Archive for domingo, julho 31

  • Kachou Ouji

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    Kachou Ouji
    Kikushi Yasuhito - AIC
    Anime - 13 Episódios
    1999
    6 em 10

    Tanaka Oji tem uma vida triste. Todos os dias vai trabalhar. Tem uma mulher e um filho pequeno. O que ninguém sabe é que num passado remoto ele era o guitarrista de uma banda de rock! E a verdade é que Oji tem saudades disso... Quando uma nova colega de escritório lhe diz que precisa dele para tocar guitarra num grande palco, não hesita em aceitar! Mal sabe ele que a sua música é o que activa uma arma super poderosa intergaláctica, que poderá definir o rumo de uma guerra espacial que poderá mesmo vir a destruir o planeta Terra!

    Este é um anime simpático, sem grandes pretensões, que nos mostra um personagem a crescer e a perceber cada vez mais sobre si próprio e sobre que rumo quer dar à sua vida. É também um anime cheio de momentos engraçados, em que o personagem não consegue coadunar a sua vida secreta de rocker galáctico com a sua vida familiar. É um anime interessante devido a estes momentos e baseia-se, então, sobretudo na sua personagem. Foi um prazer vê-lo a crescer e a tomar um novo rumo para a sua vida baseado nas coisas que realmente deseja e que teve de abandonar para se inserir na sociedade que o esperava. 

    No entanto, talvez tudo isto tivesse feito mais sentido se não houvesse o elemento da ficção científica.

    A arte não é especialmente boa, se bem que fizeram um trabalho interessante no design dos personagens, que não são especialmente bonitos, mas também não são especialmente feios. São pessoas normais com vidas normais, o que adiciona toda uma nova perspectiva a estas situações. A animação digital é arcaica e pareceu-me desnecessária. No entanto, existem algumas cenas mais experimentais, sobretudo nos momentos musicais, em que há uma mistura de traços e cores muito curiosa, que dá um efeito quase psicadélico a estes "concertos"

    Musicalmente, temos uma banda sonora muito interessante, baseada sobretudo em tonalidades de guitarra. Esta é usada com mestria, dando todo um ambiente melancólico ao anime, conjugado com a paleta de cores um pouco escura. A música do tema acaba por se tornar um pouco repetitiva, apesar de ser deliciosa.

    Um anime que me deu gosto ver e que poderia recomendar a pessoas que busquem animes sobre música.


  • Um Peixe Chamado Wanda

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    Um Peixe Chamado Wanda
    Charles Crichton
    1988
    Filme
    7 em 10

    De regresso a casa, vamos ver um filme. Debati muito com o Qui que filme haveríamos de ver e lembrei-me que tinhamos este para ver há que séculos. Então lá foi ele. :)

    Escrito e interpretado por alguns Monty Python, este filme é uma viagem por um universo cómico, cheio de detalhes sem sentido, mas que dentro do conjunto acabam por fazer uma película deliciosa. 

    Um grupo de ladrões assalta um banco para roubar valiosas jóias. Mas entre eles, em quem se pode confiar? Cada um por si e todos apaixonados por uma única figura: Wanda. Esta, é uma personagem que interpreta uma série de pessoas diferentes, conforme a sua conveniência. A narrativa é rápida, sendo que as pistas para o mistério estão sempre a mudar de sítio e necessitamos de muita atenção para conseguir perceber em que ponto estamos. Tudo isto numa sucessão de situações inusitadas que são tão bizarras como lógicas e nos levam ao riso fácil, mas inteligente.

    Este filme não seria possível sem um conjunto de interpretações brilhantes, com destaque para Jamie Lee Curtis, que faz um papel muito difícil em que a personagem se está sempre a transformar de forma a nunca sabermos quem ela é realmente.

    À medida que a narrativa vai evoluindo, assistimos também a um crescimento constante dos personagens, que se vão libertando das suas vidas habituais perante uma causa maior, seja ela o dinheiro ou o amor. Também é uma crítica brutal a todo o sistema social inglês, perante a liberdade americana (que, apesar de tudo, não é assim tão boa como se poderia pensar). Há uma desconstrução de estereótipos de forma a conseguirmos compreender cada vez mais sobre estas pessoas, tornando-as indivíduos complexos e cheios de personalidade.

    Um filme de que gostei muito!

