Archive for segunda-feira, fevereiro 23
Bamboo Blade
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Bamboo Blade
Saitou Hisashi - Square Enix
Anime - 26 Episódios
2007
6 em 10
E agora passamos para um anime perfeitamente normal. Acredito pouco nas escolhas que as distribuidoras americanas fazem para o anime que passa nas suas televisões e, mais uma vez, tal se prova.
Este é um misto de anime de desporto, Kendo, com um fatia-de-vida breve e pouco complexo. Seguimos a vida e aventuras de um grupo de meninas, focado na personagem de Tama-chan, que estão unidas pelo desporto, participando num clube de kendo e em vários torneios desta mesma actividade.
Em termos desportivos, o anime não capta muito o interesse. O jogo não está explicado de forma estruturada, pelo que acompanhar os combates não é simples, e não é o foco principal do anime. Na verdade, aparenta ser irrelevante qual o desporto que une todas estas meninas. O ponto em que a história se esforça mais é no desenvolvimento de Tama-chan e das suas relações com as outras pessoas, isto é, na forma como ela faz amigos e se abre mais a situações sociais diversas. Ainda assim, a personagem não fascina, pois é extremamente simples, e todas as outras pessoas que participam nesta história têm pouco foco e desenvolvimento, caracterizando-se simplesmente pelos seus traços principais. Não digo que sejam personagens extremamente fracas, pois estes traços acabam por ser bastante divertidos e trazem uma boa dinâmica à série.
Não temos grandes momentos de animação que nos falem muito sobre a arte. O design dos personagens é variado e apropriado às suas características. Talvez haja um foco demasiado sobre as séries de Tokusatsus que Tama-chan vê e que não aparentam ser necessários, se não para uma homenagem um pouco desregrada a este género em si.
Musicalmente, temos pouca coisa para além das músicas destas séries, que aparecem em tom jocoso. Apesar da OP não cativar, a ED acaba por ficar na memória. Em termos de vozes, são pouco distintivas.
Um anime que não prima pela sua apresentação, mas que poderá ter um efeito relaxante conforme a altura em que seja visto.
By : ladyxzeus
Metropolis
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Metropolis
Rintaro - Madhouse Studios
Anime - Filme
2001
8 em 10
Para finalizar a noite, um excelente filme. Tenho uma história curiosa acerca dele: na verdade, eu tinha este DVD. Comprei-o há muitos anos, e até me lembro que foi na Worten de Santarém. No entanto, por alguma razão, o DVD desapareceu no tempo e no espaço e nunca cheguei a ver o filme! Por isso, estava muito curiosa em relação a ele. Não desaponta, de todo.
Metropolis é uma cidade megalómana em que grande parte das actividades é feita por robots. Na verdade, estes vivem em paz com os seres humanos, tratando dos seus assuntos, até à chegada de um político maligno que tem intenção de os destruir a todos. No entanto, esse homem manda um cientista louco construir um robot que será o líder de toda a humanidade. Quando há um incêndio na oficina deste cientista, Kenichi salva este robot, de nome Timo e fogem de uma série de situações.
A história é bastante curiosa e tem alguns pontos de debate extremamente interessantes. Na verdade, a questão que aqui se coloca é a da humanidade do robot, enquanto entidade. Será que poderemos criar uma máquina tão humana que ela própria não saiba a sua definição e se questione "quem sou eu"? E se criarmos esta máquina, será que pode ser considerada um super-humano? Para mais, se queremos eliminar todas as máquinas - que não podem ser influenciadas pelo super-humano - que sentido fará entregar a nossa vida a uma delas? São tudo elementos questionáveis que nos fazem pensar ao longo de todo o filme.
Com um conjunto de personagens bem construídos e realistas, compreendemos ao longo do filme as várias facetas da humanidade, em que o humano é um ser vivo e pensante. A ironia das acções dos personagens, perpretadas contra outras pessoas e, sobretudo, contra robots, é um ponto de muito interesse ao longo de todo o filme. Sobretudo emocionante é a parte em que os rebeldes, que sugerem libertar os robots, assassinam Pero de forma a poderem entrar na cidade (onde são imediatamente trucidados)
A animação faz muito uso de momentos digitais, mas que estão muito bem integrados nos cenários. Todos estes cenários, segundo o que me dizia o Qui, podem ser considerados uma homenagem estética ao original dos anos 20. É como se este filme quisesse trazer esse ambiente ao de cima, mas fazendo uso de muita cor e brilho, com variadas matizes, o que torna a cidade num local muito realista onde acontecem momentos de grande beleza.
