Archive for quinta-feira, outubro 03
O Mistério do Gato Cómico
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O Mistério do Gato Cómico
Enid Blyton
1954
Livro Juvenil
Calhou-me ler este livro, eu que odeio a Enid Blyton de morte e que odeio ainda mais os parvalhões dos bem comportados e bons meninos dos Cinco.
Sempre achei os Cinco uns patetas, uns meninos que não sabem viver aventuras e só fazem tropelias e se metem onde não são chamados simplesmente porque são irritantes e não sabem estar. Em vez de coleccionarem pedras como os miúdos normais andam por aí a inventar que apanham ladrões e que têm "pistas" e que são muito espertos. Irritam-me todos eles sem excepção, sobretudo os mais pequenos, que raio de amigos são estes que levam estas criancinhas para situações perigosas e bizarras, uma irresponsabilidade tamanha, deviam eraa morrer todos numa dessas aventuras para verem o que é a realidade das coisas e nunca chegar à vida adulta irritantes como são.
Pronto, já disse.
Agora que estou mais calma, posso dizer que o livro até seria divertido se não fosse a existência dos Cinco. E se o crime do mistério fosse realmente um crime. Porque pelos vistos Enid Blyton, essa fascizóide, quer tanto inocentar as crianças e as aventuras de crianças que nada do que acontece tem qualquer tipo de consequência. O que é um pouco chato e eu já achava isso quando era miúda.
Para a próxima afastar-me-ei dos mistérios juvenis dos cinco taralhocos como da morte. Obrigada.
By : ladyxzeus
Autismo
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Adquiri este livro na Feira do Livro, quando estive a dar uma mãozinha no stand da Editorial Abysmo. Já tinha ouvido falar do autor e estava ansiosa por experimentar um dos seus livros, pelo que comecei com o primeiro de uma trilogia sobre o “pai ausente”. No entanto, estava com receio, por ter ouvido falar tanto do autor e da sua brilhante escrita: por um lado, tinha receio de me irritar com a escrita e achá-la petulante; por outro, estava desejosa de me tornar fã. Acho que foi o que aconteceu.
Contado sob as perspectivas de vários membros da família, este livro conta-nos a convivência com uma criança autista, não verbal, que sofre um acidente. Assistimos a vários episódios, mais ou menos contínuos, nomeadamente o exasperante tempo de espera no hospital. Mas também recebemos alguns flashbacks sobre o que aconteceu quando se descobriu o problema da criança e que soluções foram tentadas pelos pais.
No meio disto, através de uma construção de personagem cuidada e detalhada, podemos conhecer um pouco da relação entre os pais e os avós e as consequências que o problema (não lhes chamemos doença) teve na vida quotidiana e concreta destas pessoas.
A escrita em si é brutal, sem vergonhas nem pudores, com cenas de uma violência emocional extrema e situações tão reais como absurdas dentro do contexto em que as encontramos.
Este é um drama forte da vida real e qualquer um de nós poderia ser uma destas personagens. Gostei muito e confirma-se: virei fã!
Autismo
Valério Romão
2012
Romance
Adquiri este livro na Feira do Livro, quando estive a dar uma mãozinha no stand da Editorial Abysmo. Já tinha ouvido falar do autor e estava ansiosa por experimentar um dos seus livros, pelo que comecei com o primeiro de uma trilogia sobre o “pai ausente”. No entanto, estava com receio, por ter ouvido falar tanto do autor e da sua brilhante escrita: por um lado, tinha receio de me irritar com a escrita e achá-la petulante; por outro, estava desejosa de me tornar fã. Acho que foi o que aconteceu.
Contado sob as perspectivas de vários membros da família, este livro conta-nos a convivência com uma criança autista, não verbal, que sofre um acidente. Assistimos a vários episódios, mais ou menos contínuos, nomeadamente o exasperante tempo de espera no hospital. Mas também recebemos alguns flashbacks sobre o que aconteceu quando se descobriu o problema da criança e que soluções foram tentadas pelos pais.
No meio disto, através de uma construção de personagem cuidada e detalhada, podemos conhecer um pouco da relação entre os pais e os avós e as consequências que o problema (não lhes chamemos doença) teve na vida quotidiana e concreta destas pessoas.
A escrita em si é brutal, sem vergonhas nem pudores, com cenas de uma violência emocional extrema e situações tão reais como absurdas dentro do contexto em que as encontramos.
Este é um drama forte da vida real e qualquer um de nós poderia ser uma destas personagens. Gostei muito e confirma-se: virei fã!
