• Análise: The Sopranos - Se até o mafioso vai à terapia, tu também podes ir!

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     Os Sopranos. O show que mudou a televisão como a conhecemos. Lançado em 1999 pela HBO, mostrou-nos que 1. A televisão podia passar violência; 2. A televisão podia passar dramas familiares intensos; 3. A televisão pode realmente fazer alguma diferença.

    Esta série acompanha a família Soprano que, como o nome certamente indica, é uma família muito importante da máfia. Acompanhamos Tony Soprano nas suas desventuras mafiosas, na relação com os membros da sua família directa e por afinidade, e observamos sem qualquer dúvida a evolução, crescimento e envelhecimento de cada um dos personagens.

    Tony Soprano admite que algo de errado não está certo, então decide-se a ir à terapia em busca de ajuda. Por isso, sim! Se o padrinho da máfia vai tratar da sua saúde mental, TODOS NÓS PODEMOS (e devemos) IR TAMBÉM!!!! Mas após a série, chegamos à fatalidade da conclusão: um mafioso é uma pessoa desiquilibrada, que ama bebés e animais, que tem uma vida aparentemente normal, mas que não hesita em causar a morte, a dor e o sofrimento se com isso ganhar mais dinheiro ou respeito. Portanto, um mafioso é sempre um psicopata, por mais amoroso que seja na sua vida familiar.

    E é esta vida familiar que torna tudo muito engraçado. Porque os filhos do Tony descobrem a profissão do pai e não sabem bem como lidar com isso. Porque a mulher do Tony é igualmente um osso duro de roer, mas também é altamente emotiva e em busca de um amor verdadeiro que a complete. E a família emprestada, os outros mafiosos todos, as relações com eles são muito bem estabelecidas, mas ainda assim não livres de vinganças pelas razões mais inusitadas (para nós, pessoas normais em 2026), desde a homossexualidade, até à traição directa com a polícia (que é toda uma outra personagem colectiva).

    Apesar de não me ter envolvido o suficiente para considerar os Sopranos como parte da minha própria família (o que é bom, acho eu?), foi uma série mesmo muito viciante, que me manteve totalmente fixa durante toda a sua duração.

    E fica a moral: FAÇAM TERAPIA!




  • Análise: Space Adventure Cobra - Quero uma Cobra Hard-Boiled, por favor

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     Estamos no ano do senhor de 1982 e Space Adventure Cobra é um anime tão popular que decidem fazer um filme. E, assim, temos uma série bastante infeliz, cuja história não chega até ao fim para entendermos, com monstros e mulheres diárias bem feiitos e na generalidade uma coisa muito confusa, MAS! também temos um filme realizado por Osamu Dezaki, o que significa que - sim - é muito bom.


    É com Cobra que iniciamos esta review, Cobra esse bezano e fumador inveterado, acompanhado pela sua amiga robô, que não é bem um andróide mas também não é uma pessoa. Este viajante do espaço anda apenas por aí a fazer macacadas e ninguém dá nada por ele, até ao momento em que encontra uma mulher misteriosa que tem um mapa tatuado nas costas. Agora Cobra irá revelar-se um verdadeiro herói, porque apesar de não estar propriamente apaixonado por esta (estas) mulher (mulheres), faz questão de levar a aventura até ao fim. Porquê? Talvez para ver onde ela vai dar, pelo tesouro, ou simplesmente porque ter uma aventura no espaço é bom para ocupar o tempo.

    Com uma história misteriosa e muito bem montada, um personagem tipicamente hard-boiled como convém aos animes dos anos 80, o filme vence pela animação cinematográfica apresentada constantemente, com um mix de cores e formas altamente psicadélico e momentos de grande virtuosismo.


    Mas o que é verdadeiramente fixe e hard boiled nesta cobra é a ARMA: a psycho gun é absolutamente icónica, e é muito engraçado como o aparentemente desinteressado Cobra se revela um pirata espacial perigosíssimo assim que arranca o braço para revelar a psycho-gun.

    O humor de Cobra pode estar um bocadinho desactualizado, mas é um personagem realmente cativante. A minha classificação final do filme foi de 8/10 (um regular 6 para a série, apenas) e recomendo bastane a todos os que tiverem interesse em anime old-school.


  • Análise: Kizuoibito - O Homem Magoado

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    Começamos com esta imagem inicial porque este anime, não sendo propriamente um hentai, é um absurdo de NSFW de que precisamos de falar em mais detalhe.

