Archive for sexta-feira, abril 15

  • O Gato e o Rato

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    O Gato e o Rato
    Günter Grass
    1997
    Romance
    Não é meu costume ler livros do mesmo autor tão pegados, mas aconteceu. Recebi este livro por mero acaso na troca de prendas do nosso Jantar de Natal habitual, sendo que a pessoa que o escolheu (o Chico) me disse que queria muito que me calhasse a mim... Eu já o tinha lido há alguns anos, mas disse logo que o leria de novo!

    Foi engraçado porque me lembrava perfeitamente dos primeiros capítulos, embora já não estivesse tão certa da minha memória a partir do segundo terço do livro.
     
    Este é um livro sobre a adolescência no durante e pós-guerra, sendo o personagem focal um rapaz que - na sua estranheza - remete o narrador para um fascínio especial. É um rapaz feio e aparentemente sem qualidades mas que, perante os outros rapazes do grupo, exerce uma influência notável devido à sua capacidade de mergulhar junto de um navio afundado e trazer coisas ao de cima.
     
    O livro acaba, então, através deste personagem, por caracterizar um pouco o que era a vida na Alemanha - para um grupo de jovens - nesta época. Pelas ambições, desejos e vontades deste rapaz, apesar dos seus estranhos hábitos, conseguimos perceber um pouco sobre todas as pessoas que coabitavam com ele e com o autor.
     
    É um ambiente marcado pela guerra, mas não de uma forma altamente negativa ou trágica: a guerra é um elemento que está presente, mas que não influencia grande coisa na vida destas pessoas. O maior acontecimento que pode haver é haver um navio afundado que permite novas descobertas. E é curioso ver isto, já que os livros que tratam do tema normalmente referem sempre grandes fomes e mortes diversas.
     
    Para mais, é uma excelente peça de literatura.
     
    Como já o tenho, vou colocá-lo a circular. :)

  • Cinema Paradiso

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    Cinema Paradiso
    Giuseppe Tornatore
    1988
    Filme
    7 em 10

    Há muitos anos (mesmo imensos), o Stepfather ofereceu-me o DVD de um dos filmes preferidos dele. Mal sabia que eu raramente vejo filmes com pessoas por mim própria. Assim, o DVD ficou a apanhar pó estes anos todos e nunca tinha visto o filme. No entanto, a semana passada, o Qui sugere-me vê-lo! E, assim, acabei por cumprir o pedido com tantos anos de idade :)

    Este é um filme sobre amar o cinema. Numa pequena vila italiana, um rapazinho (Toto) tem uma paixão pelo cinema. Assim, acaba por se tornar amigo do projeccionista, que lhe conta histórias sobre o cinema e sobre o seu pai, que desapareceu na guerra. Graças a esta amizade, o pequeno Toto ganha um amor inusitado sobre filmes e todo o ambiente que os rodeia, acabando por habitar este cinema tão popular entre as gentes da aldeia: Cinema Paradiso.

    O filme pode ser dividido em três partes, correspondentes às fases da vida deste rapaz. Na primeira parte, devo dizer que não gostei da actuação infantil (apesar de ser muito aclamada): achei que o miúdo era demasiado infantil para a idade que tinha. Na segunda parte, vemos o rapaz adolescente e o primeiro amor, que eventualmente não corre pelo melhor. Finalmente, vemos a derradeira parte. Em cada uma delas, o mais interessante é ver a evolução do cinema, do tipo de fita ao conteúdo dos filmes que passam.

    De resto, as outras personagens são a parte mais interessante do filme. Temos um conjunto muito colorido de pessoas que ilustram perfeitamente o que é viver numa pequena aldeia italiana nos anos 50, sempre com muito humor e candura. Os diálogos são muito complexos e por vezes emocionantes. E, na parte final, é realmente triste ver como todos mudaram, assim como o cinema.

    Em termos visuais, o filme tem algumas paisagens bastante características, sendo sobretudo patente o resultado da passagem do tempo. A banda sonora é um pouco repetitiva, embora a peça original seja interessante.

    Enfim, um excelente filme para um serão com a família! Vou sugerir que o vejamos na Véspera de Natal do próximo ano :)

  • Sono

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    Sono
    Haruki Murakami
    1990
    Novela

    No passado Natal de 2015 uns primos ofereceram-me um livro de Murakami... Que já me tinham oferecido antes! Hehehe. Então, fui trocá-lo por outro do mesmo autor. Este era único que ainda não tinha lido e, confesso, estava bastante curiosa com ele (porque a capa é bonita, eu sou assim...)

    Trata-se de uma novela, um conto longo (cerca de 80 páginas) que, fazendo uso do realismo mágico ao qual o autor nos vem habituando, conta a história de uma mulher que não dorme há 17 dias. A história, narrada pela própria, mostra-nos um pouco da sua vida diária, que se processa sempre da mesma maneira, dia após dia, até ao momento em que, após um pesadelo com água à mistura, ela deixa de conseguir dormir.

