Archive for sexta-feira, abril 28

  • Enamoramento e Amor

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    Enamoramento e Amor
    Francesco Alberoni
    1979
    Ensaio

    Trouxe este livro da LFL da Quinta das Conchas, quando lá me fui encontrar com o seu steward por outro propósito qualquer. Enfim, não resisti a trazer alguns livros, que servem de compasso de espera antes do meu próximo projecto TBR, que revelarei a seu tempo. Este volume foi-me pessoalmente recomendado pelo steward.

    No entanto, não me suscitou tanto interesse como estava à espera. Trata-se de um ensaio em que o autor debate as diferenças entre as noções de enamoramento, enquanto paixão, e amor propriamente dito. Refere vários pontos que fazem todo o sentido, mas forma como tudo isto está explicado parece-me demasiado redutora: afinal um sentimento, uma emoção, não podem ser minimizadas para caberem dentro da ideia de conceptualização de um autor.

    Apesar de tudo, gostei muito do facto de o autor raramente falar de géneros e sexos biológicos, permitindo a existência do enamoramento (e, posteriormente, do amor) em todas as suas formas e qualidades. Apenas no final ele começa a esticar um bocadinho a corda, com noções plenamente desactualizadas sobre o papel feminino no ambiente familiar.

    Regressará à casinha em ocasião breve. :)




  • Mardock Scramble: The Third Exhaust

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    Mardock Scramble: The Third Exhaust
    Kudou Susumu - GoHands
    Anime - Filme
    2012
      6 em 10
     
    Chegou, então, a altura de ver o terceiro filme de Mardock Scramble

    Este filme é melhor que o anterior, mas ainda assim tem elementos em que n~ºao consegue ultrapassar o primeiro, se quisermos comparar. Para começar, a cadência narrativa está bastante desequilibrada, o que torna um filme um pouco sacrificante. Os primeiros quarenta minutos do filme são, essencialmente, a continuação do segmento do casino, que toma proporções muito entediantes. Existe aqui um certo desenvolvimento da personagem de Balot, mas a forma como essaws revelações influenciam as suas relações interpessoais acaba por ficar bastante incompleta.

    No entanto, na última parte do filme são explicadas secções da história que tinham ficado para trás, sendo que achei que a resolução estava muito bem pensada e, de certa forma, muito impressionante em termos morais e éticos. Finalmente temos as cenas de acção pelas quais todos esperávamos, mas estas acabam por ficar um pouco atrás da expectativa: o inimigo é demasiado forte, a luta é muito desequilibrada e, assim, as coreografias parecem não ter relevância no meio desta troca de tiros.
     
    Também os cenários foram reduzidos ao essencial, sendo esta terceira instância mais baseada em interiores que, graças ao tratamento digital, aparecem muito pouco realistas.

    Musicalmente, não existe nenhum tema identificável, como no primeiro filme.

    Ainda assim, penso que foi uma excelente conclusão. Recomendo esta trilogia!
  • Neruda

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    Neruda
    Volodia Teitelboim
    1991
    Biografia

    Para completar o meu projecto de conhecer Pablo Neruda antes de ver o filme de Pablo Neruda, uso uma chave de ouro: uma biografia escrita por um dos seus mais íntimos amigos.

    Este é um livro muito bem escrito, embora estruturalmente confuso. Apesar de o autor relatar a vida de Neruda por ordem cronológica aparecem muitos elementos futuros misturados com coisas do passado e vice versa. Isto é muito bom para caracterizar Neruda enquanto pessoa, mas pode tornar a leitura um pouco confusa.
     
    De resto, descobri uma série de coisas da vida pessoal e política do autor, algumas muito interessantes e outras muito perturbadoras. É curioso ver como um homem que escreve tão belos poemas de amor tem uma vida amorosa tão atribulada e, de certa forma, injusta para as intervenientes, desprezadas, traídas ou simplesmente substituídas por figuras mais jovens. É admirável como elas continuam a afazer parte do círculo íntimo do autor depois destes maus tratos.

    O livro tem muitas citações poéticas, que me ajudam também a completar um pouco da minha percepção sobre Neruda, sobretudo porque muitas destas citações vêm seguidas de uma explicação do seu contexto.

    Um livro precioso, pelo qual agradeço muito o empréstimo!

  • La La Land

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    La La Land
    Damien Chazelle
    2016
    Filme
    4 em 10

    Considerando que este foi o filme que mais nomeações recebeu para os óscares do ano passado, arrebatando não poucos, considerámos necessário vê-lo pare percebermos o que se passou. Aquilo, então, que eu percebo é que ou Hollywood gosta muito de cheirar o seu próprio ânus ou alguém pagou muito bem aos críticos para falarem deste filme. Porque é a coisa mais inana que vi nos últimos tempos.

    A história é vulgar: uma aspirante a actriz apaixona-se por um pianista de jazz que tem o sonho de abrir um bar. Fartam-se de cantar e dançar, corre tudo mal mas depois corre tudo bem. E então? Temos personagens sem conteúdo: a caracterização é fraca e o desenvolvimento é praticamente nulo. Não se compreende como Emma Stone ganhou um óscar perante uma personagem tão plana.
     
    Existe um esforço para caracterizar o mundo Hollywoodesco, utilizando para isso referências infinitas a outros filmes do passado, clássicos com demasiada qualidade para serem simplesmente colocados aqui às três pancadas, quer através do jogo de cores e luzes quer pelo próprio diálogo. Este é infeliz, pois - tal como as personagens que o dizem - não tem conteúdo mental e é, simplesmente, corriqueiro.
     
    Salvam este filme as partes musicais? Não. Apenas o perturbam ainda mais. As músicas são repetitivas, exageradas e existem demasiadas a toda a hora. As danças não estão especialmente bem coreografadas. Sobretudo, os momentos em que as canções aparecem não fazem sentido dentro do contexto.
     
    Ia dar um 6 a este filme, que é o que eu dou ao que me deixa indiferente. Mas o Qui convenceu-me a mudar a nota: afinal, não gostei nem de uma gota deste filme. Na verdade, só queria que ele terminasse rápido para poder ir dormir.

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