    Criado pelo mesmo artista que fez o genial Crying Freeman, mas escrito por alguém sem grande popularidade, este manga deve ter uma agressividade muito superior ao do OVA de quatro episódios que vimos em grande sofrimento. Neste OVA - com a classificação muito conveniente de 4,04 - acompanhamos as aventuras do Homem Magoado, ou Homem Aleijado, ou Homem Ferido, o que quiserem. Ninguém sabe porque é que ele está magoado, como veremos.

    Este homem magoado vive semi-nu e com um chapéu de cowboy nas mais misteriosas áreas da floresta Amazónica, onde procura por ouro (deve haver imenso desde que os colonizadores lá estiveram e o levaram para fazer o Mosteiro dos Jerónimos). Nisto ele encontra a meio do caminho uma rapariga jornalista que está prestes a ser analmente penetrada por um insecto horroroso, toda amarrada a uns paus pelos maldosos caçadores de ouro do Brasil. Procede o nosso homem a libertá-la e.... A sério, ninguém está à espera disto! E.... A.... BIOLA-LA! =D

    Mas ele fica traumatizado, porque ela é (costumava ser) virgem e não se pode violar meninas virginais na teoria ético-moral desta pessoa. E assim estabelecemos o início desta história. Rapidamente percebemos que o homem magoado foi injustiçado, porque o tentaram contratar para um filme pornográfico e ele não aceitou, e agora está a ser perseguido pela produtora. O próprio homem foi biolado, a namorada dele foi biolada também e, como com os actos que nos cometem vêm consequências nas nossas atitudes futuras, ele agora procede a biolar toda a gente que encontra (mas uma por episódio). E o mais espantoso é que depois de semelhante violência elas.... Apaixonam-se por ele. Assim, o nosso homem colecciona mais waifus que o MC de um harem isekai, o que é fascinante e surreal.


    Assim, no meio de perseguições, violações, cenas de acção muito mal feitas, temos alguns momentos de pura hilariedade, estimulados pelas legendas anormais que se arranjaram. O anime até consegue ser especialmente racista, fazendo a pessoa negra tão escura que só se vê os olhos na sombra. E o anime consegue colocar aqui a relação diplomática entre o Japão e os USA, porque o homem era jogador de futebol americano (tanto que os ataques dele aos outros malvados são - essencialmente - placagens), e depois de enriquecer com o ouro brasileiro instala-se nada mais nada menos do que na Trump Tower.

    Um anime absolutamente horrível, mas que me fez rir até às lágrimas do tão horroroso que é.

    Adeus Wounded Man, Adeus Homem Aleijado. Até uma próxima vida de desenhos tortos.





  • Análise: Vinland Saga - Em Busca de um Mundo Perdido

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     Depois de ver o anime de Vinland Saga, não quis esperar para saber mais sobre as aventuras de Thorfinn, um menino que se tornou guerreiro viking por força das circunstâncias. Assim, pus-me a ler o manga, e foi dos melhores que alguma vez tive o gosto de ler.

    Digamos que esta história se pode dividir em três partes: Infância; Adolescência; Juventude Adulta.

    Numa primeira parte, este rapaz que mencionamos, envolve-se com um grupo de guerreiros vikings com o objectivo de vingar o seu pai, assassinado por estes. Rapidamente se torna também um guerreiro sanguinário, sem remorsos e sem escrúpulos. Afinal, a educação de um guerreiro faz-se desta forma. Apreciei bastante que nesta secção o autor faz uma pesquisa muito detalhada sobre o modo de vida medieval no Norte da Europa, tendo um especial cuidado no desenhar de arquitectura e cenários, e mostrando-nos alguns elementos que - no meio de toda esta violência - são pequeninos pedaços de vida bastante engraçados.

    Nesta altura começamos também a perceber um pouco dos aspectos políticos deste universo, todos baseados em eventos reais. Canute, o príncipe, é um personagem fascinante, com uma evolução tremenda, em que passa de fracote tímido a rei imperial num instante. Sim, quererei fazer cosplay dele, sim sim.

