Archive for terça-feira, novembro 08
Tokkou
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Tokkou
Abe Masashi - AIC Spirits
Anime - 13 Episódios
2006
6 em 10
Sabem que até este momento estava convencida que esta série era dos 90s? É que tem tudo para ser dessa década. Sendo de 2006, é quase vergonhoso. Vejamos:
Um jovem torna-se polícia para encontrar as pessoas que mataram os seus pais. O seu primeiro caso é um homicídio bizarro e descobre-se rapidamente que a cidade está invadida por bicharada estranha e demoníaca. Assim, ele conhece a secção 2 da polícia, composta de gajas boas e um tipo de óculos de sol e acaba por se juntar a eles na luta contra as forças do mal.
Até aqui tudo bem. Temos sangue, temos coisas nojentas aos gritos, temos miúdas a decapitar demónios com espadas. A história não está má de todo e reúne uma série de coisas características que a tornam numa boa fonte de entretenimento. O problema disto tudo está na arte. A arte mete medo.
Envelhecida, o problema começa nos designs dos personagens. Não fazem sentido nenhum. É certo que é muito loko ter bacanas tatuadas com as mamocas ao léu e cruzes ao pescoço, mas nem por isso faz sentido prático dentro do contexto. Parece ter tudo uma pontinha de exibicionismo que não funciona nada bem. Já a animação, é terrível. Certamente que pegaram em 500 paus e fizeram este anime, porque as cenas de acção são quase indecentes e existem erros de anatomia fatais.
Musicalmente, não temos nada que distinga de outros animes do género, com alguma reciclagem da banda sonora.
Um anime que podia ter sido muito mais interessante.
By : ladyxzeus
AmadoraBD 2016
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Finalmente, as compras! Eu tinha em mente comprar uma série de coisas e comprei todas, mais uns extras. Aqui estão elas:
Sinto que esta exposição está, de ano para ano, um pouco mais fraca. Os temas escolhidos parecem despropositados e preparados para chamar um público já idoso e crianças, sendo o resto da comunidade fã de banda desenhada plenamente ignorada. Não sei que rumo procuram para o AmadoraBD. Por mim, continuarei a ir na esperança de ver novas coisas.
AmadoraBD 2016
Evento
Este ano, esperei mesmo até à última. Mesmo, mesmo. Só fui ao AmadoraBD no último dia. Do que estava à espera? Que anunciassem o dia do cosplay. Nunca foi anunciado. A única coisa relativa no site do evento era que quem viesse vestido a rigor tinha entrada gratuita. Mas skits, desfile, alguma coisa... Nada.
Penso que isto marca o fim de uma era. O AmadoraBD, ex-FIBDA, foi um dos primeiros locais a aceitar cosplay como parte do seu programa. Agora parece que tudo está diferente. Eu penso que sei a razão pela qual nada aconteceu este ano, mas guardo-a para mim para não ferir susceptibilidades. Ainda assim, acho que vou mandar um e-mail para lá a perguntar as causas, só mesmo para saber.
Não que seja importante saber. Não houve cosplay e é isso. Se houve, foi tão restrito que nem soube de nada.
Adiante!
Chegámos por volta das cinco e meia, ainda faltava algum tempo para encerrar o evento. Anúncios periódicos avisavam-nos "falta x horas e y minutos para encerrar e não irá abrir amanhã".
A exposição principal deste ano tinha um tema interessante: o espaço e o tempo na BD. Seguimos algumas BDs por partes, desde a primeira página até à página do fim. No entanto, as actividades sugeridas não eram muito interactivas, como era habitual. Havia, em vez disso, várias pequenas salas em que passavam vídeos e sons de inícios, meios e fins de filmes e séries.
Depois havia uma pequena exposição dedicada a Lucky Luke, que faz 70 anos. Esta BD nunca me interessou, nunca me despertou qualquer tipo de emoção. Na verdade, até a achava bastante chata. Assim, a exposição não nutriu grande interesse para mim, para além de que não tinha muita coisa para além de citações de páginas e painéis, sem muito da planificação, argumento ou rascunho.
