Archive for segunda-feira, abril 27
Uma gata, um homem e duas mulheres
0
Uma gata, um homem e duas mulheres
Junichirou Tanizaki
1936, 1951
Novelas
Livro que me foi emprestado pela Ana-san durante o Anicomics.
Fique uma nota pessoal: arranjei um novo trabalho! Por enquanto estou só à experiência, mas acredito que se fizer um bom trabalho poderei ficar lá. :) Ora, nesta nova actividade é-me exigido que passe as noites lá, pois trata-se de um hospital com atendimento permanente. Este fim de semana fiz as minhas primeiras noites e descobri que há poucos tipos de actividades que se podem fazer, para além de tomar conta dos internados. São elas brincar com os bichos residentes, que não percebem o hip-hop, ver televisão (que não aprecio por aí além), ler e estudar. Também posso ver anime, mas teria de o passar para o portátil e isso dá um trabalhão medonho. Portanto, ler e estudar! Preparem-se para muitos comentários sobre livros! =D
Ora então, de que trata este livro? Não conhecia o autor e fiquei bastante curiosa acerca da sua escrita. Neste volume estão três histórias, uma novela e dois contos mais curtos, que falam sobre a vida diária de um Japão que já foi esquecido, um pós-guerra que a maioria dos nipófilos animados desconhece (pois os animes não falam muito sobre esta época). Assim, é uma experiência bastante interessante ler estes contos sobre a vida e os hábitos, polvilhados com uma certa dose de estranheza.
Em "Uma gata, um homem e duas mulheres", uma novela com mais ou menos 100 páginas, o autor fala-nos de um triângulo amoroso que tem como ponto central uma gata. As mulheres odeiam a gata, precisamente porque o homem ama a gata. Assim, quando o animal se muda para a casa da ex-mulher - a pedido desta e a mando da mulher actual - o que poderá o homem fazer senão colocar-se numa estranha situação de dependência? Além disto, a história foca-se sobretudo no comportamento do gato, sendo uma espécie de homenagem a este ser como animal de estimação. Afinal, mesmo as pessoas que o odeiam acabam por se sentir cativadas após conviver um pouco com eles. Para mim foi muito interessante ver o tratamento dos gatos nos anos 30 do Japão, que é muito diferente do da actualidade. No entanto, a história acaba num ponto em que poderia continuar, dando a sensação de que está incompleta.
A segunda história chama-se "O Pequeno Reino". Foi a que gostei mais. Fala sobre um professor e um aluno muito especial e na forma como este aluno estabelece um "reino" entre os outros estudantes, de tal forma influente - quer pela sua personalidade quer pelas necessidades das outras pessoas - que o próprio professor acaba por se envolver nele. Gostei bastante desta história precisamente porque o seu desenvolvimento é desesperantemente ilógico, de uma forma quase divertida mas ao mesmo triste dentro do contexto dos personagens.
Finalmente,"O Professor Rado". Não compreendi muito bem este conto, pois possui alguns elementos de caracterização de personagem que não são utilizados para o desenvolvimento da história e que acabam por paracer "fora do sítio". Fala sobre um Professor muito estranho, que quer saber mais sobre uma actriz e pede a um jornalista que o descubra. Esta história pareceu-me uma espécie de rascunho, mas ainda assim é bastante interessante.
Com estes três contos fiquei com água na boca para descobrir mais sobre este autor. A sua escrita é clara e simples, mas os temas abordados acabam por ter uma complexidade pessoal que caracteriza perfeitamente toda uma época. Se alguém tiver algum livro deste senhor que me possa emprestar, será muito bem vindo! =D
By : ladyxzeus
O Feitiço das Trevas - O Tratado dos Magos
0
O Feitiço das Trevas - O Tratado dos Magos
A.P. Cabral
2010
Fantasia
Tem uma história curiosa, este livro. Há algum tempo, o meu pai andava erroneamente viciadíssimo no chamado "Game of Thrones" (dun~dun~dun). Quando terminou a leitura dos livros existentes, continuava com o bichinho do romance fantástico, então decidiu comprar este, esperando algo semelhante. Mas, quando começou a ler, ficou tão desapontado que esse desapontamento se tornou em raiva: entregou-me o livro para eu me "livrar dele" através do BookCrossing (como se o BookCrossing fosse o sítio para onde vão os livros desapontantes, aiai...) Decidi, antes de o colocar a circular, lê-lo para saber o que causou a raiva do meu pai. E como o compreendo agora...
Este é um livro que toma claras influências do tal "Game of Thrones" (dun~dun~dun). Tal como o citado, é o tipo de literatura em que acontecem imensas coisas, onde estão constantemente a acontecer coisas, mas em que - infelizmente - não se chega a lado nenhum. Existem personagens que nunca mais acabam, que vão desaparecendo, mortos ou simplesmente eclipsados para lado nenhum. E nenhum deles tem atitudes desenvolvidas ou realistas, aparecendo com uma consistência semelhante a cartão.
Para começar, a autora propõe-nos um mundo de fantasia que, embora limitado, poderia ter a sua graça. Não fosse, desde logo, a definição do que cada país e seus habitantes é ou faz. Para começar, estão todos divididos por cores: negros e amarelos. Depois há caucasianos, para sermos menos racistas. Por alguma razão há indianos, apesar de não haver índia. E parece que ser "anão" é raça ou tom de pele. Fala-se uma série de línguas neste mundo, mas não assistimos a nenhuma conversa que não seja em português corrente, fora um feitiço ou outro. Assim, qual a necessidade? Para mais, este planeta, com um único continente, aparenta ser diminuto, mais ou menos do tamanho da ilha Terceira. Pois os personagens deambulam por todas as terras ao longo de um curtíssimo espaço de tempo. Este também não está bem definido, pois duas personagens cirandaram em ruínas subterrâneas por "dois meses" sem água e com um saco de tâmaras e três maçãs.
Finalmente, uma nota negativa para a reacção dos personagens, que se apaixonam de maneira veloz a ponto de ignorarem todas as outras coisas importantes. Por exemplo, quando o personagem principal fala pela primeira vez em *anos* com a mãe (aliás, parece que é a primeira vez que a vê ou ouve) essencialmente o que lhe diz é "espera aí que eu já te atendo, agora tenho de encontrar a minha amada"
Tiveram graça as gárgulas e as suas ambições de um dia virem a ser uma coluna num salão.
De resto, será abandonado por aí à sua sorte.
By : ladyxzeus