Archive for segunda-feira, dezembro 30
POPTOP Festival Lisboa
POPTOP Festival Lisboa
Evento
Fomos ao último evento do ano, para também eu fazer um último cosplay do ano. Fui vestida da minha Mukashi Mukashi, a Bruxinha das Histórias, só para passear e haver um bocadinho de fun.
O evento começou logo problemático por causa da sua publicidade e da venda de bilhetes através de "influencers digitais" (muitos deles pessoas minhas conhecidas e amigas), o que levou a um grande backlash pela parte de algumas pessoas. Ainda assim, decidi dar uma oportunidade e lá fomos nós no Domingo, que era o dia do concurso de cosplay, já que várias migas com entrecosto iam participar. Sábado havia uma palestra que me parecia interessantíssima sobre cosplay na era digital, mas eu estava a trabalhar e não podia comparecer, pelo que espero que alguém tenha gravado.
Anyway, chegámos mesmo na hora do início do concurso, que foi muito engraçado e criativo. Os cosplayers estão cheios de criatividade nos seus skits, e estou muito orgulhosa por todos terem feito um trabalho excelente nas suas performances, isto está cada vez melhor. Os meus preferidos foram os skits vencedores, sem dúvida, sobretudo o de Minecraft, em que ri histericamente.
Depois, uma coisa que não via acontecer HÁ ANOS: todos a dançar, a cantar, a fazer o comboio no público e no palco, uma diversão delirante e absoluta em colectivo. Foi um ambiente fantástico de comunidade como já não via há imenso tempo, e isso encheu-me de grande alegria.
Infelizmente, assim que o concurso terminou, apagaram as luzes todas e mandaram-nos embora, o que foi uma tristeza porque assim não pudemos ver o resto do espaço, coisa em que tinhamos muito interesse porque tinhamos muita curiosidade em ver o Pavilhão Carlos Lopes que é um edifício muito bonito. Do pouco que vimos, havia carros (?), muitas arcadas e alguns jogos para jogar. Mas fiquei com muita pena de não ter visto o resto.
De resto, passeámos pela Wonderland (que estava ao lado) em cosplay e uma menina disse-me "Olá". Fiquei conti.
Foi uma excelente maneira de finalizar o ano de cosplay. Até para o ano malta!
The Substance
The Substance
Coralie Fargeat
2024
Filme
4 em 10
ATENÇÃO: eu só vi dois terços do filme enquanto colava cristais numa renda de uns bloomers. Então esta review é um bocado skewed, mas não queria deixar de falar deste filme de quem toda a gente anda a falar histericamente.
Do bocado que vi do filme, entendi que uma mulher velha arranja um corpo mais jovem e que esse corpo toma uma identidade própria absorvendo a juventude da outra mulher que se torna numa velhota caquética e horrenda. Tudo ok, só que a parte que eu vi era absolutamente HILARIANTE, porque estava TÃO MAL FEITA.
Garanto que para mim isto foi uma comédia pegada, desde o momento em que comecei a ver o filme (mais ou menos quando Demi Moore tem um ataque de qualquer coisa e começa a destruir comida) até ao fim (em que Demi Moore explode num blob de carne e sangue e eu chorei de rir). Eu sei que o objectivo era dizer que "somos belas para sempre mesmo quando velhas e não precisamos de ser substituídas por pessoas mais jovens" ou então "as influencers jovens que andam por aí roubaram a beleza a uma velha qualquer e substituiram-na", mas para mim este filme apenas disse "a Demi Moore é um blob de carne e sangue".
Por isso, ficarei para sempre com essa imagem na memória e vou rir sempre que me lembrar dela.
O meu marido dorme no congelador
O meu marido dorme no congelador
Yazuki Mizaka & Takara Yaku
Manga - 2 Volumes / 14 Capítulos
2020
6 em 10
Comprei este manga por impulso (tipo anteontem) e já o li.
Uma mulher é vítima de violência doméstica de todo o tipo, desde porrada a violação e traição. Portanto, decide matar o seu marido e guardá-lo numa arca congeladora que tem em casa. Qual a sua surpresa quando, na manhã seguinte, o marido surge feliz e contente a pedir o pequeno almoço. Nisto começa uma espiral de loucura. Será que ela o matou realmente? Quem é este homem? E ela começa a alimentá-lo com a carne do cadáver que está no congelador.
