Archive for quarta-feira, janeiro 09

  • Green Book

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    Green Book
    Peter Farrely
    2018
    Filme
    7 em 10
    Inspirado numa história real, Green Book baseia o seu nome no guia turístico que indicava onde os negros podiam ficar hospedados no sul dos Estados Unidos, numa época em que a luta pelos direitos civis ainda só se iniciava.
     
    Um tipo descendente de italianos, meio rufia, meio ligado à máfia, meio não sei quê, é contratado por um misterioso "Doutor" como motorista. Vem-se a saber que esse "Doutor" é Doc Don Shirley, um talentoso e famoso pianista de música contemporânea. Que vai fazer uma tour pelo "Deep South". E que é... Negro.
     
    Em oposição às intervenções racistas que vão injustiçando o par ao longo do filme, desenvolve-se uma relação entre as duas personagens que se vem a tornar numa grande amizade. Se o motorista ensina sobre a pobreza e a sinceridade ao artista, o artista ensina a arte de bem falar, de bem vestir e de bem socializar. E assim as personagens crescem e mudam a cada momento difícil, aproximando-se mais uma da outra e encontrando um ponto em comum: a música, o talento, o respeito pelo outro.
     
    Gostaria de deixar uma nota para a extraordinária banda sonora. Não tenho a certeza se o actor era também o intérprete, mas se assim for é algo de fabuloso!
     
    Forte candidato aos Oscaros, vamos ver até onde o filme consegue chegar.

  • Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão

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    Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão
    Mário de Carvalho
    2014
    Ensaio 

    Comprei este livor na Feira do Livro 2018, tendo tido a sorte de o ter autografado pelo autor. Trata-se de um ensaio que reúne algumas ideias sobre o que o novel escritor deve fazer para melhorar a sua arte e, assim, escrever com tanto prazer como qualidade.

    Atenção: este não é um livro que fala de escrever em quantidades astronómicas em muito pouco tempo (estou a falar da anormalidade que é o Nanowrimo). Também não é um livro que fala sobre publicar livros e ter sucesso pessoal e financeiro enquanto escritor.

    O que o autor faz é partir da sua própria experiência para dar alguns exemplos do que pode e deve ser feito enquanto se escreve e do que se deve evitar. Repare-se que a experiência principal a que se remete é a da própria leitura. Logo no primeiro capítulo, Mário de Carvalho insiste na importância da leitura enquanto objecto educativo e de pesquisa.

    Fascina-me que haja pessoas que queiram escrever e não gostem de ler.

    Durante o resto do livro, são-nos dados várias dicas de coisas giras que podemos utilizar e como o fazer sem cair na tentação do ridículo. No entanto, a prosa é muito dura, intrincada e um pouco difícil para um leitor menos avisado.

    Um livro muito útil e divertido!
  • Beautiful Boy

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    Beautiful Boy
    Felix Van Groeningen
    2018
    Filme
    6 em 10


    Havia quem estivesse ansioso por este filme, pois o actor principal também participava no querido Call Me By Your Name.

    Em "Beautiful Boy" explora-se uma história (real) da relação entre pai e filho. Apesar deste filho ter sempre sido um exemplo maravilhoso, descobre-se agora que tem um vício e um prazer terríveis: as metanfetaminas. E a heroína, entre outras coisas. A espiral de decadência em que se envolve, após várias tentativas falhadas de reabilitação, é um sofrimento para o próprio e para a sua família, nomeadamente o seu pai. Este procura sempre apoiar o filho mas acaba por não conseguir compreender o vício nem o que faz o vício viciar.

    Apesar de ser uma história sobre esta relação familiar, aliás muito bem interpretada por todos os intervenientes, o filme acaba por ser uma terrífica ode ao anti-consumo, um apelo desesperado para a rejeição da droga: o filme admite que a droga não pode ser (nem deve ser!) compreendida e que os seus utilizadores devem ser imediatamente retirados da sociedade de forma a não se prejudicarem a si próprios.

    Esta análise emocional e muito doutrinadora torna o filme quase como um ralhete ao espectador, em que todos os personagens, o realizador e o resto da equipa nos dizem "as drogas são más, meu filho". E apesar de termos alguns momentos de grande qualidade, não consigo deixar de sentir que há algo de muito pessoal neste filme que não nos é dado a compreender.

    Fica pelas interpretações. Realmente, temos aqui alguém com futuro.
  • Bird Box

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    Bird Box
    Susanne Bier
    2018
    Filme
    5 em 10
    Tinham-me falado imenso deste filme. Diziam que era aterrorizante, ameaçador, provocador para o pensamento. Então eu comecei a ter pesadelos em que via o filme e este consistia em algo como "se olharem uns para os outros começam a crescer-vos olhos gigantes por toda a cabeça e explodem". O que é de sobremaneira pavoroso quando se está a sonhar.

    O filme não é bem assim. O que me causa grande pena, porque o meu sonho era bastante mais emocionante.
     
    Um bicho/doença/demo/coisa misterioso aparece no mundo. Quando as pessoas olham para ele  têm a irresistível vontade de se matar, por puro terror ou pura felicidade. Há quem diga que o bicho é lindo e, por isso, todos têm de olhar para ele. Há quem tente sobreviver. E Sandra Bullock, mais uma vez, tem que ser forte e não-emocional para poder sobreviver, agora acompanhada por duas crianças e uns passarinhos digitais (as únicas criaturas que podem prever o aparecimento do bicho). Fará tudo isso de olhos vendados.

    Apesar de a história ser interessante e um pouco desafiante (como sobreviver sem ver), aparece um pouco repetitiva considerando o tratamento do tema por escritores e filmógrafos do passado. A actriz faz um papel medíocre e não transforma a sua personagem numa figura identificável e amada pelo espectador, pelo que os acontecimentos são mais ou menos indiferentes a quem vê.

    No fundo, é ver quem morre quando e porquê, tal qual um slasher movie dos antigos. As personagens são todas descartáveis e as suas mortes diversas tornam-se mais engraçadas do que assustadoras ou comoventes.

    Fica a nota para a longevidade dos passarinhos digitais, que vão à água, apanham humidade, apanham calor e frio e nem por isso morrem. Extraordinário.
     
     

  • Cabaret da Coxa (2018)

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    Cabaret da Coxa
    Rui Unas
    2018
    Talk-Show
    Reservo este espaço para a primeira vez em que falo de um talk-show neste blog. O talk-show de que falamos hoje tem tanto de hilariante como de subsersivo. Estreado e destruído há coisa de uma década e meia, esteve de volta na altura entre o Natal e o Ano Novo de 2018 para cinco programas dedicados ao mais puro azeite e escatologia.

    Rui Unas conversa com três convidados em cada programa, acompanhado pelo seu fiel papagaio de elevada educação. Ao primeiro convidado é reservada uma meia hora, aos outros uns breve dez a quinze minutos. As conversas não são muito reveladoras sobre nada de importante sobre os convidados, mas fazem rir e isso é o essencial.

    Fica a questão sobre a escolha duvidosa dos convidados. Censurarem a Pergunta perante Madame Cristas parece-me violento. Escolhê-la para falar num programa de comédia também. Outros convidados mais tecnológicos, educativos e relativamente desconhecidos também surgem de forma um pouco estranha, mas ao menos são engraçados.

    Finalmente, os decadentes espectáculos do Cabaret mantêm todo o seu charme de desespero.

    Será que volta em 2019?
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