Archive for sexta-feira, dezembro 23

  • A Terrível Criatura Sanguinária

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    A Terrível Criatura Sanguinária
    Nuno Markl
    2006
    Conto

    Todos sabemos que Nuno Markl tem jeito para fazer rir as pessoas. Por pior que digam dele, sempre o acompanhei (ainda antes dos famosíssimos programas, ainda ele era meu vizinho ali nas vivendinhas) e sempre o achei uma pessoa muito simpática. Assim, estava um pouco ansiosa quando comecei a ler este seu conto do conjunto dos Contos Digitais DN, porque não sabia muito bem o que esperar dele.

    É um conto com a sua graça, sobre um escritor que precisa de escrever sobre criaturas sugadoras de sangue e sexo com ditas criaturas. O ambiente formado é original e engraçado, sendo que o personagem tem caracterização bastante para que nos possamos identificar com ele.

    Não é um conto com as piadas típicas e que faça gargalhadas descompensadas, sendo que o final é também bastante previsível. Ainda assim, pode dizer-se que é bem amigo. :)

    Parece-me que - tal como muitas coisas - teria beneficiado bastante de mais desenvolvimento, de uma continuação, de mais páginas. No entanto, a conclusão não permite de todo uma sequela. Penso é que o mundo retratado (em que é toda a gente monstro) poderia ter sido muito melhor aproveitado.

  • Auto da Compadecida

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    Auto da Compadecida
    Ariano Suassuna
    1955
    Peça

    Há quantos anos não lia eu, por puro gosto, uma peça de teatro? Acabei com a minha pausa e, devo dizer, adorei sumamente este pecinha brasileira!

    Este texto é muito importante em termos sociais e literários, pois mistura elementos clássicos do teatro Vicentino com mitos e histórias típicas do Recife brasileiro. Tudo isto com uma inteligência e graça que surpreenderão até os mais cépticos! :)

    Tudo começa com uma aldrabice, em que um homem muito malandro cria - para seu próprio proveito - o testamento de um cão falecido. A partir daí só acontecem desgraças, que irão depois ser julgadas por deus e diabo, tendo a Compadecida como advogada.

    O desenvolvimento das trapaças é subtil mas, ainda assim, muito bem pensado. Assim, cada um dos momentos da peça iria dar origem a uma série de gargalhadas descontroladas.

    Se fosse eu a encenar esta peça (confesso que tive vontade), usaria um cenário minimalista com ciaxas e estruturas quadradas, alteraria um pouco o texto para dar mais uns momentos de piada e, sobretudo, faria o Encouraçado altamente efeminado, porque acho que isso seria hilariante. :)

    Uma pena que esta peça seja praticamente desconhecida dos portugueses, porque é mesmo muito cómica!

  • Amor é Prosa, Sexo é Poesia

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    Amor é Prosa, Sexo é Poesia
    Arnaldo Jabor
    2004
    Crónicas

    Escolhi colocar este livro no Kobo porque adoro esta música da Rita Lee. Descobri agora que foi baseada numa das crónicas deste jornalista brasileiro e que este livro, assim, reúne um vasto conjunto destas, versando sobre uma série de assuntos, desde o amor, o consumismo, a política e, no geral, a actualidade.

    Claro que o que era actual em 2004, data desta edição, poderá ser muito diferente do que se passa agora.

    Existem diversos temas a ser tratados e senti uma certa estranheza nestes crónicas, pois o autor parece não ter uma opinião muito firme sobre qualquer um dos assuntos que trata. Quero dizer com isto que por vezes ele aparece como altamente machista e racista, sendo que em outras vezes aparece plenamente disponível à aceitação do que está fora da normalidade.

    As crónicas estabelecem uma série de estereótipos, sobretudo relativos à figura feminina e às suas bundas, que hoje em dia não seriam - de todo! - aceites em qualquer tipo de revista, a menos que o sistem aeditorial do Brasil seja completamente distinto do nosso. Assim, pode-se dizer que o autor teve muta sorte na sua época.

    Mas há algo em que concordo: Arnaldo Jabor cita muitas vezes o consumismo capitalista desenfreado que ocorre hoje em dia (dez anos depois ainda é actual), numa busca constante pela perfeição do corpo, pela obtenção de popularidade, na venda da personalidade própria como um objecto. Caminhamos cada vez mais para aí, devido à recente "cultura de likes" que temos, o que é verdadeiramente assustador.

    Este volume não reúne nada de novo ou revolucionário, mas pode ser que algumas pessoas lhe achem graça.

  • Alma

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    Alma
    Manuel Alegre
    2008
    Romance

    Este livro parece absolutamente uma autobiografia da infância do autor. Mas não é: é uma história verídica que acabou de se inventar ;)

    Alma é uma cidade fictícia no distrito de Aveiro, perto do Caramulo, onde um garoto vive a sua infância durante a segunda guerra mundial, em que Portugal se manteve neutro, assistindo como mero espectador ao desenvolver de uma ditadura e às actividade "republicanas" da sua família mais próxima.

