Archive for terça-feira, janeiro 15

  • Blindspotting

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    Blindspotting
    Carlos López Estrada
    2018
    Filme
    6 em 10

    Um filme surpresa.

    Em Oakland, um tipo que esteve preso vive os últimos três dias da sua pena suspensa. Tem de se esforçar ao máximo para que nada aconteça que o faça parecer um criminoso, mas parece que as ondas do destino não são favoráveis.

    Este é um filme muito divertido, que nos mostra com simplicidade e de forma sincera o processo de adaptação da faixa marginal de Oakland aos modernos hipsters que estão a invadir todas as casas. Também permite um excelente desenvolvimento aos personagens, que conseguem expandir-se e encontrar novas formas de viver dentro do seu contexto, terminando com um tom de bom-humor, aceitação e realização.

    Narrado de forma muito dinâmica e bastante criativa, temos um showdown de discursoss cantados, um hip-hop casual que parece fazer parte da própria linguagem desta comunidade. Também temos uma mostra quase publicitária deste bairro, desta cidade, que demonstra que nem tudo o que vemos nos filmes - mesmo que falem sobre pessoal ligado a drogas e a armas - tem de ser um sítio esconso, horrível e sujo.

    Não deixem passar este filme ao lado.

  • Absurdistão

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    Absurdistão
    Gary Shteyngart
    2006
    Romance

    Absurdistão é um romance absurdo. Foi-me oferecido pelo Natal.

    Conta a história de um judeu russo riquíssimo e muito obeso, que está a viver nos Estados Unidos a boa vida do estudante e filantropo artístico. O seu pai, pouco antes de morrer, ordena que volte para a Rússia, de onde não mais pode sair devido aos crimes do primeiro. Então, acaba por ir parar a uma estranha terra, o Absurdistão, que fica ali algures entre o Irão e a Rússia. Lá, envolve-se em batalhas pelo poder e numa guerra sem sentido nenhum em que se afunda cada vez mais.

    É um livro muito curioso e muito estranho, mas que vale a pena pela sucessão do discurso e, talvez, enquanto análise biográfica do autor (que, confesso, não conheço nem nunca tinha ouvido falar). A personagem de Misha parece um auto-retrato grotesco, assim como todas as relações sociais - nomeadamente com mulheres. As descrições hediondas do pénis do personagem e das suas actividades, assim como os relatos do corpo massivo de Misha a engurgitar-se com comidas nojentas, tornam a narrativa num festim dos horrores verbal.

    No entanto, no meio de todo este caos, desperta um personagem que - físicamente rejeitado - acaba por se demonstrar como uma pessoa sensível, preocupada e intimamente maravilhada com o mundo "das pessoas normais", querendo ajudá-las ao máximo até que a sua inocência, finalmente, lhe demonstra que nada o poderá salvar.

    ULeitura muito interessante, que recomendo pela simples bizarria.

  • First Man

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    First Man
    Damien Chazelle
    2018
    Filme
    6 em 10
    Tenho estado um pouco motivada para a ideia das viagens espaciais, por isso este filme calhou-me muito bem. Conta a história da missão Apollo, que levou o primeiro homem à Lua (Neil Armstrong). Segue esta figura ao longo de toda a narrativa, construindo uma ligação emocional que - penso - tenta mimar a excitação corrente nos anos 60 em que tais eventos se passavam.

    Infelizmente, o filme é apressado, saltando muitas partes do projecto que - menos interessantes - poderiam ser igualmente importantes. Há um foco especial nas tragédias que vão acontecendo, sendo que é dada uma aura a Neil Armstrong que vai pouco de encontro ao sonho  lunar. Mostram-no como pessoa ausente, desfazada, inadaptada, pouco interessante e, por isso, nunca se sabe muito bem porque é que é ele o escolhido para a missão. Os feitos espectaculares que faz em testes não convencem, porque o actor nunca mostra confiança, nem alegria, nem nenhuma outra emoção que seja diferente de "estou triste porque SPOILER aconteceu".
     
    O facto de a narrativa da missão Apollo ser focada nesta dor contida no personagem, faz com que tudo pareça menos realista e que o feito de lá terem chegado pareça irrisório, já que a contemplação da nova realidade não é feita de cara lavada mas sim ainda plena de uma emoção sofrida que, sejamos sinceros, cansa rapidamente.
     
    Fica uma nota especial para os cenários e efeitos. Nunca imaginei que os primórdios da exploração espacial fossem tão... Frágeis. Torna tudo muito mais assustador, porque ficamos a sentir na pele o perigo que estes astronautas corriam, em nome de um sonho e em nome da ciência.
     
    Pena que nem sonho nem ciência estejam presentes.

  • Darkest Hour

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    Darkest Hour
    Joe Wright
    2017
    Filme
    7 em 10
    Este filme estava à espera de ser visto desde os óscares do ano passado. Estava esquecido, mas foi boa a hora em que assistimos a este Darkest Hour.

    O filme fala dos primeiros dias de Churchill enquanto primeiro ministro do Reino Unido, na deflagração da geurra mundial que viria nos anos seguintes. Acompanhamos o seu processo de tomada de decisão nestes momentos difíceis, em que a sua teimosia e coragem promoveram o envolvimento do seu país nesta guerra, pensada perdida desde logo, impedindo assim o nazismo de se levantar em toda a Europa e mundo.

    Acredito que a história tenha tomado algumas liberdades de estilo, mas ainda assim é muito emocionante. E tudo isso se deve quase em exclusivo ao actor. A sua interpretação é de um realismo contagiante, apresentando-nos um Churchill divertido e igualmente assustador, ligado a valores de extrema ética e bondade. Isto talvez possa ser um certo exagero estilístico, mas funciona muito bem no contexto.

    De resto, não existe nada de especialmente atractivo neste filme. Até houve uma inclusão de material digital perfeitamente desnecessária, como quem diz "para ter um filme de prémios tehop de ter uma perseguição de barcos espectacular".

    Vale a pena pela performance.
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