Archive for segunda-feira, fevereiro 17

  • Histórias Tradicionais Politicamente Correctas

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    Histórias Tradicionais Politicamente Correctas - Contos de Sempre nos Tempos Modernos
    James Finn Garner
    1994
    Contos

    Livro que veio, como o anterior, numa Troca de Natal do BookCrossing. Deste não gostei tanto, mas vou aproveitar para falar de um tema que me fascina. Por isso apertem os cintos!

    Ora bem, todos conhecemos contos como a Cinderela ou O Flautista de Hamelin. Neste livrinho, estas histórias são recontadas sob uma perspectiva moderna, sem ofender ninguém. A verdade é que isto faz exactamente o oposto, ofendendo toda a gente.

    Isto das ofensas é um grave assunto que se vem propagando pela internet, local onde o epíteto mais ofensivo é ser um homem branco heterossexual. Por acaso o livro não fala de cores ou de sexos, aí está uma falha. Fala mais sobre o machismo enrustido na cultura do agora (e do antigamente também) e da libertação feminina. Mas isso é coisa que as SJW (Social Justice Warriors) gostam também. Seria o livro ideal para este grupo de pessoas, se o próprio livro não fosse uma antítese de si próprio. Mas estas pessoas não aparentam ser muito espertas, por isso pode ser que o livro pegue.

    E porque é que eu digo isto? Porque os seres humanos são todos iguais e têm todos os mesmos direitos. As coisas estão feitas para a média (e a média não é a maioria). Coisas simples como assentos de avião. Estão feitos para a média. E se não estás dentro da média, é assim a vida, tens de viver com isso. Não faz de ti anormal nem especial nem sequer diferente. Apenas fora da média. O universo não está feito para agradar a pessoas, seres ou entidades fora da média. O universo funciona assim. Por isso, não é por estares fora da curva de bell que tens mais direitos do que as outras pessoas.

    Porque é que em vez de aceitarem a vida como ela é, com suas partes boas e mais, querem que tudo seja feito por fora da média para se adaptar às necessidades de cada um? Isso não é funcional nem lógico. Se querem coisas que se adaptem só a vós, vivam fora da sociedade (afinal, são anti-sociais, segundo consta). Aí poderão fazer tudo.

    Obrigada por lerem e por me perdoarem por ser extremamente ofensiva. O assunto fascina-me e não me interessa minimamente discutir. Atentem bem no ponto anterior. Se calhar até devia apagar isto tudo para não ofender ninguém. Atentem bem no ponto supracitado. Se não pudéssemos dizer opiniões, este livro de histórias nunca teria existido.
  • Gravidade

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    Gravidade
    Alfonso Cuarón
    2013
    Filme
    6 em 10

    E o último filme do fim de semana. Copi? Copi.

    Um espectáculo de imagens que deveria ter valido a pena em 3D. Infelizmente, a história não suporta o poder visual do filme.

    Comecemos pela parte boa: os visuais. Imagens muito exactas do espaço, com um excelente jogo de luzes entre o sol e as estrelas. Muito bons cenários das estações espaciais e naves. A utilização do negro, o vácuo, adiciona grande emoção. E existem alguns momentos fotográficos de grande beleza, como a astronauta a flutuar na cápsula.

    Agora, o problema de tudo isto é a história. Uma reacção em cadeia de debris (Restos? Destroços?) espaciais faz com que dois astronautas, Sandra Bullock e George Clooney, fiquem completamente isolados. Depois a Sandra tem de voltar à terra, de qualquer maneira. E é essa a aventura. É muito simples e o diálogo (copi?) não é especialmente bom, pontilhado por uma banda sonora muito vulgar que - em vez de induzir emoções - retira a vontade de levar o filme a sério.

    Adicione-se a isto uma série de "liberdades cinentíficas" que não fazem grande sentido. Não que eu saiba muito sobre viagens espaciais, mas já fui bem ensinada por tanto space opera que vi.

    Filme que desapontou. Mas copi? Copi! =D
  • A Propósito de Llewyn Davis

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    A Propósito de Llewyn Davis
    Joel e Ethan Coen
    2013
    Filme
    8 em 10

    E a modos que o dia dos namuraduhs se continuou pelo dia seguinte e a modos que se viram mais filmes. Um deles foi este.

    Llewyin Davis (nome difícil de escrever!) é um músico sem sucesso. Na sua demanda pelo sucesso faz uma grande viagem e tem uma grande aventura. Essa aventura envolve estar sempre a mudar de sítio para dormir (ele não tem casa, fica sempre em casa de amigos), um gato laranja, pessoas muito estranhas e a redescoberta da música e da identidade.

