Archive for sábado, julho 26

  • Galaxy Angel

    0
    Galaxy Angel
    Asaka Morio - Madhouse Studios
    Anime - 25 Episódios + 1 Special
    2001
    4 em 10

    Quando falo de comédias, coloco sempre o aviso de que talvez o problema seja meu por não ter achado piada. No caso de Galaxy Angel, creio que não é preciso colocar o aviso: isto não tem piada de todo. É simplesmente horrível e doloroso em todas as suas partes.

    Algures no espaço cinco raparigas procuram objectos perdidos, objectos da humanidade com poderes estranhos. Em cada episódio acontecem coisas novas que deverão ser extremamente engraçadas. Mas que não são. Os gags resumem-se ao robot delas a dizer porcaria com uma voz fofinha, delas a serem parvas ou delas a zangarem-se. Extremamente original, não é?

    As personagens não têm nada de único, nem sequer um traço de personalidade que pelo menos as distinga umas das outras.

    Para mais, a arte é absolutamente pavorosa. Não sei onde a Madhouse Studios andava por esta altura, mas devia ser no planeta da falta de inspiração. Erros atrás de erros, olhos em sítios errados e explosões amarelas. Tudo nesta animação está errado, dos movimentos das personagens às cenas de acção.

    Musicalmente, não podia haver pior. As vozes são de fazer sangrar os ouvidos, parece que estas actrizes só sabem gritar... E nem sequer quando os bonecos o estão a fazer!

    Resumindo: um pavor. Um horror. Para esquecer. Nem tenho mais nada para dizer!
  • Mdou Moctar

    0
    Mdou Moctar
    Concerto
    Após grandes confusões, fica decidido ir ver este concerto ao Museu Nacional de Arte Contemporânea, também conhecido por Museu do Chiado. Desta vez decidi ouvir o que se ia passar antes de ir ver o concerto, e agradou-me bastante. Aqui está a música que eu ouvi:


    Sempre gostei de rock tuaregue e este pareceu-me ter uma identidade bastante definida. Vejamos o que diz o Museu do Chiado sobre ele na página, para o conhecermos melhor:

    No concorrido campeonato de guitarristas Tuareg, Mdou Moctar distingue-se com certeza dos seus contemporâneos. Ele é um dos poucos escritores de canções e intérprete decidido a experimentar e a fazer progredir o género, e as suas estratégias estéticas pouco ortodoxas têm-lhe conquistado cada vez mais seguidores tanto no Níger como além-fronteiras. Mdou é originário de Abalak, no deserto Azawagh do Níger, e é um autodidata desde tenra idade vidrado na guitarra. O seu primeiro album ‘Anar’ foi gravado na Nigéria em 2008, uma coleção vibrante de temas com profuso uso de autotune na voz. O álbum nunca foi oficialmente editado mas as canções tornaram-se um sucesso popular no Sahel – a faixa territorial de costa a costa de África, divisionária do deserto do Sahara a norte e a savana sudanesa a sul – através de redes de partilha de música em telemóveis. ‘Tahoultine’, uma das faixas mais emblemáticas, foi mais tarde incluída na compilação ‘Music from Saharan Cellphones: Volume 1’, editada pela Sahel Sounds, o que fez expandir o culto na Europa e Estados Unidos. A mesma editora lançou em 2013 ‘Afelan’, o primeiro álbum com distribuição internacional de Mdou, gravado ao vivo no Níger, em que surpreende pela crueza e ferocidade do trabalho de guitarra elétrica, ancorada por doces melodias de folk do Sahara. Atualmente encontra-se envolvido como ator principal na produção do primeiro filme falado numa língua Tuareg, numa ficção sobre a contenda de um guitarrista para se afirmar entre pares, enquanto anda pelo deserto numa moto púrpura.

    Agora, o concerto. Para começar, o local é muito agradável. Trata-se de um pequeno jardim, que de jardim tem apenas uns bocadinhos de relva e umas pedrinhas, num primeiro andar. Por baixo, temos o museu, com as suas artes (que não achei excepcionalmente interessantes). Mas bem, este espacinho era muito simpático.

    Quando chegámos já tinham começado a afinar-se: apresentavam-se três jovens em trajes esvoaçantes, dos que se usam nos desertos mas com brilhantes e bordados. Talvez o efeito tenha sido demasiado espectacular para um lugar tão pequeno.

    A música, essa sim, foi do melhor. Eles não tocaram propriamente um album: isto pareceu mais uma jam session, cheia de pequenos improvisos. Os sons tinham muita textura e ritmos altamente dançáveis, aliados a uma delicadeza do deserto que me inspirou muita calma.

    Gostei bastante, irei ouvir mais. :)
  • Blame!

    0
    Blame!
    Nihei Tsutomu
    Manga - 66 Capítulos/10 Volumes
    1998
    9 em 10

    Um manga curioso, para o qual vinha alimentando a curiosidade desde que vira o anime Special. Depois de muitas considerações, acabo por lhe dar uma nota quase perfeita. Pois é realmente um manga muito especial, que merece o seu estatuto de culto e que, em minha opinião, deve ser lido por todos. Por onde começar um comentário? É difícil, pois ainda agora estou digerindo tudo aquilo que li, mas tentarei.