Morri
No meio estavam as lojas, mas já voltamos a elas porque só lá fui mesmo no final para gastar dinheiros. Também estavam as pessoas a dar autógrafos, mas não conhecia a obra de ninguém (excepto a do Mário Freitas, organizador do Anicomics e mente da Kingpin Books, que por acaso até ganhou um prémio catita. Fiquei com pena de não o ter achado, para lhe dar os parabéns pessoalmente, já que não o fiz na net)
No andar de baixo estavam outras exposições temáticas, específicas para várias BDs da actualidade e outras mais antigas. Havia também uma secção de ilustração infantil e um auditório em tudo semelhante ao do ano passado, onde estavam a passar curtas metragens de animação. Existia um espaço para crianças desenharem e uma exposição bastante grande das BDs que saíram este ano, incluindo coisas tão improváveis como volumes da Comix. Em compensação, o universo das zines parece ter sido ignorado.
Pude ver os participantes do concurso nacional de BD deste ano, sendo que algumas coisas me pareceram cheias de potencial. Mas, confesso, gostei mais das obras do concurso de ilustração. O tema deste ano era a ponte 25 de Abril.
Finalmente, as compras! Eu tinha em mente comprar uma série de coisas e comprei todas, mais uns extras. Aqui estão elas:
- "O Diário do Meu Pai", de Jiro Taniguchi, que queria desde o seu lançamento e nunca o apanhei
- "Luna Park", que me interessou no lançamento mas que perdi oportunidade de comprar
- "Crumbs", antologia de autores da Kingpin, que desde o início me pareceu interessantíssimo
- Uma zine que estava a um euro
- "Cadernos de Fausto", de Rafael Dionísio, com quem tive um curso e que achei piada comprar para ler, até porque estava em promoção (bahaha)
Sinto que esta exposição está, de ano para ano, um pouco mais fraca. Os temas escolhidos parecem despropositados e preparados para chamar um público já idoso e crianças, sendo o resto da comunidade fã de banda desenhada plenamente ignorada. Não sei que rumo procuram para o AmadoraBD. Por mim, continuarei a ir na esperança de ver novas coisas.
By : ladyxzeus
Swiss Army Man
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Swiss Army Man
Daniel Scheinert & Daniel Kwan
2016
Filme
6 em 10
Vimos também este filme, uma comédia americana que tem por característica ter o Harry Potter (Daniel Radcliffe) como actor.
Conta a história de um homem que está perdido numa ilha do Pacífico, prestes a enforcar-se, quando encontra um cadáver na praia. Este cadáver é muito prático e útil, e movido a puns leva-o para fora da ilha até uma floresta. Lá, descobre-se que este cadáver faz uma série de coisas e que, para além disso, fala. Apenas não se consegue mexer muito.
É um filme bizarro, cómico, uma espécie de humor negro pairando sobre toda a narrativa. No entanto, existem algumas coisas que ficam por explicar e que teriam dado um pouco mais de cor ao filme.
A melhor parte são mesmo os actores, que fazem um trabalho excelente e funcionam perfeitamente como duo dinâmico. Radcliffe tem um papel extraordinário, porque fazer de morto requer uma técnica requintada de biomecânica que não é para qualquer um. Já Paul Dano conjuga o adolescente tímido com o louco destemido.
Há uma ligeira aura de paixão neste filme, mas em conclusão não passa tudo de uma grande piada de mau gosto. Mas que faz rir.
By : ladyxzeus
Doctor Strange
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Doctor Strange
Scott Derrickson
2016
Filme
7 em 10
Fomos ao cinema com o pessoal! Devo dizer que ao início não queria ir ver este filme, porque estava a ficar demasiado popular para o meu gosto. Lol. Mas entretanto, uma amiga brasileira (a Paula Genkai) fez um cosplay de "Doutora Estranha" e curti tanto, mas tanto, do cosplay dela que quis ir ver o filme para ficar a conhecer o personagem. Ainda bem, porque foi imensamente divertido!
Strange é um neurocirurgião muito convencido dos seus talentos, até ao dia em que num acidente de carro perde o uso das mãos. Após experimentar todo o tipo de tratamentos, acaba no Nepal em busca de uma ajuda perto de um grupo de pessoas de uma "seita". Lá, descobre que existem poderes mágicos ocultos e que, com algum trabalho, ele os poderá conhecer e tornar-se um mestre. Para além disso, existe uma força maléfica que se esforça por destruir o planeta, mas isso é outra história.
