Archive for terça-feira, janeiro 31

  • Erased

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    Erased
    Itou Tomohiko - A-1 Pictures
    Anime - 12 Episódios
    2016
    7 em 10

    Este anime foi sugerido no meu clube e, devo dizer, desta feita acertaram comigo. ;)

    Um tipo de 29 anos, Satoru, tem um estranho poder. Quando algo de muito mau está prestes a acontecer, ele volta para trás no tempo e consegue resolver a situação. Existem coisas no seu passado de criança que nunca foram resolvidas: um caso de raptos múltiplos e assassinatos de crianças. Quando a sua mãe é assassinada, ele volta ao passado e terá de resolver este mist+erio, para que no futuro tudo corra pelo melhor.

    A ideia de um homem de 29 anos dentro do corpo de um rapazinho de 11, capacitado para um pensamento dedutivo em que poderá resolver um crime que nunca ficou totalmente clarificado, tem uma óptima execução. Progressivamente ele volta ao passado e ao presente para que possa usar os conhecimentos obtidos em cada época na resolução do mistério, que se vem a revelar um pouco previsível mas, ainda assim, bem concebido.

    Quiçá o único defeito desta história seja a forma como o personagem consegue prever o futuro de tal forma que a conclusão é absolutamente inesperada, num sentido de impossibilidade.

    A animação também está bastante fluída, com cores vibrantes e excelente qualidade. Existe sobretudo uma boa utilização da luz nas cenas de inverno, que transmitem uma sensação de pleno realismo.

    Musicalmente, temos OP e ED um pouco inadaptadas, mas de resto nada a apontar.

    Um anime que me encheu as medidas e na qual votei, sim claro. :)

  • Umimachi Diary

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    Umimachi Diary
    Hirokazu Koreeda
    2015
    Filme
    6 em 10

    Um filme "fatia-de-vida" do Japão, que o Qui sugeriu que víssemos. Durante todo o filme pensei "como isto se parece como um anime!". E a verdade é que era mesmo suposto, já que foi inspirado num manga do mesmo nome.

    Isto de um filme ser muito semelhante a um anime ou manga tem muito que se lhe diga. Porque apesar de a história ser interessante e de algumas imagens do filme serem muito bem filmadas (por exemplo, a evidÊncia das estações do ano) existem alguns detalhes que me deixam de pé atrás.

    Por exemplo, as actrizes fazem um bom trabalho dentro do contexto, mas muitos elementos parecem absolutamente exagerados e a linguagem usada pouco realista. Muito do diálogo é falado de uma forma que me pareceu absolutamente artificial e mesmo alguns movimentos perderam muito da biomecânica para que se encontrem com o que deveria estar desenhado (ou algo do género).

    Para além disso, sendo que este filme trata de um encontro das personagens com a sua juventude, afirmando assim a sua passagem na totalidade para a vida adulta, existe uma falha grande na descrição da forma como as decisões são tomadas, sendo que não há contemplação pela parte destas antes de afirmarem algo que pode mudar as suas vidas para sempre. Todas as atitudes, desde adoptar a irmã pequena até coisas sobre trabalho, parecem impensadas.

    Finalmente, as próprias personagens estão definidas dentro de uma espécie de estereótipo que não se aplica exactamente ao mundo real da mesma forma que se aplica ao manga. Isto torna-as difíceis de distinguuir e de criarmos um ponto identificativo com elas.

    Um filme calmo e bonito, mas nada de extraordinário.

  • Silêncio

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    Silêncio
    Martin Scorcese
    2017
    Filme
    7 em 10

    Fomos ver este filme ao cinema :)

    Inspirado num romance homónimo de autor japonês, conta a história de dois padres portugueses que foram ao Japão em busca de Ferreira, um outro padre jesuíta que desapareceu enquanto tentava converter mais pessoas ao cristianismo nessa terra. Ora, por esta altura da história universal, o Japão encontrava-se completamente fechado aos outros povos, sobretudo os europeus, e os cristãos locais eram perseguidos, torturados e mortos se não renegassem a sua fé. Será que os nossos padres irão conseguir o seu objectivo?

    Este é um filme contemplativo sobre as questões de deus e a forma como nos podemos encontrar com ele numa situação absolutamente adversa. A verdade é que deus aparenta estar sempre em "silêncio", quando no final se vem a tomar outra conclusão. é um filme sobre o abandono da fé pela necessidade, mas que pode ser perspectivado como um diferente encontro com a fé. Uma nova maneira de ver as coisas.

    Muito violento, o autor não se coíbe em mostrar alguns dos possíveis horrores que as pessoas nesta situação viveram. Ainda assim, até ao final, o personagem parece não conseguir encontrar uma resposta para a sua dúvida, para a forma de "como salvar todos" sem perder a sua visão de fé. Mostram-nos belas paisagens da ilhas japonesas mais remotas, mas apesar de tudo o filme pareceu muito escuro, quando tenho a certeza que existe alguma outra luz nesta terra.

