Archive for sexta-feira, dezembro 27

  • O Viajante do Século

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    O Viajante do Século
    Andrés Neuman
    2009
    Romance


    Obtive este livro gigantesco num agradável encontrinho do BookCrossing mas, sinceramente, mais valia tê-lo lá deixado, porque foi chato como a potassa.

    Um homem viaja e vai parar a uma cidade que parece deslocar-se de sítio para sítio e que não tem nada de muito interessante para ver. Mas ele vai ficando e conhecendo os seus habitantes, conhecendo um tocador de realejo (seguem-se demoradas descrições sobre o funcionamento da porra do realejo, odeio realejos), uma senhora bonita (seguem-se demoradas descrições sobre as actividades carnais), os familiares da senhora bonita (seguem-se demoradas descrições sobre a casa que ela habita) e sem-abrigos variados (seguem-se demoradas descrições sobre chouriços) e um cão (demoradas descrições sobre as características intelectuais do cão).

    Este livro é um épico que fala sobre absolutamente nada e é completamente inconsequente, porque o viajante do século não viaja para lugar nenhum, apenas está parado nesta cidade sem qualquer interesse a discorrer sobre assuntos sem qualquer interesse e a fazer actividades que talvez sejam interessantes, mas só para ele.

    No final do livro só o queria lançar para uma fogueira, tanto o detestei.

  • Record of Lodoss War

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    Record of Lodoss War
    Nagaoka Akinori - Madhouse
    Anime OVA - 13 Episódios
    1990
    5 em 10


    Eu já tinha visto este OVA há muitos anos, mas na altura irritou-me tanto um OVA ter 13 episódios (eu na altura pensava que eles tinham no máximo 3, lol) que nem o classifiquei. Agora, revisto, continuei sem gostar muito dele.

    Este anime de fantasia é uma adaptação de um jogo tipo DnD mas do Japão. Temos classes e espécies tal e qual, e eles - esta party - estão a lutar uma guerra divina. É certo que os designs e cenários são de cortar a respiração e, para os anos 90, temos sequências de animação absolutamente extraordinárias. Mas não me consegui ligar às personagens, a história não me captou a atenção e - sinceramente - pouco ou nada me interessava o destino deste mundo de fantasia.

    Por isso, talvez isto seja um roleplaying game muito divertido, mas ver outras pessoas a jogar não é assim tão interessante. Fiquei muito desapontada com este rewatch.

  • Spaced

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    Spaced
    Simon Pegg & Jessica Stevenson
    1999
    Série


    Um casal de amigos, ela escritora e ele desenhista, finge que são um casal a sério para poderem alugar uma casa. Partilham o prédio com uma senhoria louca e com um artista bizarro e, rapidamente, vem viver com eles um amigo fanático por armas e pela guerra. Se isto não é fonte para comédia, não sei o que é.

    Nesta série, as fronteiras entre a amizade e o amor verdadeiro são muito ténues, e é contra essa dicotomia que estamos constantemente a lutar pelo meio dos gags surrealistas, das situações malucas e dos acidentes inusitados. Assim, acaba por ser uma série que aquece bastante o coração, ao mesmo tempo que nos faz rir.

    É bem curtinha também, como os ingleses gostam, e vê-se num instante. Além disso, para quem viveu os anos 90, é um gosto ver as referências todas da altura. Recomendo.

  • The Bear Season 3

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    The Bear Season 3
    Christopher Storer & Joanna Callo
    2024
    Série


    Terceira season th The Bear, série de que havia gostado imenso. Esta season aproveita para esperemer melhor os personagens e as suas relações, com episódios específicos para cada personagem que nos permitem conhecer um pouco mais sobre as suas vidas, como eles foram parar ao restaurante e qual a relação emocional deles com este restaurante em específico.

    Também explora um pouco mais as relações familiares entre os donos do restaurante, focando-se um pouco menos na cozinha e na gestão e mais no lado humano.

    Apesar de tudo, esta season pareceu uma season de transição para algo maior e mais conclusivo, pelo qual teremos de - ansiosamente - aguardar.

