Archive for quarta-feira, janeiro 30

  • Django Unchained

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    Django Unchained
    Quentin Tarantino
    Filme
    2012
    9 em 10

    Tinha uns bilhetes grátis para o Fonte Nova, por isso vá-de ir ver o filme do Tarantino antes que seja tarde demais. Se bem que já se viu que eu de filmes percebo patavina por isso até devia deixar de lhes dar notas, se calhar é mesmo isso que faço, mas ainda posso comentar não posso? Acho que posso, se não puder olhem não sei.

    Ora bem, eu - percebendo patavinécias - sei do Tarantino uma coisa: ele curte bués do sangue. Então até estranhei o filme porque estava com níveis muito baixos. Mas depois passa-se tudo e entrega o esperado.

    Isto é um western à moda antiga, mas em vez de ser passado com os cowboys é passado com um escravo, o Django. Ele é comprado por um caçador de recompensas, homem bem simpático, e depois mete-se na aventura de ir salvar a mulher dele, uma outra escrava.

    E o filme está mais ou menos próximo do perfeito, sempre com aquele pequenino sarcasmo do Tarantino por todo o lado. Imagens bonitas e interessantes, música feita especialmente para o ambiente que se quer transmitir. Os personagens são o melhor, cada um mais bizarro que o outro mas todos muito fortes e sólidos. Os actores fazem um trabalho estonteante para transmitir a especialidade dos seus personagens.

    O ritmo está muito bem conseguido, sem um único momento em que se perca a atenção. É um filme longo, mas manteve-me agarrada até ao fim.

    E não percebo porque é que a "comunidade negra" dos Estados Unidos se revoltou tanto com este filme. É um filme contra a escravatura! O herói é um preto que se passa contra a opressão dos brancos! É uma coisa boa! Deviam voltar a vender as action figures!
  • A Vida de Pi

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    A Vida de Pi
    Yann Martel
    2001
    Romance

    Já há muito tempo que queria ler este livro. Na realidade, desde a primeira vez que vi a capa. Depois saiu o filme e o meu pai perguntou-me se eu o queria ver. Disse-lhe que o veria depois de ler o livro. Então o meu pai deu-mo! Viva!

    Ora bem, Piscine Patel, vulgo Pi (3,14), é filho do dono de um jardim zoológico na Índia. Os seus pais decidem mudar-se para o Canadá e levam o jardim zoológico consigo, para o revender a outras partes do mundo. Acontece que o cargueiro Japonês em que se encontram naufraga e Pi vê-se num bote salva-vidas na companhia de uma zebra com a pata partida, um orangotango, uma hiena e um tigre, Richard Parker. Brevemente sobram apenas Pi e Richard Parker, que passam então a partilhar uma vida de náufragos no meio do Pacífico. E esta história é verdadeira.

    A história de Pi é fascinante, a forma como ele conseguiu domar Richard Parker e estabelecer os seus limites e a forma como sobreviveu à custa de ver o tempo passar e ter fé. Quase que a perdeu, mas manteve-a. É inverosímil, é certo. Muito. Sobreviver sete meses a comer peixe e tartarugas na companhia de um tigre de bengala com três metros de comprimento. Aliás, há uma parte, a ilha carnívora habitada por suricatas, que torna a história muito pouco acreditável. Talvez tenha sido tudo imaginação do rapaz que esteve perdido no oceano durante tanto tempo. Mas mesmo sendo imaginação é uma história de sobrevivência para a qual todos devemos olhar com respeito.

    O autor, que copia a história que lhe foi contada em primeira mão pelo próprio Pi, faz descrições belas e detalhadas dos momentos no mar. Tornam todos estes sete meses de horror numa experiência quase bonita, de tão detalhada que é. E a maneira como transmite a personalidade do personagem torna o livro ainda mais interessante e engraçado.

    Fiquei descontente com o final. É certo que a verdade por vezes é simples demais para ser romanceada. O próprio Pi fica descontente com ele. Achei a adição da conversa com os técnicos Japoneses um pouco desnecessária, podia ter terminado logo na chegada ao México. Mas ainda assim...

    Ainda assim uma história por demais fascinante. Gostei. Agora resta-me ver o filme e ver como transformaram isto.
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