Archive for terça-feira, julho 05
Super Lovers
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Super Lovers
Ishihira Shinji - Studio Deen
Anime - 10 Episódios
2016
5 em 10
Com este anime termino a season de Primavera. Comecei a vê-lo porque há bastante tempo que não pegava num BoysLove e experimentava um certo tipo de saudade em relação ao género. Mas este anime trouxe-me uma certa revelação, que talvez esteja relacionada com o ascender de minha provecta idade. Parece-me que, infelizmente, este tipo de BL me faz uma certa confusão.
Mas o que deveria eu esperar de um anime chamado "Super Lovers" com um puto e um adulto abraçados na imagem promocional? Repare-se que eu antes até achava piada a isto. Era romântico e fofo e tal. Mas agora estou a ter dificuldade em ultrapassar este tipo de mecanismo narrativo.
Processa-se assim: um gajo todo bom vai ao Canadá e descobre que a sua jovem mãe adoptou um puto todo bom. Depois eles crescem mais um pouco e desenvolve-se uma relação de amor fraternal que excede as necessidades entre-irmãos. Ao início, até era um anime simpático: como conquistar a amizade de um miúdo que só fala com cães e, progressivamente, entrar no seu mundinho. Mas a partir do momento em que a narrativa se passa no Japão, tudo começa a tomar proporções muito estranhas.
Poderia ter sido um anime que explorasse a descoberta da sexualidade do eu adolescente, mas a caracterização dos personagens não o permite. Para começar, são fixas dentro das suas personalidades, acabando por entrar de rompante por dentro do estereótipo "seme" e "uke", o que já se vem tornando aborrecido. Mesmo dentro disto, os personagens têm atitudes erráticas: por vezes demasiado infantis, outras demasiado adultos, nunca um meio termo. A relação em si é estranha porque, apesar de serem irmãos adoptados, há sempre uma aura incestuosa vagando por cima de nós. Existe mais uma série de outros personagens, mas que não contribuem em nada para a narrativa e que não sofrem qualquer tipo de caracterização ou desenvolvimento.
A arte é básica, muito típica do género, sendo que o design dos personagens peca pela falta de originalidade e realismo. Não temos grandes cenas de animação e o aspecto mais interessante acaba por ser o design dos canídeos que populam o anime em maior ou menor quantidade.
Musicalmente, temos uma sonoridade repetitiva, com OP e ED pouco inspiradas e o resto da banda sonora muito pouco memorável.
Para mim, uma experiência que teve o seu valor, pois revelou que estou velha para isto.
By : ladyxzeus
Sailor Moon: Crystal Season III
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Sailor Moon: Crystal Season III
Kon Chiaki - Toei Animation
Anime - 13 Episódios
2016
10 em 10
Como referido anteriormente, Sailor Moon é uma paixão que venho alimentando por muitos anos. Assim, afirmo desde já que esta classificação máxima (o 10 em 10) é uma mentira puramente subjectiva. Passarei a explicar no comentário que se segue a minha real opinião sobre este anime que, embora tenha adorado com todo o meu coração, ainda contém algumas falhas que poderão ser colmatadas no futuro (e que espero que sejam)
Esta "Season III" mostra-nos a secção da história relativa ao aparecimento das Outer Sailors e da Super Sailor Moon. A história tem um toque de ficção científica muito característico desta série, que mistura a magia do amor com aspectos mais técnicos, fruto de uma imaginação prodigiosa. Claro que a narrativa tem as suas falhas, mas aprecio-a por ser típica da sua época e estonteante na sua concepção.
Assim, o que poderei comentar sobre este anime? Começo pelas personagens. Mais uma vez, estabelecemos a sua força enquanto lutadoras num contexto difícil de ultrapassar, em que as suas vitórias são conseguidas por um conjunto de ideais que deveriam ser incutidos no público alvo deste tipo de anime. As novas personagens são apaixonantes e cativantes, envoltas numa aura de mistério ao início mas progressivamente convencidas a juntarem-se na luta contra as forças maléficas. As relações entre as personagens são quase comoventes pelo facto de provarem que ainda existem valores neste universo.
De resto, observamos uma mudança radical no estilo escolhido para esta nova instância de Sailor Moon. Se nas primeiras duas seasons o traço único do manga foi mantido, desta feita escolheram dar um toque mais moderno. Acredito que isto tenha sido devido às críticas abismais dos fãs das séries originais, que não conseguiram aceitar as imagens clássicas do manga adaptadas e a cores. Este novo estilo acaba por funcionar bastante bem e ser um pouco refrescante, apesar de tudo. Espero que todas as pessoas que reclamaram se sintam bem felizes agora :)
A animação tem bastantes erros, o que é uma situação um pouco infeliz, mas quando acerta... Acerta plenamente. Temos um conjunto de imagens que resultam extremamente belas. Ainda assim, foi um pouco aborrecido ver a reciclagem constante de animações, sobretudo no respeitante aos ataques (que, para mais, têm sequências um pouco estranhas e quase ridículas)
Finalmente, a música é um dos pontos fortes. Temos peças corais altamente intensas para os momentos de mais acção, enquanto que outras peças instrumentais estabelecem outros momentos, num efeito muito emocionante. Ao início demorei a habituar-me à nova OP, mas mais tarde admiti que era perfeita para o anime. Temos também 3 EDs, dedicadas a personagens diferentes, que são simplesmente apaixonantes e viciantes.