Também relacionada com os anos 20 está a música, que se apresenta num misto de jazz dançável que traz muita emoção às cenas de acção. A cena final, de destruição total, é acompanhada por uma música alegre que muda completamente o teor do filme: a cena de horror passa a ser apenas consequência natural das acções dos personagens até lá. E, na verdade, a tabela de mortandada acaba por não ser assim tão elevada.
Com tantos personagens memoráveis, inseridas dentro de um contexto quase brilhante, não poderia deixar de acrescentar Timo aos meus planos de cosplay, que poderão ver no Cosplay Portfolio. :)
Um filme que recomendo bastante e que me ficará na memória durante muito tempo. Na verdade, nessa noite, até sonhei com ele!
By : ladyxzeus
Mais Algumas Curtas de Osamu Tezuka
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Curtas-Metragens Experimentais
Osamu Tezuka
Anos 60 a 80
Depois de vermos três curtas metragens de meia hora no início da semana, deu-nos vontade de ver mais algumas enquanto esperávamos que o filme que íamos ver a seguir acabasse de chegar sob forma de torrent. Como são algumas e são todas bastante curtas, decidi colocá-las aqui neste espaço e falar delas (em vez de criar um post para cada uma, o que seria uma chatice)
Memory
Aqui, falamos um pouco sobre memórias. Com uma animação bastante enlouquecida, falamos de momentos marcantes da nossa vida, com leveza e um grande sentido de humor. No fundo, esta curta tenta moralizar-nos para a memória da guerra, que já nesta altura se dissipava para prioritarizar outras coisas.
Drop
Um marinheiro naufrago desespera em busca de uma gota de água. Aparenta ser apenas um exercício de técnica, de qualidade relativa, embora seja bastante engraçado.
The Genesis
Prova de que Tezuka era um hippie de opiniões fortes mas um pouco divergentes em relação ao que seria de esperar. Manifesto anti-feminista no seu âmago, poderá desagradar hoje em dia, mas dentro do contexto da época é muito engraçado.
Jumping
Para mim, esta curta é um pouco assustadora, pois eu tenho como pesadelo frequente isto de saltar cada vez mais alto e nunca mais parar. Também é uma curta metragem que fala um pouco sobre a guerra, mas que também se estabelece como exercício de animação. É bastante curioso.
Broken Down Film
Puro exercício de técnica, mas altamente moderno para a sua época.
Push
Estranho e filosófico, fala sobre um homem que obtém todas as coisas por carregar em vários botões. No entanto, nunca conseguirá um novo planeta Terra, que foi destruído. É uma curta metragem que dá que pensar e nos leva a questionar sobre a nossa própria realidade.
Mermaid
Para mim, o mais interessante e também o meu preferido deste conjunto. Fala sobre a liberdade de expressão e a liberdade de sonhar, numa história com uma elevada força moral que nos prova que imaginar é sempre possível. A animação é muito simples, mas dentro deste contexto tem resultados muito belos.
Para além destas também vimos Muramasa, da qual já tinha falado neste espaço. São filmes curtos e que vale a pena ver, não só pelo seu contexto histórico e narrativas originais, mas sobretudo pela animação revolucionária, que se veio a revelar mais tarde em filmes com uma produção mais abrangente.
By : ladyxzeus
Vício Intrínseco
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Vício Intrínseco
Paul Thomas Anderson
Filme
2014
7 em 10
Fomos ao cinema! Devo dizer que estava uma fila gargantuesca, toda ela para ver as Cinquenta Merdas da Sombra aquele filme que vocês sabem. Tanto que chegámos à sala e já o filme tinha começado há cinco minutos! Portanto, ao início, foi um pouco difícil de acompanhar.
