Evento: Comic Con Portugal - Bem vindo à Lista Negra
Toda esta aventura começou quando uma menina pediu num server de cosplay pessoas para tirar fotos e fazer vídeos de um grupo de Ursinhos Carinhosos. Ora, como eu adoro (ou adorava?) os Ursinhos Carinhosos, juntei-me logo! O vídeo foi enviado para uma estranha competição organizada pela CCPT, em que iam seleccionar as pessoas por zonas do país através dos skits em vídeo. E como éramos pouquíssimos fomos todos seleccionados!
Aqui começam os problemas: primeiro, a CCPT era para ser na Exponor. Subitamente mudaram para Santa Maria da Feira e eu reservei um hotel lá. O concurso era suposto ser dia 25 de Abril MAS, devido ao facto de nos terem trocado o auditório para um bastante maior, passou para 26. Então o hotel de Feira não estava mais disponível. D: Voltei a marcar um em Espinho, que se veio a revelar uma casinha muito bonita com jardim. Só na última fase de venda dos bilhetes me cai a ficha de que o helper não tem bilhete gratuito. Isto foi uma surpresa e um choque, porque o ninja tinha bilhete gratuito! Então se o ninja faz as vezes de helper, o helper não pode ter bilhete grátis porque não é ninja? Mais valia tê-lo posto como ninja D: Foi uma barbaridade de euros o bilhete de fim de semana e, por isso, fiquei tão chateada com este evento no geral. Porque não vale a viagem, a estadia e O PASSE DE FIM DE SEMANA!
Para começar, o Europarque de Santa Maria da Feira não fica em Feira. Fica numa terra que tem o maravilhoso nome de "Espargo". Espargo não tem qualquer tipo de transporte público, embora estivesse lá em frente uma singular e solitária paragem de bus. Para as pessoas sem carro, que são a maioria dos miúdos que vão a estas coisas, parece-me totalmente inviável chegar a este lugar. O sítio era muito espaçoso e bonito, com sítios excelentes para fotos, mas também parece ter sido um pouco mal aproveitado.
No andar térreo havia vários auditórios com actividades, tudo bem excepto que puseram o desfile de cosplay num auditório diminuto e já não conseguimos entrar. No primeiro andar estava um palco de alguma coisa, estava lá uma aidoru japonesa a cantar muito malita coitada, e a zona comercial. Aqui devemos colocar uma nota para a extrema abundância de falsificações, bootlegs e aqueles sacos horrorosos de merch surpresa que vêm do Aliexpress. A maior parte das bancas era de Espanha, com excepção para uma banca muito genial de comics semanais raros. No submundo (-1) estavam os artistas e, desta feita, não posso garantir que sejam bons artistas. Muitos tinham merch chinesa, que não corresponde a uma Artist Alley, e cheguei a ver uma banca com aquelas ilustrações em AI horríveis que fazem os olhos dos bonecos muito grandes (também havia bastante AI na zona comercial, mas nos artistas é imperdoável). Subitamente, vi um escritor a vender o seu novo livro! Toda feliz para apoiar um novo autor, fui lá e disse logo que comprava o livro! Qual o meu horror quando vejo que o autor tem umas cartas com as personagens com designs em.... AI. E coitados dos personagens, que feios ficaram. Aprendi também que são self-inserts do autor e da sua família. Só espero é que o livro em si não esteja escrito por AI, ou corto os pulsos.
A zona da comida era bastante completa, mas bem diferente do habitual: NÃO TINHA comida asiática nem bubble tea nem nada do que costumamos ter nestes eventos. Comi um croissant de 5€ D:
No Sábado levei o meu cosplay de Rem (Re Zero), que já tinha comprado há dois anos mas nunca tinha feito o arranjo de que precisava, alargar as costas porque como agora sou gordeca o peito não cabia num XXL Asiático. Foi um SUCESSO!!! A cada cinco minutos me pediam para tirar uma foto omg! Isto é muito muito invulgar! Fica aqui o registo de mim ao lado do KITT (venha-me buscar!) e com um random Laboon.´
No Domingo foi o dia do concurso e as minhas mini-amigas-mini-góticas quiseram ir ensaiar às 8:30 da manhã, para meu grande desespero sonífero. Ensaiamos e foi toda a gente muito profissional, tinhamos um técnico de luzes a discutir connosco pela regie e tudo!Em resumo, a CCPT teve a pior edição de SEMPRE em 2026. Com grandes props para a organizadora dos elementos de cosplay, a Angélica, que se esforçou ao máximo pelo nosso conforto com grandes limitações, posso dizer que o concurso foi divertido, mas que o evento em si não vale o preço do passe de fim de semana. Nos dias da semana nem se fala, segundo consta a presença principal foi a de escolas com bilhete gratuito.
