Archive for segunda-feira, julho 08

  • Departures

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    Departures
    Youjirou Takiro
    Filme
    2008
    9 em 10

    Uma obra de arte. O assunto da morte sempre me cativou, mas neste filme atinge o belo.

    Um violoncelista desempregado acolhe no seu coração um novo emprego: tratar dos mortos para os funerais. Isto é uma tradição, metódica e exacta: limpar, vestir, maquilhar, pentear. Neste filme isto é feito com tal delicadeza e carinho que os mortos ganham uma vida, uma vida para além da morte.

    Com este novo emprego, o nosso amigo descobre muitas pessoas e muitas maneiras de viver e acaba ele próprio por encontrar uma nova maneira de viver. Ele tem um dilema com um pai ausente, que se vem a resolver precisamente através deste emprego tão diferente.

    É comovente em todos os momentos, pois não mostra a morte como algo horrível mas apenas como algo que acontece. O que vemos não é a tragédia, mas o amor que as pessoas sentem pelos seus entes queridos, todas as pessoas diferentes, todas as famílias diferentes, mas todas reunidas para se despedirem de alguém. O trabalho destas pessoas é tornar essa despedida mais bela.

    Depois, o dono da agência funerária é um velhote cheio de carisma, um personagem inesquecível pela sua atitude de quem está sempre na boa apesar de ver mortos todos os dias.

    A banda sonora, cheia de violoncelo (claro) é muito bonita e adiciona muita emoção às situações. Também o fazem as paisagens e longas cenas de cisnes a voar.

    É um filme muito pacífico, muito bonito, que enfrenta um assunto difícil gentilmente e com uma delicadeza profunda. Não posso deixar de o recomendar.

     
  • Drive

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    Drive
    Nicholas Winding Refn
    2011
    Filme
    6 em 10

    Tinha este filme na minha colecção de não vistos, que são filmes que tenho estado a sacar de uma lista de 100 recomendados que apanhei um dia na net. Pensei que para começar a ver filmes tinha de começar por algum lado e assim veio a ideia da lista. Também tenho alguns filmes que me vão recomendando e ainda são muito poucos.

    Até agora têm sido todos filmes muito bons, mas este não corresponde aos outros que tenho visto. Isto é sobre um gajo que é duplo no cinema com cenas de carros, e é mecânico, e faz corridas de automóveis para a máfia (?) e é condutor (Driver) de assaltantes. Um dia uma cena corre mal e a gaja de quem ele gosta fica em risco. Então o que é que ele faz? Mata toda a gente envolvida. Qual a relação entre curtir de carros e matar pessoas fica por explicar.

    Enfim, a história não é muito interessante. No entanto a maneira como está executada, em termos de ângulos e fotografia, é bastante artística (mas sem abusar) e, assim, o filme torna-se mais intenso. Grande nota também para a música, músicas dos tempos de agora que soam a retro. A banda sonora é a melhor parte.

    Tanto que já a estou a sacar.
  • Léon, o Profissional

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    Léon, o Profissional
    Luc Besson
    Filme
    1994
    8 em 10

    Uma jovem precoce e mal ajustada dentro da sua família pede auxílio a um vizinho depois de matarem toda a sua família a mando de um polícia corrupto e meio psicopata. Acontece que esse vizinho, Léon, é um assassino a soldo, um "cleaner". Então Mathilda, a jovem, convence-o a ensiná-la a matar profissionalmente, de forma a poder vingar o seu irmão mais novo.

    É um filme tocante, apesar de violento. Os dois personagens têm uma grande sensibilidade, transmitida pelo trabalho dos actores, acabando por estabelecer uma relação muito estranha mas cheia de amor. Mathilda está constantemente a assediar Léon, num efeito tanto perturbador como cómico. E depois há uma planta, que é muito importante.

    O vilão desta história também está interpretado de forma magnífica, passando para este lado um desconforto permanente e o medo da imprevisibilidade das suas acções.

    O final é muito simples e demonstra a evolução das personagens, tendo cada um ficado com um pedacinho do outro. O culminar de tudo é muito triste e muito bonito.

    Era um filme do qual não esperava nada, pelo título. Foi uma surpresa muito agradável e recomendo.
  • Chaparral Band

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    Chaparral Band
    Festa na Aldeia (Claramente)
    Pois que fui em retiro espiritual para a minha casa assombrada, com os planos de escrever uns contos e fazer uma espada para o meu novo cosplay. Acabei (acabámos?) por não fazer nada disso, mas em compensação vimos dois magníficos concertos nas festas em homenagem à Nossa Senhora da Penha da terrinha mais charmosa de Portugal: Moçarria.

    Esta banda, a Chaparral Band, cantava um misto de covers e originais de um azeite virgem do melhor qualificado que anda por aí. Uma intensa animação que fazia o azeite que tenho a correr nas minhas veias fervilhar de emoção. Tão purificado ficou que depois cortei os pulsos para temperar a salada.

    Com uma fascinante versatilidade, cantaram da kizomba ao funaná, passando pela Anca do Senhorio (ou Dança do Amor, eu é que vejo mal ao longe) , sem esquecer os sucessos zucas e as mais belas baladas. Toda a gente a dançar, mas talvez isso tenha sido devido a terem gasto cinquenta e cinco barris de cerveja logo na primeira noite das festas.

    O que mais me impressionou foi o misto de espectáculo de ilusionismo que nos mostraram: os artistas (bons artistas) mudavam de roupa num ápice, aparecendo com outfits quase artísticos. E quantas pessoas tinha a banda? Continuo sem saber. Pois apareciam e desapareciam de música para música, sem se deixar apanhar. O único membro constante, e claramente o pilar da banda, era o guitarrista do metal, que se mantinha indiferente à magia que acontecia à sua volta e continuava a tocar com a devida concentração, provavelmente imaginando "estes acordes são quase os daquela música de Megadeth"

    No dia seguinte apareceu uma banda com ainda maior produção: segundo o vice-presidente da junta, o Vitó, tinham o maior palco do país. Bem, eu não o quis desapontar, mas conheço pelo menos três palcos maiores. Esta banda passou por êxitos mais comerciais, ao contrário da Chaparral Band que nos apresentou uma variedade mais indie da música pimba. Alguns dos êxitos destes Hi 5 8 Low Energy Band - ou qualquer coisa do género - foram "É o Bicho", "Uma Casa Portuguesa", "Gangnam Style" entre outros que eu, na minha ignorância, não reconheci.

    De resto, tínhamos vinho barato, o meu pai apareceu para jantar e era uma meia dose de grelhada mista bem servida, ganhei uma garrafa de coca-cola vintage numa rifa e assim por diante. Acho que vou passar a frequentar estas festas, pois apesar de serem no campo da bola têm um certo glamour pastoral. Não, não, estou mesmo a falar a sério.

    Mas, na realidade, este mocho verde que é um vaso era o prémio que eu queria mesmo, mesmo ganhar na rifa.

    Já agora, vejam a cena que nos atacou e que matámos à chinelada:

    Alien? Fada? ... Kafka?

    Ah, e vejam também o meu cão vintage:

    O nome dele é Infeliz



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