
2009
Romance
O primeiro volume de três e uma coisa absolutamente fabulosa. Como é que este homem consegue passar 500 páginas a falar sobre quase nada e entreter-me tanto no processo é um mistério, mas sem dúvida que merece nota.
Seguimos as vidas de duas pessoas completamente diferentes, que não se conhecem e, em princípio, não estão ligadas uma à outra por nenhuma razão. Falamos de Tengo, um professor de matemática que escreve romances, e Aomame, uma instrutora de ginásio que mata homens causadores de violência doméstica. Aomame começa a sentir o mundo estranho, como se ele tivesse ficado diferente ou se fosse ela própria a ficar diferente de repente. Tengo, por sua vez, corrige um livro de uma jovem chamada Fuka-Eri, para que o possam candidatar a um prémio de literatura. Esta Fuka-Eri escreve coisas estranhas que diz ter vivido.
E é só isto.
Entretanto há uma descrição detalhada, mas quase acidental, dos procedimentos com vítimas de violência doméstica, e descrições desta, de procedimentos da máfia no mundo do negócio, das acções de grupos políticos e revolucionários e o funcionamento de seitas religiosas. Tudo isto como que por acaso. Encaixado perfeitamente, descrito com naturalidade, de uma fluidez incrível.
Os personagens, até aqueles que não são Tengo ou Aomame, são pessoas reais e perfeitamente palpáveis. Talvez sejam os detalhes sobre as suas vidas sexuais o que lhes trás mais vida. Talvez seja os detalhes do quotidiano. Mas são definitivamente os detalhes que os fazem viver. Nota-se que Murakami gosta de escrever.
Adorei este livro e recomendo muito, por agora. Espero ansiosamente o volume 2!
By : ladyxzeus
As Velas Ardem Até ao Fim
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As velas ardem até ao fim
Sándor Márai
1942
Romance
A propósito da nova peça de teatro que estamos a tentar montar, este livro foi-me emprestado para ver se dava para ser adaptado a uma peça para duas pessoas, dado que se trata de uma conversa entre duas pessoas. Bem, não dá. É uma conversa muito egocêntrica.
Neste livro apresentam-se dois amigos de infância que de repente deixam de ser amigos. Muitos anos depois encontram-se e têm uma conversa. Nesta conversa o amigo que ficou explica a vida toda deles, mais da mulher dele, mais a morte dela, mais tudo isso, e questiona o porquê de as coisas terem acontecido como aconteceram. O outro diz "sim", "não" e "talvez" de vez em quando.
Está muito bem escrito, mas parece que falta algo a esta história. O homem fala que se desunha e nem deixa o outro responder, enquanto que o que eu queria saber era mais sobre o outro. Ficamos a saber tudo, mas só sobre um dos personagens. Ainda por cima do personagem que teve a vida mais aborrecida.
E, no final, ele acabou por não chegar a conclusão nenhuma. Vai morrer triste, este homem.
By : ladyxzeus
Men of Tattoos
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Men of Tattoos
Aniya Yuiji
Manga - 1 Volume/6 Capítulos
2010
6 em 10
Pareceu-me bonita a capa por isso comprei este livro. E bem, não foi uma leitura má, até gostei, mas também não é nada de especial.
A arte é realmente boa. Tem um design original, com traços leves e firmes. Não há fundos detalhados, mas os rapazes são tão bonitos que nem se dá por isso. As cenas de sexo têm muito... Molho. Isso torna as coisas confusas, não se percebe quem está a lamber o quê e assim por diante. Enfim, passa-se à frente e acabou.
A história está bem montada, apesar de ser bastante simples (simples como em A vai para B, C vai para D e B vai para D) As histórias extra são parvas e não faziam falta nenhuma.
Existe um personagem muito interessante, mas que não é muito bem explorado porque isto, bem, só tem 6 capítulos. Os outros personagens estão bem caracterizados mas não têm grande desenvolvimento.
Não é mau e é BL, a mim isso basta-me.
By : ladyxzeus
Crepúsculo - Amanhecer Parte 1
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Crepúsculo - Amanhecer Parte 1
Bill Condon
Filme
2011
4 em 10
É nossa tradição ver o Twilight com os bilhetes grátis do Fonte Nova. Não questionem.