    Mas não deixemos de lado o nosso amigo Thorfinn, porque passamos para a segunda secção do manga. Neste, o nosso rapaz é um muito jovem adulto que - perante o desrespeito que cometeu ao corpo do príncipe - é enviado como escravo. A parte interessante desta época medieval é que todos podiam ser escravos e, por isso, eram mais ou menos tratados com uma ideia de justiça (ao contrário do que foi introduzido por Portugale colonialista, que considera que há pessoas sub-humanas que não merecem nada de direitos ou de consciência social). Mas enfim, Thorfinn escravo passa por esta fase essencial em que ele tem uma aprendizagem transcendental: é atormentado pelos fantasmas dos mortos de guerra e, por isso, decide que a partir de agora irá apenas fazer a paz. Esta contemplação é mesmo muito interessante e original, pois nunca vi um protagonista de shounen a simplesmente recusar-se a lutar. Mesmo quando o enchem de pancada, este guerreiro fortíssimo rejeita a ideia de responder, de magoar, de matar. É isso o que torna a terceira parte da história tão interessante.

    Nesta última parte, que serve de conclusão definitiva, Thorfinn decide que já que nas terras do Norte não há paz, ele vai inventar uma terra só dele, uma em que não haja escravos nem guerras nem nada. Essa é a Terra de Vinland, que hoje conhecemos por Estados Unidos da América.

    Após vários momentos engraçados, em que até temos um casamento falhado, e a introdução da minha outra personagem favorita, a caçadora Hild (da qual também irei fazer cosplay e ninguém me pode impedir), os vikings pegam no seu barquito e atravessam o Atlântico à procura da mítica Vinland. Mas, coisa que ninguém estava à espera, lá chegados descobrem que Vinland já é habitado. Por pessoas bem esquisitas: pele morena, cabelos escuros e lisos, e uma série de hábitos estranhíssimos, ainda não chegaram à idade do ferro. Apesar disso, também são guerreiros, e por isso Thorfinn irá ter de lidar não só com eles como com os membros do seu grupo que querem lutar contra os nativos, insistindo na ideia de guerra que agora é completamente rejeitada pelo nosso MC.

    Ele está em crescimento, apaixona-se, multiplica-se mas, no meio disto tudo, o realmente relevante é que é um personagem com várias facetas que acabam por se unir numa personalidade pacifista, mas no corpo de um poderoso guerreiro. Os capítulos finais, dos ensinamentos trocados entre vikings e nativos, e da forma como assim se iniciou uma globalização primitiva, são altamente comoventes.

    Deixo-vos com a última página do manga, que classifiquei com um 9/10. Haveríamos de aprender com o Thorfinn e finalmente passar a fazer o que ele pretendia de Vinland: uma terra de felicidade, de liberdade, sem escravos, sem dor e sem guerra. Thorfinn, que existiu mesmo na realidade (e cuja figura histórica, pelo que se vê na sua estátua, é bastante comível), deverá estar bastante triste por ver que o caminho que ele abriu para um mundo de paz plena.... Não está em paz plena. Mas continuemos a tentar fazer o que ele nos pediu: Vinland não precisa de ser um lugar. Basta que seja uma ideia.





  • Análise: Tetsuwan Atom - O Menino que é um Roboto

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    Estavamos em 1963, estava Portugal preso numa ditadura católica, quando Osamu Tezuka acha que seria boa ideia passar para a imagem animada o seu manga TETSUWAN ATOM. Assim começa uma revolução que nos permite, até aos dias de hoje, ver animação com histórias sérias, de qualidade que, mesmo que dirigidas a crianças, são transversais a todas as idades.

    Tetsuwan Atom, ou Astro Boy, é um menino que - por mero acaso - também é um robot. Ele faz coisas de menino, gosta de coisas de menino. Brinca, vai ao circo, luta contra alguns meliantes, salva algumas pessoas. Tem uma série de poderes já equipados de origem, sendo o mais evidente a bota turbo que lhe permite voar. No entanto, este menino-robot também tem dúvidas que talvez sejam demasiado humanas para uma máquina.

    Um dos exemplos deste elemento, um dos que mais me comoveu, aparece logo no segundo episódio, em que Atom se questiona *porque é que não tem mãe*. Esta é uma dúvida frequente em crianças órfãs, o que é o caso deste robot. Ele sabe que tem pai, considera o seu criador como pai. Mas e a mãe? Todos os meninos que conhece têm uma mãe, porque é que Atom não pode ter? Então, ele procura criar uma figura materna, procurando-a noutros robots. No entanto, isso não é possível, pois - nesta fase - ele ainda é o único robot consciente. Achei isto extremamente doloroso, e até verti uma lágrima.