  • FUPO 2016

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    FUPO - Feitos Um Para o Outro 2016
    Evento/Meet

    Quando foi anunciado que iria, após tantos anos (seis? Mais?) haver um novo FUPO, fui logo ver o meu horário do mês para saber se poderia ir. É que, sabem, o FUPO é um evento especial para mim. Foi com muita pena que o vi acabar na época. Porque... Foi o meu primeiro evento, onde levei o meu primeiro cosplay :)

    O local seria o mesmo desse evento fatídico em que entrei no universo cosplaico: a Fábrica da Pólvora, em Oeiras. Pedi à minha mãe que me desse boleia, ela que tinha acabado de chegar de uma viagem transatlântica. E lá fomos nós! Evidentemente que nos perdemos. E, perdendo-nos, demos voltas e voltas, sempre seguindo plaquinhas que, progressivamente, iam desaparecendo. Encontrámos coisas bizarras, como uma estátua que tinha caído e zonas de moradias totalmente isoladas do mundo. E quando vimos "Parque Fábrica da Pólvora", achámos aquilo tudo muito estranho. Porque o que vimos foi...





    Não era nada assim que eu me lembrava do sítio! Mas, considerando que a estrada em frente não dava para lugar nenhum, decidi descer por aquela estradinha e procurar as pessoas. Afinal, contando todos os cabelos coloridos que esperava, não deviam ser difíceis de encontrar! A minha mãe ficou ali à espera que eu lhe dissesse coordenadas, para o caso de precisar de voltar para trás. E lá fui eu, pela estrada fora!



    Continuei, pela estrada fora.


    Continuei pela estrada fora. Até que me deparei com isto.



    Do outro lado de uma ribanceira cheia de ervas e gafanhotos, estava um local que se parecia em tudo com o que eu recordava! Por aí tinha de ir! Sem ver nenhuma outra maneira de ir parar àquela estrada de salvação, decidi atirar-me da ribanceira abaixo. E lá fui eu, que nem uma pequena estrela do mar, a rebolar por ali abaixo, com cuidado para não sujar nem estragar os meus sapatinhos novos. Sobrevivi!

    Só depois vi que mesmo ao lado estava uma escada.



    Informei minha mãe que estava viva e tinha encontrado o local, e comecei a minha busca pelas pessoas oloridas. Felizmente encontrei logo a Leonor Grácias e o Samuel (Felix Works), que me disseram que estava a ir na direcção oposta à qual deveria seguir. Ao encontrar as pessoas, foi como se o mundo me caísse aos pés.

    Onde estava toda a glória dos FUPOs passados? A multidão que se reunia em amena cavaqueira e beberragem de copos, saltos e folias contundentes, o apoderamento do espaço público em nome do maior bem do cosplay? Bem, não sei onde foi parar a multidão. Mas podemos dizer que estavam "poucos mas bons" :)

    Encontrei alguns amigos que me levaram à parte de dentro da Fábrica da Pólvora, onde me deparei com esta situação:




    Ritual demoníaco? ATL de crianças? Ninguém o saberá.

    Procedemos a ir para a zona do parque infantil, onde iria decorrer um quiz. Não me inscrevi porque, na verdade, apesar de ter visto tantos animes, não sou muito boa com quizzes. Nunca me lembro das respostas para as coisas! Na verdade, na maior parte das vezes nem sequer me lembro se já vi os animes ou não. :( Mas foi muito engraçado assistir ao quiz, que estava misturado com um "jogo do lenço", porque afinal até sabia a resposta para bastantes coisas. :) E é sempre engraçado ver choques frontais entre as pessoas que correm uma contra a outra na direcção do lenço! =D

    Aproveitei para tirar algumas fotos, que se seguem. Desta vez não tive coragem de pedir aos poucos colspayres uma foto, considerando que a minha máquina compacta é tão pouco impressionante, mas tentei apanhar toda a gente nesta visão geral. :)







    Terminando o quizz, vimos que mais pessoas chegaram. Ainda assim, não as suficientes para que os concursos planeados se pudessem concretizar. No meu segundo FUPO ganhei um deles, como "Cosplayer Modelo", com o meu cosplau de Kana Alberona, e este ano esperava ver também uma série de sukitos improvisados, sem música e sem microfone, apenas para um grupo de pessoas ruidosas. Como entretanto me fui embora, não se na realidade ocorreu. Espero que sim! Espero mesmo que sim! :)