A minha primeira reacção foi: tiveram de partir o filme em dois para cobrirem o livro todo? Aquilo não é assim tão grande ou complexo! Mas enfim, este filme é introdutório ao que vai acontecer a seguir e até fizeram bem em dividí-los, até por uma questão puramente económica.
Mas olhem, tal como os livros, o filme também é uma bela porcaria. A história já por si é má. Não tenho aqui comentários aos livros porque ainda não tinha blog quando fui (obrigada) lê-los mas posso afirmar sem grandes explicações que são bastante maus. Nesta parte da história Bella, a menina humana, casa-se com Eduardo, o vampiro que brilha no escuro, para grande frustração de Jacó, o lobisomem todo bom. Entretanto fazem o amor numa ilha paradisíaca e têm uma criança que consome Bella a partir de dentro e quase que a mata. Mas não mata. Aliás, posso fazer um spoiler? A Bella nunca morre.
Isto tudo para dizer que por melhores intenções que tivéssemos não dá para fazer grande coisa desta história.
Os actores são deprimentes. A rapariga não sorri uma única vez. Aliás, ela tem sempre a mesma expressão de permanente infelicidade e aborrecimento onde quer que esteja. Até a casar-se. Até a beber sangue. A fazer qualquer coisa. Vai dar uma vampira excelente. O Eduardo afinal não é giro. Tem pêlos no peito e a boca torta, como eu. Fala em Português, o que é hilariante (sobretudo porque eles não puseram legendas, à espera que a gente percebesse), mas depois não faz mais nada, é uma mosquinha morta. O que está melhor ainda assim é o Jacó. Ele ao menos sabe fazer mais do que uma cara e sabe manifestar pelo menos dois sentimentos.
Parece haver uma grande produção, mas para que é que serviu? A cara de parva da Bella tira qualquer beleza a um filme.
Música para pitas, não me pareceu mal porque está bem dirigido ao seu público alvo.
E, agora, a grande questão. Porque é que a Bella quando se transforma em vampira fica maquilhada à medida que vai perdendo a cor?
By : ladyxzeus
Novos Contos da Montanha
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Novos Contos da Montanha
Miguel Torga
1944
Contos
São 22 contos muito pequeninos, meia dúzia de páginas cada um. No entanto, não posso deixar de recomendar este livro como um dos melhores que li dentro da literatura Portuguesa.
Os contos são passados na montanha, em aldeias da montanha, onde há lobos, onde neva, onde as pessoas vivem com ovelhas e vivem como ovelhas. Há uma caracterização perfeita da vida destas pessoas e do ambiente que as rodeia. Cada uma é única e faz coisas únicas. Mas podiam ser outras pessoas quaisquer.
Está escrito de forma implacável e crua, com recurso a vocabulário que, para mim, é um pouco estranho, mas que é típico dessas terras e dessas montanhas. Isto demonstra um outro nível de erudição. Saber estas palavras antigas e saber usá-las tão bem é mais que um dom, é uma coisa que foi estudada até se tornar natural. Ou então já é natural de origem.
Com este livro fiquei curiosa para ler mais de Miguel Torga, autor que eu nunca tinha lido. Só agora sei o que perdi.
By : ladyxzeus
90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa
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90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa
Thomas Wengelewski e Henrik Lange
2009
Banda Desenhada
A minha irmã não gosta de ler, por isso dei-lhe este livro no Natal de há dois anos para que ela soubesse sobre literatura clássica e tivesse mais assuntos de conversa. Mas parece que para as pessoas de 18 anos de hoje literatura clássica não é um tema de conversa muito recorrente, por isso ela nunca leu o livro.
Vou fazer o comentário tal e qual como o livro está escrito, mas sem os desenhos porque não tenho tempo para os estar a fazer.
O livro está giro porque resume cada livro em quatro frases e resume-os com piada.
Os desenhos também estão engraçados porque são muito anormalóides.
Mas definitivamente os livros mais giros são aqueles que eu já li. Recomendo especialmente a Alice no País das Maravilhas e A Bíblia.
FIM
By : ladyxzeus
A Flor Oculta
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A Flor Oculta
Pearl S. Buck
1952
Romance
Vou começar por spoilar aquilo que a minha mãe me spoilou a mim. Preparados?
