Archive for quinta-feira, dezembro 04
Mahatma Gandhi
0
A Minha Vida Dava Um Livro - Mahatma Gandhi
Susmita Arp
2007
Biografia
Hoje estive muito tempo à espera de uma coisa que nunca aconteceu, portanto aproveitei para ler a biografia toda do Gandhi. Não é muito grande, nesta versão.
Escrito de forma simples e descritiva, o livro conta a vida toda do Gandhi, desde o seu nascimento, passando por todas as coisas que nem todos conhecemos. Este homem, símbolo da paz e do pacifismo, afinal não era tão pacífico assim. Contribuiu em muito para a independência da Índia e países circundantes, mas nem mesmo ele conseguiu que todos vivessem em paz. Talvez porque a sua abordagem não fosse a melhor.
Porque quando matam as pessoas que te apoiam com pancadas de bastões, a solução não está em fazer greve de fome. Penso eu de que.
Enfim, com este livro aprendi que Gandhi era mau para a família e que os obrigava a viver asceticamente como ele, o que haveria de ser aborrecidíssimo quando se é criança e se quer ir brincar. Também fiquei a saber que liderou guerrilhas sob o pretexto de criar uma sociedade igualitária baseada na exploração daquilo que a natureza nos dá. O que é bom em teoria, mas não funciona num mundo onde há televisões.
Fiquei com o entendimento de que o senhor era um extremista radical, mas ao contrário. Isto é, em vez de fazer atentados à bomba, fazia greve de fome. O que é muito bom, porque morre menos gente e não faz mal a ninguém. Se bem que, segundo aparenta, para ele não haveria de ser muito difícil fazer greve de fome, pois pesava apenas trinta e oito quilos e só comia vegetais crus. Também tinha uma obsessão pouco saudável com a roca de fiar e roupa tecida por ele próprio, o que deveria ser o ideal de todos os cosplayers que participam em competições internacionais.
Escrevo sobre este livro mais ou menos a brincar, porque me impressionou solenemente que o símbolo da paz no mundo afinal não fosse uma pessoa assim tão pacífica. "Manifestemo-nos pacíficamente ou morreremos tentando" parece-me um grande paradoxo. Mas foi interessante, sobretudo sabendo que este senhor costumava usar fato e gravata, cartola e meias.
By : ladyxzeus
Sem Penas
0
Sem Penas
Woody Allen
Contos
1975
Recebi este livrinho num presente do BookCrossing e pensava que era uma peça de teatro. Afinal não. Trata-se de um conjunto de textos humorísticos e duas peças de um acto, Morte e Deus. Já conhecia Deus, pois no meu antigo grupo de teatro fizemos uma tentativa de a encenar (que saiu frustrada. O meu papel era "Mulher que levou uma facada")
Ora, como sabem eu tenho o grave problema de ter perdido o meu sentido de humor. No caso de Woody Allen, eu nunca lhe tinha achado muita graça. Gosto imenso dos filmes que ele escreve para outros actores, mas no caso não gosto nada quando ele é ele próprio. A sua neurose e desespero irritam-me em vez de me divertirem.
Assim, não consegui achar grande piada a este conjunto de narrativas.
O meu sentimento é que Allen se esforça demasiado para ser absurdo. No entanto, mesmo as coisas absurdas têm de fazer sentido. E aqui seguem-se piadas e piadas que todas juntas não fazem sentido nenhum. Em todos os textos seguia-se uma linha de "Pessoa X fez Y. Depois a pessoa Z disse gato". Procurei em todos os textos algo que me inspirasse a fazer um skit de cosplay daqueles à minha maneira, mas nada foi obtido, pois não há uma linha conectiva que ligue o X ao gato e, assim, a piada perde-se no meio das coisas.
Ainda assim, gostei do único texto narrado por uma figura feminina e das curtas sobre animais fantásticos (achei genial, talvez a única coisa que achei genial o "animal que tem cabeça de leão e corpo de leão mas que não são do mesmo leão")
Quanto às peças, não tinha gostado muito de Deus quando a tentámos encenar e confirmou-se esse sentimento. Quanto a Morte, acho que tem demasiada gente para uma coisa tão curta. É o problema das pessoas famosas. Pensam sempre de forma exagerada.
By : ladyxzeus
MUDE
0
E assim terminou a visita, já estava o museu quase a fechar.
Foi uma tarde bem passada e, mais uma vez, insisto que visitem este espaço. É grátis pessoal!
Museu do Design e Moda
Já lá tinha ido, como podem ver aqui, mas desta feita foi na companhia do Qui.
Agora, vi com mais atenção a exposição principal. Não tinha reparado da primeira vez, mas tem muitas informações sobre a evolução do design e moda, com listas de datas marcantes na história. Infelizmente, os textos são por vezes muito rebuscados, o que torna difícil de compreender exactamente o que se passou.
Essencialmente os materiais expostos são os mesmos, mas destaco um vestido preto com laços e uma secretária toda às cores dos anos 90. É interessante ver a evolução dos padrões, formas e cores, do início do século até aos 00. Será uma exposição sempre a actualizar-se.
Não tenho fotografias porque estavam lá umas moças a vigiar-nos e não deu para tirar. Note-se também que fomos à mesma hora de uma visita de estudo, pelo que tivemos de ouvir muitos adolescentes gritando.
Encontramos uma escadinha e subimos à exposição temporária, de artigos Japoneses. Infelizmente, subimos pela escadinha errada, pelo que vimos a exposição de trás para a frente.
Assim, vimos primeiro a utilização do alumínio em objectos quotidianos do pós-guerra, como objectos de cozinha, brinquedos e material de escritório. Gostei especialmente de uma mini máquina de costura, mesmo pequenina. Estes objectos estavam descaracterizados, o que dava um ar um pouco mórbido a toda a exposição, como se nessa altura toda a gente vivesse em tons de cinzento.
Depois, passámos para uma exposição do Boro. O Boro é a roupa que se usava pelos gentios mais pobres que, não tendo acesso ao algodão e a outros materiais deliciosos para fazer roupa, usavam restos de tecidos e farrapos em geral para fazer roupa. Aparentemente, segundo o que dizia lá, isto é um percursor do movimento punk, apesar das roupas terem um aspecto mais freakalhóide do que outra coisa. Aqui, consegui tirar uma fotografia de mim própria com um destes objectos:
Com a camisola que comprei no Nihon Sekai :)
Continuemos para cima e encontramos uma exposição do IKEA disfarçada de relato dos hábitos caseiros dos portugueses. Não tinha muito interesse, pois para ver coisas do IKEA vamos à loja do IKEA, excepto o momento em que confundimos os escritórios do museu com a exposição e os invadimos (mandaram-nos embora).
Para baixo, dentro da caixa forte, estava uma exposição de óculos. Fiquei desapontada, porque eram quase todos óculos escuros. Os meus preferidos foram uns triangulares, pois adoraria ter uns óculos triangulares (adoro triângulos). Mais uma vez, conseguimos tirar uma fotografia de mim própria no local:
E assim terminou a visita, já estava o museu quase a fechar.
Foi uma tarde bem passada e, mais uma vez, insisto que visitem este espaço. É grátis pessoal!
By : ladyxzeus