  • Trap

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    Trap
    M. Night Shaylaman
    2024
    Filme
    6 em 10


    Um cuidadoso pai leva a sua filha ao concerto da mais famosa cantora do universo, Lady Raven. Mas algo de estranho se passa.... Um poderoso dispositivo policial está a preparar-se à volta do recinto. Então ele ouve falar que estão prestes a apanhar um grande assassino psicopata que supostamente está no concerto. E.... Ele é o assassino psicopata. Ora bolas. Como irá escapar com a sua filha?

    É um filme engraçado, porque nos mostra que as pessoas mais normais podem ser os maiores monstros. Este pai aparentemente carinhoso e amoroso, demonstra ser uma pessoa altamente inteligente e calculista, que consegue improvisar qualquer plano para tentar escapar da armadilha que lhe montaram e voltar a casa em segurança e manter o segredo da sua família.

    Apesar de ser um filme inteligente, a conclusão pareceu um pouco apressada e forçada, como se o psicopata subitamente não tivesse pensado em mais nada assim que chegou a casa. Penso que teria sido melhor se a conclusão se tivesse mantido pela sala de concertos, mas o realizador é quem sabe.

  • Top Gun: Maverick

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    Top Gun: Maverick
    Joseph Kosinski
    2022
    Filme
    4 em 10


    Para começar, eu nem queria ver este filme. Eu nem gosto do Top Gun original e uma sequela parece-me simplesmente uma patetice.

    Mas lá fomos nós ver o filme, pronto.

    E é uma patetice. O Tom Cruise, que continua igual devido à sua dieta de placentas, vai liderar um esquadrão especial de aviões especiais para mandar uma bomba especial num sítio especial que tem terroristas especiais. Para isso, os pilotos especiais têm de treinar e ser amigos especiais e jogar à bola na praia enquanto correm em tronco nu (excepto a menina, que agora há uma menina, essa anda de top)

    Depois há aviões que fazem vrrrrr e bzzzz, tudo muito emocionante.

    Entretanto há um elemento muito comovente do pai do piloto X ser amigo do Tom Cruise e o piloto X quer pilotar para o centro da terra para largar a bomba em homenagem ao pai, acho que mais valia cantar uma canção especial no karaoke mas cada um sabe de si.

    Enfim, uma bela treta tal como o primeiro Top Gun, mas também estava à espera do quê?

  • The Wild Robot

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    The Wild Robot
    Chris Sanders
    2024
    Filme
    6 em 10


    Um robot servil cai do seu avião e vai parar a uma floresta inabitada por seres humanos. Ainda assim o robot  QUER servir. Então programa-se para aprender a língua dos animais. Pronto, agora já pode servir. E, acidentalmente, a sua missão vai ser cuidar de um ganso bebé, até que ele possa voar e fazer a sua migração.

    Um filme muito bem feito e divertido, que fala sobre o verdadeiro sentido da família, que é a que encontramos e não a que nos fez nascer. Temos uma animação excelente, um cast de luxo, mas ainda assim, de alguma forma, não me encheu as medidas. Porque a conclusão é tão evidente (tudo está bem quando acaba bem), mesmo com o seu mini twist (nem tudo está bem, mas acaba tudo bem na mesma), que acabo por me sentir frustrada.

    Ainda assim, parece-me um forte candidato aos prémios, devido ao sentido de obrigação familiar que o filme transmite e também ao senso de protecção da natureza.

  • M. Butterfly

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    M. Butterfly
    David Cronenberg
    1993
    Filme
    8 em 10


    Um filme comovente e maravilhoso, que relata a história real de dois amantes que - apenas no fim - descobriram a sua verdadeira identidade.

    O cônsul de França na China pensa que sabe tudo sobre os asiáticos. É um racista e colonialista, óbvio, até ao momento em que conhece uma famosa artista de teatro chinês, que lhe pede que a veja no teatro tradicional. A paixão é imediata. Mal sabe ele que as mulheres no teatro chinês são todas interpretadas por... Homens.