A história é engraçada e está cheia de pequenos detalhes no argumento que a tornam muito gira. A minha parte preferida foi os treinos lá no santuário, o que também deu oportunidade para o personagem evoluir. Também adorei a capinha fofinha e gostava de ter uma para mim a fazer-me festinhas. <3
Este actor, o Benedict Cumbercoiso, tem um problema recorrente em muitos grandes actores: dão-lhe sempre o mesmo tipo de personagem para fazer. É sempre o jovem um pouco autista mas que é muito inteligente. Ora, uma pessoa pode ser excelente a actuar, mas se lhe derem sempre o mesmo papel torna-se bastante difícil mostrar o que vale. Neste caso, deram-lhe - finalmente! - um papel um pouco diferente. Ainda assim, não me convenceu plenamente. Faz um bom trabalho, mas nada de extraordinário (também não havia potencial para isso no argumento e direcção, penso). Deve dizer-se, claro, que todos aqueles gestos mágicos são fascinantes e que passei o tempo a imitá-los mais tarde. =D
Finalmente, fale-se dos efeitos especiais. Estão alguma coisa de.... Bem... Especial! Está tudo muito bem feito, com uma boa integração do digital, sendo que a forma como a arquitectura se move ao longo de todo o filme é muito visual e psicadélica. As cenas de acção são um pouco apressadas e o vilão final é uma cara às ondinhas, mas parece-me que isso se pode perdoar.
Psicadélica é também a banda sonora, mas confesso que não lhe dei muita atenção. Talvez a deva ouvir à parte.
Um filme de super-heróis um pouco diferente e que, finalmente, parece funcionar!
By : ladyxzeus
Black Mirror Season 3
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Black Mirror Season 3
Charlie Brooker
Série - 6 Episódios
2016
Foi com grande alegria que descobrimos que a série Black Mirror havia sido comprada pelo Netflix, o que significa que temos mais episódios, com maior valor de produção, novas ideias e, sobretudo, muitas novas pessoas a acompanhar uma das coisas mais brilhantes que apareceu por aí nos últimos tempos.
Como anteriormente (cliquem no link acima), temos um conjunto de episódios que nos mostram uma diferente perspectiva da utilização das novas tecnologias, sendo que tudo é um pouco - bastante - pessimista. São conceitos impressionantes na medida em que a qualquer momento se podem tornar reais. Tudo o que pode correr mal, irá sempre correr mal, já dizia o outro. Portanto, vejamos o que acontece em cada episódio.
Nosedive - Numa guerra por quem tem mais likes, todas as pessoas são classificadas numa escala de 0 a 5 pela sua interacção social, através dos seus smartphones. Quanto maior for a classificação, mais privilégios temos nesta sociedade. Uma rapariga precisa de mudar de casa e está ansiosa por ter uma classificação superior a 4.5 para que possa ir para o melhor sítio de sempre e conviver com as pessoas mais populares. No entanto, tudo acaba por correr mal quando ela se descontrola e começa a receber más classificações de todos os que a rodeiam. Neste episódio, o trabalho da actriz é simplesmente fabuloso, sendo que a resolução do conflito acaba numa nota bastante positiva relativamente ao contexto.
Playtest - Um americano foge de casa para ver o mundo e, essencialmente, fugir da mãe. Quando se vê perdido em Inglaterra sem dinheiro, aceita um trabalho que consiste em testar um jogo de terror. Este jogo irá ler o seu cérebro e assustá-lo com as coisas que mais o aterrorizam. Este foi o episódio que me assustou mais e me deu mais pesadelos, porque eu iria morrer num instante se jogasse este jogo. A ideia de que pode existir algo que nos assuste com as coisas que mais medo nos dão é algo que me aterroriza um pouco.
Shut Up and Dance - Um rapaz ainda não aprendeu que não se deve fazer nada na internet que nos envergonhe na vida real e sofre as devidas consequências, quando é perseguido e obrigado a fazer uma série de coisas maléficas por "alguém" que lhe manda mensagens. Parece-me que isto é uma crítica aos anónimos originais e ao que eles podem fazer. O twist do final é brilhante. Este episódio recordou-me um pouco o "The National Anthem" da primeira season.
