Archive for sexta-feira, agosto 03

  • Último a Sair

    0
    Último a Sair
    Bruno Nogueira, Frederico Pombares, João Quadros e Ricardo Freitas 
    2011
    Série

    A pouco e pouco fomos vendo esta série, tão popular no ano da sua estreia, mas que eu tinha falhado (porque é raríssimo eu ver televisão, ainda para mais se for para acompanhar alguma coisa).

    Um show dentro de um show, reúne uma série de pessoas conhecidas do nosso querido povo portuguÊs num reality show. Num reality show muito realista. Porque, com estas pessoas envolvidas, o resultado não podia ser menos do que absurdo.

    Pleno de conversas existencialistas que não fazem sentido nenhum, diálogos surrealistas cheios de dicas filosóficas que ficam para a vida e cenas altamente sensuais entre vários membros do cast (os masculinos, os femininos e os coisos), é uma série chocante. Porque perante tamanha bizarria, não se pode fazer nada sem ser ficar PERPLECTOS em frente ao nosso ecrã.

    Ficamos a aprender sobre galinhas, ameijoas e carecas, ficamos a aprender sobre o próprio sentido da vida.

    Aos jovens que não acompanharam esta série no ido ano de 2011... Vão ao youtube. Admirem-se. Procedam. Vivam.

  • Willow

    0
    Willow
    Ron Howard
    1988
    Filme
    6 em 10

    Apanhámos este filme na televisão e ficámos a ver. Porque se há filmes que eu realmente adoro (me culpa, mea culpa) são filmes de fantasia dos anos 80 <3 Encantam-me!

    Willow é um anão que é encarregado de levar um bebé até uma feiticeira, para a salvar dos terríveis rituais de Mogmorda, a rainha má que quer trazer caos ao universo. Acomapnahdos por outras figuras cheias de candura, lutam contra diversos inimigos e aprendem muitas coisas sobre a perseverança e a coragem.

    Fazendo excelente uso dos seus recursos, este filme consegue mostrar-nos um mundo fantástico altamente detalhado, cheio de magia e de encanto. As personagens são muito simples, é certo, mas a sua simplicidade fá-los mover pessoalmente, de forma a que estão sempre a aprender, a evoluir e a mostrar-nos como nós próprios o poderemos fazer.

    Apesar da narrativa básica ser bastante infantil, esse é um aspecto que me dá gosto ver. Penso que é algo que se perdeu um pouco nos filmes juvenis da actualidade, a simplicidade de podermos ser apenas uma criança que não precisa de muitas coisas para estimular a sua imaginação e, com base em apenas um filme, criar todo um novo mundo de actividades.

    Foi uma experiência giríssima!

  • Sôbolos Rios Que Vão

    0
    Sôbolos Rios Que Vão
    António Lobo Antunes
    2010
    Romance

    Mais um romance do António Lobo Antunes, o penúltimo da minha lista de leitura que, a pouco e pouco, se aproxima do seu derradeiro (e forçado!) final.

    Neste livro, parece-me que chego a uma conclusão. Vejam o que vos parece: eu acho que o António Lobo Antunes está, desde sempre, a escrever o mesmo livro.

    Isto porque nestes Sôbolos, temos de novo a mesma estrutura, os mesmos temas, os mesmos lugares. Arriscaria a dizer as mesmas pessoas? Mas com outras identidades, com outras formas de ser. Mas com os mesmos dramas, as mesmas dificuldades. As mesmas situações.

    Seguimos uma pessoa que está doente, no hospital, alucinando com as pessoas do seu prsente e do seu passado, sem saber se é adulto ou criança, no desespero da doença e da morte. Uma não.aceitação do natural, uma análise da dificuldade em aceitar as consequências do conhecimento do próprio.

    Vejo também que, à medida que Lobo Antunes envelhece, os seus livros ficam mais extremos, mais fechados sobre si mesmos, como se o autor se embrulhasse numa concha de papel: como se a sua voz não se quisesse calar mas o seu corpo não o deixasse fazer.

    Falta-me um livro para finalizar as minhas conclusões. Devo dizer que estou ansiosa por o ler!
  • Good Time

    0
    Good Time
    Benny Safdie e Josh Safdie
    2017
    Filme
    6 em 10

    Um filme curioso e estranhamente divertido. E a prova de que o actor pode ser um bom actor mesmo que o seu primeiro papel tenha sido terrível. Sim, estou a falar de Robert Pattinson (que é feio neste filme, vejam)

    Então, um jovem delinquente tem um irmão. E esse jovem delinquente tem uma limitação emocional e não sabe muito bem o que faz. O irmão dele leva-o a assaltar um banco, boa actividade em família, e ele é apanhado. Agora, o irmão terá de cometer crime atrás de crime para enconrar dinheiro suficiente para lhe pagar a fiança.