    Assim, este cônsul vive na ilusão de ter uma amante chinesa, quando na verdade mantém relações homossexuais com um espião do regime comunista. E isto, por mais bizarro que seja, aconteceu mesmo. No entanto, Cronenberg torna esta história tão bela e tão pungente, tão comovente e tão apaixonante, que acreditamos que o amor, a aceitação e depois a rejeição e - por fim - o arrependimento são efectivamente a realidade daquilo que aconteceu.

    Para mim esta foi a mais bela história de amor de todo o ano, tenha acontecido desta forma ou não. Quero acreditar que aconteceu assim, embora a wikipedia diga que não. Obrigada Cronenberg por teres feito este filme sem meter medo. Porque é mesmo muito lindo.

  • Baby Reindeer

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    Baby Reindeer
    Richard Gadd
    2024
    Série


    Forte candidata a série do ano, Baby Reindeer é uma série autobiográfica protagonizada pela própria vítima dos acontecimentos.

    Um rapaz oferece um chá a uma estranha mulher que visita o bar onde trabalha. A partir daí vê-se enrolado numa trama de perseguição por esta stalker, que o apelida de "Rena Bebé", que lhe manda e-mails infinitos, chamadas infinitas, mensagens badalhocas, o persegue na rua, enfim, não o deixa em paz.

    Uma série que é também uma análise sobre o abuso sexual sobre homens, que é um tema que nunca é analisado nos media, e que por isso é muito valiosa. A stalker é verdadeiramente assustadora, e a forma como o autor lida com a situação é irresponsável e ilógica, o que torna tudo muito mais humano.

    Creio que esta série funciona como uma catarse para o autor, a admissão do seu abuso, a admissão do seu sofrimento. E isso tem muito valor. Parabéns.

  • Hacks

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    Hacks
    Lucia Aniello
    2021
    Série


    Uma escritora de comédia cancelada por uma má piada é enviada para trabalhar com uma comediante de Las Vegas - a mais genial do seu tempo - que está em franca recessão. Será que juntas conseguem voltar a pavimentar o caminho do sucesso?

    Uma comédia viciante, baseada na relação mais ou menos tóxica entre duas mulheres, uma muito mais velha e uma muito mais jovem, e no seu conflito geracional, de orientação sexual e de próprio sentido de humor. No entanto, a partir deste conflito forma-se uma relação, e desta relação pode nascer uma amizade.

    O conflito entre as duas é o motor da série, e sempre que implicam uma com a outra é um soltar de gargalhadas. Mas ainda assim existem momentos mais sérios, de auto-avaliação, que nos deixam a pensar sobre o lugar da mulher no mundo do espectáculo e no que poderia ter sido feito no passado para que o presente fosse mais positivo.

    Gostei muito desta série, e agora aguardo nova season.

  • Ted Lasso

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    Ted Lasso
    Jason Sudeikis
    2020
    Série


    Esta série fala sobre futebol e muito mais. Ted Lasso foi contratado para treinar uma equipa de futebol inglesa em recessão, mas ele não sabe nada de futebol. Ele na verdade é treinador de futebol americano, e nem por isso muito bom. Mas ele tem uma característica única: é uma pessoa super bem-disposta, super motivadora e vai fazer de tudo para que - quer ganhem ou percam - todos se sintam bem. E isso é mais importante que qualquer taça.

    É uma série relativamente curta (três seasons), que é divertida e agradável, suportada pelo seu personagem principal e pelo actor que lhe dá vida. No entanto, os outros personagens também têm uma unicidade muito própria, e os pequenos dramas que vão acontecendo tornam a experiência muito prazerosa e engraçada.

    Ficamos a conhecer os meandros da indústria do futebol mas, mais que isso, ficamos a saber que os jogadores, os treinadores, os dirigentes, todos eles são - no fundo - pessoas como nós. Que precisam de amor, de motivação, de energia e de carinho, mais do que tudo. E esta série é importante porque mostra que isso é tudo o que é preciso para vencer.


  • "Oshi no Ko" 2nd Season

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    "Oshi no Ko" 2nd Season
    Yamashita Shinpei - Doga Kobo
    Anime - 13 Episódios
    2024
    7 em 10


    Depois de me terem dado dois mega SPOILERS, ainda assim o meu interesse por esta série não morreu e foi com grande excitação que me atirei à segunda season.

