Archive for sexta-feira, novembro 21
Strike Witches
0
Strike Witches
Takamura Kazuhiro - Gonzo
Anime - 12 Episódios + 1 OVA
2008
6 em 10
Parafraseando o que uma amiga disse: "Este é um anime que fez tudo bem em todas as partes erradas"
Estamos em 1944, mas existe magia e alta tecnologia. O mundo está a ser invadido por uns bicharocos voadores, os Neuroids, e a única maneira encontrada de lutar contra eles foi reunir um grupo de menininhas e dar-lhes umas pernas robóticas com asinhas de helicóptero, que lhes permitem voar em todas as posições possíveis e dar tiros portentosos nesses tais bichos (que parecem mais robots, mas aparentam estar vivos, à medida que a história progride)
Por alguma razão muito pouco convincente, elas não usam parte de baixo. Calças? Saias? Calções? Nada. Só a cuequinha. Por alguma razão que nem sequer é explicada ("porque magia" parece ser suficiente) cada vez que elas usam os seres poderes voadores aparecem-lhes orelhas e caudas de bicinho, cãozinho, gatinho, coelhinho, inho.
Enfim, em termos de história a coisa não é propriamente a rainha da cocada preta. Em termos de personagens também não. Passamos os doze episódios a assistir à sua vida diária, com umas lutas voadoras por aqui e por ali. Elas simplesmente não fascinam, não têm suficiente densidade e humanidade para que realmente acreditemos nos seus sentimentos e emoções. Cada uma é um estereótipo muito mal cortado da caixa dos Cheerios. O facto de não usarem parte de baixo também não ajuda nada, sobretudo quando estão a tentar convencer uma série de senhores de uniforme que são elas que estão com a razão.
No entanto, e aqui a suína torce as suas vértebras caudais, no entanto... A arte. A animação. São estrondosas. O cenário é o mar, num Verão calmo e com poucas nuvens. É bem bonito. E as cenas de acção, têm momentos únicos e apaixonantes. Quase que dá vontade de gostar de tudo o resto, para que possamos dar uma melhor classificação a isto. Há, certamente, um grande exagero em mostrar volumes vulvares (que, se formos pelo lado negativo, se parecem muito com volumes penianos do universo shota. éÉ tudo uma questão de perspectiva) e uma vez até aparece um mamilo aos pulos, mas perdoemos isto, tendo em conta de que é uma série para rapazinhos hiperexcitados.
Musicalmente, nada de bom, nada de mau. OP e ED vulgaríssimas, parenquimatosamente nada de muito especial.
Enfim, eu cá gosto de ver todas as coisas. Serve como experiência. Recomendo a rapazinhos hiperexcitados.
By : ladyxzeus
O Cónego
0
O Cónego
A. M. Pires Cabral
2007
Romance
Tive a boa sorte de receber este livro pelo BookCrossing. Trata-se de uma edição rara, difícil de encontrar, que está esgotada há muito tempo. Felizmente, uma membra teve a oportunidade de adquirir o livro e a bondade supersónica de o partilhar cá com a gente. :)
Devo dizer que há algum tempo que um livro não me dava um gozo tão grande como este. É maravilhoso, tanto que até o li à noite antes de dormir, coisa que faço muito raramente e apenas em livros que estou a adorar positivamente.
Um jovem padre de Trás-os-Montes é colocado a paroquiar uma aldeia nos confins do país, muito próxima de outra aldeia de onde veio uma pessoa que conheço e é muito minha amiga. Isto é, este lugar existe mesmo! Será que os personagens também existem? Pelo livro, tudo indica que sim. Enfim, este padre, ao longo de várias conversas com o antigo padre, que está acamado, e outros personagens, vai descobrindo - segundo diversas perspectivas - tudo sobre a vida e obra de uma figura que muito marcou esta aldeia: o Cónego.
É no retrato deste homem, que aparece tanto como figura mitológica como ser humano irascível, que ficamos a conhecer muito sobre a vida nestas aldeias, numa época em que ainda estavam completamente isoladas daquilo a que se poderia chamar civilização moderna. Os personagens são únicos e realmente acreditamos que todos eles possam ter existido. Não pude confirmar com a minha amiga, pois a narrativa passa-se nos anos 30-40 (não consegui perceber com muita precisão) e ela ainda não era nascida. Senti, talvez, falta de que aparecessem outras pessoas da aldeia para além do eixo referido constantemente, os quatro personagens essenciais na partilha das histórias sobre o Cónego.
Mas aquilo que gostei mais foi, sem dúvida, a maneira de escrever. Toda a escrita está cheia de pequenos detalhes, talhados em ourivesaria, pequenas expressões, palavras, maneiras de dizer, todas típicas do tempo e do espaço onde decorre a história. Assim, o relato torna-se vivo e está inserido dentro de um lugar que passamos a desejar visitar, para falarmos com estas pessoas e comermos o que elas comem, todas essas pequenas coisas.
Sinto-me uma sortuda e muito feliz por ter tido a oportunidade de ler este livro. Se houver outros do autor, gostaria de os encontrar e lê-los todos também!
By : ladyxzeus