    Este é um universo tanto distópico como cyberpunk. Algo neste futuro longínquo correu extremamente mal. Este é o primeiro ponto espectacular do manga: o universo em que isto se passa. Os personagens percorrem cidades em vários níveis, com escadarias e túneis em que não se compreende o que está para cima e o que está para baixo, onde não se vê o céu nem a terra, verdadeiros labirintos, uma babel surrealista sem nexo e sem fim. Isto traz ao leitor um sentimento extremamente opressivo, ainda que muito calmo e contemplativo. Este manga quase não tem diálogo, sendo que a viagem por este mundo é feita num silêncio quase nunca interrompido: isto permite-nos aproveitar melhor o festim visual.

    Efectivamente, a arte não podia ser melhor. É muito diferente do habitual, admitamos isso logo desde o início. Com um grande uso do negro, tanto temos cenários extremamente detalhados como momentos mais intimistas, rabiscos conceptuais de uma textura muito plástica. A vivacidade do ambiente é atemorizadora, criando-se uma expectativa em relação ao que estará no fim de cada escadaria, no fim de cada corredor, que normalmente se revela em quadros espectaculares, de uma beleza muito frágil e delicada. O autor deste manga, segundo consta, era um arquitecto que deixou tudo para escrever isto. A sua formação nota-se na exactidão de todas as proporções e no realismo dos edifícios e maquinaria que, apesar de não fazerem sentido, estão construídos de maneira muito próxima do real.

    A história é altamente densa e muito dada a interpretações diversas. Tentei pensar um pouco sobre ela para poder fazer uma análise, mas tenho de ler mais sobre este manga porque realmente ainda não fui capaz de chegar a uma conclusão. A verdade é que cada um poderá pensar o que quiser, com todo o desenvolvimento e, sobretudo, com o final estranhamente inconclusivo. Na verdade, tudo é muito simples: Killy é um homem, supostamente humano, que procura pessoas com o gene da ligação à internet. Pelo caminho faz uma amiga, Cibo, e vai encontrando muita gente estranha, robótica, cyborg ou humana. Nenhum tem o que ele procura. Por todo o lado paira a ameaça dos safeguards, robots com a única missão de destruir os seres humanos. Por vezes encontram-se builders, robots que constroem as cidades e que, ao que parece, estão completamente descontrolados. Por vezes, há encontros com os chamados Silicon Creatures, que têm uma missão um pouco indefinida, mas que vai claramente contra o que Killy procura. É uma situação muito complexa, que se desenvolve de repente no último volume e que nos deixa a pensar.

    No entanto, pareceu-me a mim que a história e os personagens existem mais em função do universo do que o contrário. No fundo, devemos ler este manga para aproveitar a viagem pelo estranho mundo de Blame!, mais do que outra coisa. Porque realmente é um passeio de suster a respiração.

    Altamente recomendado, gostaria de saber as opiniões de todos sobre este manga . Talvez daqui a uns anos, quando estiver tudo assente na minha cabeça, possa formular uma análise e colocá-la aqui (se isto ainda existir) :)
  • A Montanha Mágica

    0
    A Montanha Mágica
    Thomas Mann
    1924
    Romance

    Este livro foi-me oferecido no Natal, com a recomendação de que o lesse nas férias. Ora, como não tenho férias este ano, achei por bem lê-lo como leio todos os outros livros: quando posso, nos transportes e na minha hora de almoço. Isto levou o seu tempo, já que o livro tem umas meras oitocentas páginas. Uma verdadeira montanha. E mágica!

    Devo dizer que há muito tempo que não lia algo que me envolvesse tanto e de que, realmente, gostasse tanto.

    Hans Castorp é um jovem alemão que não tem grande interesse no mundo que o rodeia. Antes de começar a trabalhar numa indústria de navios, vai passar umas férias de três semanas a um sanatório nas montanhas alpinas, onde se encontra internado o seu primo Joachim. Passam-se lentamente essas três semanas, passa-se lentamente o ano seguinte e, quando damos por nós, passaram-se sete anos.

    Critica à sociedade vigente, sociedade que aprovaria a apatia representada pelo nosso personagem original, é um livro que explora em muito detalhe vários temas, como a política, a medicina e o fascínio pela morte,  a religião e por aí em diante. O tratamento destes temas acontece quando Hans Castorp conversa com os seus companheiros de sanatório, que acabam por se tornar seus amigos. 

    Acredito eu que cada um dos membros deste sanatório multi-cultural é representativo de um país, sem no entanto o estereotipar. Assim, temos tanto a pedagogia italiana como o fascínio exótico russo, em conversas marcantes e extremamente educativas. Estes personagens podem ser simbólicos, mas a verdade é que têm muita densidade e muita personalidade. Têm alma e irei recordá-los sempre com carinho, pois eu própria me senti como se vivesse naquele sanatório e eles fossem os meus companheiros e amigos.

    Termina numa constatação pacifista, apesar de negativa, critica da guerra (a única coisa que nos poderá livrar do tédio generalizado)

    Um livro que amei de paixão e que não deixarei de recomendar.

    fica a curiosidade de que a primeira vez que li Thomas Mann foi aos quinze anos. Nessa altura (o livro era "José e seus Irmãos") achei chatérrimo e horrível, odiei. Realmente há idades para se lerem os livros. :p
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan