Archive for quarta-feira, outubro 10

  • Novos Poetas (1º C.I.N.E)

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    Como não encontro imagem e não me apetece scannar fica aqui uma imagem aleatória.

    Novos Poetas (1º C.I.N.E)
    Vários
    Antologia Poética
    2012

    Este livro foi um amigo que me ofereceu quando estive em São Paulo, por alturas da Quinta Dimensão. É uma antologia poética com os 30 melhores classificados do Primeiro Concurso de Incentivo a Novos Escritores, concurso esse que não tem informação alguma na internet.

    Como em todas as antologias, sobretudo as que têm diversos autores, a qualidade dos poemas é variável. De uma forma ou de outra não há um único que tenha métrica ou estrutura de poema, são todos "livres". E há pelo menos dois com erros de gramática e ortografia atrozes.

    Não gostei mesmo nada daqueles que tinham a sensualidade como tema. Curiosamente todos escritos por moças.

    Na realidade, só gostei de dois. Vou deixar aqui o que, de entre os dois, gostei mais:

    Negro

    Ouro Negro me perguntou se quero aquela mina.
    - Ouro Negro, respondi, me dê somente a mina.

    Ma depois de horas e horas, vejo o Ouro nas ruas da cidade.
    Ouro me pergunta se quero do teu ouro
    - Negro, respondo, me dê somente o Ouro

    E depois de dias e dias, reencontro apenas o Negro, que me olha.
    - Negro, pergunto eu. O que lhe ocorreu?
    - Roubaram-me a parte Ouro, roubaram as minhas minas.
    O que faço então cavalheiro?
    - Nada, respondo eu, o cavalheiro. Roubaram-te, mas nada provarás.
    Aguarde durante séculos e séculos.

    Encontrei-o então recentemente, em uma dessas velhas Igrejas.
    Mas ele apenas me olhou,
    Não dizendo nada mais.
  • O Pêndulo de Foucault

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    O Pêndulo de Foucault
    Umberto Eco
    Romance Histórico
    1988

    Ora bem, Umberto Eco. Umberto Eco não é só um escritor. É um "filósofo, semiólogo e linguista". E faz teorias da conspiração! Super divertidas! Vejamos:

    Três amigos, bastante cultos, trabalham para uma editora que edita autores por conta própria e faz negócio da desgraça deles. Ora, como estão sem nada para fazer e aparece lá um gajo com uma mensagem cifrada dos templários eles metem-se a decifrar a mensagem e a inventar uma teoria da conspiração megalómana e universal, chamada de "O Plano". Entretanto passam-se vários anos e vários países e Casaubon, o personagem principal, vai vendo várias macumbas, ritos de seitas e outras coisas mais e associando tudo ao Plano. Relembro que foi inventado.

    Excepto que afinal é tudo verdade e eles começam a ser perseguidos pelos Rosa-Crucianos.

    MAS ISSO É UM DETALHE.

    O que importa neste livro não é a conspiração, mas sim a riqueza da conspiração. O livro é uma crítica aos conspiradores, tudo aquilo que eles fazem pode ser simplesmente inventado. Está escrito com uma pureza, com uma erudição ilimitada, mas é fantástico como palavras tão complicadas se tornam tão simples, tão fluídas.

    E o sentido de humor presente em todo o livro é a maior delícia. A teoria, o Plano, é só um divertimento. Até nos momentos finais, que são realmente um pouco... Bem, bastante tristes, o autor mantém uma sagacidade e uma agudeza de espírito implacáveis.


    Excelente leitura, livro muito difícil mas que me manteve agarrada do início ao fim.
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