[spoiler]
O livro chama-se A Flor Oculta porque ela fica grávida
[/spoiler]
Bem, agora que já tirámos este peso do peito vamos falar um bocadinho de Pearl S. Buck. Esta senhora é um Nobel e um Pulitzer. Era sinologista e estudava a China. Trabalhou com mulheres violentadas e escravizadas e a sua literatura ajudou o mundo ocidental a compreender o Oriente, nomeadamente a China. Este livro é, por acaso, sobre o Japão. Sobre as relações entre homens e mulheres e famílias no Japão, comparadas com as dos Estados Unidos. Isto tudo caracterizado pelo infeliz casal da Japonesa Josui e de um soldado Americano que se apaixona por ela para se fartar dela logo a seguir.
Não é um livro bonito. As imagens que evoca estão descritas como bonitas, mas parece que lhes falta algum tipo de sentimento e que, por isso, as palavras não são imagens, são só palavras e não têm significado. Aliás, todo o livro está escrito de uma maneira tão fria e afastada que por mais que uma pessoa tente identificar-se com os personagens não consegue. É como se os personagens fossem fotografias tipo passe. O essencial está ali, podemos identificar aquela pessoa em qualquer sítio. Mas se fosse um nu artístico ficaríamos a saber exactamente o mesmo sobre essa pessoa mas com uma emoção associada. É isto o que falta neste livro, o que tornou a leitura uma experiência bastante frustrante.
Sendo um dos livros preferidos da minha mãe, espanta-me como ela gosta tanto destes livros que falam do Japão. Se calhar tenho a quem sair. Já com o David Bowie foi a mesma coisa.
By : ladyxzeus
Quem me dera ser onda
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Quem me dera ser onda
Manuel Rui Alves Monteiro
1991
Novela
E logo a seguir um livro Angolano. Deste não gostei muito.
Tudo começa com um homem que tem ânsias de comer carne de porco. Por isso arranja um porco para criar no seu apartamento, apartamento esse que pertence a um prédio onde é proibido ter porcos. Toda a família se encanta com o porco e fazem várias maroscas para o esconder dos vizinhos maus que o querem roubar.
Isto seria muito divertido não fosse estar escrito de uma forma irritante e incompreensível. Eu adoro a língua portuguesa, adoro ler em português, seja daqui seja do Brasil seja de onde for. Mas este lingo angolano que até precisa de notas de rodapé para se perceber, só está aqui para dizer "este livro é angolano yo, somos tão especiais yo" e não serve para imprimir qualquer tipo de emoção ou detalhe à história.
Parece-me que há uma tentativa de caracterizar a Angola como ex-colónia pelos olhos das crianças, mas até as crianças estão tão alteradas pelo regime (regime esse que eu não compreendo, só ouvi falar assim por alto) que não há caracterização nenhuma, só uma amálgama de termos e de notas de rodapé.
E eu que nem como carne de porco...
By : ladyxzeus
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
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O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
Germano Almeida
1989
Ficção
Foi a primeira vez que li um livro cabo-verdiano. Diverti-me imenso.
Este livro fala do testamento de um comerciante bem sucedido, o Sr. Napumoceno da Silva Araújo, que deixa todo o seu dinheiro e negócios a uma filha secreta que todos (até ela) desconheciam em vez de o deixar ao seu sobrinho. O livro discorre sobre a vida deste Sr. Napumoceno, das vezes que se apaixonou, dos bons negócios que fez, das suas manias de higiene e de fatos para ocasiões sociais, do que sente pelas outras pessoas e porque razão se zangou com o sobrinho. E Germano Almeida faz isto com tanta mestria que a vida deste homem que nem sequer fez nada de especial se torna numa coisa muitíssimo interessante.
O livro prendeu-me do início até ao fim. Escrito em vários estilos, conforme o dita a necessidade, não deixa de nos surpreender, quer seja pela intensidade do relato ou pelos pequenos detalhes, que são tão engraçados.
Diz que também há em filme, mas em filme não deve ser tão giro.
By : ladyxzeus
The Fountain
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The Fountain (O Último Capítulo)
Darren Aronofsky
Filme
2006
8 em 10
O chamado "filme alucinado da árvore que vimos no Ano Novo".