    Relativamente aos concursos de fotografia, também gostaria de ter participado, se tivesse tido um sujeito para fotografar (apesar de as minhas capacidades fotográficas serem bastante infelizes). Deixo apenas uma sugestão para o futuro: sugiro que deixem que seja tanto o cosplayer como o fotógrafo a enviar a fotografia para participação. Afinal, o trabalho é dos dois e ambos merecem o eventual prémio! =D

    Depois o pessoal deu-me boleia para a estação dos comboios (e fiquei presa nela quando cheguei ao destino, mas isso é outra aventura!). Obrigada! <3

    Em resumo, fiquei um pouco triste com este evento ou meet, que costumava ser tão populoso nos seus tempos áureos, e no qual conheci tanta gente e tanto me diverti. Embora a minha primeira experiência de cosplay tenha sido um pouco perturbadora, lol. Um dia vos conto. Não sei o que se terá passado. Falta de publicidade? Na altura não era precisa. O local, isolado e longe dos transportes? Na altura não fazia diferença.

    Se calhar fomos nós que mudámos. Se calhar crescemos todos. Ainda assim, espero que para o ano volte a haver FUPO e que, dessa vez, volte a ter o brilho que tinha quando conheci o mundo do cosplay :)


  • Zankyou no Terror

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    Zankyou no Terror
    Watanabe Shinichiro - MAPPA
    Anime - 11 Episódios
    2014
    5 em 10

    Nestes tempos modernos aparecem animes sobre muitas coisas. Neste caso, quando vi que seria um anime sobre terrorismo, até fiquei mais ou menos entusiasmada, já que é um assunto tão profundamente actual e que nos tem vindo a afectar a todos. Mas, logo depois dos primeiros cinco minutos do primeiro episódio, percebi que isto era muita parra e pouca uva.

    Este anime sobre terrorismo transforma-se muito rapidamente num drama adolescente sem qualquer tipo de sentido. A narrativa é aborrecida e previsível, oferecendo-se como um "anime para pessoas muito inteligentes", que na verdade não passam de crianças crescidas. Este tipo de conceito tira-me do sério! Os personagens são irritantes, sobretudo no respeitante às vozes, e nada do que eles fazem pode ser levado a sério devido a este elemento.

    A arte é apenas capaz, considerando que este anime saiu apenas há dois anos. A integração digital é mediana, assim como os cenários. Existem algumas cenas feitas em outras cores só para nos baralhar, mas tendo em conta a forma da narrativa isto acaba por se tornar repetitivo e aborrecido.

    A música também tenta uma hipsterização do anime, forçando-se a ser algo que não é, de todo.

    O conceito era bom. A execução... Terrível.

  • V de Vingança

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    V de Vingança
    Alan Moore e David Lloyd
    1988
    Banda Desenhada

    Este foi o primeiro volume da já referida colecção da Levoir com o jornal Público. Li-o a seguir ao anterior, porque foi por essa ordem que os comprei, lol

    V for Vendetta é um título de muitos conhecido, sobretudo depois da banalização das máscaras de guy fawkes pela comunidade nerd que gostaria de se revoltar contra alguma coisa. De tal forma banalizada que chamam as máscaras de "anonymous", quando não tem (nem nunca teve) nada a ver com isso. Já conhecia mais ou menos a história porque havia visto o filme na altura em que saiu. Ainda assim, a novela gráfica original foi uma surpresa para mim.

    Numa previsão muito pessimista do futuro (que, curiosamente, se veio a concretizar dentro da sua época), o Reino Unido está isolado do resto do mundo e subjugado por um sistema opressivo que tudo e todos controla. No entanto, há uma figura subversiva no meio disto, que procura ensinar à população, a passo e passo, o verdadeiro significado de ser livre, procurando instaurar uma anarquia de verdadeiros significados através do desmantelamento agressivo e progressivo do sistema.

    Este conceito é, sem dúvida, muito original e quase aterrorizante, apesar de inspirador ao ponto de na vida real a "máscara" se tornar um símbolo da luta pela liberdade. A narrativa está plena de debates significativos sobre estes conceitos e também de mecanismos que permitem aos personagens uma evolução constante e relevante tanto para o contexto como para si próprios. São personagens muito cativantes, que evoluem pela necessidade de aprender como se libertarem do sistema e serem, simplesmente, eles próprios enquanto indivíduos.

    Infelizmente, não apreciei muito o campo artístico. Achei os designs um pouco confusos, sobretudo todas as vezes que mudava o foco de luz (e, por isso, mudavam as cores das pessoas), sendo que por vezes era difícil distinguir quem era quem. Também achei que poderia ter havido um pouco de mais detalhe no respeitante aos edifícios. No entanto, o design de V foi de puro génio, sendo que se encontrou aqui um símbolo que até ao momento continua cheio de sentido.