    Agora, Aqua não acredita no teatro, até que vê uma peça em 4DX e fica muito excitado com o seu potencial. Ainda assim, não acredita ser um verdadeiro actor. Enquanto isso, continua a busca pela identidade do seu pai e - agora - pelos restos mortais do seu corpo original, o do médico.

    Esta é uma season de transição, em que se descobrem algumas coisas, há algum desenvolvimento de personagem, mas não há grandes revelações, conclusões ou reviravoltas. Aprendemos um pouco mais sobre o mundo do teatro, desta vez de uma perspectiva ultra moderna destas peças 4DX que nem sequer existem cá (e ainda bem, eu achei aquilo horroroso) e um pouco mais sobre o mundo das idols.

    Apesar de ser claramente inferior à primeira season, temos aqui material bastante para continuarmos com uma história de grande qualidade, pelo que aguardo ansiosamente pela sua conclusão.

  • Uzumaki

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    Uzumaki
    Nagahama Hiroshi - Akatsuki
    Anime OVA - 4 Episódios
    2024
    5 em 10


    Disseram que esta animação estava horrível devido à quebra na qualidade da animação de episódio para episódio, mas sinceramente não foi isso o que me fez mais confusão.

    Achei simplesmente uma má adaptação. Não adaptaram as partes mais interessantes da história e a música torna todo o cenário extremamente estranho, já que o manga está em silêncio. As partes animadas a rodopiar também tornam tudo mais estranho do que assustador, porque o manga está parado, e é o facto de estar parado que torna as espirais tão fascinantes: olhamos para elas e sentimo-nos atraídos por elas. Quando elas estão em movimento, essa atracção desaparece.

    De resto, achei o anime tão relaxante quanto o manga, talvez um pouco menos devido à música muito irritante.

    Não recomendo, da mesma forma que o manga.

  • Humanist Vampire Seeking Consenting Suicidal Person

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    Humanist Vampire Seeking Consenting Suicidal Person
    Ariane Louis-Seize
    2023
    Filme
    6 em 10


    O título diz tudo. Uma vampira "adolescente" (tem uns 80 anos) não consegue matar pessoas porque lhe mete nojo. É, digamos, vegetariana. Precisa que a sua família lhe mate as vítimas, e eles estão fartos de a aturar. Até ao dia em que faz amizade com um rapaz suicida e ele está preparado para ser a sua primeira vítima. Será que vai sair daqui uma história de amor?

    É um filme engraçado e bonito, sobre uma amizade e amor improváveis, e sobre como ser um vampiro numa época moderna em que não é assim tão fácil matar e esconder pessoas para obter sangue. Colocar a perspectiva sobre os adolescentes foi muito bem pensado, porque nos coloca a nós próprios a pensar na nossa própria ideia de consumo e de humanidade, de como seria se a comida tivesse de consentir ser comida.

    De resto, não acrescenta muito mais ao mito do vampiro, sobretudo depois de ter apanhado com a genialidade de Hellsing pouco antes.

  • Hellsing Ultimate

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    Hellsing Ultimate
    Tokoro Tomokazu - Madhouse
    Anime OVA - 10 Episódios
    2006
    10 em 10


    Estava muito deprimida com o mundo, então pensei "o que há-de melhor para descomprimir do que ver um pouco de zombies vampiros nazis?" E assim fui rever Hellsing Ultimate e dar um refresh no meu score que, como vêem, subiu de 9 para um belíssimo e redondo DEZ (10)

    Hellsing é uma obra prima maior do anime. Com um argumento invejável, que pega na mitologia do vampiro e cria Alucard, o verdadeiro Cão da Morte, o vampiro indestrutível, o pecado original, o pássaro de Hermes que comeu as próprias asas para sua própria segurança, Hellsing acrescenta a esse mito a modernidade de lutar contra o grande inimigo da humanidade: os nazis.

