Archive for segunda-feira, junho 23
Mushishi Zoku Shou
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Mushishi Zoku Shou
Nagahama Hiroshi - Artland
Anime - 10 Episódios
2014
6 em 10
A season está a terminar e, portanto, aqui fica o primeiro anime da Primavera.
Confesso que, quando vi o Mushishi original (há muito, muito tempo), não gostei especialmente. Talvez tenha sido por ter visto outras séries semelhantes na altura, mas não me pareceu nada de especial. Esta season veio mesmo a calhar para tirar as teimas e ver se realmente Mushishi é um anime para mim ou não.
A resposta é... Não.
De natureza episódica, este anime conta os encontros de Ginko com os mushi, umas formas de energia e de espiritualidade muito básicas que habitam a natureza e que podem perturbar a vida das pessoas quando fora do controlo. Cada história tem o seu interesse, se bem que poderiam ter investido mais em histórias perturbadoras e tristes, que existiam mas não eram a maioria. Creio que assim o anime teria tido mais efeito em mim. O grande problema é a forma como cada pequena história é narrada.
Não desgosto do ritmo. É um ritmo lento, muito melancólico. Sobretudo, são-nos oferecidas imagens paisagísticas. O grande problema é a qualidade da arte. Para um anime que se baseia sobretudo nos cenários, parecem-me demasiado simples, pouco detalhados e com cores muito deslavados. A estética é própria, mas se grande parte dos episódios é apenas para olharmos e não há nada de bom para olhar... Qual o interesse?
Destaco, no entanto, a música e os efeitos sonoros. A OP é lindíssima. Em termos de efeitos, destaco o uso do silêncio. As pequenas histórias valem sobretudo pela música, mais do que pelos temas em si.
Anunciaram segunda parte para este anime. Provavelmente irei ver, apenas para descargo de consciência.
By : ladyxzeus
Festa do Japão 2014
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Festa do Japão 2014
Narremos esta experiência como se de uma história se tratasse.
No ano passado, havia-me sido impossível estar presente na Festa do Japão, que se vem repetindo do mês de Julho e servirá como lugar de celebração da amizade entre os dois países e ponto de reunião dos habitantes Japoneses de Lisboa e arredores (ou quiçá até de mais longe). Este ano, apesar de ter o dia muito preenchido, não podia perder a Festa!
A manhã começa com muito sono, extrema embirrância, e uma ida ao médico para confirmar que estou toda podre. Análises se seguirão, mas isso é outro assunto (poderei ter febre aftosa?). Depois de almoço, aula de costura! Avançamos um bocadinho com o próximo cosplay, mas batendo as quatro horas em ponto (bling blong bling blong) ala de ir buscar a minha companhia ao Cais do Sodré.
Graças a essa obra prima da humanidade que é o Piquenicão do Continente, estava o trânsito cortado no Marquês, na Avenida da Liberdade, no Túnel, em todo o lado, trânsito em todo o lado. Mas eu sou uma mestra a manejar o meu veículo (um volkswagen fofinho chamado Bequi. É um menino, apesar do nome) e consegui chegar a um parque sem parquímetro, apenas com arrumador.
Aqui entra nova personagem. Neste post podemos chamar-lhe Nhu.
Grandes aventuras automobilísticas se seguem, não são muito importantes. Mas chegámos mais tarde do que eu estava à espera. Ora, eu tinha combinado com um jovem do fórum do Anime Portugal que me encontrava com ele para lhe apresentar pessoal que fôssemos encontrando. Quando chegamos, mando mensagem... O jovem já tinha ido embora. Desculpa jovem! Não foi por mal! É que a Maria Atum (o GPS) deu-nos instruções confusas e erráticas! ;__;
Enfim.
Eu e Nhu visitamos o espaço a ver o que se passa. Ao contrário do que sempre acontece, não vou encontrando pessoas. Estava muita gente, mas... Não vou encontrando pessoas. Por um lado, até gostei. Assim foi um date e não um evento social, bahahahahahahahaha (tenho tanta graça que até me rio de mim própria)
Então, o que havia para ver? Começando da direita para a esquerda, dando a volta, relato as nossas aventuras!
Pesca de Balões!
Via isto nos animes, de apanharem estas bolinhas de dentro de uma piscina com água. Não sabia que eram balões... É que eu tenho globofobia. Fobia de balões. É estranho mas é verdade. Mas por acaso, olhei bem para estes... Olhei muito bem... E não me causavam medo! Eram super fofinhos! Então pedi para apanhar um (por um euro). O senhor deu-me uma espécie de anzol preso num pedacinho de papel. Ora aí está a questão, o busílis da questão... Supostamente se deixarmos cair o balão não ficamos com ele. Tem de se apanhar muito rápido e à primeira. Eu apanhei-o rápido, mas foi à segunda... Mas como estamos em Portugal e não num Templo Japonês, ganha-se sempre prémio. E assim fiquei com um balão cheio de água, como animal de estimação. Chamámos-lhe "Weti", de "molhadinho". É amoroso!
Ia por uma foto do Nhu com o Weti pendurado numa orelha, mas como tenho direitos exclusivos sobre a imagem do Nhu neste blogue, não quero que ninguém o veja :3
Feira de Coisas Aleatórias!
Mais para o lado estava uma banquinha que aparentava ter todas as coisas inúteis que as pessoas japonesas tinham em casa e não queriam mais. De sandálias geta a Power Rangers, passando por catálogos de mobília e manga. Aqui, comprei um livro. Não consigo ler o nome (só sei um dos kanjis), e não tem furigana, mas vai ser um desafio para quando eu tiver mais tempo e voltar a estudar um bocadinho de Japonês. Já tenho quatro livros nesta língua que estou impossibilitada de ler por ser uma grandessíssima ignorante, mas acredito que com algum esforço isso mudará um dia. :)
O que gostei nele foi a capa, mesmo muito louca. Sei que foi escrito por uma mulher... Será um romance? Um dia saberei!