By : ladyxzeus
Festival IMINENTE 2019
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Festival IMINENTE 2019
Festival de Música
Este ano voltámos ao Panorâmico de Monsanto para o Festival IMINENTE. Com curadoria de Vhils (de quem não gosto nada, mas isso é outro filme), aproveita o espaço degradado e grafitado do Panorâmico para montar um festival de música activista e alternativa, com espaço para o debate social e político e, sobretudo, muitos concertos.
O espaço estava organizado de forma semelhante ao ano passado. Desta vez havia uma pequena mudança na estrutura dos pagamentos dos comes e bebes: um cartão recarregável em que, no final, se devolvia e ainda ofereciam uma água ou uma cerveja. Gostei bastante, porque assim ninguém tem de lidar com dinheiro. Havia três palcos: um principal, no exterior, um a meio de uma escadaria e um subterrâneo, na cave, que foi onde passámos mais tempo.
Começamos por ver o Fado Bicha, um dueto de voz e guitarra muito original e divertido. As suas músicas falam dos problemas reais enfrentados pela comunidade LGBT+, com muito orgulho e com muito humor à mistura. O cantor falou imenso durante o concerto, dedicando cada uma das músicas a mulheres importantes no seio do activismo. Foi mesmo muito engraçado!
Depois, fomos para o exterior ver Chalo Correia, um cantor Angolano que se apresentou com uma banda muito tradicional. Dancei muito com os seus ritmos, embora me lembrassem outras bandas que já havíamos visto no mesmo espaço. Foi divertido, mas para mim foi o concerto mais fraco do dia.
Voltamos à cave para conhecer aquela que, para mim, foi a cantora que me fez ganhar o festival: SREYA. A amiga do Conan Osiris tem músicas cheias de energia, com uma sonoridade pop nada plástica, como se estivéssemos a ouvir uma cassete no nosso quarto. Fiquei convencida que a minha vida pode mesmo ser um ovo estrelado e agora estou viciadíssima nas músicas dela! Vão ouvir!
Jantei uma sandes de queijo de cabra com mel. Apesar da zona de refeições estar mais calma, tinha muito menos opções e, sobretudo, muito pouca variedade. Eram essencialmente hambúrgueres e cachorros, com pouquissimas versões vegetarianas. Ainda fui comer uma fartura e tive um encontro imediato do primeiro grau com uma pessoa do trabalho, o que foi extremamente assustador e desconfortável.
Mas depois logo esqueci, porque fomos ver Linn da Quebrada. Uma tipa grande, trans, forte e com músicas igualmente grande, trans e fortes. As músicas eram de uma agressividade brutal, com letras muito pouco educadas e com um espectáculo do exacerbar da sexualidade. Muito interessante!
Terminámos a noite com Badsista, uma DJ brasileira que me fez dançar até me obrigarem a ir embora. :) Um DJ Set com electrónica pura e dura, que se transformou numa grande pequena festa de tudo ao molho dentro da cave. Infelizmente já não restava muita gente, porque senão teria sido verdadeiramente caótico, o que no caso até seria uma coisa boa.
Gostei muito deste festival. Apesar de ao início não estar muito convencida a ir, acabei por me divertir imenso e ver (e descobrir!) grandes sons!
By : ladyxzeus
Livro Condensado Selecções Reader's Digest
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Livro Condensado Selecções Reader's Digest
Vários
1995
Romance(s)
Veio-me parar às mãos este livro muito engraçado. É engraçado porque tem quatro livros dentro dele, dos quais falarei um pouco de seguida.
"Não me contes segredos", de Joy Felding, é uma aventura de uma advogada que se vê atormentada pelo criminoso que está a acusar de ter violado uma mulher na sua própria casa. É um livro muito interessante porque coloca em perspectiva o assunto da violência contra as mulheres e também porque a personagem principal sofre um desenvolvimento bastante interessante, cedendo à paranóia à medida que coisas bizarras lhe vão acontecendo. O desenlace final é inesperado e foi muito divertido.
"O Senhor do Norte", de R.D. Lawrence, é sobre a relação entre um homem que gosta de viver infiltrado na natureza e Yokan, o seu cão-lobo de trenó. Apesar de estar bastante desactualizado no que respeita aos cuidados a ter com animais, é um livro que nos mostra a natureza vibrante do norte dos Estados Unidos, sendo essa a sua principal qualidade.
"O Deus do Rio", de Wilbur Smith, é o livro mais longo da colecção e, para mim, também o menos interessante. É passado no Antigo Egipto, o que é sempre um tema curioso (pessoalmente, nunca tinha lido nada passado nesta época). No entanto, a linguagem simples e a falta de detalhe nos hábitos culturais das pessoas da época tornam este livro um pouco aborrecido.
