Archive for sexta-feira, maio 30

  • Boiling Point

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    Boiling Point
    Philip Barantino
    2021
    Filme
    6 em 10


    Um filme gravado num único take, que nos mostra as actividades numa cozinha de um restaurante de luxo.

    O stress é muito, os erros são bastantes, e as consequências podem ser terríveis. Devido ao facto de estarmos num único take, o filme é altamente imersivo e intenso, no entanto não nos mostra nada de altamente inspirador ou revolucionário.

    Por isso, apesar das boas performances e tudo mais, considero-o um filme bastante mediano.

  • Ainda Estou Aqui

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    Ainda Estou Aqui
    Walter Salles
    2024
    Filme
    8 em 10


    Eu ao início não queria ver este filme no cinema, porque o tema da ditadura militar brasileira é um pouco perturbador para mim. A malta da américa latina tem uma capacidade extremamente inventiva de fazer mal uma à outra, então eu simplesmente não queria ver isso.

    Mas acabou por se revelar um filme delicado, maravilhoso, assustador no tema mas nada gráfico e cheio de sentido de humor.

    Rubens Paiva foi um ex-deputado que se envolveu com aqueles que tentavam lutar contra a ditadura militar nos anos 70. Um dia, simplesmente, dão-lhe a boca. E nunca o devolvem. A sua esposa é presa, assim como a sua filha mais velha, para interrogatório, mas perante esta adversidade Eunice Paiva nunca desiste de procurar o seu marido, o pai dos seus filhos.

    Se o horror da prisão e da tortura estão constantemente presentes, o filme também nos mostra a vida diária de uma família perfeitamente normal no Brasil, e isso remeteu-me às minhas próprias memórias de infância na casa dos meus avós: comida sempre disponível, pessoas sempre a entrar e a sair, brincar descalço na rua, apanhar um cão e ficar com ele.

    Isso tornou a experiência extremamente intensa e comovente.

    Por isso, não posso deixar de recomendar este filme.

  • The Witches of Eastwick

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    The Witches of Eastwick
    George Miller
    1987
    Filme
    5 em 10


    Um filme de bruxaria do melhor ano de sempre.

    Três amigas têm vidas moderadamente infelizes, cada uma pela sua razão. Até que um dia um misterioso homem se muda para uma casa mal-assombrada da região, e procede a seduzi-las uma a uma. Este homem tem poderes: este homem é o demo. E elas percebem, mais tarde do que cedo, que é necessário enviá-lo de volta para a que o pariu asap.

    O filme é divertido, mas coloca um pouco em xeque as crenças sobre bruxaria e paganismo que conhecemos na actualidade. Apesar de alguns elementos estarem bem feitos, os efeitos especiais do final são absolutamente grotescos.

    Também a selecção de actores, que em princípio seria muito maravilhosa, acaba por falhar um pouco. Uma morena, uma loira e uma ruiva, ok, temos uma de cada sabor. Mas Jack Nicholson enquanto demónio parece fazer o mesmo papel que já tinha feito milhares de vezes antes.

    Foi só ok.

  • Visitar Amigos e Outros Contos

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    Visitar Amigos e Outros Contos
    Luísa Costa Gomes
    2024
    Contos


    Livro que me ofereceram pelo Natal, e que detestei.

    Porque detestei? Para começar porque há um conto inteiro a dizer porque é que os gatos são bichos horrorosos.

    Depois, porque os contos são escritos numa linguagem em que a autora parece mesmo estar a falar connosco (uma coisa boa), ,mas a voz desta autora é detestável (uma coisa má). Quero dizer com isto que o discurso destes contos me causou bastante desconforto, assim como os temas, porque a autora quase que parece dizer-nos que é melhor, mais inteligente, mais sábia, mais tudo do que nós, o que me deixa bastante frustrada.

    Enfim, não gostei nada e agora está pronto para outras viagens.

  • Kneecap

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    Kneecap
    Rich Peppiatt
    2024
    Filme
    6 em 10


    Um filme muito engraçado (e revolucionário) sobre a formação da banda irlandesa Kneecap, com os artistas enquanto actores a fazer de si mesmos.