Mas o quê? Bancas de merchandise?
Pois é! Este ano a Festa estava bem maior. Em 2012 era só o lado direito que tinha coisas, mas este ano havia mais uma área útil (e casas de banho descartáveis) Essa área útil estava povoada com bancas de merchandise bem nossas conhecidas. Até tinham coisas que eu poderia querer, mas os preços... Esta gente abusa fortemente da boa vontade das pessoas. E, mais uma vez, doujinshis pornográficos. Será que não têm noção de que estão num evento familiar? E que nem todas as famílias sabem o significado de "yaoi"? Desnecessário, simplesmente desnecessário.
ALIMENTO
E, muito bem localizadas de forma a que a fila não empatasse os caminhos, duas bancas de comida! Eu vinha o caminho todo, já desde o início da semana a desejar uns takoyakis. Eu adoro takoyakis. Queria que o Nhu provasse takoyakis. E dorayakis! Mas vimos a fila tão longa que pensámos... "Vamos dar mais uma volta e já cá voltamos"
Quando voltámos, solene maravilha! Não havia mais fila! E porquê...? Porque a comida tinha... ACABADO!!!! NOOOOOOOOOOOOOOOOO
Mas eu não ia sair dali sem comer alguma coisa. Então pedi um copinho de plástico com edamame. Conhecia este feijão por causa do cão-feijão-inconveniente, mas nunca tinha provado. Bem... O que dizer? Sabe a tremoço.
E outras coisa mais
Tudo o que era cultura Japonesa estava presente. Dos amáveis bonsais e projectos de intercâmbio, passando por literatura religiosa e folhetos de agências de viagens. Gostei de tudo, mas não me marcou por aí além. Se bem que podia ter perguntado sobre o ikebana, porque era uma actividade que eu adoraria praticar. Já experimentei fazer um arranjo, na aula de Japonês, e foi maravilhoso e divertidíssimo! E fiquei com um arranjo muito interessante. Acho que é uma maneira muito engraçada de nos expressarmos.
E no palco?
Como chegámos um pouco tarde, só vimos um bocadinho do desfile de cosplay. Nada de novo a apontar. Pessoalmente, acho que neste tipo de eventos o cosplay é um bocadinho escusado, um bocadinho fora de órbita. Certamente que a APC foi convidada pelo evento a participar, mas ainda assim não me parece que andar no evento mascarado com kimonos e perucas seja a coisa mais respeitosa do universo. Sobretudo quando não se vai participar no desfile e só se está ali por se estar... Mas isso sou eu e não sei nada, não mando em nada e não interessa nada.
Mas depois, o interessante, vimos as demonstrações de artes marciais. Eu gostaria de um dia fazer desporto e ser saudável e fit, portanto vi com muita atenção a ver se alguma coisa interessava. Houve uma que interessou e nada tinha a ver com o Japão... Jogo do Pau! Fiquei fascinada! Quero aprender isto! Quero poder dar porrada no pessoal com um motherfucking pau! E dar pulinhos e ter uns lenços de campino à cintura! E é um pau! Já viram bem as potencialidades disto? Porque é que não há um anime sobre isto? Onde é que eu posso aprender isto? Sem ter de ir ao Ribatejo, claro. E estou a falar seriamente: fiquei hipnotizada! Nenhuma das outras artes marciais me interessou, mas isto era uma dança encantadora!
Depois de comermos todos os nossos feijões, vamos. Ainda temos outra festa para ir. A Casa da Cerca em Almada celebrava a entrada no Verão com um DJ da Radar. Portanto, confiando sempre na louca da Maria Atum, conseguimos enfiar-nos na Ponte. Acabámos por comer pizza. E estava bem mais boa que os tremoços nipónicos.
By : ladyxzeus
Bichos
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Bichos
Miguel Torga
1940
Contos
Numa das vezes que fui ao Porto, senti-me com falta de livros para ler. Comprei dois numa mini-feira que havia no centro comercial Via Catarina, incluindo este. Chegada ao hotel... Não o posso ler! Como o livro é do tempo da tuberculose, tinha as páginas todas coladas. Quando finalmente chegou a altura de o começar, tive de as cortar com uma tesoura. O ideal seria uma navalha, mas não sei onde para a minha (oferta do meu pai)
Cada conto é protagonizado por um bicho. Ou melhor, pela visão humana que o autor tem de um bicho. São aventuras muito próprias de cada espécie referida, caracterizando muito bem a sua natureza. Nestas histórias lutam contra os elementos, contra deus, contra os homens... Mas também os amam. Talvez a história mais emocionante, no que respeita à união com o mundo natural, seja a da cigarra, Cega-Rega. Mas as histórias que gostei mais foram a do cão (Nero), do gato (Mago) e do corvo (Vicente).
Na primeira, o cão recorda a sua vida enquanto espera a morte. Apenas pode morrer depois de ver as pessoas de quem gosta, e aguarda por ela.
A do Mago é a mais divertida, porque conta como um gato de rua foi parar a uma casa de uma senhora e vive a humilhação por se ter domesticado. No entanto, a história demonstra também que o autor não conhece muito da natureza dos gatos, animais extremamente sociais que formam laços muito fortes.
Finalmente, Vicente luta contra deus aquando o dilúvio universal. A sua obstinação, inteligência e, sobretudo, desejo pela liberdade são qualidades tanto animais como humanas. E é esta a história que prova que todos, humanos e não humanos, somos bichos.
Um livrinho que recomendo muito e que colocarei a circular. :)
By : ladyxzeus