    Felizmente, Tezuka tem a bondade de não deixar Atom completamente só e oferece-lhe uma irmã (Uran), com quem as brincadeiras se tornam ainda mais divertidas.

    Talvez o único defeito deste anime, que tem uma animação extraordinária para a época, seja o facto de que o valor de produção foi escolhido para manter a longevidade da série, em vez de manter a qualidade. Assim, temos muitos episódios repetidos, e outros que não sendo exactamente iguais têm a mesma história.


    Tetsuwan Atom é de uma genialidade incrível, em que se mistura inocência com heroísmo, sempre pontuado por um grande desejo pacifista de um autor que viu a bomba atómica. Atom é um herói inusitado, porque tudo o que ele gostaria seria ser apenas um menino. E, precisamente por isso, é tão inspirador.


  • Análise: Sousou no Frieren - A Dor da Imortalidade

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     Um dos animes mais aclamados dos últimos tempos, e que tem dado o que pensar e dado azo a muitos debates. Sousou no Frieren (A Jornada para o Além, em PT-BR) fala-nos de, precisamente, Frieren: uma elfa milenar que participou em tempos na luta contra as forças do mal, com sucesso, e que agora enceta uma nova viagem. O porquê desta viagem é algo de belo e transcendente: ela deseja encontrar o Herói da sua party antiga, que estará no mundo dos mortos após ter falecido por excesso de idade. Pelo caminho, com ajuda da sua nova equipa, irá viver momentos nostálgicos que lhe dirão sempre a mesma conclusão: vem, viver a vida amor, que o tempo que passou, não volta mais.

    Mas não só de pequenos snippets da vida diária se compõe este anime: temos momentos de acção absolutamente fabulosos, com uma animação espectacularizada que acaba por equilibrar com os outros episódios mais calmos e mais focados no dia a dia dos nossos viajantes.

    Cada personagem, em ambas as parties, tem o seu quê de único, sendo que o autor (suponho que do manga?) faz um esforço consciente para dar uma backstory válida aos que já morreram e um desenvolvimento pessoal e emocional aos que cá estão. Assim, não podemos caracterizar nenhuma destas personagens com uma ÚNICA palavra. Tomemos o exemplo da própria Frieren: muitos comentários afirmam que ela é autista. Pessoalmente, acho que a personagem é muito mais complexa do que isso (e que não tem qualquer característica autista nem neurodivergente). Frieren é uma maga poderosíssima, mas ainda assim com um toque de humildade. É estudiosa e extremamente curiosa, mas o facto de ter crescido num isolamento quase total não permite que compreenda na totalidade o comportamento humano dos seus companheiros. Isso dá azo a muitos mal entendidos, que tornam a série mais leve e engraçada nos momentos calmos. Assim, Frieren pode ser uma elfa, uma entidade quase imortal, mas a dor da sua imortalidade é evidente, tornando-a numa personagem multifacetada. 


    A questão da imortalidade sempre me foi querida, até estou (há anos) a trabalhar numa história com esse tema. Neste anime, a situação torna-se especialmente pungente: o tempo que passou não mais irá voltar, e as coisas que não foram ditas nunca mais poderão ser reveladas à pessoa certa na hora certa. E, agora que a nossa elfa tem uma segunda party, não irá deixar de aproveitar a oportunidade para FALAR, para dizer o que sente, e para aproveitar melhor o tempo que - infinito para ela - passa demasiado rápido para os outros.

    Foi um anime que apreciei muito, sendo a minha classificação de 7/10 para a primeira season. A segunda season é menos relevante, parecendo ser mais uma temporada de transição do que algo que realmente acrescenta à história. É uma história bonita, que dá que pensar, e que correu bem pois está altamente popular.



  • Análise: Mobile Suit Gundam (mas só UC)

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     Estamos no ano de 1979 e uma figura de génio surge no panorama do anime: Tomino. Este homem tem alguns elementos de personalidade fixos: é agressivamente pacifista, gosta de máquinas e gosta de distribuir chapadas. Comecemos pelas máquinas.

    Gundam, os Mobile Suits, Kidou Senshi, são máquinas de guerra invencíveis e imbatíveis, uma mistura de arma com escudo, cujo nome terá sido idealizado como "arma tão poderosa que consegue proteger uma barragem". Os Gundams são quase mágicos, na medida em que certos pilotos, aqueles nascidos já no espaço, conseguem ter um maior controlo sobre eles com a força da mente. São os chamados Newtypes, um conceito de humanidade muito interessante: a partir do momento em que nascemos no espaço, seremos considerados ainda como seres que pertencem a um planeta?