Finalmente, "Pânico no Voo 19", de Robert P. Davis, é a história electrizante de um avião que está prestes a cair e da união de esforços entre os pilotos, a força aérea e a equipa em terra para o fazer aterrar em segurança. É um livro cheio de acção, apesar de não ter grandes personagens ou uma qualidade literária excelente.
Foi uma leitura muito divertida e, se arranjar mais livros condensados, certamente que os lerei!
By : ladyxzeus
Mahoujin Guruguru (2017)
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Mahoujin Guruguru (2017)
Ikehata Hiroshi - Production I.G.
Anime - 24 Episódios
2017
5 em 10
Venderam-me este anime como uma história de fantasia baseada na estrutura dos jogos de RPG. Mal sabia eu que ia ver o conjunto mais ridículo de gags disfarçados de comédia geek dos últimos tempos.
Realmente, a estrutura é a de um jogo de RPG. Tanto que aparecem os menus e todas essas coisas. Um pequeno herói e uma pequeníssima feiticeira vivem diversas aventuras, em que aumentam de nível, ganham novos itens e todas essas coisas. E tudo isso seria muito engraçado.
Se não fossem as piadas de peido. Se não fosse o cota nu que aparece em todos os episódios com uma folhita a censurar o narço. Isto é, se as piadas do anime não fossem, na sua generalidade, um conjunto de idiotias sem nexo, de uma infantilidade ridicularizada, sem qualquer contexto e sem qualquer... Sem qualquer piada.
A animação é, no entanto, satisfatória, com cores muito vivas e designs bastante originais na sua fofura, o ponto forte do anime. Temos algumas cenas algo psicadélicas, mas dentro do contexto da série acabam por não ter qualquer tipo de efeito.
A música é histérica e, ao mesmo tempo, chata. Já a vimos mil vezes em outros animes.
Definitivamente, para esquecer.
By : ladyxzeus
Comic Con Portugal 2019
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Comic Con PT 2019
Evento
Estava a adiar os meus escritos sobre a CCPT 2019. Na verdade, não tinha (não tenho) vontade nenhuma de falar sobre ela, até porque não tenho nada de extraordinário para dizer. O drama dantesco da Milly Bobby Coisinha passou-me completamente ao lado: enquanto estava tudo a arder eu estava na sombra a comer uma sandes de ovo. Aliás, nem vejo o Coisas Estranhas, pelo que não tinha qualquer interesse em envolver-me na luta pelo direito a ter um minuto de conversa com a MillyDibidibu. Nem sei o nome dela.
Adiante.
Desta feita fui participar no concurso de cosplay, o Heróis do Cosplay. Irei falar de seguida sobre a minha experiência. Adianto desde já que foi um concurso muito bom, sobretudo relativamente a anos anteriores em que também havia participado. Levei um fato que me deu muito trabalho e me causou muito sofrimento, a Nehelenia, de Sailor Moon. Props aos amigos que tanto me ajudaram a construir esta coisa do demo. <3
À chegada, primeiro problema: não há parque de estacionamento. Isto é, ele haver há. Não podemos é entrar. Portanto, lá fui estacionar no fim do universo, sendo que depois tivemos de proceder ao transporte de todos os props mais a maleta com o fato. Era tudo muito mal jeitoso e um pouco pesado, o que foi fonte de muito desconforto lombar.
Passámos pela acreditação (para mim isto foi um momento miraculoso, pois comprei os bilhetes em segunda mão e estava meio desconfiada que fossem falsificados) e encontrámos, após um passeio de dez minutos pelo evento fantasma, a zona do cosplay. Lá, existiam uma espécie de saletas com dois espelhos e algumas cadeiras onde nos poderíamos vestir. Os espelhos já estavam ocupados pelas pessoas que precisavam de pintar os seus corpos, o que me causou muita dificuldade. Difícil foi também por o fato, sendo que a experiência foi tão exasperante que eu já estava em lágrimas a pensar que nunca na vida ia conseguir por a peruca no sítio! Mas lá me despachei e, com algum atraso, fui para o pre-judging.
Esta parte, sim, foi um pouco ridícula. Os jurados estavam separados apenas por um biombo do resto do espaço, sem qualquer isolamento da confusão que grassava lá fora. Aguardávamos numa fila sem qualquer ordem em concreto. A meio da minha espera chamaram-me para tirar algumas fotografias. Apesar de ter ficado limitada a apenas uma pose, por falta de tempo, as fotografias ficaram simplesmente brutais! Olhem só:
Voltei para a fila e entretanto chegou a minha vez. Estava tudo a começar a atrasar-se então o voluntário, depois de me perguntar se o meu inglês era satisfatório, pediu-me - quase implorando - que me despachasse e dissesse só as coisas que tinha feito. Foi o que fiz. Em dois minutos, expliquei vagamente o que tinha feito, sendo que este cosplay deu realmente muito trabalho e tem algumas técnicas interessantes. A única coisa que me perguntaram foi se tinha feito as orelhas, que por sinal foi a única coisa que comprei. No meio disto tudo, as próprias orelhas estavam prestes a cair e todas as minhas unhas iam caindo à vez. Malditas colas do chinês!
