Archive for sexta-feira, agosto 19

  • Elantris

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    Elantris
    Brandon Sanderson
    2005
    Fantasia


    Um amigo recomendou-me vivamente este livro, e finalmente cheguei a ele. Devo dizer que não fiquei grande fã.

    Elantris costumava ser uma cidade maravilhosa, onde seres semi-divinos viviam. Mas por alguma razão caiu em decadência e as pessoas que ganham os poderes da cidade andam por ali meio mortas, em sofrimento e com muita fome. Quando um príncipe é vítima dessa maldição, as coisas começarão a mudar.

    Agora, a minha questão prende-se com: se queremos falar de intrigas palacianas, qual a necessidade de colocar o palácio num universo fantástico, em vez de o colocar na realidade? Porque a verdade é que existe muito pouca coisa de fantasia nesta história, e sobretudo intriga, mentira, conversas, para aqui e para acolá.

    Irritou-me todas as ocasiões em que a história estava na perspectiva do monge, e gostei de todas as partes em que estava na perspectiva de Elantris, porque aí sim havia realmente fantasia. No meio disto tudo, parece voltar a haver a dicotomia dos fascistas vs os socialistas, o que me começa a chatear grandmente em tudo, parece que não existe outro tema.

  • Everything, Everywhere, All at Once

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    Everything, Everywhere, All at Once
    Dan Kwan e Daniel Scheinert
    2022
    Filme
    8 em 10


    Depois de um filme mauzito, tive a oportunidade de ver um filme maravilhoso.

    Esta produção chinesa tem a capacidade para nos levar para outros mundos, para outros tempos, para outras coisas, e ainda assim manter-se fiel à sua ligação terra e às coisas que interessam realmente. 

    Uma mulher tem uma lavandaria falida e uma má relação com a sua família, precisa de resolver as coisas no IRS e mal sabe falar inglês. Quando nisto tudo aparece uma outra versão do seu marido, que a informa de que existem mundos paralelos, universos e multiversos, tudo começa a mudar, porque o seu maior desejo será salvar a sua filha do multiverso.

    Iniciaremos então uma viagem maravilhosa pelos universos, conhecendo as várias versões de cada um, o filme transformando-se e mudando de género, das artes marciais para a narrativa romântica, com uma fluidez perfeita. Os efeitos especiais e guarda roupa são fascinantes, e os actores fazem um papel excelente, misturando as várias versões das suas personagens numa história coesa e maravilhosa, que me chegou a comover em diversos momentos.

    Recomendo vivamente este filme, porque é um exemplo do bom que se pode fazer no cinema.

  • Os Segredos de Dumbledore

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    Os Segredos de Dumbledore
    David Yates
    2022
    Filme
    5 em 10


    Estava com o bichinho do Harry Potter, então queria bastante ver este filme. Foi terrível.

    Acho extraordinário como qualquer filme actual, quer seja nesta época ou não, se esteja a tornar numa actividade revolucionária, anti-fascista e anti-sistema. Por isso, este filme tem muito de política e tem muito pouco de magia. Tem muito de revolução e muito pouco de animais fantásticos. Este filme ser passado num universo de feiticeiros ou num universo de alforrecas é irrelevante. Porque o filme não faz uso do seu setting e, na verdade, não tem conteúdo quase nenhum.

    A relação entre Dumblas e o outro tipo é engraçada e tudo, mas convenhamos que o Johnny Depp teria feito um papel muito mais interessante. A todo o momento estava à espera que ele aparecesse.

    Em termos cinematográficos propriamente ditos, o design das criaturas é bastante infeliz, assim como a sua animação, muito pouco realista e muito pouco agradável à vista.

    O mundo de Harry Potter e Hogwarts começa a dar de si.

  • Para um teatro pobre

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    Para um teatro pobre
    Jerzy Grotowski
    1968
    Teoria do Teatro


    Pois que finalmente passamos aos livros digitais, depois de ter terminado a incansável TBR física.

    Comecei por este livro de teoria do teatro, no qual esperava aprender técnicas para realizar um teatro com pouca produção. No entanto não fala sobre nada disso, apresentando antes uma teoria de limpeza do gesto teatral (e da produção em si) por forma a tornar o espectáculo em algo cru que possa assim demonstrar toda a verdade.