    Mas estabelece desde logo que não se trata de uma insónia: ela encontra-se perfeitamente bem de saúde, apenas não dorme. O que faz nesse novo tempo que lhe resta é o mote para a história, passando então a relatar-nos a sua nova vida diária e as consequências que isso tem na sua vivência familiar que, aparentemente imutável, lhe traz novos sentimentos de indiferença em relação ao marido e ao filho.

    É um livro curioso, com ilustrações bastante vívidas (embora um pouco desconexas, talvez pela mistura violenta entre o azul e prateado), que se suporta muito em vários simbolismos que nunca são revelados e que acaba por nos mostrar um pouco da vida de uma pessoa que nunca chegamos realmente a conhecer.

    No entanto, mais uma vez, irrita-me a forma de escrever do autor, nomeadamente o uso e abuso extremo da expressão "acto contínuo", que é repetida ad nauseum por todos os seus livros. Também achei que o final poderia ter sido melhor trabalhado, como também tem sido a minha opinião em relação às outras histórias de Murakami que tenho lido.

    Ainda assim, é uma leitura simples e bastante rápida, que dá para entreter um pouco.

  • Ghost World

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    Ghost World
    Daniel Clowes
    2000
    Banda Desenhada

    Volume que me foi oferecido pelo meu Qui pelo Natal de 2015. :)

    Como sabem, não estou muito habituada a ler banda desenhada, sem ser manga e alguma BD nacional. Assim, este livro foi uma boa experiência introdutória.

    Ghost World conta a história de duas amigas vagando pelo mundo da sua adolescência, metendo-se com os outros, pegando partidas e, no fundo, esforçando-se por se encontrarem na sua identidade. As personagens estão muito bem estabelecidas, na sua personalidade e na sua evolução que levará, em consequência, ao seu afastamento. É na força destas personagens que o leitor encontra o fio narrativo, que se alinha na direcção dos acontecimentos que as duas raparigas provocam nos outros e em si mesmas.

    O mais espantoso deste livro é a linguagem utilizada. Na contra-capa há uma referência que gostei: "uma espécie de Catcher in the Rye para uma nova geração". Foi exactamente isso o que senti: este livro é escrito por jovens e para jovens, numa linguagem que apenas eles compreendem. Por isso o livro será acessível para alguns (os desta geração) mas estranho para outros. Isto acaba por se reflectir nas atitudes descompassadas das personagens, o que acaba por tornar a leitura muito interessante.

    Também gostaria de fazer uma nota para a arte, pois é de certa maneira bastante original. Os tons de branco e verdes, apesar de muito simples, dão um toque de cor que fica na nossa imaginação. Para além disso, gostei do facto de as personagens serem todas bastante "feias", perante os parâmetros a que estamos habituados, o que as torna muito realistas.

    Foi uma leitura interessante e que me deixa curiosa para ler mais comics em Inglês.

  • A Salvação de Wang-Fo e Outros Contos Orientais

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    A Salvação de Wang-Fo e Outros Contos Orientais
    Marguerite Yourcenar
    1938
    Contos

    Este livrinho foi adquirido juntamente com A Ratazana. Posso dizer que gostei imenso dele!

    Li os meus primeiros livros de Marguerite Yourcenar muito miúda e, por isso, talvez não tenha tido a capacidade de os apreciar devidamente. Assim, não tinha muitas expectativas em relação a este minúsculo volume de contos. Foi uma surpresa muito agradável e deu-me muita vontade de ler mais e mais livros desta autora!

    Tratam-se de dez contos com um tema em comum: o oriente. Mas, para a autora, o oriente é um espaço que compreende muitos locais, desde a Ásia propriamente dita, China, Japão, Índia, incluindo países como a Grécia e a Turquia. Assim, cada conto é muito diferente do anterior. A autora faz, então, uma recolha de alguns mitos e lendas tradicionais, também se inspirando em magnas obras da literatura desses países (como "O Romance de Genji", um maravilhoso livro) para criar as suas próprias histórias.

    São violentas e estranhas, remetendo-nos para um universo passado que envolve mortes trágicas e figuras femininas misteriosas e fortes. No entanto, o final de cada conto é sempre diferente do que esperamos e, assim, cada história é uma surpresa.

    A minha preferida foi mesmo a primeira, "A Salvação de Wang-Fo", porque está escrita de forma muito bela e o final é comovente e quase romântico. Mas o facto de estar bem escrito não se limita a este conto, sendo que todos os outros estão elaborados com uma mestria rara e, talvez, perdida.

    Recomendo vivamente este pequenino como introdução à obra da autora. Tanto, que o partilharei :)
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