Archive for quarta-feira, fevereiro 11

  • Kareshi Kanojo no Jijou

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    Kareshi Kanojo no Jijou
    Hideaki Anno - Gainax
    Anime - 26 Episódios
    1998
    5 em 10

    KareKano faz parte do imaginário americano dos finais dos anos 90. Assim, está recomendado em todas as listas, por toda a gente. No entanto, não é especialmente bom. Apesar disso, tem uma certa mãozinha daquele que foi o criador de Evangelion, o que se nota em algumas partes (as melhores)

    Um shoujo, uma história de amor. Uma rapariga mente a si própria e esforça-se por ser boa em tudo. Quando é ultrapassada por um rapaz, decide ser ela mesma e apaixonam-se. E tudo se resume a isto, num misto de drama e comédia em que se exploram as várias facetas de um sortido de personagens. A partir do momento em que a relação se estabelece, mais ou menos a meio da série, deixamos de ter narrativa: passamos a episódios soltos, com dois ou três que servem de consolidação da matéria dada (coisa bastante desnecessária num anime de 2cours), que relatam as aventuras e desventuras escolares e que introduzem novos personagens. O que me pareceu extremamente inútil.

    Os personagens também não são desenvolvidos para além do "sou mais do que as aparências". Esse elemento, presente em todas as pessoas da série, fica muito pouco explorado, pois não há densidade emocional para nos identificarmos com elas. Acabam por se tornar em resumos delas próprias, sendo que cada um tem uma persona "falsa" que querem oprimir fazendo uso de uma realidade que serve como mote para a comédia. Que não funciona na maioria das vezes.

    Quanto à arte, certamente que divide opiniões. É evidente que o orçamento para esta série estava muito reduzido, sobretudo a partir do meio. Mas é nessa altura que se faz uso de técnicas de animação experimental que têm um efeito original e muito interessante. A opção estilística de misturar imagens reais com animação também funciona de forma muito curiosa, assim como a utilização de texto para auxiliar nos pontos narrativos. Também fazem uso de desenhos rascunho, que recordam o próprio manga onde a série terá sido inspirada, o que dá um aspecto muito suave e romântico às situações em causa. No entanto, também existem momentos muito maus, sobretudo aqueles em que tentam explorar situações cómicas ou em que os personagens não mexem a boca para falar.

    Musicalmente, temos um conjunto de peças interessantes, originais e muito apropriadas. No entanto, como são só meia dúzia, rapidamente se tornam obsoletas e repetitivas, sendo que muitas vezes estão utilizadas em momentos pouco adequados, tornando a situação anti-climática.

    Um anime com muitas falhas, mas que talvez valha a pena ver se o visionante tiver interesse numa animação um pouco diferente.
  • O Funeral da Nossa Mãe

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    O Funeral da Nossa Mãe
    Célia Correia Loureiro
    2012
    Romance

    Depois de Demência achei por bem aproveitar a oportunidade de ler outro livro desta autora. Infelizmente, apesar de ter havido coisas que melhoraram, foi uma leitura bastante fastidiosa e aborrecida.

    Três irmãs reunem-se numa aldeia no Alentejo para o funeral da mãe (por acaso chamada Carolina, como esta pessoa que vos fala [não, o meu nome não é Zeus]), onde descobrem coisas sobre a relação "disfuncional" desta com o pai, que já morreu ao tempo. Repare-se que esta palavra, "disfuncional", é repetida vezes sem conta ao longo da narrativa. E, na verdade, a relação não parece tão disfuncional assim, quem é estranha é a Carolina que, apesar da sua falta de caracterização, aparece como obsessiva e neurótica.

    Também as filhas, que são três, estão caracterizadas de forma muito amadora. Ao longo do livro são-nos dados traços gerais sobre a sua personalidade, uma forte, outra é emotiva, outra não se sabe bem. Mas em termos de profundidade, apenas os flashbacks dão algum sumo a tudo isto. E todos eles, excepto os que explicam a relação dos pais, são praticamente inconsequentes para o desenvolvimento das personagens.

    Mais uma vez  a Editora Alfarroba falha no ramo da edição, sendo que encontrei uma série de erros ortográficos e de sintaxe ao longo de todo o livro.

    Achei que a história podia ter-se contado em muito menos palavras, isto é, que foi desnecessário descrever as coisas várias vezes de formas diferentes para se chegar a uma imagem. Os parágrafos são enormes mas, apesar disso, têm muito pouco conteúdo prático.

    É um livro que precisa de ser fortemente limado.
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