Archive for terça-feira, janeiro 12

  • Requiem from the Darkness

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    Requiem from the Darkness
    Tonokatsu Hideki - Tokyo Movie Shinsha
    Anime - 13 Episódios
    2003
    6 em 10

    Kousetsu Hyaku Monogatari, 100 Stories ou Requiem from the Darkness. Muitos nomes para um só anime. Um anime que é tecnicamente perfeito mas que, por alguma razão, não me cativou totalmente.

    De natureza episódica, conta várias histórias de horror presenciadas por um escritor que deseja coleccionar cem histórias de mistério. As histórias variam entre olhos derretidos, muitas espadas e cabeças cortadas, mas todas elas estão relacionadas com a incapacidade humana de aceitar a realidade, sendo que muitas vezes os "monstros" horríveis que aparecem são apenas criações da mente. No entanto, cada arco narrativo acaba por ser um bocadinho previsível e nem mesmo o extremismo gráfico me fez capaz de encontrar um terror psicológico nestas histórias curtas.

    Os personagens recorrentes aparecem apenas como motor narrativo e não têm caracterização, que está reservada para os intervenientes em cada uma das histórias. Infelizmente, cada uma delas é demasiado curta para que haja um uso correcto destas pessoas, que até têm potencial até chegarem ao momento do "pânico", que tem os problemas já referidos anteriormente.

    A arte é original e a animação está muito bem feita. Foi uma opção estilística muito interessante que combina muito bem com a natureza das histórias, especialmente a paleta de cores escuras e o uso (e abuso) de linhas fortes e linhas cinéticas.

    A música também é original, já que fazem uso de canções em inglês para a OP e ED, um swing lento que nos remete a um universo envolvente.

    No entanto, não me senti motivada enquanto via este anime, talvez pela falta de força dos personagens. Assim, não lhe poderei dar uma melhor classificação (no caso, poderei dizer que este valor é puramente subjectivo)

  • Zipang

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    Zipang
    Furuhashi Kazuhiro - Studio Deen
    Anime - 26 Episódios
    2004
    8 em 10

    Há muito tempo que não via um bom anime e, para mais, um anime de guerra que estivesse realmente bem feito. Apesar de alguns defeitos, não me coibi de dar uma excelente classificação a Zipang, um anime memorável e marcante que poderá ter passado ao lado da maioria dos fãs.

    Tudo começa quando Mirai, uma embarcação militar com todo o top de modernidade e todas as características mais evoluídas que poderá ter este tipo de objecto, navega pela primeira vez e, numa noite de nevoeiro, é atingida por um raio. Qual a surpresa dos seus tripulantes quando se vêm no meio do Oceano Pacífico em plena Segunda Guerra Mundial! Isto, desde já, é um pouco revolucionário no mundo do anime: é uma raridade ver animes sobre a grande guerra que tratem do assunto com objectividade e relatem factos verdadeiros sem os ocultar debaixo de metáforas como naves espaciais, robots e toda essa parafernália de invenções. São giras, claro, mas por vezes faz falta um pouco de realidade nua e crua. Mas a força da narrativa atinge o seu verdadeiro significado quando os personagens são postos à prova perante o seguinte paradoxo: este barco tem o poder de ganhar a guerra, com todas as suas características tecnológicas; no entanto, se mudarem o passado, a vida que eles têm no século XXI poderá ser completamente diferente? O que fazer? As coisas mudam quando, por acaso, salvam um agente das secretas de morrer afogado. E aí, o passado entra em jogo.

    É um anime que provoca debate aceso entre os personagens, entre o que deverá ser feito moralmente, o que deverá ser feito na prática, e as consequências disto para o futuro que todos conhecemos. Os nossos personagens começam a participar activamente, embora de forma puramente defensiva e com o objectivo de "salvar vidas" numa guerra que está perdida desde a sua génese. Acabam por conhecer outras pessoas que concordam, mas também outras que não conseguem aceitar isto. E é neste caldeirão de personalidades que o espectador tem de procurar uma identificação. É fácil de encontrar alguém neste anime por quem nutrir algum carinho: há uma grande variedade de pessoas, cada uma perfeitamente construída sobre uma base sólida (um passado, uma família, uma maneira de ver o mundo) e cada uma, também, com um caminho evolutivo evidente. Os personagens que conhecemos no início de Zipang mudam radicalmente à medida que o anime se aproxima do fim e mais coisas terríveis começam a acontecer à nossa tripulação.

    Se temos uma história e personagens muito sólidos, não poderemos, infelizmente, dizer o mesmo da arte. Teremos de aceitar que toda a maquinaria está muito bem estudada, com designs historicamente informados e muito funcionais. Aliás, o facto de todos estes navios e aviões terem existido realmente é um ponto fulcral na narrativa, pois permite aos personagens do "presente" ter uma vantagem em relação aos do "passado". No entanto, efeitos especiais como explosões, efeitos aquáticos, fumo, tudo isso foi feito por métodos digitais que não se coadunam bem com o resto do cenário. Este, tem pouco detalhe paisagístico e está bastante limitado a eventos marítimos.

    Musicalmente, temos alguns momentos um pouco repetitivos, mas OP e ED apropriadas ao assunto que vai ser tratado.

    Talvez a pior parte deste anime tenha sido o facto de não haver um final conclusivo para a história. O anime de Zipang conta-nos apenas um arco muito inicial de uma narrativa que se prolonga por pelo menos mais três anos (até ao fim da guerra). Isso desapontou-me bastante, mas não o suficiente para reduzir a classificação do anime.

    Assim, recomendo vivamente que todos vejam esta peça. É original, único e muito bem feito em termos históricos e narrativos. Impressionou-me muito em algumas partes, noutras comoveu-me. Irei lembrar-me dele por muito tempo.

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