Archive for domingo, abril 28
Evangelion: 3.0 You Can (Not) Redo
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Evangelion: 3.0 You Can (Not) Redo
Tsurumaki Kazuya, Anno Hideaki e Maeda Mahiro - Gainax
Anime - Filme
2012
8 em 10
Nos 90s tivémos Neon Genesis Evangelion. E o pessoal passou-se. Agora no novo milénio temos uma nova interpretação da história: Evangelion. E o pessoal está-se a passar. E eu, com grande orgulho, faço parte desse grupo de pessoal.
You Can (Not) Redo é o 3.0, o terceiro filme. Catorze anos se passaram desde o 2.0. Shinji Ikari continua igual, mas o mundo à volta dele mudou. Agora a Nerv é a má da fita (não que fosse muito boa peça antes, de qualquer forma) e ele não pode conduzir EVAs. É importante ter visto os outros dois filmes primeiro, e se calhar também a série, para se poder compreender bem o nível do que se passou neste mundo, o impacto (literalmente) das mudanças e as consequências que elas têm para o, desde o início, frágil Shinji. No entanto o filme também pode funcionar sozinho, já que trata sobretudo da glória e queda da amizade entre este e Kaworu (um dos meus fofos). Num sentido mais lato, é precisamente sobre isto que o filme trata. E é por isso que o desenvolvimento do personagem, Shinji, funciona de forma tão intensa e envolvente. Shinji aparece quase como uma folha em branco perante o novo mundo e a evolução de adaptação para ruína conjuga-se com a sua personalidade inicial, fraca e dependente.
Mas talvez eu tenha esta impressão por ser fã incondicional da série original e me ser difícil deixar de comparar e de procurar mais detalhes nela.
Também me vai ser necessário comparar, desta vez com os dois primeiros filmes, no que respeita à animação. No segundo filme a minha impressão foi, ao minuto cinco "dou 9 ou 10 a isto?", simplesmente porque a animação estava tão fora de todos os parâmetros. Desta vez tal não aconteceu. Não existem tantas "lutas", como tantos fãs gostam de chamar e ver, mas para compensar temos um valor artístico incomparável aquando da composição das paisagens e dos personagens inseridos nelas. Alguns momentos são quase quadros, conceitos profundos e dolorosos que nos ajudam a compreender este novo mundo e acrescentam ao processo de (in)adaptação de Shinji.
A música é outro aspecto extremamente bem estruturado. Se ao início me parecia vulgar, assim que apareceram as peças a quatro mãos para piano mudei completamente de ideias. Não podia estar mais perfeita. Tive um bocadinho de saudades do violoncelo.
Até agora este remake está uma coisa do outro mundo. Vamos ver o que nos reserva o 4.0.
Resume-se numa palavra: bruto.
By : ladyxzeus
Asura
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Asura
Satou Keiichi - Toei Animation
Anime - Filme
2012
5 em 10
Este filme é sobre um menino que come carne humana, num universo em que no Japão feudal está toda a gente a morrer à fome. Daí que comer carne humana até seja uma coisa bastante praticável. Ele tem um machado e é um bicho selvagem e descontrolado, que acaba por encontrar a redenção no seu convívio com uma jovem que o adopta durante parte do filme e nos encontros que tem com um monge budista. No fundo no fundo o filme quer dizer-nos que o menino, Asura (Ashura?) não é mau, apenas ficou assim por força das circunstâncias.
E consequentemente, o filme é previsível e quase patético na sua concepção. É uma história de tonalidade escura, mas não possui qualquer tipo de densidade que a pudesse tornar numa reflexão pertinente sobre o que quer que seja, vida, personagens, ideias, qualquer coisa. Não se percebe o que aconteceu a este Japão para estar toda a gente a morrer: não há uma explicação da situação em que nos encontramos e isso torna-a difícil de aceitar como verdadeira
A animação mete dó. Tal como em Tiger and Bunny usam uma mistura de CG com 2D. Mas simplesmente não funciona como devia. A animação 3D não tem volume e os movimentos parecem não ser influenciados pela força da gravidade. Há momentos a lembrar stop-motion, mas esta falta de "peso" nos corpos dos personagens tornam toda a experiência muito desagradável. Além disso os modelos não possuem textura, o que torna este filme de 2012 um revisitar de 2002. Isto já não deveria acontecer, com a indústria que temos e com os recursos que temos.
A música é apenas ilustrativa, com um tema recorrente que soa sempre a "o filme vai acabar agora". Tema esse que é um perfeito lugar comum, utilizado mais que centenas de vezes em mais que centenas de animes (só que com compositores diferentes)
Um desperdício de recursos que até poderia ter sido algo bom, se fosse só um bocadinho mais competente.
By : ladyxzeus
Death Billiards
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Death Billiards
Tachikawa Yuzuru - Madhouse Studios
Anime - Filme
2013
7 em 10
Na sequência do projecto Anime Mirai, em que o governo Japonês apoia os novos realizadores a fazerem coisas giras (tal como o já citado Little Witch Academia) aparece-nos este pequeno filme, numa onda mais filosófica e contemplativa.
Um homem e um senhor velhote vão parar, sabe-se lá como, a um misterioso bar decorado com umas alforrecas num aquário. É-lhes dito que não podem sair dali até jogarem um jogo de bilhar. E que devem jogar como se tivessem a vida em jogo. E jogam. O anime foca-se sobretudo na visão do jogo do homem mais novo, o que torna o foco um pouco unilateral. Os personagens revisitam o seu passado (e aí percebemos também um pouco sobre o velhote) e o jogo desenvolve-se para além da mesa. Termina com algumas afirmações que, desesperadas, atentam sobre a vida em geral. Assim, temos um jogo psicológico muito interessante, se bem que foram as cenas de flashback que fizeram o filme para mim. Achei que as frases finais foram um pouco forçadas e que a conversa entre os dois bartenders quebrou um pouco a força das ideias que este anime tencionava transmitir. É certo que a situação referida (que não posso dizer, para não estragar) é mesmo um mistério, mas foi irritante não saber pelo menos o que disse o velhote.
A animação tem bastante CG, que não fica muito mal por causa da perspectiva em que é apresentado. A luta está bem animada, mas os fundos - bastante complexos, diga-se de passagem - acabaram por ficar com uma tridimensionalidade um pouco desagradável para o meu olho esquerdo (direito tudo bem). Banda sonora é quase nenhuma, apenas efeitos que acrescentam ao visual.
Mas é um filme muito interessante, pois é inesperado. Vale a pena.
By : ladyxzeus