    Foi uma leitura fascinante e, agora, quase tenho vontade de rever o filme. :)
  • Terra de Sonhos

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    Terra de Sonhos
    Jiro Taniguchi
    Manga - 5 Capítulos/1 Volume
    1991
    7 em 10

    A editora Levoir lança uma nova colecção de banda desenhada essencial em parceria com o jornal Público. Consegui obter uma lista da colecção e seleccionei alguns títulos, que reservei na papelaria para comprar. Este é o segundo volume da colecção, mas acabei por o ler primeiro.

    Originalmente publicado sob o título "Inu wo Kau" ("Ter um cão"), é um livro que marca um ponto de viragem na obra do autor. Infelizmente, não conheço ainda outros trabalhos deste, mas apesar disso este volume foi uma boa introdução.

    É um manga com cinco histórias distintas, todas elas envolvendo, de alguma forma, um animal. Nas primeiras quatro seguimos o mesmo casal, que aparenta ser um reflexo do próprio autor, sendo que na última temos um personagem distinto. Primeiramente, conta-nos a história (real, ao que parece) da morte de um cão muito velho, que vai perdendo progressivamente as forças. É uma história bonita de dedicação e companheirismo, com a qual muitos de nós, que tivémos animais, se podem relacionar. Depois, conta-nos a história da adopção de uma gata e do parto dos seus bebés. E de seguida, há a visita de uma sobrinha, que tem alguns problemas que irá resolver durante a estadia. Finalmente, uma história completamente diferente sobre a paixão pelo montanhismo, em que um homem neste exercício se perde na montanha e é ajudado por uma deusa.

    São histórias simples, narradas solidamente, que exploram a relação das pessoas com os seus animais e a forma como estes podem ajudar em diversas situações da vida. Para mim, o ponto forte foi a arte, que é por demais detalhada, sobretudo todos os cenários relativos à montanha. Daí ter dado esta classificação mais que suficiente.

    Não apreciei alguns detalhes relativos a atitudes médico veterinárias, que me pareceram incorrectos, mas talvez no Japão façam as coisas de maneira diferente. A tradução também ficou um pouco a desejar, mas suponho que o hábito de ler tudo em inglês e francês não me ajude nesse campo.

    De qualquer forma, uma boa maneira de conhecer um autor de referência. Agora, procurarei a outra edição da Levoir, da colecção do ano passado, pois esse gostaria mesmo de ler. :)

  • Os Anagramas de Varsóvia

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    Os Anagramas de Varsóvia
    Richard Zimler
    2015
    Romance

    Ganhei este livro na segunda volta de uma BookBox do BookCrossing em que participei :) Escolhi-o porque já havia lido o autor e gostado muito da sua escrita. No entanto, este livro acabou por me desapontar um bocadinho.

    Um médico judeu na Polónia muda-se para a casa da sua sobrinha e sobrinho-neto no gueto de Varsóvia. Apesar dos sacrifícios inerentes ao local, tudo parece estar a correr mais ou menos bem e a vida pode começar a ser um pouco normal. Mas, quando Adam, o sobrinho-neto, é encontrado morto em cima do arame farpado do muro que divide este universo do exterior, o velho médico decide, juntamente com o seu melhor amigo, proceder a uma investigação para se poder vingar do assassino.

    Percorrendo este ambiente negro, frio e invernoso, deparamo-nos com um mistério bem pensado e motivado por sentimentos fortes. O personagem principal está muito bem construído, na medida em que tem de ceder à sua idade. A trama desenvolve-se progressivamente, sendo que a cada momento vão-se descobrindo cada vez mais coisas que nos ajudarão a encontrar os verdadeiros culpados.

    Para além disso, o livro faz um retrato suficiente do ambiente do gueto e, posteriormente, daquele de um campo de trabalho nazi. Mas esta caracterização acaba por ficar um pouco estranha devido a todas as referências a livros, música e cinema, que não parecem adequados à época.

    Também não gostei do final, que retirou toda a credibilidade da história que nos veio a ser contada ao longo do livro. A situação dos anagramas é engraçada, mas acaba por ser um pouco forçada e ficamos sem saber se as coisas realmente se passaram, quer no reino da ficção quer no reino da realidade.

    Este livro estará disponível para quem o quiser ler. :)

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