    Quem diria que uma língua poderia ser uma ferramenta de revolução? É precisamente isso que se passa com o irlandês e a razão da formação desta banda de hip hop. Numa irlanda que tenta apagar a sua história, que tenta apagar os seus pecados, e que tenta apagar a sua língua original, esta banda aparece como uma pedrada no charco, ou mesmo como um "kneecap", método de tortura.

    Toda esta história é contada de forma muito dinâmica e divertida, apesar de o tema não ter graça nenhuma. O facto de que o próprio governo irlandês despreza a língua original do seu país, faz com que a atitude desta banda seja absolutamente manifesta, e o melhor é que as músicas são mesmo boas.

    Fiquei com vontade de ouvir a banda.

  • Wanwan Celepoo Soreyuke! Tetsunoshin

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    Wanwan Celepoo Soreyuke! Tetsunoshin
    Fukumoto Kiyoshi - Studio Comet
    Anime - 51 Episódios
    2006
    4 em 10


    Comecei a ver este anime há imenso tempo, mas só agora o terminei. Quis vê-lo na altura porque tinha cães, mas a absurdidade destes cães não me dá grande espaço de manobra.

    Tetsunoshin é um caniche miniatura (de criadeiro porque não se parece minimamente com um caniche) que está a tentar fazer de tudo para pagar as dívidas da sua família, que gasta dinheiro em tudo e nada. Para isso conta com a ajuda de outros cãezinhos de raça, incluindo um schnauzer cientista que lhe dá a capacidade de se transformar num humano, um herói mascarado.

    Temos tudo para uma série infantil de sucesso, mas os gags cómicos são muito maus e a animação é lixo.

    Por isso, este anime deixou-me completamente indiferente, e nunca o recomendaria, nem ao maior fã de cinotecnia.

  • Queer

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    Queer
    Luca Guadagnino
    2024
    Filme
    8 em 10


    Daniel Craig demonstra a sua versatilidade com esta interpretação de homem homossexual no México dos anos 50. Baseado no conto com o mesmo nome, este filme conta a história de autodescobrimento de um expatriado homossexual, que se esforça por encontrar uma razão de viver dentro da sua sexualidade e num país estrangeiro.

    O filme é muito romântico e sensual, mas com uma tristeza pairando como uma nuvem ao longo de toda a narrativa. A experiência com alucinogénicos, a experiência sexual, tudo isso já não faz parte do conto original, mas acaba por nos mostrar um pouco sobre o desespero destas pessoas numa época em que as pessoas queer "não existiam".

    Com uma cenografia de extrema beleza, e actores muito talentosos, conseguimos ver um pouco dos sentimentos do realizador, e destrinçar um bocadinho o seu sofrimento enquanto homem gay.

    Recomendo bastante.

  • Christine

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    Christine
    Stephen King
    1983
    Terror


    Mais um livro do Stephen King que recebi pelo BookCrossing. Este fala sobre o famoso carro assassino, e estava ansiosa por ler esta história.

    Fiquei muito desapontada. 

    Para começar, este livro prolonga-se profundamente na sua própria história, enchendo-nos de detalhes que são muito pouco importantes, e isso torna-o muito maçudo. Demorei uma eternidade a lâ-lo, e não foi por ter um especial interesse em saboreá-lo.

    A história de Christine é menos assustadora do que esperava, e os personagens são muito pouco cativantes, por isso nem sequer estamos a torcer por eles.

    Além disso, o carro não é propriamente psicótico, só mata quem lhe faz mal, o que é - de certa forma - justo.

    Um dos livros mais fracos de King até agora.

  • Sing Sing

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    Sing Sing
    Greg Kwedar
    2023
    Filme
    6 em 10

    Numa prisão de alta segurança, um antigo traficante de droga estimula a criação e manutenção de um grupo de teatro. Vamos conhecer estes perigosos prisioneiros à medida que o teatro estimula a partilha dos seus sentimentos e a capacidade de manter a calma nos piores momentos.

    E este filme mostra-nos como o teatro é realmente terapêutico e maravilhoso.

