Archive for sexta-feira, outubro 16

  • Taifuu no Noruda

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    Taifuu no Noruda
    Arai Youjirou - Fuji TV
    Anime - Filme
    2015
    6 em 10 

    Um curto filme, produzido em conjunto pela Fuji TV e por um estúdio com o curioso nome de Studio Colorido. ^_^

    Infelizmente, este filme de 26 minutos peca pela falta de tempo dado aos aspectos gerais da narrativa e construção de personagens. Estamos numa ilha inominada, que supomos que seja Japonesa pelo ambiente retratado, numa escola inominada em que se preparam para uma festa (suponho que seja a tradicional "Culture Festival" de que tanto falam em anime). Aproxima-se um tufão de proporções gigantescas e, no meio dele, está uma misteriosa rapariga. Enquanto isso, dois rapazes discutem. Acabam por se unir para a salvar e, no meio disto, há uma insinuação de ficção científica, há aliens por aqui. Mas... Tudo se fica pela insinuação. Não percebemos exactamente qual a relação entre os personagens, que não têm qualquer tipo de caracterização e cujo o desenvolvimento é bastante parco. E em termos narrativos, ficam muitas coisas por explicar: aquelas que são explicadas são-no de forma extremamente breve e não nos permitem um envolvimento imersivo com a história. Desta maneira, o espectador acaba por sentir que tudo isto está incompleto e que o filme deveria ter sido muito mais longo (pelo menos mais meia hora teria ajudado).

    Em termos artísticos, temos cenas de chuva animadas com grande fluidez e um grande ênfase dado às nuvens. Apesar disso, estes cenários não exigem grande técnica e o toque digital dado a todas as cenas contribui para esta sensação. As cores são escuras e tornam os cenários pouco distinguíveis, sendo que o design dos personagens também não tem nada de único que ajude na sua caracterização.

    Musicalmente, temos uma ED agradável e calma, uma espécie de bonança depois da tempestade, sendo que o resto da banda sonora me pareceu adequada.

    Um filme que está capaz, mas que soube a pouco.

  • Shiba Inuko-san

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    Shiba Inuko-san
    Uzu - DAX Production
    Anime - 26 Episódios
    2012
    6 em 10
    Um curtíssimo anime, cada episódio tem 1 minuto e meio. :) Shiba Inuko-san é o cãozinho do meu avatar, portanto não poderia deixar de ver a sua série. Bem, gosto imenso do boneco!
     
    Enfim, este cãozinho afinal é uma menina. Que se parece surpreendentemente com um cão da raça Shiba Inu. Em pequeníssimos momentos, vemos a sua vida e a sua relação com as amigas. Afinal,ela é uma menina normal de 14 anos, que vai à escola e à praia e se diverte muito. São pequenos momentos muito fofos e cheios de graça, que me fizeram rir com fartura e com gosto. As situações não são propriamente inusitadas, são mais uma espécie de momentos da vida diária que, por acaso, têm graça porque a sua protagonista se parece com um cão.
     
    Acho também que este anime poderia ter feito uma análise curiosa relativamente à identidade da personagem, que se identifica como pessoa e não como cão, mas o anime mantém-se como comédia simples e não entra em detalhes filosóficos.
     
    A arte é cuidada, apesar de bastante simples, tendo atenção ao detalhe nos cenários. Em termos de animação, temos momentos com fluidez suficiente. Da mesma forma, o esquema de cores está muito bem escolhido, tornando o anime numa experiência realista.
     
    A música é simples, mas bem conseguida. As OPs poderiam ser um pouco mais curtas, pois gastam um terço do episódio.
     
    Um anime muito fofinho e que se vê num instante!

  • Hayate no Gotoku!

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    Hayate no Gotoku!
    Kawaguchi Keiichirou - TV Tokyo
    Anime - 52 Episódios
    2007
    4 em 10

    Quando penso que já não é possível odiar tanto uma série, aparece mais uma para me surpreender! Fantástico! Hayate no Gotoky!, ou "Hayate The Combat Butler" é possivelmente a comédia menos bem conseguida do último milénio.

