Archive for sexta-feira, setembro 01
A Rapariga de Antes
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A Rapariga de Antes
JP Delaney
2017
Romance
Há imenso tempo que não recebia um livro do BookCrossing! Este, apesar de ser bastante grande, foi lido no dia a seguir à sua recepção, num dia especialmente secante. A verdade é que é um livro que se lê muito bem e rápido, pois é extremamente simples.
O elemento que achei mais estranho neste livro foi a sua incrível semelhança como o já famosíssimo A Rapariga no Comboio. Portanto, este livro trata-se de uma homenagem em modo cópia ou, penso eu, JP Delaney é outro pseudónimo da autora. A estrutura é igualzinha, o tema muito semelhante e a conclusão um decalque. Achei mesmo muito estranho.
Mas sobre que trata, afinal? Uma rapariga muda-se para uma casa cheia de regras, construída sobre tons minimalistas, para tentar recuperar-se da perda de um bebé. Passado algum tempo, descobre que nessa casa vivia uma rapariga em tudo igual a ela, mas que foi assassinada. Assim, ela tenta descobrir o que se passou, para se proteger, enquanto começa uma relação com o senhorio, um louco arquitecto. Enquanto isso, vamos lendo a narrativa da rapariga de antes, que a caracteriza como uma mentirosa compulsiva, tornando sempre mais difícil encontrarmos o verdadeiro culpado.
Achei curioso que essencialmente todos os personagens deste livro sofrem de algum tipo de perturbação mental. No entanto, esta acaba por falhar na sua caracterização e fica a parecer que os distúrbios não estão lá enquanto elementos, mas mais como algo decorativo. Também a progressão do tempo é pouco clara. No entanto, gostei bastante do facto de este livro estar inserido na nossa realidade do presente, com todas as tecnologias espertas a que temos acesso agora.
Foi uma leitura divertida, embora não seja especialmente boa.
By : ladyxzeus
Obra Poética II - Sophia de Mello Breyner Adresen
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Será que ainda apanharei mais volumes desta antologia? Quem sabe...
Obra Poética II
Sophia de Mello Breyner Adresen
1959 - 1962
Poesia
Confesso-me culpada desde já: eu tenho uma alergia de morte a esta autora. Desde que a elevavam a totem animal nas aulas de português do secundário que não a posso ver à frente. No entanto, eu sou de dar segundas oportunidades, e terceiras, e quartas, na medida em que os livros me vão aparecendo para ler.
Mas esta segunda oportunidade revelou-se apenas mais uma confirmação dos meus engasgos com a autora.
Portanto, apresento uma lista de tudo o que detesto nela:
- O mar
- As referências clássicas
- Os poemas de duas linhas
- As frases citáveis
- As cores sempre repetidas
- A tua face e o teu rosto
- Os bichos aquáticos cefalópodes
- O cheiro
Será que ainda apanharei mais volumes desta antologia? Quem sabe...
By : ladyxzeus
Inception
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Inception
Christopher Nolan
2010
Filme
6 em 10
Grande falha minha por nunca ter visto este filme! Finalmente tive a oportunidade. Sempre me haviam falado muito dele, por ser sobre sonhos: a verdade é que os sonhos que tenho são uma grande componente da minha vida, como podem ver por algumas das histórias que publico no Bentivi Urbano. Infelizmente, o filme acabou por me desapontar um pouco, apesar de ser um exercício bastante interessante.
Neste universo existe uma tecnologia que permite que as pessoas partilhem os seus sonhos. Como ela surge e como é utilizada, é pouco falado. Neste caso, um grupo de espiões industriais usa esta técnica para obter segredos de grandes magnatas. Um dia, é-lhes proposto um negócio diferente: fazerem uma "inception", isto é, plantar uma ideia no subconsciente de uma pessoa.
O filme baseia-se na estrutura da arquitectura do sono para nos levar através de uma aventura pelos sonhos dos outros. Cada um tem a sua função específica, que achei mal explicada e um pouco incompleta, e cada um sonha à sua maneira. E parece-me que é aqui que está o principal problema do filme: a característica mais importante dos sonhos é, precisamente, eles serem surrealistas. E aqui todos os elementos nos remetem para um mundo real onde a única coisa que se altera são as regras. Assim, os personagens parecem muito limitados no seu poder. Afinal, se são eles a sonhar, poderiam fazer o que quisessem. Poderiam optar por não morrer, isto considerando que se trata de um sonho em que se tem o mínimo de controlo. Poderiam optar por alterar o próprio sonho.
Portanto, o filme acaba por ser um compêndio de cenas de acção, acompanhado por uma ligeira análise de personagem, em localizações que não fariam sentido numa narrativa normal.
O final é a melhor parte, pois nos deixa com uma assaltante dúvida. De resto, esperava muito, muito mais.
By : ladyxzeus
Baía dos Tigres
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Baía dos Tigres
Pedro Rosa Mendes
1999
Não-Ficção
Pedro Rosa Mendes é um jornalista que no final dos anos 90 decidiu encetar uma viagem tanto louca como heróica: atravessar, a pé, a África, de Angola a Moçambique, tal como o haviam feito certos artistas em séculos idos.
Infelizmente, a África do final dos anos 90 é um campo minado, o que só torna tudo mais difícil. Neste livro o autor conta-nos mais do que a sua viagem: fala-nos das pessoas que conheceu, das suas experiências neste continente, das consequências que a guerra teve nas suas vidas.
Confesso que não aprecio muito literatura de viagens, mas que este tipo de narrativa, contando pequenos pedaços de vidas já estilhaçadas, me atrai muito. Assim, acabei por gostar bastante deste livro, que nos mostra uma realidade que tem vindo a ser muito escondida dos nossos media É possível viver nestes países em conforto e felicidade? Talvez, de uma maneira muito alterada. Mas a verdade é que a realidade destas pessoas ultrapassa em muito a nossa capacidade de compreender, de tão diferente que é.
Cada história é uma pessoa e cada pessoas tem a sua história. Este livro mostra-nos isso.
By : ladyxzeus
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