Archive for quarta-feira, abril 09
Toaru Hikuushi e no Koiuta
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Toaru Hikuushi e no Koiuta
Suzuki Toshimasa - Bandai Visual
Anime - 13 Episódios
2014
5 em 10
Não sei porque comecei a ver este anime. Talvez tenha sentido que ver aviões seria uma coisa boa. Mas nem por isso. Aliás, acabei de ver ontem, mas vejam a vontade que eu tinha de escrever que até estou aqui nas minhas interdições a fazê-lo só para não me esquecer... Hahaha
No fundo, este anime tem uma história muito simples. Poderia mesmo dizer "básica". Não passa de uma história de amor, pontuada por vingança e oposta por um ódio inerente vindo do passado. Mas eles não querem que esta seja a história principal. O desejo é que isto seja um meta-assunto e que o foco sejam os aviões e a guerra. Mas isso é impossível: primeiro porque a guerra se passa num contexto escolar, com crianças. Depois, porque o inimigo está mal definido e todos aparentam estar a lutar com o único objectivo de mostrar lutas de aviões. Finalmente, porque a trama política está muito simplificada, certamente de forma a agradar à faixa mais jovem de público.
Assim, o anime está preso numa área amorfa que não é nem o tema de guerra nem o tema amoroso, mas algo indefinido e com um rumo inconclusivo. Tem de acabar tudo bem, por isso é assim que termina, mas ficam assuntos pendentes para dar abertura a uma próxima season que... Não sei se valerá a pena.
Em termos de animação, pareceu-me muito incongruente. Se por um lado temos paisagens do céu muito bonitas, também temos personagens muitas vezes desproporcionais em relação aos objectos e, atrevo-me a dizer, com as feições tortas a ponto de nem o brilho narigudo as resolver. Gostaria muito de dizer que as cenas de luta entre avionetas estão excelentes, mas nem tudo é o que aparenta. A verdade é que o CG nota-se e nota-se bastante, apesar de já se notar uma grande evolução em relação à sua utilização há uns anos atrás.
Musicalmente, mais uma falha: a ED e OP não se adequam nada ao teor do anime, insistindo na má definição do objectivo de que falei anteriormente. Parenquimatosamente, nada fora do comum, podendo cair no vulgar nas cenas mais intensas.
Um anime que podia ter sido muito mais do que aquilo que foi e que espero que não tenha tido sucesso suficiente para uma próxima season.
By : ladyxzeus
CARNIVAL - Comei as Vossas Crianças
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CARNIVAL - Comei as Vossas Crianças
Produções Acidentais
2012
Teatro
6 em 10
Fui ao teatro na sexta-feira. Chovia torrencialmente, mas ainda assim lá fui jantar fora com R. e nos dirigimos para o Teatro Extremo, em Almada Velha, procurando abrigo e uma horinha de entretenimento. Lá chegados, venho a ler o folheto que nos deram. Estava lá escrito o que está na imagem que coloquei (até a pus um bocadinho maior do que o habitual, para poderem ler :) ). Posto isto, pensei logo no pior... "É daquelas peças para interagir". A sério, não gosto nada de peças de interagir com o público. Isto é, ser actor é giro, mas ser público nestas peças é um stress e um horror.
Deram-nos umas fichas de poker à entrada, que deveríamos colocar em caixinhas em cada secção da peça. Para nos ajudar, tinhamos um assustador senhor de cartola que gritava "FICHAS". Tive medo dele e pus logo as fichas todas (eram três) na primeira parte da performance. Digo performance porque as primeiras três partes eram mais isso do que uma peça propriamente dita. Foram seguidos pelo monólogo "Comei as vossas crianças". Mas voltemos ao início.
Assim que a primeira pessoa coloca a ficha, aparece numa salinha transparente junto ao tecto uma cigana a cantar o fado e a colar papéis no vidro. O fado era giro e teve um grande efeito inicial, mas tive pena de não poder ler o que quer que estava escrito nos papelinhos.
De seguida, um corredor. Esperámos uma eternidade no corredor, em alegre converseta com um senhor que lá estava. Era para por outra ficha, mas eu não tinha mais... R. deu-me uma das dele e ficámos com uma cada um. Ao fundo do corredor, uma parede negra com um espacinho para espreitar. Do outro lado, a dançarina, ferida, fazia gestos, aproximando-se e afastando-se.
Finalmente, entramos na sala de espectáculo propriamente dita. A última ficha é para colocar numas velinhas. O senhor de cartola ordenou que pusesse uma ficha, mas eu não tinha mais nenhuma. "Então tem de arranjar uma!" disse ele, com ar demoníaco. Não arranjei. As velinhas diziam artigos da constituição quando se punha a ficha, numa voz que - no folheto - vinha identificada como "voz do padre". Será que "voz de padre" é um epíteto específico? Um estereótipo? Estranho...
Sentamo-nos e esperamos que todos cheguem para que comece o discurso. Uma deputada, falando para o parlamento, em texto traduzido de um autor que desconheço (mas que posso por aqui quando chegar a casa para ver o papel), declara que a solução para os nossos males é comer as crianças de todos os que não são ricos. Passa a descrever a indústria de carne, mas com crianças. Bem, esta parte teve piada. Fartei-me de rir, porque era tudo tão ilógico, e a imagem de "paté de crianças" pareceu-me absolutamente hilariante. A actriz podia ter estado um bocadinho melhor, apesar de se ter safado bem e se unir com o público, mas sem interferir connosco. Gostei muito quando todos bateram palmas a meio do discurso e ela conseguiu parar-nos com imensa classe e continuar.
Finalmente saímos. Ainda falta a parte da dança... E eu só dizia "eu não quero dançar, eu não quero, eu não vou, eu tenho sono, eu não quero, eu não vou" Mas fui logo a segunda pessoa a ser chamada para dançar com um desconhecido (fugimos um do outro muito rapidamente). Depois dançámos em grupo numa rodinha. Nem estava com atenção à música, que era guitarra e voz, não me lembro sobre o que falava porque estava tão concentrada e tentar dançar sem pensar nos outros.
Terminou com um copo de vinho no bar do teatro.
No geral, gostei do conceito de "circo" que nos foi imposto, apesar de não me parecer adequado ter este e o discurso na mesma sequência, porque não tinham muito que ver um com o outro. Mas o ambiente foi interessante, apesar de não ter percebido bem as mensagens que pretendiam transmitir com cada secção. Era só pelo circo ou havia algo mais? Terei de debater.
Mas vou tentar ir mais vezes ao teatro. Confesso que já tinha muitas saudades.
By : ladyxzeus