    A isso acrescente-se um toque sexy, para rapazes e raparigas, personagens apaixonantes, designs que *espuma* preciso de fazer cosplay (INTEGRA!) e uma pitada de gore. Ooops! Deixei cair o frasco do gore.

    Todos os elementos de Hellsing se conjugam num anime que só posso considerar perfeito, quer em termos narrativos quer em termos visuais, porque a destruição total apenas funciona com o exagero total, quando o anime vai mesmo full anime, e este anime não se poupa em recursos para nos mostrar o caos absoluto. Podemos dizer que a animação está datada? Não. Para mim está ainda mais apurada.

    E agora, vou de mãos dadas com o Alucard apanhar umas florinhas, com licença.

  • Short Peace

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    Short Peace
    Vários - Sunrise
    Anime Special - 5 Filmes
    2013
    6 em 10


    Uma peça de animação muito interessante, que conta com uma intro e 4 filmes curtos com temas diversos, todos animados digitalmente por realizadores diferentes.

    Os meus preferidos foram os do fogo e o Gumbo, o do urso.

    Este interessante conjunto de curtas é uma prova do state of the art da época, experimentando com diversas texturas e técnicas por forma a demonstrar tudo aquilo que se podia fazer em termos de animação nos anos 10. As histórias têm argumentos muito bem feitos, e vão desde o mais cómico ao trágico, passando por temas tão diferentes como o histórico e a ficção científica.

    É um anime muito curioso que acho que vale a pena ver.


  • Tootsie

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    Tootsie
    Sydney Pollack
    1982
    Filme
    6 em 10


    Um actor falhado e invejoso porque parece que as mulheres têm sempre mais sucesso que ele encontra a solução perfeita para encontrar papéis: vestir-se de mulher. E assim nasce Tootsie, uma senhora que se torna uma estrela de sucesso, e também uma nova vida dupla para este actor.

    Esta comédia coloca em causa os papéis de género, mas também coloca em perspectiva os direitos da mulheres, a posição da mulher no mundo artístico, o abuso sexual às mulheres e o abuso laboral. Tudo isto visto por um homem disfarçado, que subitamente compreende que ser mulher não é tão fácil como parece.

    Se ao início o filme parece injusto (como um homem se atreve a fazer de mulher e a ter mais sucesso que uma mulher verdadeira?), a conclusão é tão engraçada e bem feita que acabamos por perdoar a personagem. 

    Ainda assim, é um filme muito leve, e se nos faz pensar, rapidamente nos esquecemos dele.

  • Papillon

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    Papillon
    Franklin J. Schaffner
    1973
    Filme
    6 em 10


    Eu li o livro biográfico que deu origem a este filme há imensos anos e, na altura, marcou-me tanto que ainda me lembro perfeitamente dele. Assim, não posso deixar de comparar o filme ao livro.

    Conta a história real de um ladrãovigaristaassassino, conhecido por "Papillon" devido à tatuagem de borboleta que tem no pescoço, que é enviado para a Ilha do Diabo e lá terá de sobreviver o melhor possível. Mas ele não quer apenas sobreviver: ele quer sair de lá. E fará trinta por uma linha para se escapar.

    Este filme é violento, feio e mal cheiroso, como a própria Ilha do Diabo o deve ser, mas acaba por nãp caracterizar tão bem as coisas lá vividas e os seu horrores como o livro o faz. Também muda algumas cenas, que só aparecem na sequela (Banco), nomeadamente a convivência com a tribo dos índios. Por isso, acabei por não o apreciar muito, por pura comparação.

    Sozinho, é capaz de ser mais interessante.

  • Rain Man

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    Rain Man
    Barry Levinson
    1988
    Filme
    5 em 10


    Tom Cruise é um vendedor de carros sem escrúpulos que vê a sua grande herança desaparecer para um hospital psiquiátrico. Nesse momento descobre que tem um irmão mais velho, Dustin Hoffmann, que está no espectro do autismo e - tendo uma capacidade matemática e de memória extraordinárias - não consegue perceber as coisas simples da vida. Irá viajar com ele numa road trip e aprender a ser um bom irmão.