    Desde que vi Gundam a primeira vez, há muitos anos, gostei logo da ideia das Colónias, cilindros gigantes que orbitam à volta da Terra e que têm as suas próprias civilizações e comunidades. No entanto, nessa altura ainda não tinha compreendido bem a implicação de que as pessoas que nascem no espaço poderiam, efectivamente, considerar-se diferentes dos terráqueos e - por isso - ter uma razão para começarem uma guerra de independência.

    É nesta linha que surge o Principado de Zeon. Apesar de ser um principado, apesar de ter uma tendência bélica em tudo semelhante ao poderio do Eixo do Mal que vivemos nós próprios na Terra, Zeon acaba por ser um dos meus "mitos" preferidos. Em representação da luta contra as forças da Terra, a Federation, temos o misterioso Char Aznable. Ele conduz um Mobile Suit Zaku vermelho, o que torna tudo mais especial e espectacular, e a sua evolução enquanto personagem é como o vinho da adega da Ferreirinha: à medida que envelhece, fica mais gostoso.

    Isto porque a história do Universal Century em Gundam não se limita à Guerra do Um Ano: Char disfarça-se em Zeta como Quattro Bagina (um nome excelente, diga-se de passagem) para lutar contra uma equipa de pilotos que insiste que a Terra é o único lugar válido para se viver, tendo como objectivo desgraçar os habitantes da colónias. Em ZZ ele desaparece para dar lugar a outra antagonista excelente, Haman Karn, cujo maior desejo é restaurar os direitos governamentais à muito jovem princesa de Zeon. E, finalmente, tudo culmina com Char atirando uma Colónia para cima do planeta num auto de fé de destruição total, o que nos remete quase para o Nazismo.

    Como poderão reparar, Char Aznable é um dos meus antagonistas (vilão? Anti-herói?) favoritos de sempre. A Haman está num lugar bem próximo como personagem favorita do franchise inteiro, até fiz cosplay dela sem grande sucesso. Ainda gostaria de refazer esta personagem, num outro design. Também gosto muito do Noah Bright, falemos um pouco sobre ele.

    Bright, capitão almirante da nave de guerra White Base, vê a sua vida toda a andar pra trás quando a Colónia onde fizeram uma pausa para apanhar os Gundams é atacada e a sua nave (de guerra) fica cheia de civis. Crianças, nomeadamente. E o pior disto tudo é que ninguém faz aquilo que ele pede, nem aquilo que ele ordena, nem nada do que ele quer. Por isso, o recurso estilístico para resolver esta situação é.... Correr toda a gente à base da chapada! Yay! Gosto imenso desta atitude desesperada, e à medida que o personagem vai crescendo, também a sua paciência vai diminuindo.

    De resto, Tomino é anti-guerra. Em Gundam UC não conseguimos definir exactamente quem são os bons, nem quem são os maus.

    Se por um lado Zeon tem um design altamente nazi, e ideias bélicas muito ligadas a uma monarquia imaginária, do outro lado os Feddies também têm objectivos de guerra muito malévolos que envolvem o domínio completo das Colónias. Nada é preto no branco, sendo que a única coisa de que temos a certeza é que: a guerra mata, a guerra destrói, a guerra é muito, mas mesmo muito, merdosa.

    Suponho que Tomino tenha vivido a guerra na realidade, daí ter exposto o seu trauma, as suas ansiedades mas - também - o seu sonho de paz através de uma obra que disfarça tudo isto atrás de robots gigantes com espingardas e espadas mecânicas.

    Não posso despedir-me sem antes deixar uma nota para a animação genial de todas as quatro partes do anime (ZZ, com menor valor de produção, tem alguns momentos que deixam muito a desejar, tho). A realização deste anime é em tudo semelhante a um filme de cinema, com uso de perspectivas, cores e efeitos de luzes que nos remetem a uma realidade total. Podemos estar a viver na fantasia do Space Opera, mas a forma como tudo está dirigido e montado dá-nos um extremo realismo, e permite que realmente nos identifiquemos com as várias personagens.

    Também não disse que detesto o Kamille, porque ele faz tudo errado e é um vegetal. Enfim, é um anime que nos traz mesmo emoções fortes.

    Para sempre irei recomendar Mobile Suit Gundam. Mas só UC.



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