Archive for domingo, setembro 16
3 Iron
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3 Iron
Ki-duk Kim
Filme
2004
8 em 10
Como não gosto muito de ouvir coreano nunca tinha visto um filme coreano. Sugeriram-me este e, como até estava no mood de ver um filme com pessoas, decidi arriscar. E ainda bem.
É um filme lindíssimo.
Certo jovem com uma moto BMW entra na casa das pessoas quando elas estão de férias. Faz a sua vida, lava-lhes a roupa, arranja-lhes balanças estragadas e fica tudo em paz, nem se dá por ele. Até ao dia em que ele encontra uma mulher que é claramente vítima de uma série de abusos. E aí acontece amor.
Não sendo um filme mudo, este é um filme silencioso. é o verdadeiro "vamos ouvir o silêncio". Os actores fazem um excelente trabalho em transmitir palavras sem as dizer, palavras e sentimentos. São momentos de uma beleza indescritível.
É muito engraçado ver as casas das pessoas e conhecê-las sem elas lá estarem. É muito engraçado vê-los a viver a vida das pessoas, que não conhecem, nem nunca viram, nem nunca vão ver. São imagens muito simples mas muito interessantes.
A banda sonora, com várias peças muito bonitas, encaixa perfeitamente nos sentimentos que o realizador e os actores tentam transmitir, ajudando na compreensão do universo que estamos a ver.
E o final absolutamente inesperado quase me fez chorar. Seja realidade, seja fantasia, é felicidade.
Bastante recomendado e obrigada a quem mo recomendou.
By : ladyxzeus
A Wind Named Amnesia
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A Wind Named Amnesia
Yamazaki Kazuo - Madhouse Studios
Anime - Filme
1990
7 em 10
Aviso antes de começar que eu li o conto (livro) que serviu de base para este filme. E que A-M-E-I. Por isso, assim que vi a imagem acima no MAL (MyAnimeList, não o "mal" per se) e constatei que estes eram os designs de Sophie e Wataru... Pensei... "Oh deus, vou odiar isto". Mas não. A verdade é que, para minha grande surpresa, o filme até nem é mau!
É certo que os designs não correspondem em absolutamente nada com a ideia que eu tinha na cabeça, que foi fundada pelas ilustrações do livro. Cabelos brancos wat, fita na cabeça wat. Em termos de animação, temos uma produção bastante eficiente para a época. Não temos nada de fantástico, umas explosões aqui e ali, mas toda a arte é - no geral - muito cuidada e o efeito final está bem conseguido. As poderosas imagens paisagísticas do livro não foram transferidas para aqui, o que é uma pena.
Em termos de história e de personagens, em comparação, há pequenos erros narrativos mas nada que se note para quem não leu o livro. A coesão e a sequência foram mantidas e, o mais importante, todo o fio da história também. Esta é uma história poderosa, quase Saramaguiana mas com um toque de ficção científica: o que aconteceria se, de repente, toda a humanidade perdesse a memória? Isto levanta importantes questões sobre o valor moral da humanidade e sobre a ética que nós atribuímos como inerente à racionalidade (atributo que também só atribuímos a nós próprios) A mim parece-me um debate interessantíssimo e a forma como está exposto é bela. Critico o final que, bem, não tem nada a haver e corta completamente com o momento belíssimo com Bob Dylan que me fez apaixonar-me pela história. A sério, sexo em vez de Bob Dylan? Crime!
Em termos musicais, temos músicas apropriadas e efeitos sonoros bastante bons. Gostei muito dos actores de vozes dos selvagens, pois expressar-se em onomatopeias é bastante difícil.
No geral é um filmezinho bonzinho. Mas vou usar este espaço para recomendar o livro, novela ou conto, chamemos-lhe o que quiserem, porque é belo, é simples, está muito bem escrito e é genial e eu adoro-o às pecinhas pequeninas. <3
Nota: o realizador do anime é o mesmo gajo que fez Ninja Scroll (achei que seria interessante dizer)
By : ladyxzeus
Falemos de Politiquices
3
Porque eu fui à Manif. Logo tenho de escrever uma crítica sobre a qualidade da Manif. Ou não. Não estudar não é só ver anime. Também se pode falar de coisas sérias. E é isso o que eu vou fazer hoje.
Vou colocar aqui as minhas tendências políticas e a minha opinião sobre o balde de merda que praí vai.