    Seria um filme engraçado, mas Dustin Hoffmann desta vez vai Full Retard, e o seu exagero na personagem torna-a completamente inverosímil. Também o Babbit mais novo me pareceu demasiado agressivo, demasiado convencido, demasiado sem escrúpulos, para depois a sua transformação diametral fazer um sentido lógico.

    Com este argumento e o exagero dos actores, Rain Man acaba por ser um filme de família que coloca as pessoas dentro do espectro num nível fora dos limites do razoável, o que me parece bastante injusto.

  • Dog Day Afternoon

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    Dog Day Afternoon
    Sydney Lumet
    1975
    Filme
    8 em 10


    Dois homens vão roubar um banco. No entanto um deles é muito simpático e não quer matar ninguém (Dustin Hoffmann). Vamos ficar a saber porque é que ele quer o dinheiro a meio do filme e a resposta vai surpreender TODA A GENTE.

    Um filme surpreendentemente romântico e comovente, que fala sobre os direitos queer, sobre a liberdade de sermos quem somos, e sobre até onde estamos dispostos a ir pelo verdadeiro amor. Tudo isto com muito suspense à mistura, e um grito patente sobre direitos sociais.

    Com um papel extraordinário, Hoffmann mostra-nos um homem dividido, com facetas secretas e com uma desenvoltura na personagem que é digna apenas de um grande actor. Ele suporta todo o filme, que tem os seus momentos calmos e engraçados mas também tem momentos altamente stressantes e emocionantes.

    ATTICA nunca sairá das nossas memórias enquanto este filme existir.

  • Kramer vs Kramer

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    Kramer vs Kramer
    Robert Benton
    1979
    Filme
    6 em 10


    A modos que fizemos uma maratona de Dustin Hoffmann, e de seguida irei falar sobre esses filmes.

    Começamos com Kramer vs Kramer, um filme que fala sobre o divórcio, sobre o papel da mulher na família e sobre a parentalidade. Kramer-esposa decide abandonar Kramer-esposo e o seu filho pequeno para procurar uma nova vida. Kramer-esposo não sabe o que fazer, pois tem um emprego extremamente exigente. Terá de se adaptar. Quando Kramer-esposa regressa para buscar o seu filho e lutar por ele em tribunal, o que irá fazer o Kramer-esposo?

    Este é um filme importante na sua altura, porque coloca em causa o papel do homem e da mulher no contexto familiar, fala de famílias divorciadas e de pais sozinhos enquanto educadores, e fala do homem enquanto figura paternal, o que era um tema muito pouco tocado nesta época. No entanto, creio que o filme pode ter envelhecido um pouco mal, pois este assunto - nos tempos modernos - passou a ser quase um não-assunto.

    Apesar de tudo, é um filme bonito e comovente, que nos faz tomar uma posição.

  • Inside Out 2

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    Inside Out 2
    Kelsey Mann
    2024
    Filme
    6 em 10


    A sequela de Inside Out esforça-se por falar da adolescência, mas simplifica-a bastante. Introduz uma série de novos sentimentos: o Ennui (aborrecimento), a Vergonha, a Inveja e a famigerada Ansiedade. Estes novos sentimentos apoderam-se da maquinaria dos sentimentos antigos e enviam-nos embora para o cacete, tomando conta da cabeça da nossa personagem principal e fazendo-a tomar decisões bizarras e estranhas, o que poderá vir a ter consequências no seu futuro.

    Apesar deste filme querer abordar os sentimentos da adolescência, fá-lo de uma forma tão simplificada que acabamos por não tirar muita coisa de valor da narrativa. Temos alguns momentos cómicos, mas as novas personagens não acrescentam grande coisa ao que tinhamos antes, e no fundo acabamos por ter um conceito infinito: à medida que vamos crescendo, a variedade de sentimentos que vão surgindo é virtualmente infinita. Por isso podemos ter Insides Outs para sempre.

    Não sei se gosto disso.

    De resto, fica a nota pela excelente animação, como não podia deixar de ser de um filme Pixar.

