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Asian Culture Party 2015
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Asian Culture Party 2015
Evento
Estava com saudades de ir a um evento. Depois de falhar o Iberanime por motivos de trabalho, decidi dedicar-me a ir ao que fosse logo a seguir. Ora, no primeiro ano deste Asian Culture Party, havia ficado muito mal impressionada. No entanto, decidi dar uma segunda oportunidade a este evento, para ver se haviam melhorado os acontecimentos. Por um lado posso dizer que sim, houve melhorias bastantes! Por outro lado, alguns aspectos podem ainda ser limados. :) Mas isto não é uma crítica analítica do evento, isso é impossível! Isto é um relato das aventuras e desventuras, protagonizadas pela super-heroína EU. O meu super-poder é dar puns sem cheiro.
Começo, antes de relatar tudo aquilo que se passou, por falar do Espaço. Já lá tinha estado num outro evento e acreditei que seria demasiado pequeno para a afluência. Aproveitaram-no de outra forma: tinhamos um rés do chão, uma espécie de cave bastante escura, onde estavam as lojas, e um primeiro andar, onde estavam os palcos (um dos quais num terraço), salas diversas e o bar. Aproveitado desta forma, passou-se precisamente o contrário: o espaço parecia um pouco grande para a quantidade de pessoas que lá estavam. Isto é bastante bom, porque eu gosto de andar à larga com o meu grande rabo. Nas horas de maior afluência, como o concurso de cosplay de Sábado e logo antes dos concertos, o espaço parecia precisamnete perfeito para a quantidade de pessoas. Ainda assim, pareceu-me estar pouca gente comparativamente a outros eventos (não consigo fazer uma analogia para o ACP anterior a que tinha ido , mas seria um bom exercício). Agora, o espaço em si, tinha muitos problemas. O principal era o calor. Não havia um único meio de climatização neste espaço enorme, sendo que fazia uma caloraça bafosa constantemente. Na sala dos workshops, sentimo-nos todos a derreter. Pessoalmente, acredito que neste fim de semana devo ter perdido pelo menos umas 500 gramas em água. Outro elemento que detestei, foi a casa de banho. Uma casa de banho, pequena, húmida, badalhoca e sem papel. Para mais, servia as vezes de vestiário, mas como a porta tinha de ficar aberta (nem faria sentido fechá-la) toda a gente ocupava o seu próprio cubículo para trocar de roupa, o que fez da ida à casa de banho - que é sempre uma aflição muito grande - um projecto de paciência, só conseguido através de exercícios de meditação.
Mas bem, passemos a contar o que se passou em cada dia! O fim de semana começa, então por...
Sábado
É raro mas acontece de vez em quando: em vez de partir da minha própria casa, parti de casa do Qui. Trazia uma mochila gigante cheia de tralha necessária para passar uma noite fora do meu habitáculo. Como já conhecia o sítio do evento, não me perdi. Tinha comprado o bilhete na Fnac (onde houve muitos problemas, pois quem me atendeu foi uma estagiária que, como é compreensível, não sabia nada) e foi picado à porta, onde me deram uma pulseira verde horrorosa que mais horrorosa ficou com o contacto com a minha pele suada. A minha primeira pergunta foi: "onde é o bengaleiro?". Tinha perguntado na página do evento se esse serviço estava disponível, mas ainda agora estou à espera da resposta. Enfim, deixei lá as coisas, saquei da minha poderosa máquina (que não é minha, é do meu pai, mas foi o que se arranjou em cima da hora) e dei umas voltas. Quase de imediato encontrei pessoas fofinhas e amigas, às quais me colei qual lapa em anfetaminas.
Mantive-me perto do palco principal. A primeira coisa que vi foi as Danças Goesas. Tinha muita curiosidade, especialmente porque conheço um senhor ligado à Casa de Goa e tinha esperança de o ver e dizer "então por aqui?" e começar uma conversa, mas ele não estava lá. Achei as danças muito fofinhas, muito ligadas à natureza e ao trabalho no campo, gostei bastante.
Seguidamente, assisti a uma actuação dos BB5. Os corpos dançantes dançam bem, mas cada vez menos aprecio este pop asiático dançável, é o tipo de música que não me estimula de forma alguma. Mas foram danças cheias de energia, com muitos gritos do público sempre que os rapazes faziam movimentos pélvicos. Também não acho isso muito estimulante, porque já vi muito homem na minha vida a fazer movimentos pélvicos e sinto-me velha a olhar para estas pessoas, que se mexem tão bem, tão requebradas, tão cheias de articulações e músculos e tendões, sendo que eu nem sequer consigo levantar a perna para dar um roundkick a um meliante com uma motosserra.
Finalmente, foi hora do concurso de cosplay internacional: Clara Cow's Cosplay Cup. Estava muita gente, certamente todos com grandes expectavivas, mas havia apenas quatro grupos a concorrer. Uma nota pessoal: cada vez acho menos sentido à adição de mais e mais concursos ao circuito internacional de cosplay competitivo. São coisas a mais e isso torna as participações cada vez mais escassas em cada concurso, pois evidentemente cada pessoa não pode tirar do seu tempo mais do que o essencial para poder construir um fato e uma apresentação. Acho que o universo internacional começa a ficar um pouco saturado com eventos e, numa comunidade tão pequena como a nossa, é cada vez mais difícil ter concorrentes bastantes para fazer um bom espectáculo. Enfim, adiante! Os quatro grupos tinham fatos bastante interessantes, que fotografei, com algumas apresentações divertidas e satisfatórias. O grupo vencedor tinha claramente o skit mais interessante, sendo que o runner-up poderia ter feito melhor uso da biomecânica do corpo, dependendo totalmente da piada da música de fundo. Também gostei bastante do skit de Madoka, que contava uma história interessante e original.
Fique uma nota para o apresentador, que interagiu muito com os cosplayers (talvez até demais), perguntando-lhes detalhes sobre os fatos e permitindo que ficassem mais tempo no palco para as fotografias.
Deixemos agora o palco principal. Fui a um workshop, dado por um dos camones que estava no juri, sobre cosplay competitivo a nível internacional. A sala que nos foi atribuída era uma espécie de banho turco mas, ignorando isso, foi uma experiência bastante interessante. O jovem falou-nos da experiência em competições internacionais, o que esperar, o que fazer, como falar com os jurados, dicas sobre como aproveitar melhor o nosso potencial e fazer algo de sucesso. Eu considero-me uma pessoa bastante informada sobre isto, mas apesar de tudo foi uma partilha valiosa de experiências e espero ter aprendido muitas coisas que possa usar quando for lá às Inglaterras fazer porcaria participar no concurso.
Queria ver o concerto, mas doíam-me os pés por causa dos saltos altíssimos que tive a triste ideia de levar, portanto decidi ir para casa. Pelo caminho, encontrei muita gente, incluindo os juris. Perguntei-lhes se iam jurar o concurso do dia seguinte. Disseram-me que sim. Disseram-me que traduzisse o meu skit para eles poderem perceber. Foi a minha actividade nocturna.
Domingo
Digamos que o dia não começou muito bem. Para começar, adormeci e só acordei três quartos de hora após o previsto. Depois, deixei cair uma nódoa de iogurte no meu cosplay. A seguir a isso, reparei que a peruca me caia no último ensaio geral e pensei em por ganchos, sendo que me esqueci e acabou por ser uma tragédia (como verão). Finalmente, esqueci-me da tradução do skit e do telemóvel e ainda tive de voltar a casa.
Mas, finalmente, cheguei. Dei uma volta pelas lojas. Os artistas, são bons artistas. Pela primeira vez, vi algumas lojas diferentes, mas vendiam coisas coreanas e isso não tem interesse para mim. Mas comprei uma mala em forma de cara de gato, cuja foto não colocarei. :)
Andei por aqui e por ali, de vez em quando uma foto. Haruhi continua a ser uma personagem mais ou menos popular! =D Uma pessoa disse-me que adorava o anime! =D
Vi um concerto de instrumentos tradicionais, muito bonito, com músicas muito agradáveis, e parte do desfile de trajes. Só apanhei os chineses, mas vi as outras pessoas vestidas e são roupas muito bonitas. Achei apenas estranho estar toda a gente de ténis.
Tinha tomado café num café que também servia refeições e pensei almoçar aí. Mas os pratos do dia não eram nada que eu comesse (sou uma omnívora selectiva), então decidi ir ao bar do evento e experimentar um soba inflaccionado, com esperança que fosse um pouco diferente dos noodles de pacote cancerígenos. Em termos de sabor e textura era exactamente igual, variava a caixa com informações em alemão e francês. Enfim, receio que tenha apanhado alguma doença com aquilo. Infelizmente, enquanto esperava para saciar as minhas fomes, decorria o desfile de cosplay. Tinha-me inscrito e, de mal a pior, esqueci-me completamente de que ele existia e quando dei por mim já estava a terminar...
Por aqui e por ali, um calor extenuante, cansativo, pavoroso. Esperei, naquela espécie de estufa onde estava o palco, que me chamassem para poder fazer a minha cena, que era sobre os aliens. Nunca mais me chamavam e andava por ali a dançar e a fazer tempo, divertido está claro mas ainda assim com um calor medonho. Até que me dizem que... Ganhei por defeito. Não vem mais ninguém. Sou a única. Quê? Qual é a cena? Então toda a gente desistiu e ninguém me disse nada? Que treta... Perguntaram-me se queria fazer o skit à mesma ou não, eu disse que sim (evidentemente). Afinal tinha ido ali, tinha trocado o fim de semana no trabalho, tinha feito trinta por uma linha para poder fazer a cena. Claro que a ia fazer.
Infelizmente... A peruca traiu-me. Assim que entrei no palco, começou a cair. Então a cena, que tinha piada, ficou de um cringe pavoroso, porque estava sempre a tentar endireitar a peruca. Porque raio me esqueci dos ganchos? Ainda assim, correu mais ou menos bem, as pessoas riram-se, as pessoas bateram palminhas, pude espalhar - mais uma vez - o azeite que há em todos nós. Tinha decidido fazer algo sobre o país, a gozar com todas estas coisas, porque acredito que devemos falar de política, devemos falar de azeite, para se perceber que as coisas como estão são uma merda. Acho que, talvez, se gozar com elas o pessoal não se vai esquecer que as coisas existem.
O apresentador depois perguntou-me quanto tempo demorei a fazer o fato e o skit e porque é que o tinha feito assim. Explicarei todas essas coisas no meu Cosplay Portfolio. Se quiserem, visitem também a minha página de cosplay no Facebook, Cosplay Portfolio by ladyxzeus, e deixem um like ou outro. :)
Ainda tinha mais dois workshops, armaduras e j-pop, para ir mas estava a sofrer tanto com o calor que.... Decidi ir embora. Para mais, os sapatos são da minha mãe e ela calça abaixo de mim, então doiam-me as unhas dos dedos dos pés, que ainda estão doridas.
Conclusão
Foi um evento engraçado, pequeno, mas divertido dentro dos possíveis. Infelizmente, foi um pouco difícil de o aproveitar ao máximo devido ao calor que se fazia sentir. Para a próxima, espero que melhorem o espaço. Depois do desapontamento do primeiro ano, acredito que a organização evoluiu muito com as críticas que lhes foram dadas, oferecendo-nos um evento um pouco diferente, com actividades muito variadas e, a maioria delas, muito interessantes. Portanto, para o ano, se tudo correr como previsto, lá estarei :)
Fotografias
E agora, a parte de que toda a gente estava à espera! Fotografias! Tenho a dizer, então, que não há! =D
Mentira, não totalmente verdade ;)
A máquina que eu levei é uma analógica vintage, pelo que as fotografias ainda estão todas no rolo. Daí ter dito a algumas pessoas que não podia tirar outra foto, quando a anterior teria ficado mal. Vou revelar o rolo amanhã e dentro de uns dias terei aqui as fotografias. Será que ficaram bem? O suspense! Mantenham-se ligados! ;)
Já Cá Estão!!
Quase duas semanas depois da ocorrência, finalmente estão reveladas as fotografias. Infelizmente para se obter uma boa fotografia analógica, mesmo com uma máquina profissional como esta do meu pai, são precisos alguns elementos. Nomeadamente:
- Jeito para tirar fotos
- Saber as técnicas para tirar fotos
- Um rolo dentro do prazo de validade
Caso queiram as fotos no tamanho original é só contactar. Também tenho os negativos e, por isso, poderão ser impressas se quiserem :) Desculpem lá terem ficado horribilis!
By : ladyxzeus
A Mulher de Porto Pim
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A Mulher de Porto Pim
António Tabucchi
1983
Contos
A propósito da minha Viagem à Macaronésia, o meu pai - por sugestão da minha mãe - emprestou-me este livro sobre os Açores, pela perspectiva de um senhor italiano cuja escrita já conhecia (mas não me lembrava).
É um livro muito, muito pequenininho, com algumas histórias - inventadas ou não - sobre a realidade dos aAçores. O facto principal é que estas ilhas foram e são ponto de passagem obrigatório para os navegadores. Assim, muitas coisas acontecem que são simplesmente temporárias. Isto é especialmente forte no conto que dá o nome ao livro, "A Mulher de Porto Pim", em que um homem desespera quando reconhece que o seu amor nunca poderá durar para sempre precisamente por este rito de passagem, a efemeridade da presença.
Só não gostei muito da história "Mar Alto", em que é relatada uma caça à baleia. Eu acho esta actividade perfeitamente horrífica e desnecessária, já que considero as baleias criaturas que devem ser deixadas sossegadas a cantar. O autor dá muita humanidade ao animal, mas também conta friamente como se apanham as baleias (com grande sofrimento para elas) e como são processadas ainda no mar. Insiste bastante em como é tão perigoso para os pescadores baleeiros. E para a baleia, não é perigoso?
A minha mãe pensava que este livro explicava como a zona de Porto Pim se parece, eventualmente, com uma mulher. Isto não acontece e muito pouco é falado sobre os aspectos da paisagem natural. O pouco, é dito com carinho.
Um bom livrinho de viagem, embora um pouco fantasiosa, que irei devolver amanhã. :)
By : ladyxzeus
The Handmaid's Tale
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The Handmaid's Tale
Margaret Atwood
1985
Ficção Científica
Depois de Senhora Oráculo fiquei com o bichinho de conhecer melhor a autora Margaret Atwood. Para minha grande sorte, o BookCrossing possui uma inveterada fã que, amorosamente, me emprestou este livro e outro. Não podia ter ficado mais surpreendida com a versatilidade da autora! Desta vez, temos um livro de ficção científica num futuro distópico, relatado de uma maneira dolorosamente pessoal e com resultados extraordinários.
Neste universo, parte dos Estados Unidos passaram a ser um novo país: Gilean. Nesse país, após perseguições e horrores diversos, as mulheres foram colocadas num novo lugar. Agora, servem simplesmente o propósito de reproduzir e servir os homens. Neste futuro, as crianças são um bem escasso. Assim, tudo deve ser feito para as criar. No entanto, a aura religiosa extremamente fascista que paira sob todas as situações torna impossível a felicidade destas mulheres, inseridas numa cadeia hierárquica altamente rígida que em nada contribui para que uma pessoa possa desenvolver qualquer tipo de identidade própria.
Offred, da qual não conhecemos o nome verdadeiro, é uma Handmaid. A função dela, neste mundo, é reproduzir. Para isso, foi atribuída a um Comandante e à sua Esposa, de forma a ter filhos por eles. A forma como ela conta aquilo que aconteceu e o que está a acontecer, a sua dificuldade em adaptar-se a este universo totalitário, é extremamente único e pessoal, demonstrando uma dor e ainda assim uma tenacidade por se manter viva. Será que isso aconteceu? Nunca saberemos, apesar da nota positiva (embora muito estranha) do final.
É uma ficção científica original e extraordinária. Pela primeira vez, temos uma visão totalmente negativa, sem esperança, sem que ninguém tome atitudes heróicas para salvar a humanidade. A sociedade como a conhecemos está destruída e nada se pode fazer para a mudar. A personagem admite isso, mas apesar de tudo, enquanto pessoa, enquanto mulher, é para ela impossível admitir a derrota.
Ansiosa por chegar ao outro livro de Atwood que a amiga BookCrossiana me emprestou :)
By : ladyxzeus
Kingsman
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Kingsman
Matthew Vaughn
2014
Filme
6 em 10
Pedi ao Qui um filme leve que não exigisse grandes pensamentos sobre ele. Este foi o escolhido.
Uma espécie de homenagem aos antigos filmes de espiões, conta a história de um jovem com problemas socio-económicos que é recolhido sob a asa de um cavalheiro que, por acaso, é também um espião membro de uma organização independente: Kingsman.
O filme relata o treinamento deste jovem, Eggsy, e a forma como acaba por salvar o mundo das garras de Valentine, um estranho vilão que quer fazer tudo para salvar a natureza (até mesmo destruir a humanidade). Para isso, conta com um aresenal de armas originais, companheiros cheios de classe, o seu mentor e, sobretudo, muitos fatos de alfaiate que ligam muito bem em todas as ocasiões.
Sendo que a motivação do vilão é um pouco estranha e ele não está caracterizado de forma muito forte (afinal, é mais um Samuel L. Jackson, mas com menos motherfuckers), o interesse principal deste filme está na evolução da personagem de Eggsy, que passa de jovem agressivo, mitra pouco corajoso, para um cavalheiro, um gentleman, com força, coragem e um fato todo janota.
Fique a nota para as cenas de acção, que estão filmadas de forma muito curiosa, para a qual é necessária uma excelente coreografia.
Foi um bom filme para descansar um pouco dos blockbusters de super-heróis que nos vêm atormentando ultimamente. Por si só, terá o seu valor no que respeita ao entretenimento.
By : ladyxzeus