Entretanto, fotos da manif:
Assim ficam mais ou menos a ver a dimensão da coisa.
Mas enfim, vamos proceder a uma explicação. Eu não era suposto estar na manifestação. Eu era suposto estar a ser ignorada fortemente na Festa de Apresentação do Novo Spot Publicitário da Kingpin Com Doritos Picantes. Mas a vida acontece e acabei por ficar alojada no Monte da Caparica de ontem para hoje e fui parar à Manif. Eu não sou de Manifs. Porquê? Porque muda alguma coisa? Não muda, então para quê ir. Mas agora eu percebi que ir vale a pena. Ya, podia ter ficado em casa a ver anime ou estar a comer doritos picantes, isto nem tem nada a haver comigo, eu nem sequer trabalho, eu nem sequer desconto. Mas a verdade é que isto interessa. Interessa a todos nós. Vale a pena sair à rua. Eu nem gritei nada. Mas só estar lá, só ser mais um, vale a pena. É com a força da união que se consegue alguma coisa. Neste momento em que escrevo o pessoal tá todo passado a mandar pedras à polícia. Pode ser que ainda se passem completamente e partam aquela merda toda.
Já agora, desculpem os palavrões, mas quando se fala de política há que chamar os bois (e outros animais) pelos seus correctos nomes.
Dizia eu, eu não sou muito por manifestações pacíficas. Gritamos e nada acontece. Mas a situação é: ao menos gritamos. Ao menos temos o direito de gritar.
Agora vou fazer um esclarecimento sobre a minha veia política. Eu não sou de esquerda nem de direita. Eu não sou de nada. Por enquanto, sou pelos competentes. Que são nenhuns. E acredito que num futuro longínquo a humanidade terá força interior suficiente para conseguir viver numa anarquia sustentável. Por isso quando vou votar, vou votar pelos competentes. Que são nenhuns.
Era isso o que fazia falta. Uma pessoa competente. Uma pessoa com fibra. Já olharam bem para o Coelho? Um coelho anão é mais convincente que ele. Observem:
Vou colocar aqui as minhas tendências políticas e a minha opinião sobre o balde de merda que praí vai.
Entretanto, fotos da manif:
Assim ficam mais ou menos a ver a dimensão da coisa.
Mas enfim, vamos proceder a uma explicação. Eu não era suposto estar na manifestação. Eu era suposto estar a ser ignorada fortemente na Festa de Apresentação do Novo Spot Publicitário da Kingpin Com Doritos Picantes. Mas a vida acontece e acabei por ficar alojada no Monte da Caparica de ontem para hoje e fui parar à Manif. Eu não sou de Manifs. Porquê? Porque muda alguma coisa? Não muda, então para quê ir. Mas agora eu percebi que ir vale a pena. Ya, podia ter ficado em casa a ver anime ou estar a comer doritos picantes, isto nem tem nada a haver comigo, eu nem sequer trabalho, eu nem sequer desconto. Mas a verdade é que isto interessa. Interessa a todos nós. Vale a pena sair à rua. Eu nem gritei nada. Mas só estar lá, só ser mais um, vale a pena. É com a força da união que se consegue alguma coisa. Neste momento em que escrevo o pessoal tá todo passado a mandar pedras à polícia. Pode ser que ainda se passem completamente e partam aquela merda toda.
Já agora, desculpem os palavrões, mas quando se fala de política há que chamar os bois (e outros animais) pelos seus correctos nomes.
Dizia eu, eu não sou muito por manifestações pacíficas. Gritamos e nada acontece. Mas a situação é: ao menos gritamos. Ao menos temos o direito de gritar.
Agora vou fazer um esclarecimento sobre a minha veia política. Eu não sou de esquerda nem de direita. Eu não sou de nada. Por enquanto, sou pelos competentes. Que são nenhuns. E acredito que num futuro longínquo a humanidade terá força interior suficiente para conseguir viver numa anarquia sustentável. Por isso quando vou votar, vou votar pelos competentes. Que são nenhuns.