Se as cenas de violência são realmente impressionantes e conseguimos compreender no nosso íntimo o sofrimento desta mulher, Nana (sobretudo porque o marido é especialmente atraente, isto torna tudo ainda mais perturbador), a conclusão do manga acaba por ser bastante óbvia e parecer uma cópia de vários media que já vimos anteriormente no cinema e comics ocidentais. Gostei bastante da arte e da forma como Nana duvida da sua própria sanidade mental, mas a conclusão realmente não é muito boa, e acaba por frustrar bastante o leitor.
Tendo isso em conta, não posso dar mais do que uma nota mediana a um manga que, com um argumento pensado de outra forma, poderia ter sido excelente.
Ramayana: The Legend of Prince Rama
Ramayana: The Legend of Prince Rama
Sakou Yuugou - Nippon Ramayana Film Co.
Anime - Filme
1993
7 em 10
Uma obra rara e extremamente curiosa, porque foi produzida no Japão e teve um release exclusivo para a Índia, tendo sido re-lançado recentemente em blu-ray pelos seus 30 anos de existência.
Conta o mito de Ramayana, um mito tradicional indiano que conta a história do príncipe Rama, uma das faces do Deus Vishnu. A história é extremamente complexa e cheia de aventuras que, com todo o respeito, só posso classificar de mágicas e mirabolantes, com deuses, demónios, seres mágicos e assustadores e inimigos poderosíssimos que só a bondade divina de Rama poderá vencer.
A animação é o ponto forte deste filme, com cenários de uma beleza incrível e cenas de acção fabulosas, de uma criatividade sem limites.
Aparentemente, todas as crianças da Índia algum dia viram este filme, sem saberem de que se tratava de um anime. Por isso, fiquei muito feliz por ter tido oportunidade de o ver com a original dub indiana. Recomendo.
Miss Major Speaks
Miss Major Speaks
Toshio Meronek & Miss Major
2023
Entrevista
Livro que li para o BookClub LGBT do Círculo dos Cogumelos.
Trata-se de um conjunto de entrevistas a uma das figuras mais relevantes do activismo queer, Miss Major, uma travesti transexual negra que - essencialmente - esteve em todos os momentos relevantes da história LGBT dos Estados Unidos.
As histórias que ela nos conta são de uma importância extrema e esta senhora é um poço de história. Mas mais do que isso, as histórias que ela nos conta mostram-nos as injustiças que as pessoas transexuais, as pessoas negras e as pessoas que - transversalmente - são as duas coisas, sofrem às mãos das políticas sociais e da polícia, e sempre foram sofrendo ao longo dos anos. Mas o seu discurso traz também esperança e, sobretudo, muita compaixão e amor, o que certamente trará muito alívio às pessoas em dificuldade à volta do mundo que terão oportunidade de ler este livro.
Para as pessoas transexuais, este livro é essencial para que compreendam a sua própria história, de onde vieram, para onde vão. Para os aliados, como eu, este livro é precioso para que se compreenda como podemos ajudar melhor, quais as dificuldades que as pessoas enfrentam e como as podemos resolver.
Por isso, recomendo vivamente.
Spider-Man
Spider-Man
Sam Raimi
2002
Filme
6 em 10
Um dos primeiros filmes de super-heróis, no tempo em que ainda os faziam como deve ser e ainda não havia "multiversos" para aqui e para acolá. Na verdade a review do "Spiderverse" que eu escrevi há pouco era para ser deste filme mas olha, enganei-mes.
Adiante. Neste filme colocam Peter Parker na escolinha e ele ganha os seus super-poderes e põe-nos imediatamente em acção contra alguns bullies. Depois temos algumas cenas espectaculares - sobretudo para a época - dele aos pulos pela cidade e logo logo aparece o inimigo, que é o Green Goblin.
É um filme bastante satisfatório e com alto valor de entretenimento, mas que não traz nada de novo em termos intelectuais. Temos cenas de acção muito boas e que nos mantém agarrados ao ecrã, mas para quem espera aprender algo com o Homem Aranha, veio à sala errada.
De todos os modos, fiquei satisfeita por - acho que pela primeira vez na vida - ter visto um filme de super-heróis não totalmente detestável.
Gladiador II
Gladiador II
Ridley Scott
2024
Filme
3 em 10
Se o primeiro Gladiador era uma festa de anacronismo histórico, este Gladiador é um absurdo.
Um "selvagem" é raptado pelos romanos e posto à prova contra uns macacos. Tendo sucesso, é comprado para fazer as vezes de gladiador e o seu dono oferece-lhe a cabeça de Acacius em troca do seu trabalho na arena. Acacius é um general bem parecido (é o Pedro Pascal) que conquistou a terra dos selvagens e está a fazer um trabalho político para destituir os "Imperadores", uns manos maus e doidos com sede de sangue.