San Junipero - Este episódio é muito mais complexo do que aparenta à primeira vista. É uma história de amor, que acaba de forma bastante positiva, mas cujo conceito é mais assustador do que podemos pensar. Não posso explicar muito mais sem fazer o spoiler, mas digamos que é amor feminino nos anos 80.
Men Against Fight - Um grupo de soldados deve lutar contra monstros horríveis a que se chamam "baratas". Até estas aparecerem eu estava num pânico completo, com medo que fossem mesmo esses bichos. Mas eram apenas monstros. É um episódio que fala um pouco da lavagem cerebral dada às forças armadas para que matem indiscriminadamente, mesmo que as vítimas não sejam tão culpadas como aparentam. O final pode ser um pouco confuso.
Hated in Nation - Um episódio um pouco mais longo, com uma veia de policial. Duas polícias investigam crimes de homicídios realizados a pessoas que receberam ódio na internet nos últimos dias. Vêm a descobrir que qualquer pessoa que seja vítima de uma hashtag de ódio bem específica pode ser uma vítima. Para mim, a melhor parte deste episódio são as personagens. As duas estão muito bem caracterizadas e têm uma personalidade extremamente definida, sendo que são absolutamente realistas dentro do contexto. A ideia das abelhas também me surpreendeu e parece perfeitamente possível de acontecer brevemente. O twist final é aterrorizante, mas também não me senti muito afectada por ele (são coisas que não faria).
Enfim, mais uma season fabulosa que deixa vontade de ver cada vez mais. Será que teremos uma quarta oportunidade? Esta season foi um pouco mais assustadora que as outras, para mim, sendo que as ideias talvez tenham sido um pouco menos fortes. Mas no conjunto, tudo funciona muito bem.
Está tudo bem e recomenda-se :)
By : ladyxzeus
Ondas e Outros Poemas Esparsos
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Ondas e Outros Poemas Esparsos
Euclides da Cunha
1880s
Poesia
De seguida, li este curto livro de poemas. Detestei.
Este é um importante poeta e autor brasileiro que esteve envolvido em movimentos revolucionários, na sua época antiga. Este livro reúne alguns dos seus poemas da juventude. Mas o problema dele é precisamente isso: são poemas da juventude.
Nunca confiem nos vossos poemas adolescentes. Não são especiais, mesmo que vocês sejam o Euclides da Cunha. Especialmente se tiverem vivido em finais do século XIX.
Porque estes poemas são exagerados, foleiros, lamechas, plenos de uma linguagem desactualizada mesmo dentro da sua própria época, sem qualquer tipo de modernidade ou objectivo lírico sem ser um exibicionismo fremente e um mostrar de todos os talentos rímicos plenos de imaturidade.
Nem sequer escolhi um para vos citar, porque odiei todos em igual medida.
Nada mais tenho a dizer.
By : ladyxzeus
Hot Water Music
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Hot Water Music
Charles Bukowski
1969
Contos
Li este livro na tradução brasileira, na qual o título era "Numa Fria". Optei por colocar o título original, porque o da tradução não me parece fazer muito sentido. De qualquer forma, dou os meus cumprimentos à equipa de edição, porque traduzir este livro deve ter sido uma empreitada e tanto e está muito bem feito. :)
Trata-se de um livro de contos e crónicas bastante curtos do autor beat honorário, Charles Bukowski. Todos os contos tratam de assuntos da decadência do artista, com muito álcool, sexo que corre mal e corridas de cavalos à mistura. A linguagem é crua e directa e existem aqui muitas coisas que acabaram sendo citadas pelas novas gerações, como exemplos de uma vida que pode ser vivida com alegria.
No entanto, quem pensa isso destes contos talvez não os tenha lido como deve ser, porque me parece a mim que o autor escreve um manifesto muito próprio contra a sua própria maneira de viver: ele sabe que tudo o que o rodeia é decadente, trata-o com humor, mas parece que tenta escapar deste ciclo, sem nunca conseguir.
Existem muitos personagens recorrentes nos contos, incluindo alguns momentos em que um personagem de um aparece em outro com outras pessoas. As ligações entre eles acabam por ser um pouco difíceis de constatar.
Ainda assim, gostei bastante deste livro, porque é muito divertido à sua maneira.
By : ladyxzeus