    Ora, isto não me agrada, nem me é útil, sobretudo no que respeita à ideia de que o actor deve usar o palco para explorar os limites físicos do seu corpo, de maneira a demonstrar a verdade e apenas a verdade. Então, não é para isso que serve o desporto? Mais valia ir aos jogos olímpicos...

    Discordo em absoluto desta teoria do teatro pobre, e irrita-me, e exaspera-me, que nos tempos actuais, 60 anos passados, ainda tenham esta ideia da fisicalidade do teatro.

  • Na Prisão

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    Na Prisão
    Kazuichi Hanawa
    Manga - 1 Volume | 12 Capítulos
    1998
    6 em 10


    Novo manga publicado em Portugal pelas mãos da também nova editora Sendai, chamou-me a atenção numa livraria pela capa maravilhosa. Chegamos ao livro e o estilo da capa é totalmente distinto do interior.

    Esta é uma história autobiográfica em formato banda desenhada, em que o autor nos fala brevemente sobre a sua passagem pela prisão, onde foi parar por posse ilegal de armas. Ora, fica a estranheza de que a prisão no Japão é um universo totalmente distinto do ocidente. Para começar, o autor fala sobretudo de comida, e pelos vistos come-se bem por lá. Depois, as regras estabelecidas são muito estranhas e, embora limitativas, parecem permitir uma liberdade de ser vagamente semelhante à do exterior.

    A arte é predominantemente realista, com traços grosseiros e feios, mas que permitem um bom retrato do ambiente (afinal, era proibido desenhar na prisão).

    Assim, foi um manga interessante, mas que parece ter-se focado pouco nas coisas que mais interessavam.

  • A Mão Esquerda das Trevas

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    A Mão Esquerda das Trevas
    Ursula K. Le Guin
    1969
    Ficção-Científica


    Após voluntariar no Festival Contacto, organizado pela Editora Imaginauta, aproveitei para comprar por lá este livro, que pelos vistos já queria ler há tanto tempo que até estava no Kobo.


    Ficção-científica pura e dura, este livro leva-nos até ao planeta “Inverno”, onde os seus habitantes, apesar de humanos, são um pouco diferentes do que conhecemos. São pessoas sem género, que apenas assumem um papel reprodutivo numa época de estro cíclica. Um visitante chega a este planeta para convencer aqueles no poder a juntarem-se a uma organização interplanetária. Mas várias coisas acontecem e este visitante irá conhecer muito mais do que esperava sobre o planeta.


    Ursula K. Le Guin é uma mestra da palavra e remete-nos para este planeta gelado, com paisagens nevadas e belas, encontrando no meio do caminho uma coerência extrema para a forma de viver das pessoas de Inverno. Discretamente, a autora cria amizades entre os personagens, e também conflitos que são mais do que casuais.


    Extraordinário o facto deste livro ter sido escrito nos anos 60, em que a identidade de género não era um assunto corrente. É um livro fascinante que nos leva a questionar a nossa própria humanidade.

  • Sonny Boy

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    Sonny Boy
    Natsume Shingo - Madhouse
    Anime - 12 Episódios
    2021
    6 em 10


    Ora bem, tenho estado ausente deste espaço há demasiado tempo, portanto a partir de agora irei aproveitar todos os tempinhos mortos para o completar. Falta escrever sobre muuuuita coisa!

    Este anime foi-me sugerido na roleta do Re:Conquista e estava bastante ansiosa por o ver, por ter ouvido falar tão bem. Acabou por se revelar um grande desapontamento.

    Temos uma estrutura do anime bastante estranha, e parece que a narrativa é estranha apenas para poder ser estranha. Um grupo de estudantes vê-se encalhado numa ilha maravilhosa, realidade paralela de onde será muito difícil sair. Terão de enfrentar várias aventuras para poder resolver o mistério. No entanto a falta de seriedade das ditas aventuras, desde macacos a jogar baseball a crises alimentares, torna o anime muito infantil e um pouco aborrecido.

    Fica a nota para a animação exemplar, que faz muito uso de cores fortes e de contrastes de sombras para nos transmitir uma ideia de dimensão paralela.

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