  • Beetlejuice Beetlejuice

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    Beetlejuice Beetlejuice
    Tim Burton
    2024
    Filme
    6 em 10


    Uma sequela do famoso Beetlejuice, que tem um bocadinho de aterrorizante mas que, no fundo, é mais algo engraçado das esquisitas mãos de Tim Burton.

    Lydia agora tem uma filha, que não compreende o seu poder de ver fantasmas. Aquando a morte do seu pai, regressa à casa onde tudo começou, e essa filha conhece um rapaz muito fascinante, que afinal está morto e a leva para o submundo dos mortos. Agora Lydia tem de a ir lá buscar antes que ela apanhe o comboio para o destino final.

    É um filme divertido, cheio de efeitos práticos muito giros, com uma história de coming of age familiar que joga bem com as emoções do público. No entanto, creio que o autor colocou demasiados elementos na história (a fatídica mulher de Betelgueuse, por exemplo, não sei se foi algo essencial), e acaba por ficar uma amálgama de coisas por onde é difícil escolher.

    Apesar de tudo, gostei, embora não seja tão engraçado nem original como o primeiro.

  • The Last Unicorn

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    The Last Unicorn
    Arthur Rankin Jr. & Jules Bass
    1982
    Filme
    7 em 10


    Um maravilhoso clássico de animação que sempre tinha querido ver e que nunca tinha tido oportunidade.

    Um unicórnio percebe que é o último da sua espécie e decide partir numa viagem para encontrar outros unicórnios. Irá correr muitos perigos e lutar contra um poderoso feiticeiro e perceber que a sua magia nunca pode ser perdida sob o risco de toda a magia do mundo desaparecer.

    Com uma animação primorosa, designs encantadores, este é um filme de pura magia, que nos deixa com estrelinhas nos olhos do início ao fim. A história é um conto de fadas como já não se fazem hoje em dia, que tem tanto belas princesas (que já acrescentei aos meus cosplans) como vilões tão maléficos que não cabem na nossa imaginação.

    Um clássico imperdível, que poderá assustar os mais miúdos, mas que irá certamente levar para o mundo da mais maravilhosa fantasia os mais graúdos.

  • Smack the Pony

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    Smack the Pony
    Victoria Pile
    1999
    Série


    Porque o humor britânico nunca falha, temos aqui uma série que me fez chorar de rir, protagonizada por mulheres e a fazer piadas sobre coisas.. De mulheres.

    Com um humor perfeitamente surreal, piadas que nunca se repetem apesar dos sketches recorrentes, protagonizado por actrizes físicamente preparadas e com expressões mais do que cómicas, esta série só podia ter sido um sucesso na altura e, comigo, foi um sucesso pegado, porque ri-me mais com esta série do que no resto do ano inteiro.

    Pior que no final de cada episódio tem um número musical a gozar com uma música da altura (precisavam de estar no início do milénio para perceber a referência), e cada música é mais parva que a outra. Gostei sobretudo da "Dressage", porque "I'm a simple girl: I'm a horse"

    Recomendo vivamente esta série que, para mim, foi a série do ano.

  • Megalopolis

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    Megalopolis
    Francis Ford Coppolla
    2024
    Filme
    5 em 10


    Anunciado como "a maior obra prima do cinema", este filme é megalómano no título, na apresentação e no conceito, mas muito pobre em narrativa e ideias.

    Um arquitecto mágico que inventou um material (megalon?) altamente sustentável e mágico também, este arquitecto consegue parar o tempo. Numa América paralela a um suposto Império Romano em decadência, este personagem terá de lutar contra as forças políticas e sociais por forma a por em acção o seu projecto de cidade ideal.

    O que me pareceu, neste filme aborrecidíssimo que me fez literalmente adormecer no cinema (e é raríssimo eu adormecer em filmes), é que Megalopolis tem muito enfeite para muito pouco conteúdo. É um filme todo feito de artifícios, mas por baixo dessa casca toda feita de ouro, o ovo nem sequer tem gema.

    Nem a performance dos actores salva este filme, porque eles parecem nem sequer saber o que estão ali a fazer.

    Para a "maior obra prima do cinema", este filme é uma ilusão.

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