Archive for terça-feira, outubro 21

  • A Fúria dos Reis

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    As Crónicas de Gelo e Fogo - A Fúria dos Reis
    George R. R. Martin
    1999
    Romance Fantástico
     
    Parecia que há muito tempo não lia nada, correcto? Aqui está a verdade: andava prisioneira desta aventura de cavaleiros e eteceteras que, no topo das suas oitocentas páginas, nunca mais acabava! Deveras, foi um sofrimento sofrido para ultrapassar este livro!
     
    Depois da excitação toda que o primeiro volume me causou. foi com grande ansiedade que segui para o segundo. E foi dos maiores desapontamentos que já vivi na minha vida literária. Bem, também não foram assim tantos...

    Este segundo volume segue a história do anteriorl, mas inserindo mais personagens, mais guerras e mais detalhes. O grande problema é que estes detalhes são, no fundo, um chorrilho de banalidades e inutilidades, que em nada acrescentam à história ou à construção do universo fantástico. Porque realmente, não é relevante saber quantos caracóis tinha o cabelo da rainha coiso e tal, nem quantas gárgulas tinha o torreão do castelo. O livro é rico em descrições, mas são descrições inúteis.

    Também as descrições das lutas, batalhas e outras coisas de acção aparecem constantemente e não servem para. Para. PARA. NADA! Houve um capítulo em que o famigerado do autor passou cerca de 30 páginas a dizer nomes de navios! Por favor! Por amor de deus!

    No fundo, pouco ou nada a história avançou. Bem dizia uma conhecida minha que séries de livros tão longas não podem, não têm a capacidade de ser boas. Pensei que fosse diferente, enfim... Morreram umas quantas pessoas, outras ficaram sem nariz, mas no final está tudo na mesma como a lesma.

    Agora vem aí um grande intervalo para outras leituras. Talvez se me esquecer mais ou menos o que se passou a leitura dos outros volumes seja mais refrescante.
  • Zegapain

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    Zegapain
    Shimoda Masami - Sunrise
    Anime - 26 Episódios
    2006
    6 em 10

    Não esperava nada deste anime. Aliás, pela sinopse até esperava pouco. Mas veio a revelar-se uma história muito interessante e complexa, que acho que vale a pena ver.

    Kyo é um jovem que gosta de nadar e que está a tentar, por todas as coisas, recuperar o clube de natação da escola. Quando tenta fazer um filme com a sua amiga Kaminagi para o publicitar, vê uma estranha rapariga, muito bonita e mais velha, a dar um belíssimo salto para dentro da piscina. A partir daí, é-nos apresentado outro mundo, outro universo, em que as coisas não são bem como a realidade a que estamos habituados. Nesse universo, Kyo tem de conduzir um robô chamado Zegapain Altair e lutar contra algumas pessoas muito diferentes dos humanos normais, com objectivos diferentes que serão revelados ao longo da série.

    A história tem um conceito que parece muito inspirado por filmes ocidentais como o Matrix. Isto é, temos um universo real e um universo falso, em que temos de despertar para podermos viver na realidade. Existem algumas alterações, como o facto deste universo ser baseado na internet e em servers, em que as pessoas vivem como cópias e não como sonho. Na verdade, é uma ideia que está muito bem explorada e esclarecida e que poderia funcionar ainda melhor se estivesse numa escala global e não remetida a uma simples cidade japonesa. Para além disto, há algum ênfase nas relações entre as personagens dos dois universos e das pessoas que vivem entre eles, sobretudo nas relações de amor e amizade.

    O ritmo é lento e muito pausado, permitindo-nos pensar com acesso a uma imagética bela, muito relacionada com a água. Esses momentos são, infelizmente, descompensados com uma animação terrível nas cenas de acção. Na realidade, o anime teria beneficiado imenso se tivessem cortado por completo as lutas entre robots e se tivessem dedicado apenas à exploração da realidade e das emoções dos personagens. A verdade é que o design dos robôs é absurdo e a animação, um CG muito sujo misturado com 2D, é escabrosa. Por isto, não posso dar uma nota superior na minha classificação, algo de que gostaria muito.

    A música, essa, tem alguns momentos lindíssimos. Tanto a OP como a ED são marcantes e estabelecem desde logo a natureza do anime: é um anime introspectivo e calmo, um anime que deseja falar sobre a vida e não apenas mostrar coisas a lutarem umas contra as outras. Dentro do parênquima, temos uma série de músicas interessantes mas pouco originais, mas sempre bem aplicadas.

    Recomendo vivamente esta experiência, pois é algo bastante diferente daquilo que já nos vamos habituando. Achei um anime refrescante, que me deixou sempre com vontade de ver e, por isso, acho que vale a pena experimentar.
  • Edge of Tomorrow

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    Edge of Tomorrow
    Doug Liman
    2014
    Filme
    5 em 10

    Depois de um filme excelente, porque não um filme terrível? Mas não vimos double session ilegal (entrar noutra sala de cinema em vez de sair cá para fora). Simplesmente fomos para casa e pôs-se o filme a sacar.

    Começo por dar a informação que descobri há pouco, e que faz todo o sentido: este filme é inspirado numa novel Japonesa, e subsequente manga, chamado "All you need is kill",  de Hiroshi Sakurazaka. Segundo me consta, anda toda a gente meio maluca com este manga, adoram-no. Mas, se for como filme, é caso para dizer "porquê". Mas enfim, voltemos ao filme.