Existe um homem que está no espaço dentro de uma bolha com uma árvore. Aparentemente a árvore está a morrer e ele tem de a salvar. Ele fala com a árvore. Uns milénios antes, em 2005, um médico usa uma árvore para encontrar a cura para o cancro, doença da qual padece a sua mulher. E ainda mais anteriormente, em mil e qualquer coisa, um El Conquistador espanhol procura uma árvore maia para salvar a sua rainha da inquisição. Estes três homens são o mesmo e a mulher também. O homem procura salvá-la, mas ela não precisa de ser salva, porque é uma árvore. Acho eu. Confesso que não percebi muito bem.
Mas o filme é lindíssimo.
Utilizando recursos originais, foram obtidas imagens de uma beleza surpreendente. Uma beleza orgânica e simples, que faz o espectador voar. Imagens que combinam com a beleza da história, uma história simples da busca pela felicidade e do amor, com uma análise quase metafísica da vida e do seu significado.
Hugh Jackman tem uma prestação fantástica, intensa e comovente. Os personagens principais encontram-se em polos opostos da compreensão da vida e da morte e é esta busca o que define o desenvolvimento de Tom nas suas três formas. Através das três perspectivas temos um personagem completo, que se inicia no bárbaro, evolui para uma fase transitória de ciência e conhecimento e termina naquele que compreende o mais íntimo de si e da natureza, buscando na meditação as respostas e acabando por as encontrar inspirado pela visão do passado.
A música dá uma grande intensidade a todo o filme e acrescenta muita emoção às cenas.
Um excelente filme, que peca por não ser muito claro no final e não se associar à mensagem que tenta transmitir. Dizem-me que afinal não é assim tão bom, por isso acho que não o vou querer rever sóbria.
By : ladyxzeus
Destruir depois de ler
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Destruir depois de ler
Joel Cohen e Ethan Cohen
Filme
2008
8 em 10
Filme de ano novo.
Bem, eu já tinha visto isto, mas não me lembrava o quão giro era! Visto uma segunda vez sob efeitos verdes, todo o filme me pareceu uma experiência ainda melhor. Bem, mas antes de começar esta review vou fazer o caro leitor prometer que cada vez que ler "Osbourne Cox" o vai dizer com a voz do Brad Pitt.
A história de base é sobre um agente da CIA, Osbourne Cox, que é despedido por ser um bêbado de merda. Para libertar a sua raiva Osbourne Cox decide escrever umas memórias. Só que, bem, Osbourne Cox não é exactamente uma pessoa relevante no universo da CIA, por isso as suas memórias são, digamos, uma bela merda. Ora, essas memórias de merda são encontradas por Chad e pela Linda Litzke, dois empregados de ginásio. Eles, coitadinhos, acham que estas memórias são documentos secretos da CIA e tentam fazer chantagem com Osbourne Cox para obterem dinheiro. Enquanto isso o George Clooney tem uma almofada triangular e corre regularmente.
Toda a história se une a pouco e pouco, com um detalhe e uma precisão incríveis. Existem várias pequenas histórias que se reúnem todas na confusão que se tornou a vida de Osbourne Cox (ainda estão a ler isto com a voz do Brad Pitt?) Está muito bem pensada e tudo encaixa perfeitamente, sem qualquer hesitação. Achei também que foi muito boa ideia colocar uns "comentadores" à história louca, os responsáveis da CIA. Eles dão um toque de realidade a esta história impossível (mas que até podia acontecer, reunidas as condições ideias)
Mas o mais delicioso deste filme são as personagens. Cada qual com o seu excelente actor, têm todas uma personalidade incrível e um desenvolvimento fantástico. E cada uma diz um palavrão diferente. Osbourne Cox, aka John Malkovitch, é um frustrado, um incapacitado psicológico, um homem furioso com a vida, cuja fúria se transforma numa raiva alucinada que ninguém percebe bem o que é mas que aceitamos (ou ele pode fazer-nos mal). Harry Pfarrer, aka George Clooney, é o personagem perfeito para o George Clooney, um fodilhão sem remorsos, um conquistador, cuja segurança se transforma em terror e paranóia. Linda Litzke é perfeita, a mais fina crítica à mulher de meia idade que está desesperada. E Chad é um encanto. Não tem conteúdo nenhum, mas o Brad Pitt fá-lo tão bem que o personagem se torna em mais um motivo para ver o filme.
A imagem e música, no entanto, não são dignos de nota. Mas fazer este filme como se estivéssemos a assistir aos acontecimentos por acaso funciona muito bem.
Sem dúvida um recomendado.
By : ladyxzeus