Seguimos a história de Doc, um tipo que trabalha como detective privado e que representa em si toda a broa de ervanárias dos anos 70 americanos. Aliás, todo o filme representa esse tipo de actividade. Depois da sua ex-namorada se lhe dirigir, ele começa uma investigação que o leva até aos meandros do tráfico e consumo de drogas variadas. O filme é um pouco complexo precisamente por causa disto. Sendo que a perspectiva da narrativa é toda pela parte de Doc, passam-se uma série de coisas que à primeira vista são incompreensíveis, mas que possuem significado dentro do contexto. O complicado é tentar passar sobre aquilo que é real ou fantástico e descobrir esse tal significado. Assim, de certa forma - especialmente na parte final - a narrativa é um pouco confusa. Talvez tivesse sido mais fácil de seguir se eu estivesse no mesmo estado que Doc (dava vontade, dava)
O mais interessante deste filme é o conjunto de personagens que nos é apresentado. Toda a gente, de uma forma ou de outra, está a alucinar com alguém, alguma coisa ou alguma situação. Normalmente motivados pelo consumo de droga. Mas são todos boas pessoas, até os psicopatas nazis, se virmos a coisa conforme a perspectiva de cada um. Isto traz uma mensagem muito positiva em relação a este grupo de pessoas, os hippies, a freakalhada, sobretudo porque toda esta gente está muito bem construída dentro do argumento e passam para nós de forma altamente realista. Poderemos estabelecer teorias sobre que pessoas realmente existem e quais são apenas imaginação. Pessoalmente, acredito que toda esta gente é real, tal como é real a dinâmica entre cada um. Isto apenas pode ser conseguido por um trabalho de actor que, não sendo espectacular, está dentro das expectativas.
O filme tem imagens bastante fortes, apesar de não nos apresentar grandes paisagens. Ainda assim, em termos de cinematografia, temos alguns momentos que ficam na mente. Para mim, a cena da corrida à chuiva e as bandeirinhas vermelhas do local das obras foram os que mais me marcaram.
Outro ponto forte da película é a banda sonora. Com sons da época que retrata caindo profusamente sobbre os nossos ouvidos, é um prazer ouvir isto, como se se tratasse de uma colectânea dos anos 70.
É um filme que requer uma certa dose de concentração, mas que no final - se pensarmos bem nele - acaba por ser fiel retrato e homenagem ao movimento da época, embora toque apenas de leve em alguns temas que seriam importantes no contexto histórico. Ainda assim, creio que gostaria de rever este filme, mas desta feita debaixo da manta e em casa.
By : ladyxzeus
O Tintureiro Francês
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O Tintureiro Francês
Paulo Larcher
2014
Romance Histórico
Paulo Larcher
2014
Romance Histórico
Livro que recebi como Ring no BookCrossing.
Num século XVII, em Portugal, um grupo de pessoas reune-se para ir a França resgatar um tintureiro, que trará sucesso à fábrica das lãs instituída pelo Marquês de Pombal. Pela sinopse, ninguém diria que grande parte do livro (cerca de metade) é uma épica história de aventuras marítimas, tendo como personagem principal uma mulher - Teresa - disfarçada de homem. A partir do meio, já o tintureiro francês está em Portugal, ficamos a saber mais sobre as técnicas de tintura de tecidos da época e o que aconteceu a Teresa na última parte das suas aventuras.
O livro está escrito numa linguagem muito adequada à época, o que torna tudo bastante interessante e revela uma grande pesquisa pela parte do autor. Infelizmente, a narrativa perde-se frequentemente por momentos altamente descritivos que são muito maçudos, especialmente no respeitante à anatomia dos barcos utilizados. Como as palavras nauticas utilizadas são do meu completo desconhecimento, foi muito difícil acompanhar estas descrições. Na segunda parte, o detalhe dado às técnicas de tinturaria é bastante interessante, mas ainda assim um pouco difícil de seguir e, quiçá, desnecessário para o desenrolar narrativo.
O livro tem interesse até aos momentos finais devido a este realismo impresso nas palavras. A cena final, então, acaba por ser demasiado fantasiosa para o teor que o livro tinha estabelecido até ali e calha bastante mal, tendo em conta tudo o que lemos.
No entanto, foi um livro que me cativou bastante e que se lê com fluidez.
By : ladyxzeus
