Archive for domingo, julho 24
Honey and Clover
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Honey and Clover
Kasai Kenichi
Anime - 24 Episódios (+2 Specials)
2005
6 em 10
Este é um anime sobre a vida universitária e eu sou o público alvo deste anime. Trata da vida de cinco amigos e das suas relações entre eles e com o universo que os rodeia. Foi-me muito recomendado por um certo grupo de pessoas e a mim apetecia-me ver algo levezinho e bem humorado. Honey and Clover é precisamente isto, mas não é nada mais.
A arte é delicada, com cores leves de aquarela, tornando-se muito adequada a todas as situações do anime. Os desenhos não são detalhados e perde-se muito pela falta de beleza dos fundos. Se esta fosse superior, esta série teria momentos muito mais intensos. A animação é praticamente inexistente e não está especialmente bem conseguida. Bonecos a fazer o mesmo movimento com as mãos durante 30 segundos têm para mim o efeito oposto a "engraçado".
A história é, como seria de esperar, nenhuma. O setting é sem dúvida original, porque não temos muitos animes passados no ambiente universitário (que, verdade seja dita, está bastante bem caracterizado, apesar de eu não me identificar com ele por, enfim, não estar a tirar o meu curso superior no Japão). A história é inteiramente baseada nas relações entre os personagens e na sua evolução, mas isto foi tudo insuficiente.
Cada personagem está bem caracterizado, mas acho que teria gostado mais se cada um deles representasse um estereótipo universitário (pela primeira vez um estereótipo calhava bem! O único que é mais ou menos isto é o Morita e não há-de ser por acaso que ele é o personagem favorito da criançada). Agora, as relações entre eles, não andam nem desandam. É verdade que ainda há uma segunda season, mas gostaria de ter visto um mínimo de evolução ou, pelo menos, de mudança. O único personagem que cresce de alguma forma acaba por ser o Takemoto, que é o eixo principal da história e o principal narrador. Nisto fizeram um trabalho aceitável, se bem que a impossibilidade de pedalar de Tóquio a Hokkaido deixa tudo um bocado a desejar. E a insinuação de que isto acontece à maioria de nós também não ficou nada bem. Este é o personagem com o qual nos devemos identificar mas eu, estranhamente, não me identifiquei nada com ele. E tenho exactamente os mesmos problemas, o problema em crescer, de encontrar algo que não seja o vazio, de encontrar um futuro que seja possível para mim. Acho que não me pude identificar com ele porque os seus problemas não foram realmente expostos. Foram apenas desenhados por fora, mas por dentro eram vazios.
A música é um ponto forte, com a aplicação de uma banda sonora muito variada e bastante apropriada a cada situação. Se isto tivesse sido aliado a uma arte mais poderosa o anime teria valido assim por si só e não precisaria de se ter baseado tanto nas personagens (como em Aria)
A piada de tudo isto, que é suposto também ser uma comédia, é muito relativa. Eu pelo menos só sorri com as pequenas considerações do Leader e da Midori-chan.
Fico à espera da segunda season (que está aqui para eu ver, mas não é para agora) para desenvolvimentos. É que, já agora, gostava de saber se aqueles dois triângulos amorosos dão em alguma coisa ou estão só ali para fingir que há uma história.
Nota: os Specials são uma bela porcaria, completamente inúteis. Sabe deus como eu detesto Specials completamente inúteis.
By : ladyxzeus
A Rapariga com Brinco de Pérola
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A Rapariga com Brinco de Pérola
Peter Webbler
Filme
2003
5 em 10
Depois de ler o livro, tinha curiosidade em saber como seria o filme. Já tinha visto algumas imagens e pareceu-me ser bom, por isso lá fui eu. E eu sei que não é certo comparar filmes com livros, porque são coisas diferentes, mas eu estava - sinceramente - à espera de outra coisa.
A quem já leu a review do livro, a história é exactamente a mesma. Griet, uma moça, vai trabalhar como criada para a casa sobre-populada de crianças irritantes de Vermeer, um pintor de retratos.
Vou começar pelo ambiente. Antes de mais, era cinzento de mais. A única imagem luminosa foi de umas nuvens que não tinham nada a haver com nada. Eu estava à espera de um filme em tons de dourado, mas ele parecia exalar uma humidade e um cheiro a mofo incontornáveis. A música, que deveria ter ajudado a recriar um bom ambiente para a história, era completamente desapropriada. Em vez de melancolia, fazia lembrar um thriller dos anos 80.
Formam omitidos alguns detalhes importantes da história, como a família de Griet, o que contribui muito para a falta de desenvolvimento dos personagens ao longo do filme. A progressão do tempo e a evolução não são acentuadas e parece que as relações entre os personagens são completamente estáticas.
Os actores, terríveis. Imagino o porquê de terem escolhido Scarlet Johanson para o papel, afinal de contas precisávamos de alguém semelhante à verdadeira rapariga do brinco de pérola para ser pintada. Mas a sua prestação era tão má, mas simplesmente tão má... Não tinha conteúdo absolutamente nenhum e parecia que a única coisa que ela sabia fazer era hesitar e beijar. É certo que o papel não era muito complexo, mas a personagem ficou tão apagada que não deu força motriz ao filme. O mesmo se aplica aos outros actores "principais", que parecem não ter agarrado as personagens e estarem a fazer tudo de alma vazia.
A única coisa que aprovo sinceramente neste filme foi a recriação histórica, que deve ter dado uma trabalheira. Os detalhes das vidas das criadas não são tão ricos como no livro, mas serve para o efeito.
Um filme bom em termos de produção e caracterização, mas insuficiente nos outros aspectos. Se forem fãs do romance histórico, como a minha mãe, com certeza que vos recomendo este filme.
By : ladyxzeus