Archive for terça-feira, janeiro 03
Carta ao Pai
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Carta ao Pai
Franz Kafka
1919
Carta
Esta é uma carta de algumas páginas que Kafka escreveu ao seu pai, sendo que nunca foi enviada. Nela, o autor de livros postumamente famosos como "O Castelo", "O Processo" e "A Metamorfose", revela ser uma pessoa infeliz precisamente por culpa integral de seu pai.
Segundo consta, Hermann Kafka, pai de Franz, era rígido e dedicado unicamente ao seu comércio, para que os filhos pudessem ter um excelente futuro sem sacrifícios. No entanto, o facto de os filhos não terem que passar por problemas irrita o pai, o que é ligeiramente irónico. A situação familiar entre este senhor e todos os seus filhos é terrível e Franz nutre-lhe um ódio especial por todas as suas atitudes na infância, na adolescência e mesmo na vida adulta.
No entanto, a forma como ele relata estas pequenas violências familiares é feita, ela própria, de forma muito semelhante. Por exemplo, o pai dizia "não podes fazer isto" e fazia precisamente isso. Da mesma forma que Kafka diz "não vou dizer isto" e imediatamente depois enumera todas as coisas que odeia no pai.
A carta perde o seu valor porque parece ter sido escrita por um adolescente mimado perdido na sua prória incompreensão. Não se trata de um exercício literário coerente e o seu interesse é sobretudo relativo à vida do autor. A publicação desta carta parece-me uma grande violação da identidade.
Gostaria de não a ter lido. Kafka é uma pessoa tão maldosa como sempre aparentou.
By : ladyxzeus
As Fontes do Paraíso
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As Fontes do Paraíso
Arthur C. Clarke
1978
Ficção Científica
Do autor original de ""2001: Odisseia no Espaço", temos aqui um livro um pouco mais positivo que nos fala das grandes vantagens da tecnologia do futuro e, para além disso, explora um pouco alguns conceitos humanos pela perspectiva daqueles que não o são.
Tudo começa na Taprobana (Sri Lanka), onde existe um grande templo misterioso que foi construído por um rei usurpador. Alguma parte dessa história é-nos contada logo ao início, assim como são descritas belíssimas paisagens e edifícios, com um detalhe fascinante. Mas depois a perspectiva muda: existe um engenheiro que deseja construir uma "ponte". Um elevador entre o planeta Terra e o seu satélite, a Lua. E terá de o fazer precisamente em cima deste templo.
Ao início são-nos mostrados os diversos debates para que se inicie o projecto, ao mesmo tempo que nos são descritas as conversas entre a humanidade e o aparelho alienígena que sabe muita coisa, o Sideronauta. Nestas conversas, o autor explora conceitos como o comportamento humano, a empatia e a religião, comparando-o com eventuais civilizações mais evoluídas e concluindo que a concepção de "deus" posdderá ser derivada apenas à construção social humana.
Numa segunda parte, temos um pouco mais de aventura, quando o nosso engenheiro se envolve numa operação de resgate por um acidente no seu elevador.
Arthur C. Clarke mostra-nos como a tecnologia pode ser usada no futuro, apresentando soluções realistas, muito bem estudadas e bem fundamentadas nos trâmites tanto da ciência actual como numa ciência futurista que ele próprio criou.
É um livro muito interessante e um excelente exemplo de como a ficção científica pode ser uma literatura cativante.
By : ladyxzeus
Yellow Submarine
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Yellow Submarine
George Dunning
1968
Animação
6 em 10
O primeiro filme de 2017 não deverá ser visto por epilépticos. Muito menos deve ser visto depois de se consumir estupefacientes alucinatórios. Porque é uma trip dos diabos!
Vagamente inspirado pela música dos Beatles, tendo estes como personagens principais, conta - mais ou menos - a história de um submarino amarelo que procura a forma de salvar uma terra (a Pepperland) dos malvados Meanies Azuis. O submarino passa por vários mares, cada um mais estranho que o outro, e os Besouros têm de vencer as forças do mal através do poder da música.
Em termos de história e personagens, este filme não mostra muito: trata-se mais de uma sucessão de sequências de animação tendo uma música da banda como base. Estas sequências são, sem dúvida, de uma qualidade superior, especialmente considerando a data de produção deste filme. Temos uma excelente utilização de perspectivas, alguns momentos alucinantes em termos de formas e cores e um design de criaturas que combina a imaginação mais fértil com o pesadelo mais infantil. No entanto, os designs de "pessoas" estão muito fracos, assim como a sua animação.
A banda sonora é a da banda, da qual eu não sou a maior fã, mas juntamente com as sequências cada música se torna numa nova situação.
Achei apenas que os Beatles em si foram caracterizados como um grupo de pessoas aparentemente indiferente ao que os rodeia por excesso de consumo de coisas, o que não os torna pessoas muito divertidas.
Foi uma boa forma de começar o ano!
By : ladyxzeus
Sicario
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Sicario
Dennis Villeneuve
2015
Filme
6 em 10
Às vezes sabe bem ver um filme de acção, sobretudo quando ele é bastante diferente do habitual. Sicario pega na fórmula típica dos filmes de Hollywood, mas dá-lhe uma nova perspectiva, bastante refrescante.
