Archive for quinta-feira, novembro 19
Galaxy Express 999
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Galaxy Express 999
Nishizawa Nobukata - Toei Animation
Anime - 113 Episódios
1978
6 em 10
Depois de terminarmos o filme do Galaxy Express 999, o Qui disse que seria realmente uma grande aventura ver a série. Bem... Agora está vista. Foi uma grande aventura, é verdade. É um anime muito longo, com um baixo valor de produção, de finais de anos 70. E eu realmente pensei que este anime fosse muito doloroso de ver, por ser tão longo, mas a verdade é que se revelou precisamente o oposto.
A história é a mesma do filme, mas com muito mais detalhes. Desta vez o Galaxy Express para numa série de planetas, todos diferentes, cada um com as suas características e com os seus personagens. Em cada um deles, os nossos viajantes vivem uma aventura. E todas as aventuras revelam uma profunda humanidade e uma capacidade de autocrítica do ser humano. Porque muitas vezes as pessoas destes locais não vivem como seres humanos deveriam viver, seja pelas características da sociedade em que estão inseridos ou pelas próprias características físicas do planeta. Tendo isso em conta, há sempre uma pequena história muito lógica e bem estruturada, em que há diversos intervenientes humanos ou mecanizados (normalmente um casal), que explicam um pouco as diferentes maneiras de viver e que acabam por admitir que podem ser felizes dentro do seu contexto.
Assim, é um anime que está sempre a inovar-se e que permite aos personagens o sonho e a esperança. Nesse aspecto, tem uma moral muito bonita, para além do facto de sermos todos viajantes que um dia se irão separar. A vida, em si, é uma viagem.
Infelizmente, a arte revela a idade deste anime. Existem muitos e constantes erros de animação, assim como em termos de detalhe e profundidade. Apesar de os universos serem bastante complexos, por vezes pecam por falta de detalhe gráfico e podem acabar por ser um pouco monótonos. Curiosamente, este é o tipo de anime cujo valor de produção não vai sendo reduzido ao longo do tempo: à medida que os anos passam (a série terminou apenas em 1981) a paleta de cores vai ficando progressivamente mais abrangente, havendo também uma maior variedade de texturas e uma redução dos erros simples.
Musicalmente, temos uma banda sonora excelente e muito original, mas curta para tantos episódios. Apesar de os momentos serem sempre emocionantes, podem parecer um pouco repetitivos pelo facto de as músicas serem sempre as mesmas e serem utilizadas sempre no mesmo tipo de ocasião.
No entanto, devo admitir que foi um verdadeiro prazer assistir a esta série. Ainda por cima, estou neste exacto momento a preparar um cosplay desta fonte... E, por isso, sinto-me muito motivada! Até tenho mesmo vontade de ver a segunda season! Mas acho que vou deixar para outra ocasião... :p
By : ladyxzeus
A Ilha de Sukkwan
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A Ilha de Sukkwan
David Vann
2008
Romance
Livro que recebi num BookRing do BookCrossing.
É um livro incomodativo e muito desagradável, logo desde o início. Um pai vai com o seu filho de treze anos viver para uma ilha isolada do Alaska. Vivem o dia a dia construindo coisas e caçando, até ao momento em que acontece uma desgraça e a vida do pai se desorienta, entrando numa espiral depressiva sem limites.
As descrições são sinistras e todo o ambiente natural da ilha está retratado de forma a que o leitor possa compreender que estes personagens não estão, nem podem nunca vir a estar, felizes ali. A caracterização é feita com muito recurso a imagens da vida passada, a momentos felizes que se passaram, em oposição aos momentos horríveis que ali se estão a viver. No entanto, houve dois elementos que me deixaram de pé atrás. O primeiro é a questão: como é que um rapazito de treze anos tem a capacidade mental e a força física de estar a serrar troncos, a cortar lenha e a caçar veados com uma carabina? Isto não me parece muito lógico e acaba por quebrar um pouco a realidade da história, porque, simplesmente, não é verosímil. O segundo elemento duvidoso é o porquê da desgraça que se abate sobre eles. Porque é que o rapaz tem aquela atitude? Nada na sua caracterização, nem depois na avaliação do pai, indica que tal possa acontecer. Funciona como surpresa para os personagens tanto como para o leitor, mas nada nos leva a acreditar nessa realidade. Assim, o realismo do livro perde-se e as atitudes futuras, as que vêm depois do acontecimento, parecem um pouco irreais.
No entanto, o livro funciona perfeitamente como forma de caracterizar uma depressão, retratando perfeitamente o desespero de um pai perante tal situação. A forma como a segunda forma está narrada é palpitante e perturbadora, levando-nos a unir-nos em cada momento e a questionar como vamos sobreviver nesta ilha estranha até ao dia seguinte.
Assim, não se pode dizer que tenha gostado muito do livro ou mesmo que seja um dos "livros mais interessantes da temporada", como diz na contracapa. É interessante em certa medida (tanto que o li num único dia), mas aparenta ser um choque pelo simples facto de desejar chocar, sem ter realmente um conteúdo lógico e unido.
By : ladyxzeus
Manazuru
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Manazuru
Hiromi Kawakami
2006
Romance
Este livro foi comprado na Feira do Livro. Na realidade, nada sabia sobre a autora ou a sua obra. Apenas o comprei porque a a autora é Japonesa e sentia falta de ler alguma literatura desse país. Nessa altura, senti-o.
Trata-se de um romance misterioso e místico, que segue a vida de uma mulher - Kei - cujo o marido a abandonou sem dizer uma palavra. Já se passaram dez anos desde essa altura e a filha que tinham já é adolescente, assim como é quase adulta a relação que mantém com um homem casado. No entanto, a memória de Rei, o homem que desapareceu, continua muito vívida, sob a forma de sombras misteriosas que perseguem Kei e a obrigam a ir até Manazuru, uma aldeia piscatória em que algo poderá, ou não, ter acontecido.
Assim, o livro é uma espécie de libertação da personagem do fantasma do homem desaparecido e a evolução enquanto mulher para se entregar a outro tipo de actividades e finalmente poder viver uma vida normal. No entanto, as sombras que aparecem, os fantasmas, as pessoas misteriosas, todos esses elementos acabam por parecer um pouco confusos e mesmo desnecessários. Apesar de as viagens a Manazuru serem essenciais, poderíamos não ter os elementos místicos e creio que o romance teria sido muito mais denso e verdadeiro em termos emocionais.
As descrições acabam por ser a melhor parte. Apesar de não serem muito longas, são estranhamente coloridas e muito visuais, o que acaba por dar ao livro uma outra consistência e traz curiosidade acerca da tal cidade de Manazuru.
É um livro muito típico do seu país e dentro da sua época (a do agora), mas que não me sinto tentada em reler.
By : ladyxzeus
