Evento: Aniaki vs Uchuu Matsuri - Um Combate
No mês de Março tivemos dois eventos quase seguidos, os dois de dimensão semelhante, ambos em escolas. Assim, em vez de falar da experiência de cada um em separado, achei que seria divertido comparar ambos por pontos. Porque um dos eventos foi um grande sucesso. O outro evento não terá sido tão bem sucedido. Então vamos a UM COMBATE! Pelo evento de pequena dimensão melhor sucedido de Março!
Aniaki
Espaço: O espaço é a escola que já conhecemos, mas desta vez consegui aproveitar melhor o espaço porque fui para a rua. As casas de banho estavam cheiíssimas. O espaço do concurso era um ginásio, bastante desadequado porque nem tem lugar para as pessoas se sentarem.
Actividades: Nenhumas! Fora o concurso de cosplay e a Artist Alley, nada de nada, talvez porque retiraram uma sala de workshops para meter mais bancas.
Convidados: NENHUM!
Concurso de Cosplay: Em formato desfile performativo, fiz de ROBOTO. Estava imensa imensa imensa gente inscrita, e overall foi divertido.
CONCLUSÃO: Evento super super popular, mas porquê? Trata-se mais de um supermercado de arte, quase não tem actividades nem convidados nem nada. De todos os modos, fiquei feliz porque achei um porta chaves do meu maior ídolo G-sama, e entrei em delírio
---> AQUI eu e o Toshio Maeda sensei com o meu polvis. Eu feliz <3
Uchuu Matsuri
Espaço: O espaço é uma escola, mas infelizmente esta escola está toda destroçada. Janelas partidas, casas de banho repelentes. As actividades eram em salas de aula, o que nos dá boas cadeiras e tal.
Actividades: Talvez demasiadas! Havia um ror de workshops, imensos!, e muitas vezes as pessoas teriam de correr de um lado para o outro para as poder apanhar na hora correcta. Muitos dos workshops eram muito interessantes, mas a única actividade que eu queria ir era o karalhoke. Quando cheguei não estava ninguém, e estava a passar pimba, então tive vergonha de ir cantar.
Convidados: Super interessantes! Tivemos o Maeda-Sensei,que pediu para tirar foto comigo (ofereci-lhe um polvo de peluche). Adorei conhecê-lo!
Concurso de Cosplay: Em formato skit, estavamos DUAS pessoas inscritas e ainda assim conseguiram alucinar com o audio de ambos.
CONCLUSÃO: Evento praticamente vazio, não se sabe porquê. O preço? Os artistas? Honestly, para conhecer os senseis valia mesmo a pena. Whyyy
Análise: Blood+ - Quando o bom gosto se mantém
Há muito muito tempo, vi Blood+. Classifiquei-o comum 9/10 e adicionei um dos personagens aos favoritos. No entanto, não me lembrava virtualmente de NADA deste anime. Porque é que lhe dei 9? Porque é que gostava tanto daquele persoangem?
Ocasião de rever, desta vez em grupo, e parece que a minha opinião de 2007 se mantém. O meu eu de há 20 anos era realmente um poço de bom gosto.
Mas afinal de de contas, de que se trata este anime? Vampiros!
Conhecemos, ao início, uma rapariga aparente normal, embora bastante anémica, chamada Saya. Rapidamente percebemos que esta Saya é, na verdade, um chiroptera: espécie de vampiro mutante, muito feio, que ataca sem escrúpulos toda a gente. Dizem que é a forma seguinte da evolução do ser humano. Investigam sobre isso. Saya enquanto vampira tem adormecimentos periódios que duram cerca de 60 anos. A última vez que despertou, esteve na Guerra do Vietname e correu tudo muito mal. Ela apagou as suas memórias. E é nesta aventura para lutar contra os chiroptera que ela as vai recuperar.
Ela tem dois irmãos adoptivos e um "chevalier", que é o Haji, um cavaleiro defensor e protector que toca violoncelo. O Haji é lindo de morrer, tem uma personalidade toda magoada e cheia de angústia, e percebemos porquê: porque quando Saya dorme, ele - no sofrimento da sua imortalidade - tem de vaguear por todo o lado sem destino e sem nada para fazer sem ser praticar o seu instrumento (o violoncelo, por favor!)
Também os antagonistas são aterrorizantes e muito fortes, nomeadamente Diva, que tem uns gostos sexuais muito estranhos e que - com isso - protagoniza uma das cenas mais perturbadoras do anime inteiro. Os seus chevaliers também lutam, mas ao contrário de um shounen de batalha regular, eles não aparecem a cada semana. Eles têm personalidades distintas, poderes distintos e histórias evolutivas completamente diferentes, com razões muito íntimas para se manterem como chevalier.
Nas cenas de acção, a animação é brilhante, e temos uma banda sonora perturbadora.
De resto, como se confirma que eu era um génio, tenho apenas a dizer que o bom gosto é para sempre. E, para celebrar isso, quero ser um bonito. Sim, farei cosplay do Haji. Porque eu mereço.
Análise: Urotsukidoji - A Lenda do Supra Demónio
A propósito de irmos conhecer o autor de Urotsukidoji, que foi a mente perversa por trás da criação de hentai de tentáculos, achei por bem ler o seu manga mais famoso "The Legend of Overfiend" (Urotsukidoji). Sim, o manga é hentai e, não, não é SFW (óbvio!) e sim, tem muitos muitos tentáculos demoníacos.