    Cada capítulo descreve um momento que, na perspectiva de um miúdo desta época, seria perfeitamente vulgar. As conversas no café, o futebol, a caça, as brincadeiras, a iniciação sexual. Tudo isto é relatado na perspectiva do adulto em que a criança se tornou, com um filtro de maturidade sobre os acontecimentos.

    É um bom relato de época, embora não creia que Manuel Alegre estivesse vivo por essa altura. O ambiente, apesar de fantasiado, é extremamente realista e chegamos mesmo a acreditar que todos estes acontecimentos ocorreram num tempo real. Para além do mais está muito bem escrito.

    Apenas me pareceu que, dentro do contexto da literatura portuguesa da actualidade, o tema se torna - mais uma vez - um pouco repetitivo. Parece que todos os livros de agora têm de falar de uma infância durante uma guerra qualquer.

    Uma boa leitura.
  • Uma Pastelaria em Tóquio

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    Uma Pastelaria em Tóquio
     Naomi Kawase
    2015
    Filme
    6 em 10

    Fomos ver este filme ao cinema, na biblioteca, conforme estava no guia da cidade para Dezembro. :)

    Este filme fala da amizade improvável entre três gerações de pessoas, todos unidos pelo delicioso sabor dos dorayakis (um bolo típico, de que o Doraemon gostava). É também uma fábula sobre a discriminação de pessoas com patologias incuráveis e também uma avaliação dos costumes desta época corrente, num país tão longínquo como o Japão.

    O filme tem belas paisagens e momentos, sobretudo no exterior, sendo que todos os elementos filmados dentro de casa pecam por uma monotonia brutal. Os personagens estão bem caracterizados, mas há algo na narrativa que não se percebe: é que faz sentido que uma pessoa com lepra seja discriminada e impedida de trabalhar com alimentos. Porque a lepra transmite-se por contacto directo...

    Quanto aos actores, sinto-me bastante dividida. Sobretudo em relação à senhora. Ela faz um excelente trabalho de gesto, sobretudo pelas mãos atrofiadas e feridas, mas o resto de trabalho de corpo transmite-me uma idosa muito mais velha e muito mais incapaz.

    Acho que não gostei tanto deste filme como deveria, mas ainda assim foi uma boa experiência.

  • Spice and Wolf (5)

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    Spice and Wolf (5)
    Isuna Hasekura
    2006
    Light Novel

    Para saberem mais sobre os volumes anteriores, vejam aqui. :)

    Estamos cada vez mais perto de Yosui, o destino da nossa viagem, terra natal da nossa amiga Holo. E vivemos mais aventuras económicas, agora numa cidade cuja troca principal é a indústria de peles. Holo e Lawrence estão prestes a separar-se e, mais uma vez, se coloca em causa este elemento. Afinal, gostam tanto de conversar um com o outro que, pelo menos na perspectiva de Lawrence, o ideal é ficarem juntos para sempre.

    Este volume pouco ou nada adiciona à história principal. Há mais um ligeiríssimo desenvolvimento na relação entre os dois personagens, sendo que aparece uma nova personagem que poderá enganar toda a gente. Esta, tem um certo desenvolvimento e caracterização, mas, no respeitante à negociata, tem uma presença absolutamente inconsequente.

    Para além disso, o livro cada vez mais se esforça por ser um anime. Temos frases desnecessárias que poderiam ter sido suprimidas numa melhor revisão, como por exemplo: "ela fechou os olhos; depois abriu-os" e outras que tais.

    A caracterização do ambiente também é muito limitada.

    Espero que este volume seja apenas uma fase de transição e que o próximo se revele um pouco melhor.

  • The Adventures of Baron Munchausen

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    The Adventures of Baron Munchausen
    Terry Gilliam
    1988
    Filme
    7 em 10

    Este filme é baseado num conjunto de contos do século XVIII sobre as fantásticas aventuras do Barão de Munchausen que, curiosamente, tem o mesmo nome de uma doença psiquiátrica que consiste em fazer mal a si próprio, simulando uma doença, para ter atenção.

    Passado numa cidade europeia aleatória, que está cercada por um exército "turco", começa com uma peça de teatro sobre as tais aventuras de Munchausen. Isto quando aparece o próprio Munchausen dizendo que está tudo errado e iniciando, na companhia de uma menina do circo, as verdadeiras aventuras, qvão liderar o caminho até ao fim da guerra e do cerco dos invasores.

    Assim, visitamos muitos lugares interessantes, onde o Barão sempre se apaixona por uma linda senhora. Vamos à lua, onde quem lá está é lunático, vamos às minhas de Hefesto, vamos à própria Turquia, no oriente profundo (supostamente). No caminho, encontramos os antigos companheiros do Barão, que têm fabulosos poderes (velocidade, força, visão e grandes pulmões) e todos se juntam para o objectivo comum.

    No meio disto tudo há uma série de piadas e graças, certamente propulsionadas pelo excelente trabalho dos actores, que nos fazem rir tanto que quase se escapa um xixi!

    Os efeitos especiais também estão muito bem conseguidos, com processos antigos de stop motion e marionetes que ainda funcionam melhor que todo esse digital do agora.

    Um filme muito engraçado, porque é realmente muito parvo, mas ainda assim com uma aura de fábula que irá entreter grandes e pequenos.

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