Archive for domingo, maio 12

  • A Cosmética do Inimigo

    0
    A Cosmética do Inimigo
    Amélie Nothomb
    2001
    Romance

    Um homem está à espera de um avião, que se atrasa. É subitamente incomodado por um senhor muito estranho e muito, muito chato, que não o deixa sossegado e começa a contar-lhe toda a sua vida. Mas este encontro bizarro é muito mais do que deixa transparecer à primeira vista!

    Uma narrativa rápida, esquisita e hilariante. Vamos descortinando os horrores desta narrativa acompanhados sempre de gargalhadas, em que o discurso cada vez mais inusitado dos personagens nos leva ao colapso.

    O final é tão estranho como surpreendente e, claro, também é por demais engraçado! Cada vez gosto mais desta autora e, se me surgirem mais livros dela, não perderei a oportunidade em lê-los!

  • As Identidades Assassinas

    0
    As Identidades Assassinas
    Amin Maalouf
    1998
    Ensaio
    Este é um ensaio claro e bem estruturado sobre o que é a verdadeira identidade de cada pessoa e como as várias identidades que cada um tem dentro de si podem influenciar os seus comportamentos e opiniões.

    O autor faz um paralelo entre as várias coisas a que uma pessoa pode pertencer (morada, religião, etc.) e como as coisas não são mutuamente exclusivas, podendo influenciar-se umas às outra e, assim, formando a verdadeira identidade de cada um.
     
    No entanto, não apreciei que o autor estivesse sempre a voltar a uma comparação com o islamismo, sendo que ele se afirma cristão desde o início. Parece-me injusto falar-se destas formas de uma religião que não nos pertence, embora saibamos que este autor tem uma pesquisa muito completa nos seus livros, versando muitas vezes sobre o mundo islâmico.
     
    Uma leitura rápida e que vale sempre a pena.

  • Encontros Imediatos do Terceiro Grau

    0
    Encontros Imediatos do Terceiro Grau
    Steven Spielberg
    1977
    Filme
    7 em 10

    Um fantástico filme de ficção científica! Os aliens, finalmente, estão a comunicar. E estão a comunicar para nos conhecer. Esta narrativa fala-nos de um grupo de pessoas que ficam influenciadas pela comunicação dos extra-terrestres e como isso altera as suas vidas.

    No entanto, as personagens servem sobretudo para nos dar um ar de maravilha e encantamento sobre a acção dos alienígenas sobre as mentes das pessoas. O que realmente é extraordinário são os encontros propriamente ditos, com efeitos especiais surpreendentes e uma série de comportamentos das pessoas em que o deslumbramento é tal que ficamos plenamente convencidos que, sim, estes aliens só nos querem bem.

    A cena final é comovente e trouxe-me uma felicidade imensa. Com uma banda sonora memorável e momentos que serão lembrados durante  muito tempo, é um filme tanto épico como cheio de surpresas e coisas fantásticas.

    Recomendo vivamente.
  • O Mundo em que Vivi

    0
    O Mundo em que Vivi
    Ilse Losa
    1949
    Romance

    O necessário livro sobre a segunda guerra mundial de que o Plano Nacional de Leitura necessita. Narra a infância e início da vida adulta de uma rapariga judia.

    O problema aqui é que ela se sente sempre mal em ser judia. É certo que no pré-guerra da Alemanha era uma condição um pouco grave, mas não existe nenhum momento em que a autora faça referência aos hábitos familiares, resumindo as suas actividades religiosas a algo que lhe causa pudor e vergonha.

    Para além disso, a personagem aparenta ter sempre a mesma idade ao longo do livro. Par anós, continua sempre a ser uma criança de seis anos até que subitamente vai trabalhar e aí compreendemos que, surpreendente!, afinal estamos a falar de um adulto.

    Disseram-me também, e tinha essa expectativa, que o livro era extremamente triste e que fazia chorar até as pedras da calçada. Mas todos os momentos de tristeza eram sempre os de uma criança mimada que não tem o vestido bonito que queria ou coisas do género.

    Desapontou-me, embora perceba a sua importância para o panorama literário nacional.
  • A Pomba

    0
    A Pomba
    Patrick Süskind
    1987
    Novela

    Uma noveleta que recebi através de uma actividade mistério do BookCrossing, pela qual fiquei logo interessada. Afinal, este autor tem textos muito curiosos e gosto sempre de o ler.

    Livro pequenino, conta a história desesperada de um homem que, habituado a viver sempre da mesma maneira, encontra uma estranha pomba à porta do seu quarto. Segue-se uma série de situações inusitadas, provocadas pelo nervosismo do personagem e fonte de mais ansiedade para este.