    Quando decide ir buscá-lo ao hospital, onde pensa que ele se encontra, salva uma pessoa que é exactamente igual ao irmão mas que... É outra pessoa. Juntos, irão numa aventura em busca de uma garrafinha de sumol cheia de ácido lisérgico e uma caixa com imenso dinheiro.

    E são problemas seguidos de problemas que se resolvem sempre da pior maneira possível! E isto é, de certa forma, hilariante. Os acontecimentos são violentos, trágicos, encaixados num realismo de raiva. Mas a sequência destes é tão bizarra e tão mal jogada, em que os personagens se vão safando à custa de grandes golpes de anca, que o efeito só pode fazer rir.

    Feito com recursos simples, é um filme que funciona muito bem e é um excelente exemplo do que pode ser o cinema de puro entretenimento.

  • Awakenings

    0
    Awakenings
    Penny Marshall
    1997
    Filme
    7 em 10

    Um sensível filme, baseado numa história real, sobre a relação entre um médico e os seus pacientes.

    Robin Williams é Dr. Sayer, um médico neurologista a quem lhe é atribuída uma ala hospitalar em que residem doentes catatónicos. Através da observação, Sayer descobre que estas pessoas ainda possuem algum tipo de sensibilidade e experimenta novas drogas para os fazer "despertar". O paciente escolhido para os testes é Leonard Lowe, aqui Robert DeNiro. O seu despertar e o dos outros doentes é revolucionário. Agora querem recuperar todo o tempo perdido.

    Um filme que nos mostra um pouco sobre a descoberta da humanidade nos pacientes mais complexos e da humildade no médico, o detentor do saber que terá de explorar todas as possibilidades para os manter. E, neste caso, não tanto salvá-los, mas sim o mantê-los o mais confortáveis possível na sua situação. Esta perspectiva é tocante e palpável, fazendo a narrativa ir mais além do que a sua interpretação.

    Fazendo uso de imagens simples mas muito belas, tanto trágicas como familiares, e um trabalho de actor pleno de sensibilidade e cuidado, é um filme que se eleva no seu contexto e traz mesmo uma certa paz a quem o vê.
     
    Um filme que me ficará por algum tempo na memória.

  • Tully

    0
    Tully
    Jason Reitman
    2018
    Filme
    6 em 10

    Aclamado pela sua visão da maternidade, este é um filme preparado para uma personagem que nos mostra uma perspectiva absolutamente pavorosa dessa maravilhosa visão.

    Marlo está grávida de nove meses e tem dois filhos e um marido. Sempre em correria por causa das duas crianças e daquela que entretanto nasce, decide-se a telefonar a uma ama nocturna, que a irá ajudar a tomar conta da situação, mas apenas durante a noite.

    Surge-lhe Tully, uma rapariga toda gira e toda jovem, que faz montes de coisas na sua vida e a ensina que também ela se pode divertir enquanto mão. E a conclusão que esta personagem tira (e aquilo que me atemoriza neste filme) é que não faz mal não ter sonhos, fazer sempre as mesmas coisas, estar lá para todos e ser sempre exactamente igual.

    Esta aprendizagem da personagem principal, de boa forma interpretada por Charlize Teron, é terrivelmente triste. Isto é ainda mais exacerbado pela conclusão final que, mesmo sendo previsível, tira todo o tempero do filme.

    Estava com muita vontade de o ver e, no final, desapontou-me.

  • Pacific Rim: Uprising

    0
    Pacific Rim: Uprising
    Steven S. DeKnight
    2018
    Filme
    4 em 10

    Então a gente viu este filme. Tinha cenas de acção.

    Tinha cenas de acção horríveis.

    Tudo o que o Pacific Rim original tinha sido, pleno originalidade, aventura e robots gigantes, é o que Upirising não é nem, aparentemente, alguma vez teve pretensão de vir a ser. Este é um filme que, saindo no cinema, tem uma direcção e produção digna de um qualquer Piranha 3DDD do Sci-fy.
     
    Actores terríveis, nada localizados na realidade do filme e muito menos dentro das suas personagens, animações em CGI primitivo, designs robóticos pouco práticos e verosímeis. Uma história de amor entalada por ali e temos um filme de robots gigantes a lutar contra monstros gigantes.
     
    E é isso.
     
    Portanto, a minha recomendação é que não vejam este filme quando estiver no Netflix.