Um anime com muitas falhas, mas que não posso deixar de amar. <3
By : ladyxzeus
Lord Jim
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Lord Jim
Joseph Conrad
1900
Romance
Este livro apareceu num tópico do BookCrossing, numa lista de leitura recomendada para "quem deseja tornar-se uma pessoa melhor". Assim, quando o vi na Feira do Livro, decidi comprá-lo para poder fazer um Ring. :) No entanto, começo a arrepender-me, porque foi muito caro para o estado em que estava (a capa toda rasgada, que ainda tenho de fita-colar) e porque não correspondeu em nada à expectativa criada pela tal lista.
Para começar, encontramos um personagem que já conhecia de outra leitura: Marlow. Esta pessoa está a contar a um grupo de marinheiros a história de Jim. E a história de Jim começa num barco. Ora, eu não aprecio de todo histórias náuticas. Isto porque não percebo nada de barcos, não sei sequer qual é a proa e qual é a popa. Por isso, nunca consigo visualizar o que eles estão a fazer nos barcos. Este momento inicial prolonga-se por mais de metade da narrativa e muito pouco é revelado sobre o personagem de Jim. Apenas sabemos que ele tem uma coragem infinita, não tem medo de nada, mas apesar de tudo vacilou quando imaginou uma coisa e fugiu. Agora, tem medo que o achem cobarde.
Até aqui tudo bem, pode ser que eu aprenda a ser uma pessoa melhor quando Jim se instalar em terra. Jim instala-se numa aldeia indígena e torna-se uma espécie de líder não oficial desta. Mas continua sem haver nenhuma referência à fraternidade, amizade e felicidade que a lista nos propunha. Depois, corre tudo mal e acaba-se a história de Jim.
Enfim, é uma história longa contada por um personagem sem muito que fazer (e que gosta de contar histórias), em tudo semelhante ao já referido "Coração das Trevas". Acaba por tornar-se maçuda, repetitiva... Afinal, todas as pessoas que encontram Jim parecem extremamente surpresas pela sua candura, inocência e coragem imensa. Mas o personagem acaba por se reduzir a estes elementos e não me consegui conectar com ele.
Apesar de tudo, os meus amigos BookCrossianos poderão gostar deste livro. Assim, farei um ring para eles. :)
By : ladyxzeus
Belladonna of Sadness
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Belladonna of Sadness
Yamamoto Eiichi - Mushi Production
Anime - Filme
1973
8 em 10
O Qui encontrou uma lista de filmes de animação bizarros para vermos e eu fiquei muito motivada para começar por este. Trata-se de um filme do conjunto de três "Animerama", que - nos idos anos 70s - se propunha a provar que a animação pode ser considerada uma forma de arte e não é necessáriamente um objecto para a infância. Este conjunto de filmes foi liderado pelo mestre Osamu Tezuka, sendo este título o único que não foi escrito nem dirigido por este.
Livremente inspirado numa obra sobre bruxarias publicada no século XIX, o filme retrata o caminho de uma mulher que, amaldiçoada por uma beleza intensa, se vê por força das necessidades possuída por um estranho demónio de índole sexual. A cada momento nos parece que ela finalmente poderá ser feliz, apesar de ter o diabo dentro dela, mas as forças do mal impedem essa possibilidade em qualquer circunstância.
Com um certo toque de ironia, este filme apresenta-se como um manifesto feminista (como podemos ver em conclusão). Repare-se que, apesar do motriz sensual que está por trás da narrativa e das imagens propostas, a vítima - Jeanne - nunca é culpabilizada e todas as suas acções maléficas ou estranhas são motivadas pela sua possessão. Assim, quem aparece como terrível não é o demónio, muito menos ela, mas as pessoas que a perseguem e maltratam tendo em vista a sua purificação. Repare-se também que as acções "más" são, em todo o caso, uma coisa boa: curar a doença, mostrar coisas agradáveis, promover uma felicidade geral em orgias bebélicas.
O filme roça a genialidade pelo poder da sua animação. Consideremos que foi produzido em 1973! Não havia computadores para fazer estas coisas e tudo isto fica bem demonstrado pelas sequências que nos aparecem. É um filme violento: mostra-nos coisas feias, terríveis, tal como elas devem ser. No entanto, consegue atingir uma carga de erotismo quase poética, que faz torcer o coração. Não se pode dizer que as imagens se mexam muito. No entanto, há tanta expressão dentro delas que há lugar para que possamos imaginar tudo isto.
Outro aspecto maravilhoso é a banda sonora. Se ao início temos alguns momentos pop que quase podem ser foleiros, rapidamente a música evolui, sempre constante, para um jazz experimental muito ácido que se coaduna na perfeição com as cenas que estão a ser mostradas, para além de funcionar perfeitamente enquanto peça por si só.
Foi um anime que me tocou e que me fez pensar em como a animação vem evoluindo numa direcção errática desde esta época. Parece que nesta altura ainda se preocupavam em fazer beleza com as imagens. Recomendo vivamente!
By : ladyxzeus