    Mas permitiu-me compreender uma coisa: parece-me que, em anime, uma comédia se baseia sempre na paródia. A paródia de alguma coisa, seja música ou filmes, a paródia das situações entre os personagens, a paródia de lugares comuns. No caso deste anime fazem-no através de referências a outros animes. E isto é, possivelmente, a coisa com menos piada que poderiam fazer. Porque as referências aos outros animes são tão básicas, tão acessíveis, tão simples, que qualquer pessoa que tenha olhado para a televisão nos anos 90 as consegue perceber. E isso não tem piada. Porque não se refere a um nicho e as referências para serem bem usadas têm de pertencer a um nicho, isto é, a um grupo específico de pessoas a quem são dirigidas. Este anime tenta agradar a todos e acaba por não me agradar a mim.

    De resto, não existe uma linha narrativa condutora digna desse nome. Não existe uma história, não existe uma evolução. Só existem gags seguidos de gags, que têm a esperança de provocar gargalhadas seguidas de gargalhadas mas que, para mim, só me fazem levar as mãos à cabeça e pedir que acabe depressa. Mas não acaba, porque são 52 episódios de piadas tão secas como um pão cheio de bolor.

    As personagens são uma espécie de subversão do estereótipo de anime. Isto, em si, é mais uma paródia mal conseguida. Porque os personagens parecem existir em função da piada (que não existe) e não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento, evolução ou mesmo caracterização. São completamente desprovidas de personalidade e tudo o que que conseguiram foi irritar-me profundamente e desejar que morressem todas de forma altamente violenta. Se este anime fosse guro, teria tudo corrido melhor.

    A arte é menos infeliz do que poderia parecer à primeira vista. Podemos admitir que algumas cenas estão capazmente animadas e que os designs dos personagens são originais e distinguíveis (na medida do possível). Os cenários, esses, são completamente inexistentes. É um anime sem qualquer tipo de beleza ou conteúdo artístico, apoiando-se numa simplicidade que poderia ter funcionado caso os personagens existissem de todo.

    A música foi a parte que mais me perturbou. É possível haver música tão surpreendentemente má como a deste anime? As OPs e EDs são exasperantes, causam falta de ar, são um happy-pop pastilhado que nem sequer dá vontade de mexer, apenas vontade de nos enrolar num canto e morrer. E quanto às músicas do parênquima... Onde é que eu já ouvi isto? Que tal em... Todos os animes de comédia das últimas duas décadas? Músicas repetitivas, pouco originais e totalmente recicladas. Ouvimos estes temas no Doraemon, pelo amor de deus...

    Enfim, um anime terrível que não recomendo a ninguém. Sei que tem uma legião de fãs, mas não me interessa, odiei isto com todas as minhas forças e ninguém me pode negar esse direito!

  • O Conto da Ilha Desconhecida

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    O Conto da Ilha Desconhecida
    José Saramago
    1997
    Conto

    Para rematar, uma história de Saramago. Muito bela, em toda a sua simplicidade.

    Um homem quer um barco. Após grandes complicações burocráticas o rei dá-lhe um. Aí começa a curiosidade deste conto: que castelo é este, que portas são estas? O que representam estas portas e como se podem relacionar com a realidade da vida humana? Com estas questões em mente, o leitor é enviado para o barco. E aí começam os problemas... Não há tripulantes que queiram ir aonde o homem quer: em busca da ilha desconhecida.

    É muito interessante a análise que o autor faz do humano, enquanto pessoa, de forma tão simples e reduzida mas ainda assim tão profunda. O que são os desejos? O que são os sonhos? E, em conclusão, será que o facto de procurarmos realizar o sonho é o sonho em si? O que interessa mais, encontrar a Ilha Desconhecida ou procurá-la? Será que o facto de a procurarmos é, já em si, a Ilha Desconhecida?

    Isto é, de facto, uma contemplação muito melancólica e muito bela.

    Não posso dizer muito mais sobre este conto porque é uma história curta e simples, mas recomendo a todos que o leiam. É um instante! Deviam substituir o complicado Memorial do Convento por este conto nas escolas, talvez assim os estudantes criança passassem a gostar mais desta maravilhosa pessoa que foi (e é= José Saramago.

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