Archive for terça-feira, julho 12

  • Blue Submarine No. 6

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    Blue Submarine No. 6
    Maeda Mahiro - Gonzo
    Anime OVA - 4 Episódios
    1998
    6 em 10

    Um curto OVA, com episódios de 28 minutos (excepto o último, que tem 40). Acabou por ser uma experiência mais curiosa do que esperava ao início.

    Neste mundo, tudo está semi-submerso no mar. Lá vivem umas criaturas, humanos artificiais, que estão em constante batalha com as pessoas da superfície. Mas quando um piloto vulgar salva um destes seres e volta a pô-lo dentro de água, tudo pode tornar-se um pouco diferente do que se previa.

    A história não é original, mas é interessante na medida em que a estrutura social dos vários seres é apresentada de forma diferente. Da mesma forma, distingue-se pelos designs dos personagens, das diversas criaturas e da maquinaria. A história desenvolve-se até um ponto de viragem bastante pessimista, mas infelizmente pareceu-me que o OVA foi demasiado curto para que apresentassem o material na sua íntegra Assim, acaba por parecer demasiado curto. O que eu queria realmente saber não nos foi mostrado (seria, "o que se passará depois de encontrarem os monstros"), mas talvez isso não seja necessário o parte integrante da história. Talvez o objectivo seja efectivamente passar esta ideia de vida perdida.

    Apesar de os designs serem muito bons, não se pode dizer o mesmo da animação. Este OVA saiu entre 98 e 2000, pelo que a animação digital ainda é primordial. Isso nota-se com evidência em todas as cenas que incluem máquinas e máquinas dentro de água, o que é um pouco desagradável.

    Musicalmente, não temos uma OST muito forte, mas isso pode ser compensado por uma ED sólida e reminiscente de sons populares de décadas passadas.

    Foi um anime giro, mas não o recomendaria.
  • Cleopatra

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    Cleopatra
    Osamu Tezuka - Mushi Production
    Anime - Filme
    1970
    7 em 10
     
    Depois de ver a Belladonna of Sadness, recomendaram-me que visse o resto do projecto Animerama. Como já tinha visto o 1001 Noites, restava-me este, que procedi a assistir na companhia do Qui. Este é o outro filme escrito e dirigido pelo mestre Osamu Tezuka, o que acaba por ser bastante evidente no estilo artístico e narrativo.
     
    Para começar, não recomendo de todo a versão que está no youtube (e que vimos para não termos o trabalho de sacar), pois as legendas são uma coisa completamente destituída de sentido. Os próprios subbers dizem "como o filme não faz sentido as legendas também não", mas a verdade é que - pelo pouco Japonês que sei - o filme é bastante mais simples do que aparenta à primeira vista.

    Tudo começa com uma civilização do futuro que se vê perante uma invasão com o "Projecto Cleopatra". Para descobrirem do que se trata o tal projecto, decidem enviar três representantes ao passado, à época da conquista do Egipto pelos romanos, para saber o que se passava na altura. As conclusões... Bem, terão de ver o filme :)

    A narrativa é simples e acaba por se basear, sobretudo, nas relações entre os personagens. A nossa personagem de foco é a Cleopatra, que aparece mais como uma vítima do acaso e de um amor inusitado que nunca tinha conseguido antes, do que como a entidade manipuladora que os livros de história nos mostram. Assim, o filme acaba por ter uma vertente muito feminista e respeitadora da figura feminina (apesar de todo o erotismo inerente), já que a figura de Cleopatra é apresentada sob uma luz quase vitimizadora, em que há a obrigação de fazer todo o tipo de coisas que colocam os seus ideais em cheque.

    Como disse anteriormente, este filme tem uma elevadíssima carga erótica. Isto, à mistura com o estilo característico de Tezuka, tem um resultado deveras estranho e absolutamente hilariante. As cenas mais sérias são cativantes, mas existe uma miríade de outros momentos em que somos efectivamente obrigados a rir. Tezuka faz todo o tipo de coisas, desde uma "pantera cor de rosa" em cavalo até auto-referências nos piores momentos.

    E, falando em todo o tipo de coisas, que dizer da animação? Este é um filme absolutamente revolucionário. Fazem-se aqui coisas que se foram tornando vulgares, acabando por desaparecer nos dias de hoje. Temos de tudo, desde animação com recortes, a técnicas de slow-motion, passando mesmo pelos primórdios de uma reciclagem de animação muito discreta... Enfim, a ideia que dá é que lhes disseram "tomem dois euros e façam um filme" e que, com isso, fizeram tudo aquilo que se lembraram :) A forma como algumas cenassão animadas (por exemplo, o assassinato de César) prima por uma originalidade estonteante e uma capacidade de decisão típica de uma pessoa que se quer divertir a fazer coisas. O resultado é, simplesmente, fascinante.

    Finalmente, digamos algo sobre a banda sonora. Com uma mistura de sons pop típicos da época e algum sonoro experimental, mantém o filme vivo e palpitante do início até ao fim. Não me impressionou tanto como nos outros filmes da saga, mas ainda assim tem o seu valor.

    Enfim, devo dizer que este conjunto de filmes, individualmente ou todos juntos, são uma experiência de visualização fantástica. Sobretudo para quem tem interesse na evolução da animação e como ela veio a ser o que é hoje. Porque estes filmes são sobretudo uma experimentação e a avaliação de tudo o que se pode fazer. Isso é, sem dúvida, demasiado interessante para podermos perder.
     

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