Archive for terça-feira, agosto 06

  • City Hunter

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    City Hunter
    Korama Kenji - Sunrise
    Anime - 51 Episódios
    1987
    6 em 10

    Este seria o tipo de anime que eu nunca veria. Mas... Quando fiz a minha nova lista de coisas para ver... Estava lá. E eu ia deixá-lo para o fim. Mas de repente, aparece-me no clube para ver! Oh bolas! Tenho de o ver! Mas vá lá, não é tão mau como eu estava à espera. A sério! Só um bocadinho...

    Ryo Saeba é um bon-vivant. Tem uma parceira que o impede de ser mais badalhoco, com um martelo de uma tonelada. Mas bem, isso é o menos. Ryo Saeba é o City Hunter. Todos os episódios, que são cinquenta e um, é contratado por alguém - normalmente uma mulher - para proteger uma mulher (ou para apanhar, ou para interagir com ela). Invariavelmente, todas se apaixonam por ele no final. Cinquenta e uma mulheres, sem contar com a parceira, se apaixonam por ele. Mas a parceira nunca o deixa ir até ao fim e, assim, Ryo Saeba continua a ser o City Hunter, semi-solitário e corajoso, com uma pistola toda jeitosa e uma pontaria irrepreensível.

    A história, episódica, é repetitiva. Não há nada que se sobreponha a cada uma das historietas dos episódios, que não têm conexão entre si. O esquema é sempre o mesmo: Rwo Saeba encontra uma mulher toda bouah, há uma série de piadas que envolvem a parceira e o seu martelo, depois aparecem os maus, alguns tiros são trocados, a gaja é salva, o problema é resolvido, vão todos para casa. Como encontraram cinquenta e um designs diferentes para cada uma das gajas é uma situação que roça o fascinante. Rwo Saeba, o propriamente dito, é um gajo muito fixe (so cooool!) mas nada mais que isso. Ser fixe simplesmente não chega.

    A arte não está má de todo, mesmo para anos 80. A animação não é, vamos admitir, muita, mas a que existe está bem feita e existem por todo lado alguns truquezinhos para disfarçar a falta dela.

    E, como sempre em tudo o que vem dessa década maravilhosa, a música é deliciosa. Como tudo o resto, não é muita. São sempre as mesmas músicas em todos os episódios, e sempre nos mesmos sítios. São umas cinco ou seis. Mas são mesmo gostosas. Adorei sobretudo a ED, que por acaso até me lembra uma música qualquer de um anime mais moderno, mas que até agora não consegui identificar? Alguém me ajuda?



  • Passaporte para o Céu

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    Passaporte para o Céu
    Paulo Moura
    2005
    Reportagem

    Devo confessar que quando me inscrevi para esta actividade no BookCrossing, não estava à espera que o livro fosse assim. A sinopse enganou-me e pensei que fosse um romance. Devo confessar também que foi uma das raras vezes que li uma reportagem em forma de livro.

    Impressionou-me muito. Eu abomino, faz-me confusão e faz-me triste, ver ou ler ou saber de pessoas, animais ou plantas - seres vivos em geral - que sofrem. E vemos isso todos os dias na televisão, pessoas a serem assassinadas em directo para o noticiário ter notícias para noticiar. E é perfeitamente normal e gozamos com isso e dizemos "bem feita", porque a pessoa era má, ou feia, ou isto, ou aquilo. Temos muita pena se a pessoa é famosa ou bonita, sem sequer a conhecermos, mas todas as outras deixá-las estar a sofrer. E eu sou culpada, porque eu também gozo com os pobrezinhos de África que estão a morrer de fome e se deviam começar a comer uns aos outros, ou comer Americanos que têm mais chicha (ou então, que era o que faríamos se fôssemos criaturas lógicas, pegávamos na fruta toda excedente da nossa produção e mandávamos para lá, mas dizer isto não tem tanta piada, pois não)

    Por isso esta reportagem veio mesmo a calhar. É sobre as pessoas da África subsaariana que tentam fugir das terras deles e vir para a Europa, onde acreditam que vão conseguir trabalhar, estudar, fazer a vida e ter carros e boas casas. Parece que já lhes disseram que não, que não é assim, mesmo que não sejam deportados quando cá chegarem não há trabalho para ninguém e vão acabar mal. E a reportagem fala das histórias que acabam mal. Acabam todas mal, umas menos que outras. É assim a vida, mas não devia ser, não é justo que seja assim, pessoas são pessoas.

    Relatam-nos como vivem como animais, como são transportadas como animais, como são tratadas como animais... Pior que os animais. Até eles têm mais direitos do que estas pessoas. E não são "pobrezinhos". Têm de pagar 3000, 4000, 15000, 40000 euros para chegar cá e isso, até para nós que já cá estamos, é muito dinheiro. Empenham casas, vidas, tudo para dar vidas melhores à família e afinal de contas não há vidas melhores. Porque é que ninguém lhes diz que se vierem para aqui vão acabar a pedir ou na prostituição? O repórter foi ao Intendente e falou com as prostitutas que lá andavam. Ninguém, ninguém no planeta inteiro, por maior que seja a pobreza, ambiciona acabar no Intendente. Mas lá estão. Não é justo. Não é justo que as pessoas tratem assim outras pessoas.

    A reportagem fala das vidas e das diferenças de cultura, das ambições e dos sonhos, das religiões, da inadaptação. E no final a realidade é fria como um matadouro: todas as pessoas são iguais, mas há umas mais iguais que outras.

    Mas o que é que nós podemos fazer? Mandar dinheiro para lá? Não posso mandar dinheiro a todas as causas que me impressionam, não tenho assim tanto. Talvez quem o tenha o devesse fazer. Acredito que a solução, se me é permitida a insolência de sugerir uma solução, é a educação das pessoas e a reformulação desses países para que toda a gente tenha oportunidades. Mas isto não é a época dos descobrimentos, não podemos chegar lá armados em States e dizer "vocês agora são uma democracia, façam as coisas como eu mando e já agora dêem-me coisas". A coisa tem de partir de dentro, mas como mudar uma cleptocracia a partir de dentro? As pessoas têm de mudar, têm de ser substituídas por outras que saibam ser... Bem, pessoas. Deixem-me sonhar a minha utopia em que todas as pessoas se comportam de forma a não se prejudicarem...

    Quem puder ler este livro e tiver um bom estômago, recomendo. Pode ser que se todos soubermos o que se passam encontremos uma solução viável.
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