    O planeta Terra foi invadido por um grupo de criaturas extremamente difíceis de matar, de nome "mimics". São tipo uns aranhiços gigantes e mal-cheirosos. Quando luta contra um deles, todo azul brilhante e todo catita, este oficial que acidentalmente foi parar ao campo de batalha, ganha o poder de voltar atrás no tempo quando morre. O que significa que ele sabe o que vai acontecer e pode planear o que fazer e vencer a guerra. Depois, conhece uma gaja chamada Rita que é mestre do assassinato de aranhiços fedorentos. E depois o Tom Cruise tem de ir salvar o mundo, que é coisa que nem sempre corre bem (pois o Tom Cruise come placentas, ew)

    Em vários momentos eu esperava que o filme fosse numa direcção completamente diferente, muito mais complexa e, consequentemente, mais interessante. Mas a estrutura de shounen mantém-se do início ao fim. Na realidade, eu esperava desde o início que o Tom Cruise falasse com os soldados rasos e fizesse com que estes se organizassem, de preferência numa espécie de revolução. Mas não, sozinho estou, sozinho ficarei, sozinho vencerei as forças do mal. A estrutura do filme é exactamente igual à estrutura do shounen, com certos erros básicos que poderiam ter sido evitados com um melhor conhecimento do género (e não apenas sacar inspiração da novel e fazer o que nos apetece). Por exemplo, o ritmo do filme começa demasiado lento, para depois acelerar e voltar a decrescer, o que faz com que o espectador não consiga fazer uma manutenção da sua expectativa e, por isso, a concentração. A sequência de treino, apesar de importante, pareceu-me demasiado longa e repetitiva. Em vez de um efeito que poderia ser cómico, foi aborrecida. Em compensação, a sequência do planeamento e estratégia foi demasiado apressada, o que não permite uma percepção real o do que realmente se passa.

    Apesar de ao longo do filme os personagens irem desenvolvendo as suas capacidades físicas, a estrutura e engenharia da maquinaria não aparenta ser nada realista. Não parece fácil de usar e não tem grande mobilidade. Assim, o design poderia ser melhorado. Em termos de efeitos especiais, é caso para dizer que não é nada de especial. A animação por computador não é realista e as sequências de luta nada de espectacular têm, pois normalmente terminam em morte e, como a morte não é sinal de derrota, isto é inconsequente.

    O final é simpático e amoroso, mas a música dos créditos quebra completamente com o ambiente criado ao longo do filme.

    Enfim, acho que se fores um rapaz vais curtir totes. Se fores eu, é só mais um.
  • Gone Girl

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    Gone Girl
    David Fincher
    2014
    Filme
    7 em 10

    Vamos ao cinema! Há quanto tempo não vamos ao cinema? Não sei, mas vamos agora. :> Fique a nota da descoberta de que a minha mãe tem um cartão Zon e que isso oferece um bilhete nos cinemas Lusomundo (que já não têm esse nome, não interessa)

    Este é um longo filme que trata da situação de uma pessoa desaparecida, com um certo twist muito assustador e perturbador. Não posso falar dele paranão vos estragar o filme, mas aviso já que nem tudo é o que parece.

    Desde o início, com uma sequência de imagens do ambiente da cidade, o filme se estabelece como fonte de stress. Tanto para os personagens como para nós, espectadores. Nick Dunne já não gosta da mulher. Ela aborrece-o e ele não a compreende mais. Portanto, no dia de aniversário de casados, ele pondera o que há-de fazer com o seu casamento destroçado. Quando chega a casa, atinge-o a descoberta de que Amy, a sua esposa, desapareceu do mapa. Nesse momento começa uma busca incessante e altamente mediática para a encontrar, intercalada com imagens dos momentos passados que explicam como o casamento - que era tão bom - se veio a tornar desagradável e exasperante. Mas quando começam a acusar Nick de ter assassinado a esposa, tentamos perceber... O que é real? O que não é? E na segunda parte do filme há a luta pela descoberta do que é verdadeiro, em que percebemos pelo caminho a verdadeira dimensão destes personagens.

    Apesar de ser um filme de grande duração, mantive-me concentrada do início ao fim, o que não é normal em mim. As pessoas que estavam ao nosso lado desapareceram no intervalo, dizendo que não vinham ao cinema ao Domingo para adormecer. Mas o filme não é nada assim, pois mantém a expectativa até ao final, mesmo depois de a história estar concluida. A conclusão é estranhamente fascinante, pois é o compromisso entre o melhor possível, mas também não podia ser pior.

    Gostaria de fazer uma nota para o trabalho de actor, que merece atenção. Ambos os personagens, que têm uma construção muito sólida, são interpretados de forma excelente. A dualidade desespero-loucura, a sociopatia real e falsa, tudo isto não seria possível sem um grande trabalho de actores experientes. No caso de Ben Affleck, ainda bem que lhe deram a oportunidade de escapar das comédias terríveis.

    Também as imagens paisagísticas, apesar de simples, são muito interessantes.

    Assim, acho que posso recomendar que vejam este filme. Se for no cinema, ainda melhor. :)
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