Archive for sexta-feira, abril 03

  • GaoGaiGar

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    GaoGaiGar
    Yonetani Yoshimoto - Sunrise
    Anime - 49 Episódios + 8 OVA
    1997
    5 em 10

    E o epítomo do shounen dos 90s encontra-se aqui. Uma série de super-robots recheada de acção, alienígenas bizarros, um leão robótico e uma data de robots gigantes

    A série toma um rumo de vilão da semana ao início, estabelecendo a história real a partir do meio. Existem vários mistérios por trás destes robots e das pessoas que os conduzem. Para mais, há super poderes místicos. Tem tudo para ser uma excelente série de sábado de manhã e se eu tivesse sete anos certamente que teria adorado. Mas ponham mais 20 em cima e a perspectiva acaba por ser um pouco diferente. Ainda assim, é tudo muito OTT e espectacularmente emocionante, o que se enquandra dentro do estilo da época e torna a viagem em fonte de diversão.

    Artisticamente, temos momentos menos bons intercalados com momentos um pouco melhores. No entanto, nunca aparece nada de espectacular em termos cénicos ou de moviementos. Há uma grande reciclagem de cenas, sobretudo as da montagem e desmontagem dos nossos robots, o que dá uma estrutura um pouco repetitiva a toda a série. Em termos de maquinaria, tudo é muito colorido, uma espécie de power rangers robóticos, e os inimigos são estranhamente tentaculados. Ainda assim não se pode dizer que tenha envelhecido muito mal.

    A banda sonora é bastante apropriada, se bem que muitas vezes anticlimática: em situações bastantes a música para para dar lugar a um silêncio seguido de explosão, que calha muito mal. Mas, individualmente, são peças indiscutivelmente interessantes, orquestrais. OP de tonalidade épica, como convém a um shounen dos 90s e ED pacífica.

    Sinto que não me teria feito falta ver esta série, mas já que aqui está, porque não?
  • Está Tudo Iluminado

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    Está Tudo Iluminado
    Jonathan Safran Foer
    2002
    Romance

    Recebido pelo BookCrossing, era um livro para o qual tinha expectativas completamente diferentes. Saindo frustradas, foi uma leitura aborrecida e irritante. Desde logo me irritou a cara do autor, hipster de Queens e claramente identificado com a sua identidade religiosa a ponto de não falar de outra coisa.

    É certo que é muito difícil falar da segunda guerra mundial sem se falar de judeus e vice-versa. No entanto, este conteúdo foi forçado a um nível de pura falta de lógica e de imaginação, numa espécie de troça respeitosa aos trâmites da religião. Isto teria sido divertido se a coisa fosse simplesmente mais organizada, se tivesse sido feita uma pesquisa da época mais cuidada e se, no meio disto tudo, tivéssemos personagens um bocadinho menos irritantes. Pelo menos ao ponto de não me apetecer enchê-los de estalos a cada frase, sobretudo depois de perceber que cada capítulo era escrito por um deles.

    Aqui, variamos de estilo, muito bem. Parte dos capítulos contam a história do avô judeu, na cidade de Trachimbrod, mas com uma falta de tacto e uma dose de fantasia tão grande que torna tudo simplesmente aborrecido e, muitas vezes, difícil de compreender. Mas não é uma dificuldade estilística: parece que a coisa se torna complexa e confusa pelo simples prazer de se fazer algo confuso ou mesmo, o mais provável, por o próprio autor estar a improvisar. A outra parte é narrada por um Ucraniano e é bem mais interessante. Para começar, está escrito de uma forma muito estranha (que acredito que seja muito mais engraçada no inglês original), que vai melhorando à medida que os capítulos decorrem, talvez pela interacção entre este personagem e o americano. Este personagem, Alex, é também desenvolvido de forma muito mais apelativa.

    Ainda assim, a relação entre os personagens "Avô" e "Augustine" acaba por ser inconclusiva, o que nos leva a perguntar o porquê de haver tantas referências à sua envolvência um com o outro (ou com pessoas conhecidas de ambos?)

    Gostei apenas de Sammy Davis, Junior, Junior, que acaba por ser a única personagem lógica no meio disto tudo.

    Um livro para esquecer.


  • Cobra: The Psycho-Gun

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    Cobra: The Psycho-Gun
    Terasawa Buichi - Magic Bus
    Anime OVA - 4 Episódios
    2008
    5 em 10

    Esta foi a minha primeira experiência com o franchise "Cobra".

    Cobra é uma espécie de Lupin do espaço, num ambiente pulp e muito punk, que mistura todo o tipo de elementos que caracterizaram toda uma era da cultura pop. Esta versão é um pouco mais moderna, mas mantém o mesmo estilo: agressividade, muito metal e mulheres sem calças.

    A história, apesar de bastante típica dentro deste estilo altamente masculinizada, acaba por ser um pouco infantil - considerando a agressividade dos eventos e dos personagens. O mesmo acontece com estes últimos, que apesar de terem raios laser nos braços e de estarem acompanhados por moças em cuecas de cabedal, acabam lutando contra um arqui-inimigo feito de vidro.

    Neste OVA, a animação está bastante terrível. Apesar de haver momentos cénicos com algum interesse, a utilização de CG era completamente desnecessária e apenas dá à animação um ar barato, pouco cuidado e muito rugoso.

    A música será a parte melhor, com OP e ED cantadas num estilo antiquado mas sempre muito apreciado e apropriado às origens deste género.

    Apesar de tudo, fiquei curiosa para com os Cobras mais antigos.
  • Tieta do Agreste

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    Tieta do Agreste
    Jorge Amado
    1977
    Romance

    Recebi este livro num RABCK do BookCrossing. Escolhi-o porque o Jorge é Amado e porque apenas me lembrava muito vagamente da novela (quase nada, eu nunca fui muito de ver televisão). Apresenta-se um livro à primeira vista difícil, com uma linguagem muito própria, mas que depois do choque inicial é deliciosamente divertido.

    Contado numa estrutura próxima ao do folhetim de revista, fala da história de Tieta que regressa a casa décadas depois de ter sido expulsa, agora rica e cheia de sucesso. O seu regresso provoca uma série de acontecimentos públicos, políticos e pessoais, aventuras sexuais desregradas e toda uma confusão que acaba por se resolver quando tudo é revelado: Tieta obteve o seu sucesso não por se casar conforme deus manda - com um  homem muito rico - mas por ser dona e gerente de um tal de "Refúgio dos Lordes" (cuja função poderão adivinhar pelo nome)

    A narrativa tem momentos hilariantes e segue sempre em frente com poucas pausas para meditar. Quando estas acontecem, os eventos podem ser um pouco aborrecidos (não gostei, sobretudo, dos dilemas de Ascânio), mas na maioria das vezes são muito gratificantes em termos de desenvolvimento de personagem (como no caso das confissões de Cardo)

    Todo o livro é de uma ironia ardente e acutilante, atacando a sociedade brasileira da actualidade do contexto com uma subtileza que não deixa de ter muita força. O resultado final dá para muitas gargalhadas.

    E é por isso que o Jorge é Amado. :)
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