Digamos que este manga é estranho porque está extremamente bem desenhado. Até chega a fazer impressão, porque é quase como estivessemos a ver pintura renascentista, mas em vez de orarem a deus estão em posição missionário (entre outras).
O manga acompanha as aventuras e desventuras muito sexuais de um rapazinho do nono ano e da sua namorada, que estão sempre acompanhados por um demónio extremamente apanhado por satirismo, até que se revela que o dito do rapaz é o demónio do mal supremo e que o seu filho será, portanto, o mal supremo.
O manga tem os seus momentos sensuais, nota-se que o autor este muito tempo a estudar várias maneiras prazerosas de fazer o amor, quer o mecanismo fornicatório seja um pénis regular ou os tentáculos malucos dos demónios. A rapariga é violada a cada três páginas, no entanto este manga empodera mais as mulheres do que qualquer Rumiko da vida: afinal, os tipos violam as miúdas, mas as raparigas demónio TAMBÉM violam os tipos, é tudo muito libertário e igualitário.
Com uma arte extaordinária, por vezes grotesca, por vezes cheia de sentido de humor, este é um manga clássico que - apesar de ser muito badalhoco - me encheu as medidas e será, certamente, inesquecível.
Fica a nota de que temos uma cat girl com as orelhas no sítio anatomicamente correcto.
Análise: No Coração desta Terra - Que Terra?
Livro literalmente encontrado no lixo, e que se veio a revelar uma obra máxima da literatura contemporânea.
Estamos na África do Sul, em pleno Apartheid, e lidamos com as confusas memórias de uma mulher, Magda.
Magda tem uma relação estranha com o pai, Magda tem uma relação estranha com a vida. Magda já não se recorda bem do que aconteceu: vive com os seus criados, todos negros como deveria ser, e matou o seu pai. Ou se calhar não, se calhar ele está muito velhote e xexé.
Com esta confusão mental, pareceria difícil escrever um livro sobre semelhante personagem. No entanto, Coetzee consegue fazê-lo de forma magistral, colocando por palavras bem bonitas o quanto do desespero desta mulher toca na realidade, apesar de estar bastante afastado dela porque Magda está louca.
Apesar de ser um livro bastante complexo, lê-se muito bem e é altamente viciante. É uma obra que toca no factor social, mas sobretudo no factor pessoal da personagem, que é vibrantemente confusa, mas com toda a razão.
Assim, estamos no coração desta terra, mas que terra? A África do Sul, a África em si, ou o país pessoal em que Magda se encontra? Fica a dúvida para sempre.
Análise: 17-26 - A Arte de Tatsuki Fujimoto
Conhecemos Tatsuki Fujimoto pela sua mais famosa obra, Chainsaw Man. Por isso, fiquei agradavelmente surpreendida com este conjunto de curtas, que são adaptações de vários one shots escritos no período de 10 anos entre 2017 e 2026.
Cada história é única e realmente fascinante. As que mais me impressionaram foram as da galinha e a do quadro. São histórias surrealistas, mas apegadas a uma realidade muito forte e muito concreta, a realidade do próprio autor, que ele altera e molda nestas histórias para servir uma espécie de moral pessoal.
Mas o mais extraordinário é sem dúvida a animação, que é lindíssima e espectacular. Se cada pequenina história por si só não tem nada de especial, os efeitos visuais transformam-nas em algo de muito belo e de muito atractivo.
Gostei muito deste conjunto de curtas, e recomendo.
Análise: Takopii no Genzai - O Alien e o Assunto Sério
Por vezes encontramos um anime, um simples OVA, que acaba por significar muito mais do que aquilo que esperávamos. Takopii no Genzai é um desses animes, algo aparentemente simples e muito infantil que se revelou um anime muito mais relevante do que o que eu esperava.
Tudo começa quando Takopi, um alien tipo polvo do Planeta Feliz, vem para a Terra com o objectivo de fazer todos muito felizes. Má a sua sorte que vai parar às mãos de uma menina que sofre bastante, ela é vítima de bullying.Análise: Catarina e a Beleza de Matar Fascistas - O nome fala por si só
Peça criada e depois encenada por Tiago Rodrigues, foi publicada em formato literário após a estreia da peça, que trouxe muitos azedumes ao público, conforme veremos a seguir.
Livremente inspirado na história de Catarina Eufémia, brutalmente assassinada no Estado Novo por - simplesmente - se estar a manifestar, esta peça/livro fala-nos de todas as Catarinas que existem dentro de nós, das Catarinas que desejam e necessitam de matar um fascista.
Uma família, todos chamados Catarina, faz um fascista como prisioneiro e estão preparados para o matar. Mas uma das Catarinas hesita, afinal o fascismo já não significa muito para as gerações mais novas. E é essa dúvida, essa falta de memória colectiva, que nos leva para o monólogo mais violento de que há memória, a altura em que o público da peça se manifesta, atira coisas, se revolta. Porque é realmente uma coisa revoltante e horrível, o tal discurso fascista, que toca nos pontos dolorosos deste tipo de regime em alinhamento com a actualidade.
Então, estabelecemos aqui que as forças do mal estão representadas pelo fascista. No entanto, as forças vingativas estão fragilizadas, esquecidas. Talvez porque há muita gente hoje em dia que gosta de culpar os outros pelas suas próprias acções políticas, e muita gente saudosa de um tempo que nunca existiu para elas mas que, para quem existiu, é uma memória de pesadelo.
Uma peça extraordinariamente relevante, e que merece toda a premiação que recebeu. Fico ansiosa por conseguir arranjar bilhetes para uma próxima e eventual sessão.