    É um conto divertido, apesar de aflitivo e bastante triste, que versa sobre o que é realmente o pânico e tudo o que ele pode gerar para a vida de uma pessoa que, a certo momento, pode mesmo começar a duvidar do seu sentido.

    Rápido e interessante.
  • Todas as crónicas

    0
    Todas as Crónicas
    Clarice Lispector
    2018
    Crónicas
    Um livro que recebi de prenda de Natal (vejam lá, só agora cheguei a ele, haha) e que me encantou do início ao fim.

    Até agora, ainda só li um romance de Clarice Lispector, que me surpreendeu pela sua clareza na linguagem e análise do personagem. Nestas crónicas, encontramos uma Clarice mais próxima e mais familiar, que nos aborda como uma amiga a quem se convida para tomar um café.
     
    Conta-nos histórias da sua vida e das coisas que lhe foram acontecendo, misturando tudo isso com uma análise profunda e emocional sobre o próprio acto de escrever. Assim, para uma pessoa que escreve este livro é uma bíblia de inspiração, perdida em frases soltas dentro das curtas narrativas que Clarice nos conta .
     
    Escrito com uma perfeição técnica arrasadora, este conjunto de crónicas acompanha a própria história do Brasil moderno. Recomendo vivamente.

  • Fahrenheit 451

    0
    Fahrenheit 451
    François Truffaut
    1966
    Filme
    7 em 10
    Fahrenheit 451 é a temperatura a que um livro arde. Baseado no romance homónimo, este filme de 1966 mostra-nos um universo distópico em que os livros foram eliminados.

    Seguimos a história de um bombeiro que, no processo de queimar livros todos os dias, acaba por se apaixonar pela leitura. É-nos dada uma visão pessimista deste mundo, em que os livros são tidos como histórias que apenas desconcentram as pessoas das coisas realmente importantes, dando-lhes ideias fantasiosas e, no fundo, enchendo-as de tristeza.

    Mas também nos é dada uma luz de esperança: existe um grupo de pessoas que, apaixonadas pelos livros, devoraram-nos, decoraram-nos e, assim, se tornaram pessoas-livro. Livros vivos que nos contarão a sua história a pedido ou simplesmente porque agora é essa a sua forma de estar e viver.

    Com efeitos curiosos para a época, apesar da destruição maciça de livros, é uma história apaixonante.
  • Capote

    0
    Capote
    Bennett Miller
    2005
    Filme
    7 em 10

    "A Sangue Frio", de Truman Capote é uma obra maior da literatura norte americana. Este filme fala sobre como aconteceu, supostamente, o processo criativo deste livro, pelas mãos do seu autor, Truman Capote.

    Excelentemente interpretado, em todos os seus jeitos e maneirismos, por Philip Seymor Hoffman, Truman Capote é trazido à vida, tal como o seu interesse quase obsessivo pela história dos assassinos que cometaram um dos mais hediondos crimes da época.

    No entanto, penso que o filme falha precisamente na moderação do interesse pelo autor na vida dos criminosos, especialmente o mais tímido. Este, no livro, tem uma descrição tão detalhada que penso que o filme teria feito bem em explorar com mais profundidade a relação de confiança absoluta que se estabeleceu entre os dois.

    Capote aparece como uma figura manipuladora, estática e gelada cujo envolvimento na história passaria apenas num plano estritamente profissional. Mas não me parece que tenha sido assim. Não acreditei muito no filme.
  • O Bom Rebelde

    0
    O Bom Rebelde
    Gus Van Sant
    1997
    Filme
    6 em 10

    Fomos de viagem e vimos alguns filmes, de que falarei de seguida. O primeiro foi "Good Will Hunting", ou "O Bom Rebelde" em português.

    Um jovem sobredotado trabalha como funcionário das limpezas numa faculdade importantíssima. Espera viver sempre assim e nunca sair do sítio, apesar de esta sua motivação não aparentar ter um fundo de maneio. Há toda uma estética moral no facto de serem todos órfãos, o que parece um pouco forçado.

    Esse jovem revela um dom extraordinário para a matemática. Mas como é rebelde e não se interessa minimamente pela vida académica (as coisas apenas são fáceis para ele) levam-no a um terapeuta, que é Robbie Williams. O resto do filme processa-se no analisar de ambos sobre eles próprios, num teste de vontades e de revelações.

    É um filme bastante simples, cheio de boa vontade como o nome indica. No entanto, deixou-me um pouco desapontada, porque as personagens simplesmente não parecem reais e toda a situação é estranhamente improvável.
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan