Archive for quinta-feira, maio 19

  • D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte

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    D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte
    Miguel de Cervantes
    1615
    Romance
     
    Interrompamos a nossa programação habitual para terminar de ler um dos livros mais geniais da humanidade. Durante esta curta semana, foi tempo de me deliciar com a segunda parte do grande D. Quixote de La Mancha, do nosso amigo Cervantes!
     
    Escrito dez anos após a primeira parte, este novo conjunto de aventuras situa-se - no tempo - algo depois das primeiras. Agora, já toda a gente sabe quem é D. Quixote, pois a primeira parte foi publicada e lida pelo mais variado tipo de pessoas. Quem a escreveu? Pois que Cervantes diz que foi um mouro e que ele próprio está apenas a traduzir a situação.

    O extraordinário deste livro é ver como os personagens evoluiram, e de que forma o fizeram. D. Quixote continua louco, mas um pouco mais terra à terra. Agora, nem sempre cai em todas as esparrelas, sendo que o seu discurso é muito mais lógico e bem situado. Já Sancho Pança, esse sim sofre uma transformação extraordinária. Agora, erra muito menos nas palavras e, continuando a dizer ditados a torto e a direito, di-los com muito mais certezas. Aliás, podemos ver a sua capacidade enquanto ser humano livre e justo quando lhe é dado o governo da tal ínsula que sempre desejou. No entanto, os personagens mantêm-se fiéis a si próprios, sendo que nunca deixam a sua simplicidade natural.

    Nas suas novas aventuras, o Cavaleiro da Triste Figura faz outra coisa revolucionária para a literatura: está sempre mudando de local. E todos os locais são diferentes. Esta viagem, retratada em grande detalhe, leva-nos por paisagens muito diversas, sendo que a capacidade descritiva do autor - apesar de arcaica - nos mostra com precisão aquilo que gostaríamos de ver. Para além disso, esta segunda parte é muito saborosa, com todas as descrições de comida que são feitas.
     
    Desta vez, o autor não nos maça com grandes novelas e histórias paralelas, o que demonstra uma capacidade de auto-crítica que falha em muitos dos autores de hoje em dia.

    O final é um pouco triste, mas também muito simpático. Li este livro enorme de uma assentada e não me arrependo. Agora, sinto-me ligeiramente mais completa. :)

  • UN-GO

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    UN-GO
    Mizushima Seiji - Bones
    Anime - 11 Episódios
    2011
    6 em 10

    Este é um anime policial e de mistério, passado num futuro muito próximo. Um jovem detective, que tem grande paixão por detectivar, encontra-se numa situação bicuda de desemprego quando lhe começam a aparecer casos em catadupa, que resolve com discrição e alegria.

    O anime é semi-episódico, sendo que vários casos vão sendo resolvidos pela mão deste personagem, com uma ajuda de um compincha. Casos estes acabam por ter o seu interesse em termos conceptuais, pois - devido ao ambiente em que o anime grassa - nos mostram uma perspectiva de futuro bastante interessante e realista. Faz uso de objectos da actualidade que poderão mesmo evoluir até este ponto, como por exemplo as bases de dados de voz, hologramas e todos esses elementos.

    Infelizmente, o anime peca porque existe um personagem que eu chamo de "perfeitamente inútil". Trata-se do tal compincha do nosso amigo, que se transforma em mulher e tem o poder mágico de ler pensamentos e coisas que tais. Ora, isto dentro do contexto acaba por denegrir os outros personagens, porque lhes retira a capacidade de dedução e facilita demasiado a resolução de cada caso, sendo que o design da pessoa em si não faz qualquer tipo de sentido e aparenta estar ali apenas para dar um cosplay muito giro.

    A arte é cativante, com um bom uso do estilo rascunho e boa utilização de cores, mas não existem cenas de animação protuberantes que saltem à vista e nos façam acreditar que este é realmente um anime espectacular. O mesmo se passa com a música: se tanto a OP como a ED têm um certo estilo indie modernizado, a banda sonora com um toque espanholado calha e soa mal.

    Escrevo isto hoje, para amanhã não mais lembrar.

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