Archive for quarta-feira, novembro 16

  • A Melodia áspera de um Deserto

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    A Melodia Áspera de Um Deserto
    Tiago Vieira
    Teatro

    Fomos ao teatro! Esta peça estava inserida na Mostra de Teatro de Almada, que ainda está a decorrer. Aliás, hoje mesmo queria ter ido ver outra peça, mas acabou por não se concretizar. Fiquemo-nos por esta. :)

    O programa faz um vago resumo, que é o seguinte:


    Tudo começa com três criaturas de chapéu que montam um cenário inusitado. Depois, aparece uma mulher. Esta, interpreta três diferentes personagens, todas com relações familiares umas com as outras, através de um texto denso, um pouco misterioso e algo violento. No entanto, a performance da actriz deixa um pouco a desejar, na medida em que a encenação não lhe permitiu liberdade de movimentos para que pudesse dar largas à potencialidade dos personagens. Assim, grande parte da acção é por sua vez intepretada pelos outros três actores, que se limitam a fazer mudanças no cenário, fazendo eles próprios parte dele. Ainda assim acabam por ter mais expressividade que a dita "principal", que a maior parte das vezes se encontrava parada, limitada no campo de acção de um microfone que poderia ter sido desnecessário.

    Isto porque a banda sonora da peça, a música acompanhante (que também conta a sua própria história) estava de tal forma mal planeada que era impossível ouvir a actriz se não fosse o microfone (até porque a sua projecção de voz não era perfeita). O técnico de som parecia estar com problemas: por vezes muito alto, por vezes muito baixo, muitos efeitos sonoros mal colados e transições bizarras entre eles. O planeamento do som deveria ter sido muito mais aperfeiçoado para que a pela tivesse mais efeito.

    Relativamente a cenários e figurinos, pareceram-me demasiados, apesar de a maior parte deles ter uma simbologia e significado.

    Para além disso, parece ter havido uma relação pessoal do dramaturgo com a encenação da peça "As Três Irmãs", de Tchékov, que é referida no momento final, mas como não conheço bem essa peça acabei por não entender muito bem a analogia.

    Fiquei ligeiramente desapontada, até porque foi a primeira peça de teatro que vi junto com o Qui, mas ainda assim foi uma experiência muito pedagógica.
  • O Livro da Selva

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    O Livro da Selva
    Jon Favreau
    Filme
    2016
    4 em 10

    Na verdade, eu nem queria em absoluto ver este filme. Sabia que não ia gostar. Mas quando o filme que íamos ver deu erro, acabámos por pegar neste, que estava ali mesmo à mão. E, pois é... Não gostei.

    Inspirado livremente tanto no filme de animação da Disney, que continua a ser a produtora deste remake em live-action (penso que numa tentativa de "reformar" os clássicos para um público mais jovem e apreciador dos métodos digitais), tal como no livro de Rudyard Kipling, conta a história de um menino na selva que foi criado por lobos e que tem de voltar para a humanidade por ameaça do perigoso tigre Sherekan.

    A história é boa, apesar do final desagradavelmente pouco exacto, e os diálogos são bastante bons, com interpretações de actores de luxo que fazem um excelente trabalho.

    O problema aqui está na imagética. Os animais, os cenários, TUDO, é digital. E tudo é horroroso. Técnicas arcaicas, sem fazer um bom uso da tecnologia e dos meios de produção disponíveis, a maior parte das vezes pareceu-me que estava a ver um jogo da playstation 2. Por alguma raão o rfoco principal do filme estão em cenas de acção que não fazem qualquer tipo de sentido. Porquê um tigre a lutar com uma pantera? Uma cobra a lutar com um urso? Um tigre a lutar contra um lobo? E porquê animais que não deveriam estar juntos, por não viverem no mesmo habitat, estão todos reunidos nesta floresta indiana? Kipling era *muito* exacto na localização geográfica e na ecologia das suas histórias. Este filme não faz jus à obra que pretende adaptar.

    Para além disso, este miúdo que faz de Mowgli não convence ninguém. A minha teoria é que deve ser filho de um produtor qualquer e que nem sequer tem a mínima formação de actor. As suas falas são ditas com pouca clareza, com um realismo forçado, sem qualquer tipo de ligação com o personagem. Para além disso, o miúdo não faz quase acção nenhuma, sendo as cenas mais "perigosas" (digamos assim) retratadas de forma totalmente digital, o que é absolutamente evidente devido à falta de qualidade dos métodos usados.

    Um filme que desaponta. E muito. Não esperava muita coisa dele e ainda assim fiquei horrorizada.
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