    No entanto, o argumento é bastante simplista, indo do ponto A para o ponto B da maneira mais óbvia possível. Não há muito a falar sobre isto, excepto que a narrativa nos obriga a perdoar estes criminosos e a vê-los como pessoas humoradas e reais, o que é uma coisa boa, mas de uma forma tão básica que isso se torna uma coisa chata.

    Ainda assim gostei bastante porque amo teatro e nada me vai impedir.

  • A Different Man

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    A Different Man
    Aaron Schimberg
    2024
    Filme
    6 em 10


    Um filme estranhíssimo, que se distingue por utilizar um actor que tem realmente uma doença deformativa, em vez de um actor famoso cheio de maquilhagem.

    Este homem deformado tem uma vida simples, um pouco infeliz, e faz uma operação para ter uma cara dita "normal". A partir daí, a sua vida dá uma volta muito diferente, e deixamos de saber o que é real, o que é fantasia, e qual dos actores é a pessoa real.

    Esta confusão toda torna-se muito difícil de entender, mas enfrento este filme mais como uma experiência cinematográfica do que uma narrativa em si. Se aproveitarmos simplesmente a experiência visual, extremamente surrealista, acaba por ser um filme bastante satisfatório.

  • Toast of London

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    Toast of London
    Matt Berry & Andrew Matthews
    2012
    Série


    Uma série de comédia que fala de actores, de actores falhados e de actores desesperados. 

    Toast (Matt Berry), é um actor de grande método em busca do papel perfeito, em busca de um lugar onde possa trabalhar e ser, finalmente, feliz. Infelizmente, nem tudo corre bem, e está sempre a arranjar papéis de que não gosta, com que não se identifica, ou simplesmente não é escolhido em primor do seu grande rival.

    Assim, temos uma série que é menos sobre teatro e mais sobre uma sequência de gags e pequenas piadas, a maioria bastante homofóbicas, que no seu todo fazem uma série bastante mediana.

    Não me ri loucamente, mas também não detestei.

  • A Complete Unknown

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    A Complete Unknown
    James Mangold
    2024
    Filme
    6 em 10


    É sempre um pouco difícil falar do misterioso e pouco vocal Bob Dylan, e este filme faz uma tentativa de biopic que vai desde o momento em que começa a tocar em festivais de folk até ao momento em que decide que as guitarras eléctricas são bastante giras.

    Fico sempre feliz por ver o Timóteo, e o Timóteo a cantar até se dá bastante bem, porque dá um pequeno twist nas músicas e torna-as um pouco mais pessoais, em vez de ser apenas uma imitação.

    De resto, a história contada - segundo me constou - corta bastantes elementos da pessoa real que foi (e é) Dylan, cortando a história precisamente quando ela se torna um bocadinho estranha (depois de um acidente de mota, o artista virou-se para a música religiosa)

    Sem ser pela performance e pelo belíssimo aspecto do Timóteo, temos pouco a acrescentar.

  • The Red Shoes

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    The Red Shoes
    Michael Powell & Emeric Pressburger
    1948
    Filme
    9 em 10


    Voltamos à acção, após alguns meses de inactividade, com um dos melhores filmes que tive a oportunidade de ver desde SEMPRE.

    Este filme de 1948 é inspirado pela horrível história dos irmãos Grimm, que fala de uns sapatos vermelhos que obrigam uma menina a dançar sem parar pela floresta, até ao momento em que um condoído lenhador lhe corta os pés (e os sapatos continuam por aí a dançar). Na narrativa do filme, esta história é substituída por um bailado, em que Vicky Page - uma bailarina à espera do sucesso - é a protagonista. No entretempo, esta bailarina cria uma relação amorosa com um compositor, e é no conflito desta relação que se baseia a sua capacidade de dançar e de actuar perfomaticamente.

    Apesar do argumento bastante simples e directo, os efeitos utilizados neste filme são de uma beleza tal que chega a ser hipnotizante. Como nos anos 40 tiveram a capacidade de fazer semelhantes efeitos, é um mistério para mim.

    No fundo, adorei este filme, que tem muito de emocional, muito de belo, e muito sobre a arte, colocando uma análise muito interessante sobre a própria realidade do mundo do espectáculo.

    Recomendo MUITO.

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