    É este último ponto que torna todo o filme fascinante. À medida que Llewyin Davis viaja e fala com pessoas diferentes, acaba por mudar de atitude em relação à música, aceitar os motivos que o levaram a estar nesta situação e partir para um recomeço, uma nova vida (que poderá correr bem ou mal, como poderão ver). O filme acaba em mistério, mas eu acho que ele vai conseguir. Quero mesmo que a história dele acabe bem... Será que acaba?

    Cada personagem é fonte de humor e é muito sólida. São personagens fortes, cada uma com a sua personalidade bem definida. Mas são certamente bastante estranhas e é isso o que dá, também, a personalidade ao filme. O humor é negro mas, apesar de nos sentirmos mal, não podemos deixar de rir com as situações.

    E há um grande extra no filme! É a música! Eu não conheço bem a música folk americana, mas fascinou-me. Alegre ou triste, este filme tem uma grande banda sonora, extremamente rica em canções. Arrebataram-me e fiquei com vontade de conhecer mais deste género musical.

    Enfim, um excelente filme para depois do jantar, no quentinho com um chazinho e mui buena companhia. :)
  • O Homem que Veio do Espaço

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    O Homem que Veio do Espaço
    Nicolas Roeg
    1976
    Filme
    7 em 10

    Uma amiga, Ana-san, ofereceu-me este DVD no meu aniversário do ano passado (que até foi há pouco tempo...). Passava-se, então, que era dia dos namuraduhs e que - depois de estar umas quatro horas a ouvir a minha louca playlist de música no youtube - apetecia ver um filme e que decidimos que havia de ser este.

    Confesso que me desapontou um pouco, porque estava à espera de algo completamente diferente. Mas tem o Bowie e, tendo o Bowie, isso dá logo mais pontos de bónus.

    O Sr. Newton é um gajo estranho. Percebe-se logo ao início que é uma pessoa diferente e, pouco depois, que há uma razão para ele ser diferente. É um alienígena, que veio para a Terra à procura de solução para o seu planeta e que agora não consegue voltar. Assim, coloca-se como cabeçilha de uma empresa de tecnologia, para ganhar dinheiros muitos e poder construir uma nave para voltar para a sua terra. Parece estar tudo a correr bem, mas a situação vai caindo à medida que a sua mente "pura" é corrompida pelos hábitos terráqueos (a televisão, o álcool, o sexo) e ele passa quase a desejar ficar na Terra. Depois há uma reviravolta que efectivamente o impede de partir, mas acaba tudo com um tom de esperança.

    O tema é interessante, como vive uma pessoa completamente diferente dos seres humanos num planeta povoado por esses seres humanos. E como esse ser se transforma e perde o seu rumo, caindo num estado de alienação (passe a expressão), quando entra em contacto com as coisas que são praticamente essenciais para o mundo humano, refiridas acima. Também é uma boa forma de criticar o que realmente se passa na sociedade humana graças aos excessos nestes vícios.

    Não gostei muito do excessivo tema da sexualidade, que está presente de forma muito gráfica e explícita ao longo de todo o filme. De resto, achei o trabalho de cenários e fotografia bastante interessante, sobretudo quando refere o planeta distante de onde veio o Bowie.

    Um filme de culto que é bom para a minha colecção (obrigada Ana-san!), mas que provavelmente não vou rever muitas vezes.... É que há algumas cenas que fazem mesmo impressão ;_;
  • O Bebedor de Livros

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    O Bebedor de Livros
    Klaas Huizing
    1994
    Romance

    Ainda não é hora de voltar ao meu Kobo. Por motivos de chuva, mais livros em papel se seguem. Este foi o do fim de semana, depois outro que estou quase a acabar e outro que tirei, apesar da chuva ter parado. Talvez no fim da semana consiga regressar ao digital.

    Mas de que trata este livrinho? Recebi-o numa troca de Natal no BookCrossing e o título agradou-me imenso.Efectiva,mente, o livro é sobre duas pessoas viciadas em livros. São dois romances e nove "tapeçarias", ao mesmo tempo.

    As tapeçarias são pequenas considerações do autor, com citações de outros livros mais importantes, sobre a leitura e sobre literatura. Os dois romances são a história de um bibliómano de séculos idos e de um bibliómano da actualidade que se vicia no anterior.

    É um livro muito engraçado, que narra as situações de forma directa e divertida (embora com um certo excesso de parêntesis). As histórias são simples, mas da forma como estão escritas são muito giras. É praticamente um livro de humor, tratando as coisas sérias com ligeireza. Nota-se a orientação do autor para a religião (aparentemente estudou teologia), mas não nos dá esse tipo de conteúdo à força. Antes, é colocado de forma irónica na vida dos personagens.

    Um livrinho giro para dias de chuva. Creio que o vou emprestadar ao meu pai..
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