E préupréupréu pardais ao ninho, banhos de sangue, tubarões no coliseu romano, gente a montar rinocerontes, uma sucessão de coisas impossíveis e doidas que não fazem sentido nenhum nem no seu contexto histórico, nem na realidade, nem em sítio algum sem ser na cabeça maluca de Ridley Scott, que nem sequer tem a capacidade de produção para me animar o mar como deve ser e para fazer uns barcos digitais com um mínimo de realismo.
Filme mais horroroso que vi este ano, certamente, e o mais parvo também.
Anora
Anora
Sean Baker
2024
Filme
6 em 10
Vencedor da Palma de Ouro deste ano, este filme fala sobre uma "dançarina exótica" que é seduzida pelo filho palerma de um oligarca russo e se casa com ele. Rapidamente o amor se desfaz quando a família do rapaz vem anular o casamento proibido e ele desaparece no tempo e no espaço e Ani (Anora), tem de o procurar juntamente com os capangas do oligarca para salvar a pele.
Digamos que o filme está dividido em duas partes, uma muito desinteressante e uma muito mais gira. A primeira parte, a da sedução, mostra-nos Ani e o seu novo namorado em festas e diversões de gente rica, a fazer o amor loucamente, a dançar, a fazer mais sexo, a consumir drogas, sexo e etc. A segunda parte, com extensas cenas de um só take, é muito mais cativante, e consiste na perseguição ao jovem desaparecido. A actriz faz um papel heróico, seduzindo, gritando e, mais tarde, percebendo o seu erro e - literalmente - passando-se da marmita.
Assim, temos um filme que é tanto super engraçado como assustador e tenso, e ao mesmo tempo com um final um pouco duvidoso e ao mesmo tempo comovente.
Ainda assim, não me encheu as medidas, e creio que poderia ter sido abordado de outra forma.
O Homem Elefante
O Homem Elefante
David Lynch
1980
Filme
7 em 10
Um filme comovente que conta a história real de Merrick, um homem com uma doença que, no século XIX, era considerado um freak da natureza e mantido num circo até um médico o resgatar. Após esse resgate, descobre-se que este homem vítima de uma mutação não é um monstro, é uma pessoa delicada, culta e ansiosa por se integrar na sociedade e ser tratada como outro humano qualquer.
Um filme com uma cinematografia excelente, filmado com uma delicadeza pungente a preto e branco, cheio de atenção no detalhe, e efeitos práticos para criar este "homem elefante" surpreendentemente realistas. O actor por trás desta personagem faz também um excelente trabalho para expressar toda a sua panóplia de sentimentos por trás da pesada maquilhagem, fazendo a sua actuação praticamente apenas com o olhar.
Seria essencialmente um filme sem defeitos, mas de certa forma a história de Merrick não me emocionou tanto como deveria no seu final, e as dúvidas suscitadas ("eu que me aproveito do monstro, serei eu o verdadeiro monstro?") acabam por ficar por responder.
Ainda assim, fiquei com um pouco menos de medo do Lynch e recomendo este filme.
Estranha Forma de Vida
Estranha Forma de Vida
Pedro Almodóvar
2023
Curta-Metragem
7 em 10
Um xerife é visitado por um velho amigo da juventude e rapidamente a sua antiga paixão se reacende. Mas ele sabe que esta visita tem uma razão: este homem quer salvar a vida do seu filho, um criminoso a monte. E sabe que dois homens juntos num ambiente de faroeste, isso é uma estranha forma de vida, isso é uma coisa que não faz sentido nenhum.
Uma curta metragem explosiva e muito, muito romântica, em que no fundo percebemos - por juntar A mais B, 2 mais 2 - que homens sozinhos a pastorear vacas e cavalos.... Certamente que se envolviam uns com os outros. E que essa estranha forma de vida não poderia ser aceite na sociedade, mas que poderia, eventualmente, ser uma vida... Feliz?
Nesta fase final da vida de Almodóvar, ele fala sobre o que lhe apetece e ele contempla o que lhe apetece: homens bonitos, homens bonitos que se amam, homens bonitos que se amam num mundo que nunca os poderia aceitar. E isso, penso eu, é algo de muito belo.
Bloom
Bloom
Kevin Panetta & Savanna Ganucheau
2019
Banda Desenhada
Outro livro que comprei no AmadoraBD, achando que boyslove americano teria bastante potencial.
