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  • Heroína

    6
    Heroína
    Helena Duque
    2014
    Romance

    Livro para o qual me inscrevi no BookCrossing, pois gosto sempre de dar a oportunidade a literatura portuguesa. Sobretudo quando é de novos autores! Assim, vou enviar este comentário à autora... Poderá ser negativo por vezes, mas tento sempre ser construtiva. E a verdade é que gostei bastante do livro.

    É um romance, daqueles de amor, vivido por uma rapariga jovem numa actualidade com que todos nós nos podemos relacionar. Acho isto o ponto mais importante do livro, o facto de falar de problemas muito próximos de nós. A dificuldade em arranjar um emprego, em manter uma relação estável, as dúvidas, os vícios, tudo isso está muito bem explorado. Descrito de maneira lírica e delicada, o livro prende-nos até ao fim devido às características de Maria Alice, a personagem principal. É uma rapariga muito real, com as suas inseguranças e num estado de depressão subdiagnosticada que lhe dá uma profundidade bastante palpável.

    O mistério de Ricardo também está bem concebido, mantendo-se mesmo até ao final (apesar das tristes consequências)

    Isto é, na sua génese é um livro muito bom, com uma grande carga emocional e trágica. No entanto, há alguns detalhes a apontar, que poderiam ser prevenidos com uma atenta revisão editorial (que, segundo consta, a editora Chiado não faz). Comecemos pela semântica: a utilização das palavras está muito limitada e o vocabulário acaba por se tornar repetitivo, assim como o mau uso da pontuação e algumas gralhas. Outra coisa que se nota é que a autora é uma menina (da categoria das pequeninas, isto é, com muito espaço para aprender :) ), pois há uma insistência fragrante em detalhes que não interessam. A descrição dos corpos dos homens, parece revelar uma preferência por esse tipo de homem musculado e bem-tratado. A personagem está sempre a fumar. Isto é natural para um fumador, mas a verdade é que um fumador não racionaliza sobre todos os cigarros que fuma ao longo do dia. Muito menos pensa "vou fumar este veneno podre". Também ninguém bebe uma garrafa de vinho branco todas as noites e acorda toda contente para se ir maquilhar no dia seguinte. Pobre fígado da Maria Alice! E, falando em maquilhar, porquê descrever todas as roupas que todos usam? "Vesti-me assim e assim" só é importante quando a roupa é importante para a história e, durante todo o livro, só houve um único momento em que estar vestido ou nu seria relevante.

    Para além disso há alguns erros de lógica que também não passariam numa revisão. Por exemplo, "não sei quantos cigarros fumei, mas o maço estava a meio e acabei-o". Ora, se o maço estava a meio tinha 10 cigarros. Portanto, ela sabe que fumou 10 cigarros. A menos que fosse tabaco de enrolar. :>

    No entanto, vejo aqui bastante potencial, que ainda requer um pouco mais de polimento (muita leitura e muita escrita) para ser uma grande obra de arte. Verdade seja dita, adorei o livro e li-o de uma ponta à outra. Fiquei com muita pena da personagem no final, mas espero que a vida continue. :)
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