Archive for segunda-feira, novembro 17
Bombaim - A Um Mundo de Distância
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Bombaim - A Um Mundo de Distância
Thrity Umrigar
2005
Romance
Disseram que este livro era muito bom, portanto inscrevi-me no BookCrossing para o ler. E digo-vos que está a ser o ring mais popular de ultimamente! Infelizmente, não gostei do livro por aí além.
Bombaim, Índia, agora. Uma senhora do bairro da lata é empregada de uma senhora rica. Castas diferentes, vidas diferentes. A senhora rica gosta muito da sua empregada, então dá-lhe todo o apoio possível. Até ao ponto de fractura, que acontece quando a neta da empregada engravida misteriosamente. Tendo este cenário como ponto de partida, observamos a vida passada das duas mulheres e os maus-tratos que lhes foram infligidos pelos respectivos maridos. Também a neta terá sido vítima? Quem sabe...
No fundo, esta é apenas uma história de violência doméstica, nas suas várias perspectivas, e nas violências cometidas para com mulheres. Tanto se podia passar na Índia como noutro sítio qualquer, pois todo este tipo de história, sendo diferente de pessoa para pessoa, se assemelha na sua génese: há pessoas que, por alguma razão, fazem mal a outras. Nisto, o livro é realista.
No entanto, o facto de se passar em Bombaim não é nada concreto. A sinopse, a capa, o título em Português, tudo nos remete para uma viagem à Índia moderna. Mas a verdade é que em poucos momentos os personagens estão puramente inseridos dentro do seu contexto, dado que os seus problemas são - de certa forma - generalistas. Fora algumas expressões indianas cujo significado não compreendemos, e de todas as vezes em que a autora demonstra o seu nojo por todas as coisas pobres, tudo isto poderia passar-se tanto lá como aqui, em Portugal, ou na Alemanha ou na Austrália ou no Polo Norte.
Para além disso, achei que a maneira de escrever, para além de ter certos erros (como por exemplo, frases com tempos verbais no presente e passado ao mesmo tempo: "E ela lembrava-se que faz coisas"), é extremamente negativista. O livro está escrito de tal forma que é quase impossível identificar-mo-nos com as vítimas ou sequer ter pena delas, pois a forma como tudo está contado parece indiferente, quase como "as coisas más são assim e nada se pode fazer"
Enfim, talvez a minha expectativa para o livro fosse diferente, mas não sei se o aconselharia.
By : ladyxzeus
xxxHOLiC
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xxxHOLiC
Mizushima Tsutomu - Production I.G.
Anime - 24 Episódios + 13 Episódios + 1 Filme + 2 OVA + 2 OVA
2006
5 em 10
Lembro-me quando há muito muito tempo, quando começou a aparecer manga em Francês por aí à venda, este me fascinava completamente, pelo título. "xxx deve ser uma coisa pornográfica, um hentai ou algo que o valha". Mas não. Eu ainda não sabia que as CLAMP existiam e que a missão delas é dar nomes aleatórios às coisas. Enfim, de uma forma ou de outra tinha sempre deixado este anime para trás. Finalmente vi-o. A minha expectativa era elevadíssima e foi frustrada.
De natureza semi-episódica, este anime trata de um tema que tantos outros já trataram, antes e depois dele: aventuras com o sobrenatural do folclore Japonês. Watanuki é um jovenzito, sem ligações terrenas fora uma paixoneta na escola, que tem um desejo: deixar de ter de aturar as criaturas estranhas que vê por todo o lado, fantasmas, espíritos, youkai, e outros bicharocos do género. Quando é puxado para dentro de uma casa misteriosa, a sua dona - Yuuko - diz-lhe que se trabalhar para ela (a cozinhar e isso) poderá concretizar esse desejo. E assim começam as aventuras diária de Watanuki e os seus parceiros no mundo da bicharada mística. Cada história por si só não é nada que não se tenha já visto. Em termos de originalidade, não há muito.