Afinal... Não tem assim tanto.
Esta é uma história de amor entre um rapaz grego cujos pais têm uma padaria e um estudante de padeiro que vai trabalhar para a padaria. O greguito quer mudar-se para a grande cidade com a sua banda mas os pais querem que ele tome conta do negócio. E patati patata, andam por lá com os amigos e fazem isto e aquilo e mais o outro e NADA ACONTECE por páginas e páginas de tons de azul, que podem ser muito fofinhos mas que me aborrecem tremendamente.
E quando finalmente acontece alguma coisa, dá em tragédia, e em vez de o autor avançar com o romance e lhe dar uma conclusão... Não, apenas o deixa assim em contraponto, enquanto nós ficamos ansiosamente à espera de que eles se rebolem no meio da farinha e do pão e da massa mãe e façam o amor pelo meio das chamas dos fornos.
Penso que o meu texto foi mais picante e romântico que o livro inteiro. Voltemos ao BL japonês, por favor, que é a preto e branco e não azul, mas muito mais satisfatório em termos de romance.
Pele de Homem
Pele de Homem
Hubert & Zanzim
2020
Banda Desenhada
Comprei este livro no qual estava muito interessada no AmadoraBD deste ano.
Bianca, uma rapariga renascentista de boas famílias, vai casar-se com um homem bonito e rico, mas que não conhece. Mas a sua madrinha conta-lhe um segredo: na sua família, as mulheres têm uma "pele de homem" que podem usar para ser um homem durante o tempo que desejarem e explorarem o mundo masculino à sua vontade. Este homem, Lorenzo, é extremamente atraente e - usando a sua pele - Bianca irá conhecer os segredos do seu futuro marido Giovanni e apaixonar-se por ele de uma maneira totalmente surpreendente.
Este é um livro extraordinário que explora conceitos de queerness, feminismo, liberdade sexual e social e - também - as várias formas como podemos amar. Além disso, é possuidor de uma arte belíssima, sensual e sincera, que não esconde mas também não exagera no erotismo. Bianca é uma personagem poderosíssima, corajosa, honesta com os seus sentimentos e totalmente liberta de correntes quando usa a pele de Lorenzo.
Esta foi a minha banda desenhada preferida do ano, e recomendo vivamente.
What We Do in the Shadows Season Finale
What We Do in the Shadows Season Finale
Jemaine Clement
2024
Série
E finalmente chegou a altura de nos despedirmos dos nossos vampiros preferidos. Nesta season, assistimos à criação de um monstro aos modos de Frankenstein, ao despedimento de Guillermo e à sua integração no mundo empresarial dos humanos, sempre acompanhado pelos seus amigos vampiros que não percebem nada do que estão a fazer ali, e - finalmente - ao fim do documentário.
Foi um bom final para uma série que acompanhámos durante seis anos, com personagens pelas quais ganhámos um grande carinho e pelas quais nos apaixonámos e vibrámos, criando cenários na nossa cabeça, fanfictions e fanart.
O final não podia ser mais divertido, aproveitando todo o material que os fãs imaginaram para nos oferecer tudo aquilo que queríamos, mas deixando-nos sempre na dúvida: afinal, o que vai continuar a acontecer com esta família? Vão continuar a viver como sempre viveram, as suas aventuras divertidas mas repetitivas, ou será que o Homem Morcego vai viver? (não é o Batman)
Talvez nunca o venhamos a saber, mas lá que foi uma viagem bem divertida... Lá isso foi. :)
Heretic
Heretic
Scott Beck & Bryan Woods
2024
Filme
6 em 10
Duas meninas Elders vão, aparentemente, pregar para a freguesia errada e vêm-se na casa labiríntica de Hugh Grant, onde este as confronta com o facto de que o deus em que acreditam ser uma cópia, repetição e imitação de outros deuses e cultos mais antigos. Assim, a sua fé é posta a prova em pequenos joguinhos, e com isso terão de tentar salvar a sua vida.
É um filme cheio de diálogo filosófico e teológico que não nos leva a grandes lugares, mas é divertido porque Grant faz um grande papel de mauzão e é realmente creepy. Os cenários também estão muito bem criados e esta casa misteriosa é realmente muito assustadora.
De resto, não se trata de um filme especialmente memorável, porque os conceitos aqui tratados não são realmente um debate muito relevante, sobretudo porque estamos a debater com adventistas do sétimo dia, que não têm um grande argumento.





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