Análise: The Pitt - Serviço de Urgência, mas cientificamente actualizado
The Pitt. O nome dado às urgências de um dos principais hospitais escolares de Pittsburgh.
Nesta série, até agora com duas seasons, acompanhamos um dia completo no hospital, sendo cada episódio uma hora do turno. Como podemos constatar, cada season tem 15 episódios, estes médicos nunca saem a tempo e horas do seu trabalho.
Naa primeira season conhecemos alguns estudantes de medicina, preparadíssimos para aprender e absorver toda a informação que o seu MD tem para lhes dar. Esse MD é Robbie Robinavitch, um experiente médico que já tinha participado no Serviço de Urgência dos anos 90, mas com outro nome (ah, era o mesmo actor!). Aliás, às vezes ele até dá dicas do género "isto fazia-se assim nos 90s", o que foi muito engraçado.
Tal e qual como no clássico Serviço de Urgência, a cada episódio temos alguns casos clínicos novos, alguns muito simples e outros muito bizarros. Na verdade, esta série inspirou-me imensamente a finalmente ir tirar a pós-graduação em medicina interna, porque quero ser tão esperta e cabeçuda quanto estes médicos de pessoas.
The Pitt fala também de alguns assuntos sociais importantes, como a pandemia, a acção do ICE ou o consumo de drogas em ambiente hospitalar. Cada personagem tem as suas características únicas, e são mesmo muito cativantes estes médicos e estudantes. Na segunda season, os estudantes já são residentes, e conhecemos mais um batch de potenciais médicos. Conseguimos perceber que o choque da morte acaba por ser mais impactante que o facto de se salvarem vidas, e que cada pessoa tem a sua vida única e exclusiva, com problemas que nos podem parecer um pouco parvos às vezes, mas que para elas são importantíssimos.
O série aborda também o facto de não haver serviço nacional de saúde nos USA, mostrando-nos as dificuldades de pagamento dos serviços prestados pelas pessoas que perderam Medicaid por uma razão ou outra. Essas dificuldades podem ter consequências graves, e isso é preocupante tanto para os intervenientes da série como para o público.
Apesar de ter algumas cenas bem gráficas, o ambiente é completamente estéril e educativo. Por isso não me impressionam grandemente, apesar de chegarem a mostrar um parto ao vivo e a cores.
Foi uma série com a qual vibrei durante as semanas em que esteve a sair, e estou ansiosa por seasons infinitas!
Análise: Ace wo Nerae! - O anime, o cinema e o desporto entram num bar
Serve esta review/análise para falar do Ace wo Nerae BOM: o filme do Dezaki, o OVA e o segundo OVA. A série original, acho que já falei dela aqui, é bastante fraquita, em que as jogadoras praticam ténis só de meias, porque não lhes desenharam os sapatos.
Mas falemos de coisas boas: o que acontece quando temos um anime de desporto, que é realizado por um director fluente em cinematografia?
É graças a isto que Ace wo Nerae (torna-te num ás!) se eleva para além de um anime perfeitamente normal situado nos anos 70: porque os jogos tornam-se fascinantes, sem uso de super poderes nem nada, apenas a força bruta; porque finalmente ver um jogo de ténis se torna um exercício de controlo de emoções, emoções fortíssimas!Análise: Chargeman Ken! - Quando o anime sofre de paralisia cerebral
Quando precisava de um anime para ver em grupo, fui pedir sugestões a uns outros amigos a ver o que me davam. E o que me deram foi uma jóia mais que preciosa, um diamante perfeitamente lapidado, só que em forma de cagalhão.
O nome desse diamante é Chargeman Ken!
Se em 1973 as crianças em Portugal sofriam com o final de uma ditadura, as crianças do Japão sofriam com a OP de Chargeman Ken!. Cantada por um coro infantil, dizem que o nome do seu Chargeman é Chargeman Ken, Go Go Ken. Após 65 episódios a música acaba por ficar mesmo na cabeça, por mais que a gente não queira.
De resto, o que dizer do nosso Chargeman? Do nosso Chargeman que é o Ken? Então, Ken sofre de uma doença que o desfigurou completamente, a ele e aos outros personagens todos, porque está tão horrivelmente mal desenhado que só pode ter sido criado, no seu conceito de design, pelos pés de uma pessoa com Parkinson. Segundo consta, os animadores estavam muito a ralenti com este anime, porque iam para a praia em vez de trabalhar nele.