Seguimos para o palco do concurso. O auditório estava cheio! E os meus sapatos também! Com os meus saltos à la trabalhadora do bar de alterne, pensei ao início que me fosse aguentar perfeitamente. Eram tão confortáveis quando os experimentei! Mas passado um quarto de hora, já não podia ver a hora de os tirar. Um voluntário muito simpático (todos eles, aliás) deu-me uma cadeira, que foi onde sentei o meu rabo de rainha durante todo o concurso. Subir as escadas para o palco foi uma dificuldade tal que me adiantei e impedi o apresentador de entregar mais umas quantas t-shirts.
O skit correu lindamente. Nada caiu: nem o fato, nem as minhas maminhas, nem o cenário, nem nada! Todos me disseram depois que ficaram emocionados com o meu grito desesperado: desta vez quis fazer um skit que fosse um pouco mais fácil de entender e que contasse um pouco da história da personagem que, no fundo, está presa dentro do espelho. Poderão ver o skit brevemente na minha (muito inactiva) página de cosplay: Cosplay Portfolio by ladyxzeus :)
Assim que anunciaram os vencedores e tirámos todas as fotos de grupo da praxe, corri para os camarins para me libertar do colete de forças que me atormentava cada centímetro quadrado de pele. Falando nos vencedores, achei tudo muito justo e vitórias muito merecidas. Os skits que consegui ver (um fato gigante tapou-me a vista a maior parte do tempo) eram muito divertidos e nota-se que toda a gente se dedicou muito para ter estes resultados. Fiquei feliz neste concurso, apesar de não ter sido uma das felizes contempladas com os prémios brutais (300€ em cheque Fnac, era o que eu queria, porque queria comprar uma trotineta e trotinetar por aí :) )
Depois de o meu helper me soltar da camisa de forças em que estava contida, fomos explorar o evento. E aí é que a coisa se torna um pouco complicada... Para começar, este evento devia chamar-se "Avengers Con". Era tudo Avengers. Avengers por todo o lado. Estátuas em tamanho natural dos Avengers. Uma tendazinha a passar maratona dos Avengers. Todas as lojas a venderem sobretudo tralha dos Avengers. Avengererereres.... Ah! Eu nem vi nem um dos filmes! Estou mesmo por fora...
Depois, para "Comic" Con, estava fraquíssimo de Comics. Praticamente só dois sítios (a Fnac e a Kingpin) os estavam a vender. De resto era só t-shirts e pops e pops e mais pops. Referi os pops? Havia pops. Odeio pops.
Salvou o evento para mim a zona dos artistas (que são bons artistas) onde ainda comprei dois colares para a minha crescente colecção de jóias geeks.
Quanto a cosplay, pouquíssimo. Eu sei que o evento no exterior não é especialmente atractivo para os fatos mais elaborados, mas mesmo assim não tenho nada contra este formato. Lembra um festival de Verão. Mas para isso seria bom ter mais música para além do farsante que imita o António Variações, que por sinal tem pouco (ou nada) que ver com o universo da cultura pop.
Portanto, deixo-vos as fotos dos cosplayers que cederam um pouco do seu tempo para olhar para a minha frágil maquineta telefónica. :)
Foram só estes os que apanhei. Infelizmente, os outros que ia vendo estavam a comer, ou falar no móbil, ou a levantar dinheiro, ou a beber jola, então não quis chatear.
Enfim, para o maior evento do país, acho que ganha o prémio do evento mais infeliz do ano. Vamos ver se para a próxima ouvem todas as críticas, que foram muitas, e melhoram. Mas notem: nunca vai voltar à Exponor. Então podemos parar de bater nessa tecla. Temos de trabalhar com o que temos, que é o espaço do Passeio Marítimo de Algés. Mas a divulgação, a organização e a apropriação ao tema têm de ser mudados e diferentes. Vamos lá!
Enfim, para o maior evento do país, acho que ganha o prémio do evento mais infeliz do ano. Vamos ver se para a próxima ouvem todas as críticas, que foram muitas, e melhoram. Mas notem: nunca vai voltar à Exponor. Então podemos parar de bater nessa tecla. Temos de trabalhar com o que temos, que é o espaço do Passeio Marítimo de Algés. Mas a divulgação, a organização e a apropriação ao tema têm de ser mudados e diferentes. Vamos lá!
By : ladyxzeus