    O mais admirável será, sem dúvida, a exactidão histórica, em pormenores que não saltam à vista de toda a gente. Fiquei com esta ideia depois de ter falado com um amigo que, por acaso, é padre e que, por acaso, veio ver o filme connosco por uma segunda vez. :) Os dados históricos que ele me deu sobre a ordem jesuíta na época e sobre algumas ideias religiosas em vigor nessa era deram-me uma outra ideia sobre o filme.

    Finalmente, deixo uma nota para Liam Neeson, que - apesar da sua curta presença - teve um discurso excelente, pleno de realismo e absolutamente adaptado ao seu personagem que, dentro do mistério que o envolve, apresenta ainda uma outra ideia sobre a fé.

    Em todo o caso, este filme recordou-me uma história que contavam quando eu andava na escola (católica):

    "Um homem andava pela praia e via sempre dois pares de pegadas. Eram as dele e as de deus. No entanto, por vezes um dos pares desaparecia. Quando chegou ao fim do caminho, o homem perguntou: "deus, quando foram os momentos mais difíceis, tu não estavas lá: eram apenas as minhas pegadas! Porque me abandonaste?" E deus respondeu: "quando foram os momentos mais difíceis, fui eu que te carreguei ao colo".

  • Nação

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    Nação
    Terry Pratchett
    2008
    Romance Fantástico

    Até agora, só havia lido alguns livros do Discworld, deste autor. Assim, aproveitei a oportunidade de experimentar algo diferente, através de um Ring do BookCrossing. :>

    Dizem rumores, por aqui e por ali, que antes da sua morte (em 2015), Terry Pratchett estava resguardado, devido ao avançar de uma demência ou alzheimer, sendo que os livros eram narrados por ele e escritos pela sua filha através das ideias que o autor conseguia transmitir no seu estado. Este livro parece-me um desses. Achei que o estilo era bastante diferente do que conheço do autor e, para além disso, está ali uma dica nos direitos de cópia. Assim, não sei se seria justo dizer "é uma obra de Pratchett", assim como não sei se a existência deste livro abona muito em favor das pessoas que o rodeavam.

    Mas adiante!

    Passado num universo paralelo muito semelhante ao mundo do século XIX, conta a história de um indígena (Mau) que se vê sozinho na sua ilha (Nação) devido a uma onda gigante que destruiu toda a sua aldeia e as das ilhas circundantes. Para além disso, está na ilha uma rapariga inglesa (Daphne), que terá de se adaptar a esta nova realidade enquanto a família dela não a ecncontra.

    É um livro engraçado, que fala na dificuldade de comunicação e em como esta é ultrapassada quando se tem um objectivo em comum. Mas também fala muito da forma como os deuses antigos podem influenciar as nossas vidas e a forma como o folclore local pode alterar a visão de cada um. Também é uma espécie de despertar da idade, em que os personagens crescem progressivamente até uma apoteose final plena de uma descoberta de nova maturidade.

    No entanto, os aspectos cómicos do livro estão um pouco mal encaixados, o que torna a leitura um pouco enfastiante, como se estes estivessem lá para que seja "apenas" mais um livro do autor. Também achei que algumas atitudes dos personagens estão pouco pensadas, como o elemento da morte que aparece no final e que aparenta não ter qualquer consequência para a evolução emocional das pessoas.

    Foi um livro engraçado e muito fácil, que se poderia recomendar para um jovem. Mas sei que me sairá rapidamente da memória.

  • Batalha

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    Batalha
    David Soares
    2011
    Romance

    Este é mais um livro de David Soares, um autor que - como sabem - gosto imenso. Mas este livro é um pouco diferente daquilo a que esse nos tem habituado, já que s etrata de uma espécie de fábula, em que os heróis são animais.

    Uma família de ratinhos do campo encontra um rato bebé mal-cheiroso, que educam como se fosse seu filho. No entanto, este ratinho afinal é uma ratazana. Acaba por se afastar deles e dar a si próprio o nome de "Batalha". Esta ratazana tem opiniões muito contemplativas sobre a vida e a morte, devido a todas as coisas pelas quais passou. No entanto, encontra outros animais (e não só) que lhe apresentam outras perspectivas, que terá de analisar e incluir na sua própria visão. Na parte final, acaba por se tornar amigo de um humano que, sendo cego, não sabe que é uma ratazana e o compreende. Este arquitecto foi quem desenhou o que viria a ser o Mosteiro da Batalha.

    Este livro não tem tanto de factos históricos como habitual, mas é mais um exercício filosófico sobre as ideias da vida e da morte, em que cada um dos animais, bons ou maus, demonstra a sua própria opinião com argumentos convincentes, provocando aqui uma discussão dentro do próprio leitor. De todos os modos, existem passagens extremamente belas, como se o livro fosse um regresso a uma natureza infantil da qual muitas vezes nos esquecemos.

    Gostei muito da ideia de Batalha: "A morte não nos pode fazer mal. Porque quando ela não existe, estamos vivos. Quando ela aparece, deixamos de estar, portanto é indiferente."

    Um livro fascinante, amoroso e pungente de belas ideias.
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