Archive for terça-feira, maio 26
Chappie
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Chappie
Neil Blomkamp
2015
Filme
6 em 10
Vimos este filme em casa. Tinha vontade de o ver depois de uma amiga o ter elogiado bastante.
Nesta África do Sul, tão futurista mas tão próxima da nossa realidade, gangs e meliantes são destruídos e presos por uma nova tecnologia: polícias robot. No entanto, a confusão começa quando Deon, um cientista que criou um programa de "consciência" para os robots, é raptado por um estranho grupo de gangsters que o obrigam a montar o robot, para que este trabalhe para eles. Mas o robot vem com um defeito: tal como uma criança pequena, tem de ser ensinado.
O filme tem um tema relativamente semelhante a outro que vi do mesmo realizador, o District 9. Um encontro improvável vai oferecer-nos as diferentes perspectivas de dois mundos. No caso, o mundo agressivo da realidade dos gangsters, em que sobrevive apenas o mais forte, versus o universo familiar de um grupo de pessoas que, apesar dos problemas na vida, mantém a sua humanidade. Assim, temos uma caracterização muito interessante desta "família", em que Chappie - o robot - é ensinado a ser cada vez mais humano e obtém características completamente inesperadas. Se por um lado ele procura fazer apenas o bem, conforme a sua "mãe" e o seu "criador" lhe ensinam, na outra mão temos a maneira de lidar com a vida do seu "pai" e do amigo Amerika. Isto só pôde ser conseguido por um trabalho de actor bastante interessante, protagonizado pela banda Die Antwoord, que eu não conhecia mas na qual fiquei muito interessada. Afinal, grande parte da banda sonora é também protagonizada por eles e pareceu-me algo de fabuloso!
Dentro desta narrativa, também não perdemos a oportunidade de ter um inimigo estranhamente psicótico, acreditavelmente assustador. Também aqui fique a nota para o trabalho de actor, pois este inimigo obsessivo e perigoso dá mais intensidade às cenas de acção do filme. Estas, infelizmente, pareceram-me demasiadas e, sobretudo, muito exageradas. A cena final, sobretudo, é exasperantemente melodramática o que, dentro do contexto, acaba por não funcionar muito bem.
A conclusão é aterradora e dá que pensar no noss lugar enquanto humanos relativamente às maquinas. Aliás, todo o filme acaba por ser um exercício dessa possiblidade. Apesar de tudo, é amoroso e criamos rapidamente laços com os personagens. Assim, posso recomendá-lo.
By : ladyxzeus
A Vista de Castle Rock
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A Vista de Castle Rock
Alice Munro
2006
Contos
Este livro foi-me oferecido, com dedicatória e tudo, pelo meu Qui pelo meu aniversário do ano passado. :) *
Já tinha lido um livro desta autora de que havia gostado muito. Este é um pouco diferente. Trata-se de um conjunto de contos de natureza autobiográfica. Na primeira parte, Alice Munro fala sobre a evolução da sua família, como partiram da Irlanda para o Canadá e como lá se estabeleceram. É uma leitura fascinante, de certa forma, pois conta com exactidão como estas pessoas viviam da agricultura e todos os pequenos detalhes sobre a sociedade da época. Na segunda parte, Munro relata alguns eventos da sua infância e assistimos ao seu crescimento enquanto pessoa. Demonstra como desde sempre foi uma pessoa pouco adaptada, que corria riscos sociais imensos para manter a sua liberdade.
A escrita é fascinante, directa, sem complexos. As descrições são extremamente cativantes, apesar de por vezes nos mostrarem uma realidade que nem sempre é a mais bela. A natureza é relatada como espectacular, o que é de certa forma irónico: a autora refere muitas vezes que, nesta sociedade, apreciar a natureza era algo considerado bizarro e excêntrico.
Com este livro fiquei a saber um pouco mais sobre a vida pessoal da autora e como ela chegou ao ponto em que está. Assim, deixou-me com ainda mais curiosidade para explorar o resto da sua obra.
By : ladyxzeus
Mad Max: Fury Road
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Mad Max: Fury Road
George Miller
2015
Filme
7 em 10
Tinha um grande furo no meu horário de trabalho, portanto decidi ir ao cinema em Santarém. Repare-se que era Sábado e que não havia nada que fazer nesta cidade, pois todas as lojas, todos os cafés, todas as coisas... Tudo fechado. Até a biblioteca. Só o centro comercial estava aberto. Enfim...
Eu sabia muito pouco sobre o Mad Max original. Apenas que inspirou o clássico do anime "Hokuto no Ken". Sabia que por alguma razão o mundo se tornou num deserto e que havia guerras para obter gasolina. Nesta versão do franchise, o ambiente é o mesmo, mas há algumas diferenças. Agora a luta é pelas pessoas e pela água.
Max é um tipo meio louco que anda pelo deserto. Quando se vê capturado por um grupo de gente ainda mais louca que ele, faz tudo para sobreviver. Acaba por se juntar a Furiosa, uma entidade importante nesta sociedade, numa perseguição e fuga por uma estrada infinita, de forma a tentarem salvar as mulheres do líder desta comunidade, uma espécie de profeta religioso que tem em si tudo o que pode ser mau.
É um filme de acção do início ao fim. Na verdade, o filme pode ser considerado como uma longa perseguição de carros por um deserto sem fim. E esses carros, camiões, motas, coisas motorizadas em geral, estão muitas vezes em chamas e explodem constantemente. É um filme quente, metálico e altamente viciante. Mas, apesar de ser um blockbuster recheado de acção, este filme tem uma grande dimensão feminina: as personagens são muito fortes e estão todas muito bem caracterizadas, apesar de nunca sabermos muito sobre elas.
Isto foi, para mim, um aspecto que podia ser melhorado. Na verdade, estamos neste universo, assistimos a flashbacks, assistimos aos vários aspectos de uma sociedade sem nunca saber bem o que se passa, porque é que as coisas são assim. Entramos dentro do filme, mas está tudo fora do contexto e fiquei com muita vontade de saber mais, muito mais, acerca do mundo e das personagens. Para mais, algumas cenas de luta pareceram-me demasiado longas, o que pode ser um pouco fastidioso.
Mas, no geral, valeu muito a pena ir ao cinema sozinha. É raro desejar isto, mas até quero que façam sequelas sem fim para podermos saber mais sobre este universo fantástico!
By : ladyxzeus