  • Good Morning, Vietnam

    0
    Good Morning, Vietnam
    Barry Levinson
    1987
    Filme
    6 em 10

    Talvez um pouco influenciados pelo facto de, bem, termos acabado de ver um documentário sobre Robin Williams, arranjámos alguns filmes do actor que eu ainda não tinha visto. Sim, para minha grande vergonha nunca tinha visto o GOOOD MOOORNING VIETNAAAM!!!!

    Talvez tenha ido para este filme com expectativas demasiadamente elevadas. É divertido mas, quanto obra única, perde um pouco o seu valor. Robin Williams é um DJ em Saigão no ano de 1962. Faz o seu programa de música e variedades para ser ouvido por todos os soldados americanos que têm a infelicidade de estar no Vietname àquela hora.

    Por acaso, também ensina inglês a aldeãos vietnamitas no seu tempo livre.

    Com muita inocência e uma grande dose de improviso, assistimos ao programa de rádio mais divertido e, ao mesmo tempo, mais deprimente de sempre. Robin Williams tem um papel feito para ele: basta vestido o fato da sua personagem para explodir num diálogo de vivacidade e paródia. E é esse o valor do filme.

    Porque de resto, temos uma história bastante infantil, sem qualquer tipo de consequência, que em nada caracteriza o terror da guerra e em que todos os seus personagens são estereótipos baseados numa perspectiva pessoal do realizador.

    Assim, o filme é engraçado para ver à tarde em família, mas ficou um pouco para trás.

  • Robin Williams: Come Inside My Mind

    0
    Robin Williams: Come Inside My Mind
    Marina Zenovitch
    2018
    Filme
    6 em 10

    Surgiu um documentário sobre Robin Williams, o artista que nos deixou de forma perturbadora há alguns anos, retirando-se da vida e deixando todo o mundo a perguntar-se... "Como uma pessoa tão feliz pode cometer suicídio".

    Este documentário vem mostrar-nos um pouco da vida do comediante e revelar-nos que nem tudo é o que parece.

    Abordando as várias fases da vida do autor, com especial enfoque no seu trabalho enquanto comediante televisivo no início de carreira e, também, na sua actividade sempre presente em stand-up comedy, o documentário procura imagens de arquivo, velhas fotografias e relatos das pessoas que com ele privaram. De forma talvez demasiado célere, vemos os diversos momentos tristes e felizes (a maior parte felizes) sempre filtrados pela própria visão de Williams: o texto ómico, o movimento incessante, a força de trabalho.

    Infelizmente, o filme peca por se focar demasiado em assuntos que, sendo importantes para a vida do actor, acabam por não encontrar paralelo na visão do espectador: parece que tudo o que foi mostrado foi algo que pouco influenciou a actividade e a arte da pessoa. Também depende um pouco demasiado do filtro do stand up para fazer passar o seu ponto: coloca o actor a falar sobre o seu próprio momento.

    Ainda assim, foi um alívio e uma alegria descobrir algumas coisas, nomeadamente a suposta causa da sua morte.

    Assim, sugiro que o vejam, se forem fãs ou apenas curiosos.

  • A Mulher da Areia

    0
    A Mulher da Areia
    Kobo Abe
    1962
    Romance

    Recebi este livro como um simpático bónus numa actividade do BookCrossing. Apesar de estar um pouco reticente em ler algo que não estava nos meus infinitos planbos, o facto de ser de um autor japonês intrigou-me.

    E é, realmente, um livro muito intrigante.

    Um homem, professor, entomologista, vai em busca de uma nova espécie de insectos a uma zona mais ou menos remota do Japão. Encontra-se numa aldeia feita de areia, em que tudo é areia. Os habitantes desta aldeia obrigam-no a ficar por tempo indeterminado, para que ajude a aldeia a preparar-se para o inverno, protegendo-se da infinita areia.

    Com um traço largo surrealista, o livro mostra-nos a miséria da forma de viver das aldeias menos favorecidas do Japão, com um toque de imaginação e um toque hiperbólico que nos deixam a pensar sobre quanto deste retrato será verdade, tornando a experiência do homem uma leitura ansiosa, assustadora e sinistra.

    A evolução do homem en1uanto personagem é tanto desesperada quanto discreta. Acompanhando as suas tentativas de fuga e adaptação, observamos como o homem - talvez enquanto figura política e social - se mistura no mundo de areia, tornando-se ele próprio apenas mais um grão, sem função, numa multidão destruidora.

    Escrito de forma muito simples, tem o charme narrativo que os autores do pós-guerra japonês a sempre nos habituaram.

    Uma óptima leitura!
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan