Archive for domingo, outubro 04
The Rocky Horror Picture Show
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The Rocky Horror Picture Show
Jim Sharman
Filme
1975
7 em 10
Este é o filme ideal para o Halloween, mas como maluca neo-pagã recuso-me a celebrá-lo. Portanto vimos o filme agora. Row row faite da powa.
Nos idos anos 60 e 70 havia um tipo de sessão de cinema que era o Double Feature. Passava dois filmes de série B horríveis e eram sempre à meia noite. The Rocky Horror Picture Show é um musical de série B feito para gozar com os filmes de terror de série B das Double Feature.
Tudo começa quando um casal de criaturas limpas e inocentes anuncia o seu noivado e decide ir visitar um professor que é seu amigo. Perdem-se na floresta, numa noite de chuva perniciosa, e batem à porta de um castelo, onde está a acontecer uma festa. E a vida deles muda, para melhor ou pior, quando conhecem o Dr. Frank N Furter, um travesti da Transexual Transylvania.
É uma história que é difícil de definir, pois tem algo de terror, tem algo de comédia, algo de ficção-científica e tem algo de muito ilógico a acontecer. Este filme atira pela janela os estereótipos sexuais e, no fundo, tudo termina numa grande festa e numa inusitada orgia de cores e conceitos.
Todas as músicas são excelentes, com um sentido de humor desprovido de vergonha e com letras de rimas tão improváveis e terríveis que se tornam absolutamente memoráveis.
Gostaria também de deixar uma nota para os actores. A sua performance é dicotómica em certo sentido. Eles brilham nas músicas e coreografias, isso é certo, mas o seu método de acção é propositadamente mau, o que por vezes torna o filme um pouco maçudo, como se ninguém o estivesse a levar a sério. Ninguém está, mas podiam fingir. Outra nota fica também para o hipnotizante trabalho de maquilhagem. Exemplo a ser seguido.
De resto, agora deixem-me sossegada que eu vou por a minha maquilhagem e cantar para o meu patooties.
By : ladyxzeus
Matadouro 5
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Matadouro 5
Kurt Vonnegut
1969
Romance
Este é mais um livro sobre a guerra, nomeadamente a Segunda Guerra Mundial. Um narrador intrometido esforça-se por contar a história de Billy Pilgrim, um optometrista inadapatado que esteve no Bombardeamento de Dresden, evento histórico mórbido e elevadamente fatal.
É uma narrativa cadente, sempre pontuada pela frase chave: "Coisas da Vida". Cada vez que algo de terrível acontece, ou mesmo algo bom, são coisas da vida. Assim, temos um ritmo bastante agradável, um embalar dentro da história, que torna os horrores vividos na guerra como algo secundário e até mesmo pouco importante, como se tudo o que se passou tinha sido uma necessidade do acaso ou do destino. Na verdade, o livro pula entre vários momentos da vida do personagem principal, pois ele ganha a capacidade de viajar no espaço-tempo devido à amizade feita com uma tribo de alienígenas, os tralfamadorianos. Estranho, não é?
Eu interpreto toda esta vertente de ficção científica não como realidade mas como uma interpretação do stress pós-traumático (PTSD- post traumatic stress disorder). Billy Pilgrim ficou tão perturbado com o que viu na guerra que provoca em si próprio uma imersão num mundo fantástico onde tudo são apenas "coisas da vida" e onde pode encontrar algum conforto e afastamento da realidade, onde o consideram louco e onde não tem qualquer sucesso e tudo lhe corre mal.
Quanto às imagens horrendas, não há muitas, propriamente ditas. O livro é mais uma sucessão, com muita ironia e bom-humor, das coisas pouco lógicas que aconteceram com estes prisioneiros de guerra americanos. Isto é, são descritas coisas feias, mas na perspectiva tanto do narrador como do personagem, elas servem apenas como mote para ilustrar a falta de lógica destes combates.
Um livro curto, que se lê bem e é divertido.
By : ladyxzeus