Confere: temos sequências de animação absurdas, em que Ken rebola e rebola sobre si mesmo, a arma muda de sítio, pessoas não estão pintadas e vivem uma vida monocromática na multidão; temos acetatos partidos nas keys, temos pêlos e estranhos pentelhos nas keys. Temos até um momento em que aparece simplesmente uma folha com uns números escritos, que terão se esquecido de tirar (ou terá sido de propósito que lá ficou?) A transformação de Ken é sempre igual em todos os episódios, na sua luta contra os terríveis Juralianos (umas criaturas tentaculares e monoculares, que vivem debaixo do mar, liderados por um gajo com dedos de macarrão, que querem destruir a humanidade por nenhuma razão específica mas que, em oposição a Ken, morrem muito facilmente). A transformação de Ken que é sempre igual costumava ter uma musiquinha muito gira e psicadélica, mas não é sempre, porque o director de som deste anime devia ser surdo, já que raro é o momento de acção que tem banda sonora.
De resto, as personagens são do mais esquisito que há. Ken não tem nenhuns amigos, fora a irmã Caron (que tem um ar estranhamente adulto, muitos panty shots e dá facadas), e o robô de estimação Barican, que é sem dúvida um robô alcóolico sempre com os olhos tortos.
Mas o mais estranho no meio disto tudo é o abordar de temas essenciais e relevantes, mas da forma mais estúpida possível. Falamos do mau trato a animais, de bullying, de diferenças entre estratos sociais... Mas sem que nada disto faça sentido nenhum.
Análise: Heated Rivalry - Quanto mais me odeias, mais gosto de ti
Série inspirada na também série de livros, de mesmo nome, e que fala sobre uma rivalidade muito sensual entre dois jogadores de hockey no gelo.
Quando se conhecem, no primeiro ano em que estão a jogar profissionalizados, eles imediatamente odeiam-se um ao outro. Mas esse ódio rapidamente se transforma num amor carnal incontrolável, e ao longo dos anos estes dois (que se odeiam) vão aprendendo que - na verdade - se amam. E isso é extremamente fofinho. O discurso todo em russo do Ilya é encantador.
A série é extremamente relevante nos tempos que correm, porque nos fala de vários elementos socialmente importantes. Desde a pressão social e familiar dada aos desportistas, até ao facto de haver uma homofobia intrínseca no mundo do desporto, esta série fala disso tudo de uma forma mais ou menos ligeira, mas ainda assim muito emocionante.Concerto: FatBoy Slim
Foi com este sorriso que FatBoy Slim recebeu a população lisboeta num concerto no 8Marvila (em Marvila). Num espaço relativamente pequeno, tão cheio que não cabia nem mais uma pulga, o nosso DJ de house favorito faz a festa. E que festa!
Não consigo enumerar os sons que foi passando, mas além dos seus títulos icónicos tivemos direito a Underworld, Prodigy e até Nirvana! E eu dançava e dançava... Uma pessoa até me veio dizer que adorava a minha vibe (um pouco misterioso isto)
Dancei tanto que fiquei muito abalada, incapaz de me mexer durante toda a semana seguinte. Mas valeu a pena o dispêndio de energia, pois saí de lá bem feliz.
Foi um concerto especial, sem dúvida, que ficará para os anais da minha história pessoal.
Abril 2026: O Que se Viu e O Que se Papou
Dead Man Walking - Homem condenado à morte confessa os seus dilemas a uma freira. Este filme coloca em cheque o papel das mulheres na igreja e a sentença de morte. Fiquei com pena do MC pois ele foi só parvo, e por isso, acabou condenado. Vê-se bem.
Amagi Brilliant Part - Achei que este anime seria diferente, na verdade é apenas sobre um parque de diversões que está a ir à falência e os momentos fatia-de-vida de quem lá trabalha. Vê-se bem.
Dead Heat - Corridas de motas com pernas. Extremamente fixe e bem animado, mas cadê o final? Papa-se.
Cybernetics Guardian - Cyberpunk que mistura tecnologia com demónios, e que acaba por não funcionar muito bem porque... Cadê a história? Papa-se.
Darwin Jihen - O famoso anime do humanzé, metade homem, metade Zé. O humanzé é estranhíssimo e feio, parece um homem de meia idade com entradas. A história é muito relevante para o momento actual, pois fala do terrorismo da causa animal, o que é algo muito grave. A cena do school-shooting é mais que perturbadora, mas ainda nos conseguem perturbar mais depois disso. O Obama é o vilão. Vê-se bem.
Dragon Ball Cooler - O irmão do Freezer vem à Terra matar o Goku, sem sucesso. Papa-se.
Hime-sama "Goumon" no Jikan desu 2 - Continuamos as sessões de tortura deliciosas, mas confesso que me está a passar um bocado ao lado o porquê deste anime. Papa-se.