Era isso o que fazia falta. Uma pessoa competente. Uma pessoa com fibra. Já olharam bem para o Coelho? Um coelho anão é mais convincente que ele. Observem:
Como podem observar, este coelho demonstra mais espinal medula do que o nosso actual primeiro ministro. Quanto ao senhor das finanças, o desgraçado parece que esteve a noite toda a chorar cada vez que aparece. E o resto dos meninos do PSD, bem... Há-de haver lá gente de jeito, mas não aparecem. Não se querem queimar. Quanto à oposição, temos um PS liderado por um homenzinho com cara de lombriga e com a mesma composição hídrica. Homem tal que tem a lata de dizer "quando o PS for governo". Meu menino, se depender de mim o PS nunca mais há-de ser governo. Então com você a liderar, nem nos Camarões o vão deixar ser governo. Temos um Partido Comunista do periodo Jurássico. E temos um Bloco de Esquerda que não aparenta saber bem o que há-de fazer à vida. E depois temos uma série de partidos cuja voz é tão fininha e tão pequenina que estarem ali ou não é praticamente o mesmo que nada. Isto para dizer: Portugal enfrenta grave crise política. No meu mundo ideal, teríamos um primeiro-ministro tipo Obama ou Lula, alguém que chegasse lá e nos desse esperança no futuro por mais sacrifícios que tivéssemos de fazer ao início. Teríamos alguém que nas suas declarações públicas não usasse palavras eruditas e dissesse simplesmente as coisas como elas são. Para não terem de ser interpretadas pelos serviços de imprensa, claro está. Uma pessoa directa, que fizesse o que tem de ser feito sem ter medo.
Mas isso é o meu mundo ideal e toda a gente diz que eu vivo numa utopia. E eu respondo: sem sonhos é que não se faz nada.
Para mim a solução ideal seria aumentar a produção de coisas úteis. Tipo comida. Porque, realmente, o que é que interessa saber programar em C se não há comida? Vamos produzir para ser auto-suficientes. A fruta Argentina é mais barata, e todas as laranjas são iguais umas às outras, mas vamos tentar usar os nossos próprios produtos. O resto que se venda para Angola ou para Cabo Verde ou para qualquer sítio onde faça falta. Aposte-se na qualidade, vamo-nos distinguir por sermos bons e não por sermos muitos. Porque muitos não somos nem nunca vamos ser. E legalize-se a erva, pelo amor da santa, que não há país melhor para a produzir. E eu não digo isto por gostar muito, mas sim porque é verdade. Imaginem os campos do Alentejo todos cheios de maconha, tantos turistas a vir para cá, tanta exportação que se fazia para a Holanda onde fazem isto crescer em adegas... Ai ai... Mas sim, a produzir acho que a gente chegava lá. Mas está toda a gente tão viciada no sector terciário que por as pessoas a trabalhar no campo ia ser uma complicação. E ensiná-las a plantar uma cenoura também. E ter os agricultores habituados a receber dinheiro para fazerem casas e comprarem carros também é complicado. Corte-se isso. Obrigue-se as pessoas a produzir algo de jeito para receberem por isso! E assim seríamos um país competitivo e assim podíamos pagar as nossas contas e assim gerava-se emprego e assim tinhamos dinheiro para fazer obras públicas, que geram mais emprego e assim estava toda a gente empregada a fazer alguma coisa de útil.
Mas ok, isto não é a realidade. Há muitos factores de que estas coisas dependem e longe de mim ter essa informação toda. Então vou-vos contar o que seria uma boa solução imediata:
Uma revolução.
A sério.
Pegue-se fogo a esta merda toda e que vá para lá alguém como a pessoa de quem eu falava ainda há pouco. Depois essa pessoa olha para as contas públicas e faz o seguinte: mete-as na net. E toda a gente contribui para solucionar o problema. Sem partidos. Sem clubismos. Sem lutas de interesses idiotas. Visto assim o universo político Português assemelha-se muito ao universo dos eventos de anime... Ah, e sem corrupção.
Ah e aquela cena de meter o pessoal rico e das grandes empresas a pagar, também se podia pensar nisso. Não sei bem como, porque aquela gente também se mata a trabalhar e há-que ser justo, mas não era mal pensado.
De resto, fica aqui o meu confuso manifesto.
Saim para a rua. Manifestem-se. Há-de haver o dia em que deixa de haver internet e aí estão todos lixados, né? Mexam-se. Pelo amor da santa. Façam alguma coisa. Nem que seja mandar faxes para a Assembleia de República a dizer "BAKABAKABAKA".
Porque isto é o nosso futuro. Se ficares sentado, eles podem fazer o que lhes apetece.
By : ladyxzeus
