Archive for quarta-feira, agosto 15
Bande À Part
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Bande À Part
Jean Luc Godard
Filme
1964
8 em 10
Filme representativo da Nouvelle Vague do cinema francês, foi também a minha estreia neste género. E é fantástico!
Com uma visão simples e bem disposta, vemos a aventura policial de três jovens que planeiam roubar uma grande soma de dinheiro numa casa. A forma como eles se interrelacionam e o seu diálogo, tanto o falado como o físico, tudo isso é como se estivessem num outro filme e que o que estamos a ver tivesse sido apanhado apenas por acaso.
Mas como apanhar uma sucessão de cenas e entender os sentimentos dos personagens apenas por acaso? É o fingimento da casualidade do olhar do autor o que fascina neste filme. A ausência de cor, mas a manipulação da sombra, o trabalho do actor em conjugação com a visão discreta.
Um filme excelente, engraçado, talvez um pouco simples mas completamente fascinante!
Fiquei cheia de vontade de ver mais do género!
By : ladyxzeus
Mudbound
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Mudbound
Dee Rees
2017
Filme
5 em 10
Um filme sobre aquela parte da história americana que tentamos esquecer: aquele lugar estranho entre a emancipação dos direitos civis e o final da escravatura.
Uma família muda-se para o campo, onde tem alguns terrenos alugados a famílias de negros. A relação entre duas famílias torna-se mais tensa aquando a chegada de seus filhos pródigos, que tinham ido para a Europa lutar na segunda guerra mundial. Porque, entre eles, não existe o racismo.
Pessoalmente, senti-me desapontada com o filme desde o início. A forma narrativa é aborrecida e datada, com diversos narradores que, no fundo, acabam por não ter nada que dizer que seja realmente importante para a história. Esta, é confusamente trágica, com um recurso à violência pouco claro e talvez precipitado.
Os actores apagam-se uns aos outros, pois as suas personagens têm pouco conte´do onde se agar5rar.
Mais uma produção Netflix: uma coisa boa, pois vemos que o cinema começa finalmente a chegar à produção do pequeno ecrã. Mas ainda terá de ser melhor trabalhado.
By : ladyxzeus
O Arquipélago da Insónia
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O Arquipélago da Insónia
António Lobo Antunes
2008
Romance
Mais um livro de António Lobo Antunes, desta feita o último da minha corrente lista. Parabéns eu, terminei a corrente lista de leitura! =D Agora começarei uma nova, com ajuda do Kobo.
Conforme havíamos discutido anteriormente, eu sinto que - ao longo do tempo - Lobo Antunes tem estado a escrever sempre a mesma história. Este livro não é excepção. O mesmo tipo narrativo, a mesma estrutura, os mesmos temas. Mas há uma diferença: desta feita o ambiente é rural.
O autor, que possivelmente nunca viu o ambiente rural, faz uma caracterização deste meio como uma fonte de ignorância, maus tratos e desprezo pelas coisas vivas, como o próprio autor despreza. Digo isto porque cada vez que planta ou animal aparece nos seus livros é para se fazer uma comparação bacoca aos cuidados de saúde humanos, utilizando o mau trato do animal enquanto elemento narrativo para provar um ponto que não tem qualquer relação com isso.
Temos uma infância e uma velhice misturadas, com uso de personagens que - vejo agora - têm sempre os mesmos nomes. Ou serão as mesmas pessoas?
Este é o vigésimo livro do autor e, volvidos dez anos, já deve ter escrito outros tantos. Mas penso que é o último que vou ler durante um longo, longo tempo.
By : ladyxzeus
City of Illusions
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City of Illusions
Ursula K. LeGuin
1967
Ficção Científica
Comprei este livro na Lourinhã, em jeito de homenagem ao recente falecimento da autora. Dela, só tinha lido as fantásticas histórias de Terramar, que muito me comoveram na altura, pelo que estava bastante ansiosa por saber o que viria desta "Cidade de Ilusões".
Esta história passa-se num planeta Terra longínquo, num futuro em que a humanidade já perdeu a sua capacidade de viajar pelo espaço e conhecer novos indivíduos e, agora, se reúne em pequennas tribos na floresta, atemorizados pela presença de umas estranhas entidades, os Shing Um homem misterioso é encontrado pelos habitantes da Terra e educado como um deles: havia perdido a memória e a sua própria identidade. Agora, irá viajar até à cidade dominada pelos Shing para poder recuperar o seu próprio eu.
Escrito de uma forma muito calma e ponderada, a autora demora o seu tempo a contar-nos a história de Falk e dos seus companheiros. Aproveita o caminho do personagem para nos mostrar esta versão da Terra, tão futurista que voltou às suas raízes orgânicas. Ficamos a conhecer os vários povos humanos que habitam estes locais e é explorado em detalhe algum folclore de cada uma das estruturas sociais.
Já o personagem em si recebe uma boa dose de desenvolvimento ao longo do livro, especialmente na parte final e que finalmente recupera a memória. Neste momento existe um confronto dentro do próprio eu que se torna muito interessante, sendo a resolução da história tanto lógica como emiocionante.
Fiquei muito contente com este livro e espero ter oportunidade de ler mais oras da autora.
By : ladyxzeus