Agora, este anime poderia ganhar todas as taças se, com este tema, tivesse um estilo de arte e animação a condizer. E, aqui, é caso para dizer: o manga deve ser muito melhor. O design dos personagens é muitas vezes apelidado de "noodle". E é verdade. Compridos e moles como um tagliatelle aldente. Isto em manga, em que está tudo parado, deve funcionar lindamente. Em anime, é de bradar aos céus, com as dores decorrentes dos olhos partidos em pedaços manejáveis. Há um esforço por tornar as coisas interessantes, com efeitos visuais e padrões, mas é tudo tão pouco detalhado que simplesmente não capta o interesse. Em termos de roupas, objecto de adoração característico das autoras, só Yuuko parece variar nos modelitos. E ainda assim são tão pouco mostrados, têm tão pouco pormenor, que passam ao lado e não têm o efeito pretendido. No filme e nos OVAs a animação está bem melhor, mas isso não pode salvar a classificação geral.
Musicalmente, se no parênquima temos pouco ou nada, nas OPs e EDs temos valiosas músicas, muito estilosas, com um certo beat irónico que nos prepara para a aventura de mistério que vem aí. Saquei-as quase todas, pois fiquei very in love com o seu estilo.
Fiquei curiosa em ler o manga, mas o anime não é para repetir.
By : ladyxzeus
How to Train Your Dragon
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How to Train Your Dragon
Dean DeBlois e Chris Sanders - Dreamworks
Animação - Filme
2010
6 em 10
Dean DeBlois e Chris Sanders - Dreamworks
Animação - Filme
2010
6 em 10
Qual o melhor filme para se ver à uma e meia da manhã? Que tal uns dragonitos?
Hiccup é um viking muito mal adaptado à sua realidade. Pois tal como outras aldeias têm pragas de gafanhotos, eles têm uma praga de dragões. E Hiccup é tão mal jeitoso com o seu machado que não consegue ter sucesso no que respeita a matá-los.
Até ao dia em que ele encontra um dragão, de raça periculosamente rara, e se torna amigo dele, chegando ao ponto de lhe arranjar uma prótese para uma asa que perdeu numa batalha e andar em cima dele. Este dragão, Toothless, assemelha-se muito - coincidência ou não - a um gatinho preto abandonado.
A história é divertida, uma história de respeito e amor pelo próximo, uma história de amizade pelos animais. No fundo, é o conto de um miúdo que encontra um bicho abandonado e, contra todas as expectativas, toma conta dele, sendo recompensado com respeito e carinho. Também nos dá a lição de que nem tudo é o que parece e que às vezes tudo aquilo que sabemos sobre algo pode estar completamente errado: temos de dar sempre oportunidade para as coisas se demonstrarem como elas são, em vez de partirmos logo para a destruição.
No entanto, achei que a narrativa - que não tem muito conteúdo - se desenvolveu demasiado rápido. Por exemplo, a aproximação ao dragão, criatura desconfiada, foi quase imediata. Daí a voarem foi um instante. Também a aceitação por parte da rapariga, Astrid, não correspondeu às expectativas de uma realidade.
Em termos de animação temos muitas coisas boas, com uso a técnicas difíceis e alguns cenários extremamente bonitos. As coreografias não são confusas, embora o dragão grande seja tão grande que acabou por ser um pouco difícil aperceber-me da sua anatomia. Em termos de cores e de texturas, temos escamas muito fofinhas e talvez barbas demasiado leves, mas de resto não tenho nada a apontar. No geral, o efeito está muito bem concebido, com resultados bastante agradáveis à vista.
Uma coisa que falhou, sem dúvida, foi a música. A banda sonora não tem muito por onde pegar, sem temas memoráveis. A música final é simpática, mas para o teor do filme estava à espera de uma coisa diferente, talvez mais instrumental.
Agora terei de ver o segundo. Parece-me um excelente filme para mostrar a miudagem. :)
By : ladyxzeus