Uma mulher pertencente à SWAT é escalada para lutar contra os cartéis mexicanos. Começa a aperceber-se do horror que existe neste universo e como nem sempre o que ela acha que está correcto pode ser aplicado.
O filme mostra-nos grandes momentos de violência, mas todas as cenas de acção são especialmente contidas. É raro ver uma equipa de soldados tão eficiente: tudo se passa rápido, sem vítimas desnecessárias, com método e com uma estrutura que, provavelmente, corresponde muito à realidade.
Os personagens também têm uma dinâmica característica, mas existe entre eles uma constante desconfiança que permite a sua evolução e desenvolvimento. Mais uma vez, nem tudo o que parece certo o é, e a nossa rapariga terá de o aprender da forma mais difícil.
Existem belas cenas de paisagem que tornam o filme um pouco menos tenso. No entanto, a banda sonora pareceu-me extremamente repetitiva e exaustiva.
Um filme que varia perante a norma.
By : ladyxzeus
Rogue One: A Star Wars Story
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Rogue One: A Star Wars Story
Gareth Edwards
2016
Filme
5 em 10
Confesso que não estava especialmente interessada em ver este filme. Na verdade, desde o início que o seu conceito me pareceu apenas mais uma razão para vender bonecos e cadernos escolares com o Darth Vader. Mais uma forma de mostrar as nossas figuras pop habituais, para que ninguém se esqueça delas antes do Episódio VIII.
Este filme de Star Wars conta uma história que realmente não precisávamos de saber: os grandes heróis que foram buscar ao seio do inimigo os planos para destruir a Death Star. Ficamos a conhecer um pouco mais sobre os rebeldes e o seu modus operandi, sendo que se reúne uma equipe de personagens para a apoteose final.
Rogue One peca por nos mostrar dados irrelevantes, já que nunca são referenciados nos filmes anteriores (episódio IV a VI) mas, sobretudo, por os seus personagens não transmitirem qualquer tipo de força ou identidade. Por alguma razão escolhem uma rapariga para personagem principal, no meio de um elenco maioritariamente masculino, como se necessitassem de alguma presença deste tipo para satisfazer um público cada vez mais feminista. A personagem em si, muito fracamente interpretada, não sofre qualquer tipo de desenvolvimento causal, sendo que o seu discurso "vamos todos vencer porque xim" não possui qualquer força de motivação. O personagem preferido da criançada, o robot sarcástico, torna-se rapidamente previsível.
Os efeitos especiais e a concepção dos vários universos estão satisfatórios, embora haja por todo lado um truque com a câmara muito repetitivo que faz um certo desfoque ao longo de todo o filme. Muitas vezes o filme aparenta ser uma viagem turística pelos vários locais, sendo que muitos deles estão caracterizados como lugares que existem na nossa realidade, excepto que com alienígenas passeando por lá.
Musicalmente, temos uma banda sonora ligeiramente diferente do habitual, mas ainda assim muito inspirada na original, o que acaba por ser uma boa experiência.
Fique também a nota do quanto eu detesto os cinemas da Nos: um filme com supostamente duas horas tem mais meia hora de acrescento à conta de anúncios e intervalos gritantes, sem que sequer nos dêm a oportunidade de ver mais que duas trailas. Um horror, uma irritação.
By : ladyxzeus
Dorian's Task
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Dorian's Task
Tonya R. Moore
2014
Ficção Científica
A parte que, para mim, sempre foi maravilhosa no universo do BoysLove é a maravilha do "feito de fãs para fãs". Assim, quando me surgiu a oportunidade de sacar esta novel, escrita por uma Americana para um público josei, através do site da Aarinfantasy, não perdi a oportunidade.
Infelizmente, nem sempre o que é feito por fãs é especialmente bom.
No caso deste livro, apresenta-se-nos um universo de ficção científica, num futuro longínquo, em que um príncipe do reino dos prazeres, que por acaso também é um assassino, e o seu namorado, um soldado de elite, viajam até um planeta para recuperar as memórias perdidas do primeiro. Lá, encontram-se com um grupo de sacerdotisas de uma religião perdida e muitas coisas acontecerão.
A história é um pouco confusa, simplesmente porque o universo é demasiado grande para ser explorado em tão pouco tempo. O livro processa-se numa sucessão de nomes de pessoas e lugares, sem qualquer teoria científica de base que possa tornar todos os elementos realistas. Para além disso, as descrições são especialmente fracas, sendo que a autora dedica a maior parte delas ao aspecto dos personagens. Por exemplo, quando comem uma fruta desconhecida tal está descrito como "a casca é dura, mas o interior +e sumarento". Isto não transmite nada acerca do quão saborosa poderá ser a fruta, quão diferente ou estranha.
Para além do mais, a autora optou por essa situação especialmente irritante que é fazer uma trilogia (ou mais) da sua história. Esta história, num primeiro volume, não nos apresenta nada que mereça ter uma continuação. No final, subitamente descobrimos que o soldado de elite é alguém de extraordinariamente especial. E então?
Em termos de BL propriamente dito, não existem cenas de qualquer erotismo, sendo que a relação entre os dois personagens parece ser puramente casual.
Um volume que não dá qualquer vontade de continuar e, no geral, um grande desapontamento.
By : ladyxzeus
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